A temporada após a aposentadoria e, mais, com o seu desligamento da empresa, vai ser um tempo em que você vai se decepcionar bastante. Acredite.

Sobrenome corporativo
Imagem: Pexels

José Carlos, 68 anos, até então diretor de marketing de uma empresa de publicidade que tem contas milionárias, vivia uma vida glamorosa, excitante, cheia de emoções. Gozava de vários poderes: tomava decisões importantes, estratégicas, estava por detrás da negociação de contas vultuosas, influía nas campanhas e se dava com clientes e fornecedores que o assediavam, diariamente, com prêmios, presentes, ofertas quase irrecusáveis, como viagens internacionais “para estar presente aos sets de filmagem, para pesquisar novos mercados, prospectar clientes, fazer benchmarketing”. Mesmo que declinasse deles, em quase que sua totalidade, recebendo-os somente em nome da empresa e quando fosse de total conveniência para a mesma, em inúmeras oportunidades foi o centro das atenções, usufruindo de todo o prestígio que o cargo lhe emprestava. Mesmo dizendo saber tudo isso não se dirigia a sua pessoa, mas a seu cargo, à hora em que se afastou, viu-se sofrendo pela falta do assédio e das oportunidades de aproveitar do bom e do melhor, compatível com seu alto cargo e com o volume de negócios que trazia para a empresa.

Uma das aprendizagens mais delicadas, mas que fará o maior bem ao seu novo modo de vida, é soltar-se e deixar fluir. Soltar o passado e deixá-lo ficar nas amarras dos tempos já findos. A temporada após a aposentadoria e, mais, com o seu desligamento da empresa, vai ser um tempo em que você vai se decepcionar bastante. Acredite.

Colegas que o tratavam por “irmão” vão esquecer que você existe. Relacionamentos em que você confiava, vão desaparecer. Convites que você recebia, vão deixar de chagar. Você vai viver um tremendo “esvaziamento” de poder. Isso traz consequências emocionais. Mexe com as suas crenças e seu esquema de segurança pessoal.

Fácil, você poderá sentir-se diminuído, relegado e esquecido. Na verdade, com o seu afastamento dos círculos de poder, com a perda dos colegas de trabalho, com o silêncio a seu redor e, também, a perda de seu sobrenome corporativo, que sempre lhe abria portas, que o envolvia e trazia uma sensação de preenchimento interno, todo esse conjunto de perdas, pode conduzi-lo a um estado de descrença na humanidade e, o que é pior, descrença em relação a si mesmo.

Fonte: A Era do Javalí

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  • Psicóloga formada pela UNIP, Mestre em Psicologia Social pela USP e doutora em Ciências Sociais pela PUC-SP.
  • Pesquisadora pelo NEF - Núcleo de Estudos do Futuro, com foco no Ecossociodesenvolvimento | Cátedra Ignacy Sachs, alinhada ao United Nations Millennium Project.
  • Coaching de Carreira e Preparo para uma Aposentadoria Sustentável.

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