Lições para um envelhecimento feliz

Estudos recentes comprovam que realmente, na velhice, há uma mudança de personalidade. Essa mudança é tratada pela geriatria moderna através de várias técnicas de atendimento, atividades sociais, culturais e recreativas, além de tratamentos especiais que ajudam nossos velhos a envelhecerem com mais saúde e dignidade.

Texto retirado do artigo original (Velhice - Da emoção das telas às lições que nós ensinamos a você) publicado originalmente na revista Claudia, edição de  Julho/82. Reportagem de Neide Martins.

(FILES): this file photo shows US actress Katharine Hepburn (R) in this 1981 Hollywood film still with US actor Henry Fonda in "On Golden Pond".  Hollywood legend  Hepburn died at the age of 96 at her home in Connecticut, media reports said Sunday, 29 June 2003. AFP PHOTO/FILES
(FILES): this file photo shows US actress Katharine Hepburn (R) in this 1981 Hollywood film still with US actor Henry Fonda in "On Golden Pond". Hollywood legend Hepburn died at the age of 96 at her home in Connecticut, media reports said Sunday, 29 June 2003. AFP PHOTO/FILES

num-lago-douradoO filme tem provocado emoções muito fortes. E, realmente, não é para menos: Num Lago Dourado (On Golden Pond) trouxe às telas um tema bem pouco comum: a aproximação da morte e o processo de envelhecimento que ameaça a felicidade de um casal, Ethel e Norman Thayer (vivido na tela por Katherine Hepburn, 74 anos, e Henry Fonda, 76 anos, ambos ganhadores do Oscar de melhor ator e atriz de 1982 pela interpretação). Ma apesar de todas as limitações impostas pela idade às suas vidas e aos seus relacionamentos, sobrevive o amor e o casal de velhos tenta tirar de sua última aventura o máximo da alegria. Entretanto, há ainda muitas lições que devemos aprender: aquelas que a família e a geriatria moderna oferecem aos mais idosos para que a felicidade seja mais duradoura. Com a palavra, quem entende do assunto: a gerontóloga Ana Perwin Fraiman.

Por um desgaste fisiológico natural ou por várias doenças, a velhice se caracteriza por uma série de cacoetes e formas de comportamento que muitas vezes torna mais difícil a convivência com os velhos. Estudos recentes comprovam que realmente, na velhice, há uma mudança de personalidade. Essa mudança é tratada pela geriatria moderna através de várias técnicas de atendimento, atividades sociais, culturais e recreativas, além de tratamentos especiais que ajudam nossos velhos a envelhecerem com mais saúde e dignidade. O mais importante é não superproteger ou menosprezar as opiniões dos velhos. Veja tudo o que você pode fazer para conviver com a velhice com muito mais amor.

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Como ter uma boa vida?

Recomendo este vídeo sobre uma pesquisa científica que estudou a vida de quase 700 homens dos 15 aos 75 anos.

Ele conclui sobre o que é mais importante na vida para envelhecer com saúde e felicidade!

Lições do mais longo estudo sobre a felicidade | Robert Waldinger

  • Psicóloga formada pela UNIP, Mestre em Psicologia Social pela USP e doutora em Ciências Sociais pela PUC-SP.
  • Pesquisadora pelo NEF - Núcleo de Estudos do Futuro, com foco no Ecossociodesenvolvimento | Cátedra Ignacy Sachs, alinhada ao United Nations Millennium Project.
  • Coaching de Carreira e Preparo para uma Aposentadoria Sustentável.

O sentimento de felicidade aumenta com a idade

Chega de preconceito. À luz das novas pesquisas longitudinais, a relação entre idades avançadas e tristeza, acabrunhamento, não se faz presente nem constante. Achar que velho é chato e ranzinza não passa de puro preconceito.

O sentimento de felicidade aumenta com a idade

Muito pelo contrário, o que se verifica é que os mais velhos sentem-se melhor e mais em paz consigo mesmos, sabendo aproveitar mais das coisas simples da vida.

Ainda que isso possa soar meio paranoico, as pessoas realmente são mais felizes à medida que envelhecem. Ainda que muitas coisas em nossas vidas piorem com o tempo, o curioso é que em muitos aspectos as pessoas começam a se sentir melhor.

Um estudo realizado com um grupo de 1.500 participantes, com idades compreendidas entre 21 e 99 anos, realizado em São Diego, na Califórnia, Estados Unidos, constatou que as pessoas mais estressadas e deprimidas de todo o grupo eram aquelas que estavam em seus vinte anos. Da sua parte, as de noventa se mostraram mais felizes.

