Envelhecer

Maturidade: O tempo é agora

Com certeza um dos indicativos da crise da maturescência e a sensação de premência com relação ao Tempo. Num dado momento o horizonte temporal se estreita, gerando um sentimento de “não dá mais”, “passou da hora” ou “não é mais para mim”; noutro momento, o horizonte temporal se alarga: “E agora ou nunca mais!”

Envelhecer
Imagem: Pixabay

Já suficientemente experiente para saber de seu próprio valor, mas não tão vivida, a pessoa começa a se embaralhar em seus planos e expectativas, sem saber direito o que quer da vida. Tudo e questionável. As relações familiares ficam tensas. É muita transformação. Filhos crescidos e pais envelhecidos. Não raro passam a conviver, sob o mesmo teto, quatro gerações. Nesse momento específico da vida, na passagem da maturidade para a meia idade, as perguntas mudam, face as respostas que já foram dadas.

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Idosos Sovinas

"Meus pais têm condições de viver a melhor vida do mundo, mas a cada dia estão mais sovinas. O que será que pensam fazer com tanto dinheiro?"

Cecília Mattos, São Paulo (SP)

Idoso Sovino

Ana Fraiman

Muitas vezes esbarramos em tensões profundas que escapam a lógica de quem não está vivendo a situação. No caso um dos mecanismos implicados é o de evitar o pensamento de que, quando já se é velho e de saúde frágil, o futuro é, provavelmente, de curta duração guardando esse dinheiro, na fantasia de que vão precisar dele daqui a alguns anos, muitos idosos evitam seu confronto com a morte que se aproxima. 

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Velhice aos 25

O envelhecimento não é apenas um processo físico. Transformações na forma de encerar a vida também acontecem. A idade acentua as boas e as más qualidades. As más são resultados de personalidades autoritárias das pessoas, que acabam infernizando a vida dos filhos.

Jovem velho
Imagem: Pinterest

O outro lado da moeda também existe: os idosos têm um ritmo diferente que os filhos precisam compreender. Muitas vezes a irritabilidade dos idosos tem origem em doenças físicas que os filhos não conseguem identificar.

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Velhice e Aceitação da Morte

"Meu pai tem 86 anos e anda muito irritado, dizendo que está perto do fim e se recusando a aceitar nossos conselhos. O que devo dizer quando ele começa a falar em morte?"

Míriam Alves, São Luiz (MA)

Velhice e Aceitação da Morte
Imagem: Pixabay

Ana Fraiman

Os velhos em geral se preparam para morrer e encaram a morte de uma maneira muito natural. Quando nossos pais velhos começam a falar sobre morte, podemos dizer-lhes que não desejamos que morram e que sentiremos muito quando se forem, mas que também saberemos sobreviver a isso e honrar o que deles recebemos.

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Lições para um envelhecimento feliz

Estudos recentes comprovam que realmente, na velhice, há uma mudança de personalidade. Essa mudança é tratada pela geriatria moderna através de várias técnicas de atendimento, atividades sociais, culturais e recreativas, além de tratamentos especiais que ajudam nossos velhos a envelhecerem com mais saúde e dignidade.

Texto retirado do artigo original (Velhice - Da emoção das telas às lições que nós ensinamos a você) publicado originalmente na revista Claudia, edição de  Julho/82. Reportagem de Neide Martins.

