Mazelas, deles e delas.

A sinceridade torna cada biografia um verdadeiro tratado de humanidades.

Mazelas
Imagem: Pixabay

Estou com 83 anos. Não sei se chegarei aos 84 e isso, de certo modo não é problema de meu interesse. Os médicos é que ficam procurando. Eles adoram encontrar doença. Querem logo tratar. Eles que tratem, então. Eu gosto é de viver a minha vida. Eles que fiquem preocupados. Eu fico com a saúde.

Não tem como. Quando chegar a minha hora, chegou. Meu compadre saiu do cardiologista feliz com o seu coração de jovem. Bateu com as botas às dez no dia seguinte. Infarto. A mulher acordou com ele lá, durinho na mesma cama. Esse daí é que soube morrer a Boa Morte. Eu não sei se vou saber.

Meu passado, com certeza foi muito mais emocionante que aquilo que antevejo para o meu futuro. Não que eu seja ou esteja deprimido. Minha vida é que está muito chata. Os dias passam sem maiores expectativas, não faço planos. Tudo muito uniforme. Nada de novo altera minha rotina. Três horas de novela todos os dias. Aquela gritaria. Só patifaria. Quem aguenta isso?!

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