Os investigadores também observaram uma consistência notável em seus resultados: os mais velhos, além de se sentirem mais felizes e estarem em paz consigo mesmos, eram menos deprimidos e sofriam de menos ansiedade e estresse.

Segundo eles, isto se deve a certas qualidades que nos fortalecem à medida em que amadurecemos e envelhecemos: a empatia, a compaixão, o autoconhecimento, a abertura a novas ideias, a firmeza e a estabilidade emocional.

Outra razão que, geralmente leva pessoas mais velhas a serem mais felizes, é a sua confiança. Dois estudos em grande escala, realizados na Universidad de Northwestern e, na Universidad de Buffalo, mostraram evidências concretas ara isso.

O primeiro estudo, realizado ao longo de um período de 30 anos e com uma enorme amostra de 200.000 pessoas de 83 diferentes países e, o segundo estudo, com uma amostra bem menor, de 1.230 pessoas, distribuídas em diferentes grupos de idade, observaram haver relação estreita entre a confiança e a idade, chegando as mesmas conclusões: as pessoas se tornam mais confiantes à medida que envelhecem, o que resulta em sensação de maior felicidade.

Com a idade, há uma forte tendência a ver o lado positivo da vida e aumenta a capacidade de enxergar o melhor de cada pessoa com quem se relacionam, bem como serem mais tolerantes.

Em 2015, um estudo realizado pelo Instituto Gallup-Heathways, mapeou mais de 173.000 pessoas nos Estados Unidos. Os participantes com mais de 55 anos apresentaram um índice mais elevado de bem estar econômico. Cerca de 52% deles, também disse considerarem-se mais ‘prósperos’, em contraste com 32% dos participantes com idades abaixo dos 55 anos.

Por outro lado, os mais velhos, acima dos 55, comiam melhor, sua alimentação era mais saudável que a dos mais jovens. Ainda mais interessante foi a descoberta de que o níveis de depressão e de obesidade se reduziam drasticamente depois dos 64 anos.

Investigadores da Universidad del Noreste e o Instituto de Tecnología da Georgia realizaram estudos cognitivos e concluíram que as pessoas mais velhas tendem a se concentrar nos estímulos e nas memórias e recordações mais felizes. Acredita-se que os processos cognitivos os ajudam a regular melhor suas emoções e a enxergar a vida a partir de uma perspectiva mais positiva.

Outra diferença marcante é que os jovens buscam aventuras mais memoráveis, enquanto ao mais velhos sentem-se contentes com as coisas do seu dia a dia.

Enquanto a maioria dos mais jovens está preocupada com as coisas que vão fazer, como: férias, planos de fim de semana etc, os mais velhos gozam das coisas simples da vida, coisas que os ajudam, como ajudariam a todos, a estar em paz consigo próprios.

Texto traduzido e editado por Ana Fraiman

Fonte: TudoporEmail

  • Psicóloga formada pela UNIP, Mestre em Psicologia Social pela USP e doutora em Ciências Sociais pela PUC-SP.
  • Pesquisadora pelo NEF - Núcleo de Estudos do Futuro, com foco no Ecossociodesenvolvimento | Cátedra Ignacy Sachs, alinhada ao United Nations Millennium Project.
  • Coaching de Carreira e Preparo para uma Aposentadoria Sustentável.

A dificuldade de reconhecer limites característicos do envelhecimento dos pais.

Por Ana Fraiman, abril de 2016.

Continuação do Artigo Idosos Órfãos de Filhos Vivos – Os novos desvalidos.

Envelhecimento os pais
Crédito: MONALISA LINS/AGÊNCIA ESTADO/AE/Codigo imagem:29880

 

Este é o modelo que se pode identificar. Muito mais grave seria não ter modelo. A questão é que as dores são tão mascaradas, profundas e bem alimentadas pelas novas tecnologias, inclusive, que todas as gerações estão envolvidas pelo desejo exacerbado de viver fortes emoções e correr riscos desnecessários, quase que diariamente. Drogas e violência toldam a visão de consequências e sequestram as responsabilidades. Na infância e adolescência os pais devem ser responsáveis pelos seus filhos. Depois, os adultos, cada qual deve ser responsável por si próprio. Mais além, os filhos devem ser responsáveis por seus pais de mais idade. E quando não se é mais nem tão jovem e, ainda não tão idoso que se necessite de cuidados permanentes por parte dos filhos? Temos aí a geração de pais desvalidos: pais órfãos de seus filhos vivos. E estes respondem, de maneira geral, ou com negligência ou, com superproteção. Qualquer das formas caracteriza maus cuidados e violência emocional.

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