(FILES): this file photo shows US actress Katharine Hepburn (R) in this 1981 Hollywood film still with US actor Henry Fonda in "On Golden Pond".  Hollywood legend  Hepburn died at the age of 96 at her home in Connecticut, media reports said Sunday, 29 June 2003. AFP PHOTO/FILES
(FILES): this file photo shows US actress Katharine Hepburn (R) in this 1981 Hollywood film still with US actor Henry Fonda in "On Golden Pond". Hollywood legend Hepburn died at the age of 96 at her home in Connecticut, media reports said Sunday, 29 June 2003. AFP PHOTO/FILES
num-lago-douradoO filme tem provocado emoções muito fortes. E, realmente, não é para menos: Num Lago Dourado (On Golden Pond) trouxe às telas um tema bem pouco comum: a aproximação da morte e o processo de envelhecimento que ameaça a felicidade de um casal, Ethel e Norman Thayer (vivido na tela por Katherine Hepburn, 74 anos, e Henry Fonda, 76 anos, ambos ganhadores do Oscar de melhor ator e atriz de 1982 pela interpretação). Ma apesar de todas as limitações impostas pela idade às suas vidas e aos seus relacionamentos, sobrevive o amor e o casal de velhos tenta tirar de sua última aventura o máximo da alegria. Entretanto, há ainda muitas lições que devemos aprender: aquelas que a família e a geriatria moderna oferecem aos mais idosos para que a felicidade seja mais duradoura. Com a palavra, quem entende do assunto: a gerontóloga Ana Perwin Fraiman.

Por um desgaste fisiológico natural ou por várias doenças, a velhice se caracteriza por uma série de cacoetes e formas de comportamento que muitas vezes torna mais difícil a convivência com os velhos. Estudos recentes comprovam que realmente, na velhice, há uma mudança de personalidade. Essa mudança é tratada pela geriatria moderna através de várias técnicas de atendimento, atividades sociais, culturais e recreativas, além de tratamentos especiais que ajudam nossos velhos a envelhecerem com mais saúde e dignidade. O mais importante é não superproteger ou menosprezar as opiniões dos velhos. Veja tudo o que você pode fazer para conviver com a velhice com muito mais amor.

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O sentimento de felicidade aumenta com a idade

Chega de preconceito. À luz das novas pesquisas longitudinais, a relação entre idades avançadas e tristeza, acabrunhamento, não se faz presente nem constante. Achar que velho é chato e ranzinza não passa de puro preconceito.

O sentimento de felicidade aumenta com a idade

Muito pelo contrário, o que se verifica é que os mais velhos sentem-se melhor e mais em paz consigo mesmos, sabendo aproveitar mais das coisas simples da vida.

Ainda que isso possa soar meio paranoico, as pessoas realmente são mais felizes à medida que envelhecem. Ainda que muitas coisas em nossas vidas piorem com o tempo, o curioso é que em muitos aspectos as pessoas começam a se sentir melhor.

Um estudo realizado com um grupo de 1.500 participantes, com idades compreendidas entre 21 e 99 anos, realizado em São Diego, na Califórnia, Estados Unidos, constatou que as pessoas mais estressadas e deprimidas de todo o grupo eram aquelas que estavam em seus vinte anos. Da sua parte, as de noventa se mostraram mais felizes.

Os investigadores também observaram uma consistência notável em seus resultados: os mais velhos, além de se sentirem mais felizes e estarem em paz consigo mesmos, eram menos deprimidos e sofriam de menos ansiedade e estresse.

Segundo eles, isto se deve a certas qualidades que nos fortalecem à medida em que amadurecemos e envelhecemos: a empatia, a compaixão, o autoconhecimento, a abertura a novas ideias, a firmeza e a estabilidade emocional.

Outra razão que, geralmente leva pessoas mais velhas a serem mais felizes, é a sua confiança. Dois estudos em grande escala, realizados na Universidad de Northwestern e, na Universidad de Buffalo, mostraram evidências concretas ara isso.

O primeiro estudo, realizado ao longo de um período de 30 anos e com uma enorme amostra de 200.000 pessoas de 83 diferentes países e, o segundo estudo, com uma amostra bem menor, de 1.230 pessoas, distribuídas em diferentes grupos de idade, observaram haver relação estreita entre a confiança e a idade, chegando as mesmas conclusões: as pessoas se tornam mais confiantes à medida que envelhecem, o que resulta em sensação de maior felicidade.

