Velhice sem afeto

Velhice sem afeto

"Sofro de culpas e remorsos. Creio que errei em tudo. Magoei minhas filhas quando elas mais precisavam de mim. Hoje elas me acusam e se afastam. Tenho 63 anos e vivo sozinha como uma velha de 80 anos. Fiz o que achava correto na época. Será que mereço a indiferença delas?"

Suzana Rodrigues. São Paulo (SP)

Velhice sem afeto
Imagem: Pixabay

 

Ana Fraiman

Se na meia-idade não acordamos para a grande importância que é fazer novos amigos, circular em vários ambientes, despertar interesses diferentes, se nessa ocasião adotarmos uma posição de procurar somente nos filhos e netos nossa fonte contínua de afeto e bem-estar interior, estaremos criando as bases de uma velhice afetivamente precária.

Você está, Susana, dramatizando muito ao afirmar que errou em tudo. Por que quem é jovem não erra (e feio!) em muita coisa? Agora, se você elege, hoje, somente seus erros para definir a pessoa que é, e insiste em receber amor somente de suas filhas, ignorando o resto do mundo, é uma nova decisão sua para continuar se martirizando nessa dolorosa solidão. Não recuse contato com pessoas, todas estão ávidas por afeto e reconhecimento, como você. Todos têm erros a reparar. Não tenha medo de se relacionar, saia de casa e pare de usar dos e erros passados como desculpas para não enfrentar a vida agora.

Fonte: Coluna VELHICE da revista CLAUDIA (publicados entre as décadas de 80 e 90) - Por Ana Fraiman

VELHICE - Como conviver com essa realidade
Ana Perwin Fraiman - psicóloga, com curso de aperfeiçoamento em Gerontologia Social pelo Instituto Sedes Sapientiae, SP. e pós-graduada em Psicologia Social pela USP.

 

  • Psicóloga formada pela UNIP, Mestre em Psicologia Social pela USP e doutora em Ciências Sociais pela PUC-SP.
  • Pesquisadora pelo NEF - Núcleo de Estudos do Futuro, com foco no Ecossociodesenvolvimento | Cátedra Ignacy Sachs, alinhada ao United Nations Millennium Project.
  • Coaching de Carreira e Preparo para uma Aposentadoria Sustentável.



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