Ano novo, velho Alzheimer

Ele me ajuda na cozinha. Para, no entanto, vasculhando o nada com seus olhos que se embaraçam ao menor comando que requeira reconhecimento e maior concentração. As palavras já não mais sucedem a simples e certeira ação.

Velho Alzheimer
Imagem: Pixabay

Observo e suspiro, procurando conter a acidez do Demônio do Desespero que me assalta porque ele já não pode mais. Ele já não pode muita coisa mais.

Vou reconhecendo, como se examinando pelo avesso, os passos e os gestos descoordenados que desde os primeiros dias de vida vamos treinando, até ganhar destreza e automatismos.

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