Com a idade, há uma forte tendência a ver o lado positivo da vida e aumenta a capacidade de enxergar o melhor de cada pessoa com quem se relacionam, bem como serem mais tolerantes.

Em 2015, um estudo realizado pelo Instituto Gallup-Heathways, mapeou mais de 173.000 pessoas nos Estados Unidos. Os participantes com mais de 55 anos apresentaram um índice mais elevado de bem estar econômico. Cerca de 52% deles, também disse considerarem-se mais ‘prósperos’, em contraste com 32% dos participantes com idades abaixo dos 55 anos.

Por outro lado, os mais velhos, acima dos 55, comiam melhor, sua alimentação era mais saudável que a dos mais jovens. Ainda mais interessante foi a descoberta de que o níveis de depressão e de obesidade se reduziam drasticamente depois dos 64 anos.

Investigadores da Universidad del Noreste e o Instituto de Tecnología da Georgia realizaram estudos cognitivos e concluíram que as pessoas mais velhas tendem a se concentrar nos estímulos e nas memórias e recordações mais felizes. Acredita-se que os processos cognitivos os ajudam a regular melhor suas emoções e a enxergar a vida a partir de uma perspectiva mais positiva.

Outra diferença marcante é que os jovens buscam aventuras mais memoráveis, enquanto ao mais velhos sentem-se contentes com as coisas do seu dia a dia.

Enquanto a maioria dos mais jovens está preocupada com as coisas que vão fazer, como: férias, planos de fim de semana etc, os mais velhos gozam das coisas simples da vida, coisas que os ajudam, como ajudariam a todos, a estar em paz consigo próprios.

Texto traduzido e editado por Ana Fraiman

Fonte: TudoporEmail

  • Psicóloga formada pela UNIP, Mestre em Psicologia Social pela USP e doutora em Ciências Sociais pela PUC-SP.
  • Pesquisadora pelo NEF - Núcleo de Estudos do Futuro, com foco no Ecossociodesenvolvimento | Cátedra Ignacy Sachs, alinhada ao United Nations Millennium Project.
  • Coaching de Carreira e Preparo para uma Aposentadoria Sustentável.

Insegurança na velhice

“É verdade que com o passar do tempo as pessoas ficam mais inseguras? Tenho uma tia com mais de 70, e que vive receando assaltos, acidentes, doenças…”

Dúvida de Marina de Azevedo. Rio de Janeiro (RJ)

Insegurança na velhice
Imagem: Pixabay

Ana Fraiman

A insegurança tem mais a ver com fatores ambientais e sociais do que com a velhice propriamente dita. A pessoa idosa que permanece horas a fio frente a televisão, assistindo constantemente a episódios de violência ou lê jornais que exploram as dificuldades e a desgraça humana, acaba acreditando que o mundo é só isso.

São o isolamento, a inatividade física e a falta de contato íntimo com os demais que vão criando o estilo de envelhecer com insegurança.

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Sogra generosa

"Minha sogra (79 anos) agora anda distribuindo seus bens. Ela, que nunca foi de dar nada, mesmo quando a gente precisou, virou generosa de repente. Isto é esclerose?"

Pergunta de M.C.P. Guimarães. São Paulo (SP)

Todos podem, a qualquer momento, mudar de ideia e fazerem coisas que nunca fizeram antes. Por que pensar em esclerose? Pode ser, sim, uma tentativa de reparação, não do tempo perdido, mas para tornar mais agradável o tempo que está por vir. Muitas pessoas, por outro lado, quando se sentem próximas do fim, começam a distribuir os seus pertences, num desejo intimo de se perpetuarem, de continuarem participando, de alguma maneira, da vida dos que lhes são caros e íntimos, quando já não estiverem mais aqui. Aliás, este é um dos sentidos de se fazer testamento. Só conversando é que você pode esclarecer as intenções da sua sogra.

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