É Difícil, Demorado, Custa Caro e Dói.

Minha memória está falhando. Minha cabeça já não é mais tão ágil como antigamente. Gostava de ler. Ficava lá, sentado numa poltrona ou numa rede à sombra por horas. Em tardes de domingo e noites de insônia devorava bons livros.

Idoso Triste

Já não consigo mais dormir pouco e acordar disposto. Problemas que antes me desafiavam agora se tornaram fonte de aborrecimentos diários. Quando minha secretária chega para despacharmos dá vontade de gritar com ela e sair correndo.

Noutro dia me percebi chorando à toa, sem nem saber por que. Foi algo que alguém apontou, no nosso balanço, que me desestabilizou. O que eu levava como meras opiniões de caráter genérico agora eu as tomo por afronta pessoal.

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Se fosse fácil não precisaria ser um Pronunciamento. Bastaria ser uma lei.

Por Ana Fraiman, abril de 2016.

Última parte do Artigo Idosos Órfãos de Filhos Vivos – Os novos desvalidos.

A vida é de mão única e flui num único sentido: primeiro os avós, depois os filhos e depois os netos. A inversão dessa ordem é impraticável, por isso sentimos tanto pesar quando ela se inverte. Os privilégios devem, portanto, ser conferidos aos que aqui primeiro chegaram.

Família
Imagem: Pixabay

Não há soluções fáceis para todos os conflitos familiares. Nem sabemos como realizar mudanças imprevistas e indesejadas sem sofrer, sem reclamar, sem querer desistir. Algumas soluções, porém, não devem ser descartadas. Especialmente as soluções ditadas pelo amor incondicional. E, não havendo amor, buscar as soluções possíveis em nome da honra a que pais e filhos se obrigam e por onde todos desenvolvem seus mais elevados valores de caráter. Se fosse fácil honrar pai, não haveria de ser um Pronunciamento. Bastaria promulgar uma lei dos homens. Mas, não. É uma lei imposta pelo Criador, uma autoridade maior do que qualquer um de nós, mais gigante que todos nós que habitamos e, convivemos em várias dimensões, neste nosso multiverso.

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Honrar pai e mãe – ter o privilégio de fazer o que merece ser bem feito.

Por Ana Fraiman, abril de 2016.

Continuação do Artigo Idosos Órfãos de Filhos Vivos – Os novos desvalidos.

 

Seria possível dividir melhor o tempo dedicado ao trabalho, ao lazer, aos afazeres domésticos, ao casamento e à convivência entre pais e filhos, irmãos e irmãs?

Família
Imagem: Pixabay

 

Assim como os pais não compreendem perfeitamente as necessidades de seus filhos, os filhos não captam, nem de longe as necessidades de seus pais idosos. A atenção é quase toda orientada para a saúde física. Aqui, porém, focalizamos a necessidade básica, primordial de conviver intimamente com aqueles que são queridos e, que podem cuidar dos mais idosos. E que deveriam fazê-lo mais amiúde. Não porque seja um dever imposto pela Lei, mas por consciência e abnegação, em honra aos pais. Assim como agradecemos pela bênção de ter e de educar um filho, deveríamos ser aptos a reconhecer a honra de cuidar dos pais de mais idade. Mas não somente quando a ‘mais idade’ chegar e se instalar definitivamente, mas ao longo de toda uma vida, porque sempre os pais têm mais idade que seus filhos. O que tem sido um pesado fardo, pode ser visto como um privilégio.

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Velhos geniosos

"Minha avó tem 86 anos, é diabética, cardíaca e quase não ouve mais. Seu gênio é péssimo e gostaríamos de colocá-la num asilo. Mas não sei se os asilos aceitam velhos doentes."

Dúvida de Maria Dinhorah da Costa, Cerqueira César (SP)

Ana Fraiman

É difícil mesmo conviver com doentes que, além disso, são geniosos e apresentam sinais de confusão mental. A família fica abalada e o internamento é, aparentemente, a solução mais fácil. Existem asilos que aceitam pessoas sadias que, quando adoecem, são removidas de lá. Quando um velho é internado à sua revelia, frequentemente o seu tempo de vida é abreviado. Internar, ou não, uma pessoa de idade avançada, requer um estudo cuidadoso de cada caso, tanto em relação a preservar a saúde e sanidade mental do velho, como também da família.

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Presença familiar

Desde que ficou doente, meu avô (que tem 71 anos) exige a presença da família a sua volta. Ele está fazendo chantagem?

Ana Fraiman

A reação de seu avô é muito natural. Ele procura renovar e reafirmar o envolvimento com as pessoas, especialmente as mais queridas. O que é indício de vontade de ficar bom e não se entregar. Se ele quer que os outros venham até ele, talvez seja porque ainda se sinta frágil para essa iniciativa.

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