Humildade

O que é Humildade e por que precisamos dela?

Humildade é algo que todos valorizamos – normalmente nos outros.

Humildade
Imagem: Pixabay - Humildade

Teoricamente, é uma virtude. Na realidade, muitos acham que é algo prejudicial. Por quê? Estas pessoas confundem ser humilde com humilhar-se, diminuir-se, pois identificam ‘humildade’ como `fraqueza de caráter`, ou seja, permitir que os outros nos pisem.

Não é assim! A Torá nos ensina que Moshe Rabeinu (Moisés, nosso Mestre) foi a pessoa mais humilde que já existiu (Bamidbar 12:3) e, também, o único profeta que conversou ‘cara a cara’ com o Todo-Poderoso (Devarim, 34:10).

Todos os outros profetas recebiam sua profecia dormindo ou em transe, mas Moshe podia falar diretamente com o Criador. D’us ditou-lhe como escrever a Torá, palavra por palavra, letra por letra. Moshe, portanto, sabia que D’us afirmou que ele era e seria o maior de todos os profetas.

Como era possível, então, que permanecesse humilde?

A resposta reside na definição de humildade. Humildade não é ser um nebah – um dócil, hesitante, patético e humilhado perdedor.

A humildade é a característica de sabermos exatamente quais são nossos talentos e capacidades e reconhecer que isto e tudo o mais são uma dádiva do Todo-Poderoso. Eis o segredo para conquistar algo essencial para ser aplicado às nossas vidas: conhecer as próprias forças e tomar posses, reconhecer as próprias conquistas, sem jamais negar uma verdade básica e vital: tudo que se tem e se consegue são dádivas do Todo-Poderoso.

A humildade é um requisito para se estudar a Tora, bem como qualquer texto inteligente e sagrado. Os Sábios traçam uma analogia do conhecimento profundo com a água: necessária para a vida, é essencial para o crescimento e para atingirmos nosso potencial.

Um sujeito arrogante coloca-se numa posição alta como uma montanha. O que ele esquece é que a água flui da montanha para os lugares mais baixos e não o contrário. Para extrairmos o máximo de nosso potencial, precisamos ser humildes.

Ao percebermos nossa pequenez em relação ao Universo e ao poder do Todo-Poderoso, adquirimos humildade. Ao nos darmos conta da gigantesca quantia de sabedoria disponível, mas que não a temos e, quando muito, dela participamos, usufruindo e/ou criando, dos pequenos e grandes erros que cometemos, adquirimos humildade.

Ao entender a magnificência e a fragilidade do corpo humano e como até as pessoas mais fortes no final enfraquecem e morrem, adquirimos humildade. Se pensarmos bem, a única maneira de ser arrogante é desconectar-se do ‘grande quadro’ , também chamado realidade. Assim como O Profeta Moisés, todos os grandes homens, os sábios e os santos, possuem o mais alto nível de consciência da realidade e, portanto, são os mais humildes dos homens.

Por que precisamos de humildade?

Uma pessoa verdadeiramente humilde aprende com as demais, faz perguntas quando tem dúvidas e está aberta a críticas. Não sente necessidade de exercer poder sobre os outros ou de sentir-se superior a eles, focando em seus defeitos e falhas. Esta pessoa não irá agir com desprezo, nem dar-se-á o direito de julgar as demais. Evitará discussões e brigas. Pedirá desculpas e não porá a culpa nos demais. Conseguirá enxergar o lado positivo dos demais e amar o próximo. Podemos enxergar o amor como um grande sentimento de prazer, de que desfrutamos ao focar nas virtudes dos demais.

Humildade é liberdade. O que nos refreia e nos inibe são nossas preocupações desnecessárias sobre nós mesmos, incluindo como nos parecemos aos olhos dos demais. Quando uma pessoa preocupa-se apenas com a verdade e vive por isto, então, ela é livre para realizar as coisas mais significativas.

Uma pessoa arrogante é extremamente focada em si mesma para conseguir ouvir a verdade, para enxergar suas próprias falhas e para ajudar os outros. Precisamos, antes, conseguir enxergar as necessidades dos demais para poder ajudá-los, não sem antes pedirmos permissão para fazê-lo.

Uma pessoa arrogante está mais preocupada consigo mesma e sobre como os outros a encaram do que em fazer as coisas certas. Ela também sofre de ‘falta de paciência’ e isto lhe causa muita frustração e sofrimento. Além disso, considera que os demais têm o dever de aceitar a sua ajuda e que o mundo lhe deve satisfações.

Uma pessoa humilde descobre ser fácil aceitar que nem tudo acontece da maneira que ela gostaria que fosse. Ela foca no lado positivo de cada situação e circunstância, mesmo que num primeiro momento possa duvidar e se desesperar. Aqui temos um lindo paradoxo: a pessoa desesperada diz estar brigada com D’us e ter deixado de acreditar Nele, mas reza e implora (a Ele) para recuperar a sua fé.

Os humildes têm mais alegria em viver, pois entendem a realidade do que é importante: D’us, a Torá, os sábios ensinamentos, a verdade e não o seu próprio ego.

Autor: Rabino Kalman

  • Psicóloga formada pela UNIP, Mestre em Psicologia Social pela USP e doutora em Ciências Sociais pela PUC-SP.
  • Pesquisadora pelo NEF - Núcleo de Estudos do Futuro, com foco no Ecossociodesenvolvimento | Cátedra Ignacy Sachs, alinhada ao United Nations Millennium Project.
  • Coaching de Carreira e Preparo para uma Aposentadoria Sustentável.