A hora CERTA de casar ERRADO

Quando no sentimos frágeis e carentes, o casamento pode parecer a solução mágica para os nossos problemas. Saiba identificar esses momentos.

Casamento triste
Casamento (Pixabay)

Casar para dividir a vida com alguém que se ama é uma experiência fascinante. Mas casar (mesmo que não seja de véu e grinalda) pode ser desastroso se a decisão for tomada precipitadamente, num momento de carência afetiva, como se fosse a solução mágica para os problemas. Portanto, é melhor ficar de antenas ligadas e perceber quando o perigo está rondando.

Sua irmã ou melhor amiga acabou de se casar: Nas duas situações você se sente rejeitada, excluída. O casamento da irmã pode despertar inveja, ciúme e mágoa porque ela vira o centro das atenções da família com os preparativos — festa, apartamento, enxoval —, e você fica com medo de que não sobre nada para você. Isso pode suscitar o desejo de casar logo para ter os mesmos privilégios.

Quando se trata da melhor amiga, seu casamento vai afrouxar, inevitavelmente, o laço que existia entre vocês. Mesmo que vibre no início, de repente você percebe que está sobrando. Inveja, ciúme e todos os sentimentos “ruins” que a sociedade nos ensinou a negar brotam nessa hora. Se aparece alguém que se encanta com você e oferece colo, você embarca mesmo. O casamento acena com uma vida nova, dá vontade de resolver os problemas por esse caminho. Como evitar o risco? Primeiro você precisa destilar essas “impurezas interiores”. Procure um amigo, alguém da família ou o próprio namorado e chore de despeito e inveja Depois resolva o que fazer da vida

Seu ex vai se casar: E de repente você resolve fazer o mesmo, com medo de ficar para trás ou de parecer o lado defeituoso da relação “Se ele refez o vida tão depressa, é porque é saudável; o problema deve ser meu". Se for o ex-marido, talvez o que mais pese seja a questão econômica. Embora o valor da pensão seja fixado no ato da separação, a chegada de outra mulher pode diluir a possibilidade de receber maior ajuda. Em busca de segurança financeira, muitas mulheres partem para um novo casamento.

Sua carreira vai mal: O casamento aparece como uma forma de dar uma guinada na vida. Você pode largar tudo aquilo que estava tão chato e a partir de então, se dedicar à carreira de mãe. Ou talvez casar-se com um superior, para subir de posto. Pode haver aí um certo oportunismo e você deve estar ciente dos riscos.

Sua mãe casou-se de novo: Se você não aceitar seu padrasto, vai achar que “é demais" e tentar sair de casa. O casamento parece a solução ideal. O grande problema é quando o namorado não está com boas condições financeiras e você se sujeita a morar com os sogros. Nessa casa estranha, é bem provável que você tenha que tolerar situações bem piores do que as brigas com sua mãe.

Alguém que você ama acaba de morrer: Você perde o pai. a mãe ou uma avó muito querida e vive uma situação real de desamparo. No luto profundo, a dor é tão intensa que a pessoa fica vulnerável, precisando realmente de carinho. Às vezes se desgoverna de tal modo que fica incapaz de tomar decisões. O casamento supre a necessidade de afeto, mas talvez seja mais seguro deixá-lo para depois.

Você sente que está ficando velha: Há uma expectativa social de que aos 22 anos toda mulher deve ter um namoro firme. E justamente nessa idade você vive a transição entre a juventude e a idade adulta. Já tem um diploma, só que ainda não arrumou emprego, portanto depende financeiramente dos pais. O futuro é muito incerto. Ao mesmo tempo, você almeja assumir sua independência. De repente surge o casamento como um caminho para organizar sua vida e também como o grito de liberdade. A jovem pode fazer essa escolha e se decepcionar.

Aos 30 anos a constatação “estou ficando velha” pode ser uma forma de esconder a baixa autoestima: “O que eu tenho de errado? Por que ninguém me quis?” Ela nunca pensa o contrário: “Por que eu não quis ninguém?" Aí pode escolher o primeiro que aparece. ”Se ele reparou em mim, que não valho nada, tem que ser ele”.

Pressa de ser mãe: Depois dos 30, você pode sentir que os anos estão passando e você ainda não realizou o sonho de ser mãe, casando-se com o primeiro que lhe fizer a proposta. Essa preocupação está estimulando mulheres jovens a terminarem casamentos infelizes, baseadas num raciocínio simples e verdadeiro: “Tenho que me separar agora, porque, até arrumar outro companheiro, terei 35 anos; ainda não é tarde para ter o primeiro filho”.

Vocês se dão bem na cama: É ótimo sentir o desejo à flor da pele e viver uma paixão ardente. Mas você pode confundir essa atração sexual com amor verdadeiro. Em geral, ela é tão intensa que ofusca os defeitos do parceiro e você pode ter uma imagem idealizada do outro.

Apos um namoro que não deu certo: Quando a relação termina, você fica muito carente. Se aparece um rapaz cheio de alegria e suavidade, ou forte e autoritário, dizendo: “Deixa que eu cuido de você”, a dor é aplacada. O único risco é, em vez de um ccompanheiro, você arranjar um pai simbólico. Se consentir em ser filha o tempo todo, pode até dar certo.

O QUE CONSIDERAR ANTES DA DECISÃO

Casamento é um passo muito sério, não pode ser decidido levianamente. Antes há muitas perguntas que você deve responder para analisar seu relacionamento:

Amizade: Posso revelar a ele meus pensamentos e sentimentos mais íntimos, sabendo que serão ouvidos e respeitados? Dá para contar com seu apoio nas horas difíceis?

Companheiro: Curtimos os mesmos programas? Vamos fazer tudo juntos? Se você adora filmes de arte e ele odeia, há uma solução: você desiste da companhia dele e ele permite que você vá com seus amigos.

Filhos: Ele pretende ter algum? Vai colaborar nos cuidados ou acha que isso cabe à mulher? Curte criança? Nem todo bom filho será um bom pai.

Gerenciamento das necessidades da família: Moradia, alimentação, trabalho, tarefas domésticas, qual vai ser a parcela de contribuição de cada um?

Valores de tradição, cultura e religião: Não é obrigatório que os dois tenham a mesma cultura e religião, mas deve haver respeito e os mesmos valores quanto à família e á educação dos filhos.

Sexualidade: Ele desperta meu desejo? Vivemos intensamente a entrega e o prazer?

Pense duas vezes se algumas dessas áreas não estiverem satisfeitas. Veja do que pode abrir mão e faça os acertos agora.

Não deixe para depois.

REVISTA CLÁUDIA – Fev’1989 – Consultora Ana Fraiman, psicólogo clínica.

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  • Psicóloga formada pela UNIP, Mestre em Psicologia Social pela USP e doutora em Ciências Sociais pela PUC-SP.
  • Pesquisadora pelo NEF - Núcleo de Estudos do Futuro, com foco no Ecossociodesenvolvimento | Cátedra Ignacy Sachs, alinhada ao United Nations Millennium Project.
  • Coaching de Carreira e Preparo para uma Aposentadoria Sustentável.

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