Congresso-da-Cohros
Foto tirada durante palestra proferida em Congresso de RH realizado pela Cohros, em Ribeirão Preto, São Paulo, 2013, ocasião em que foi levado à público um instrumento para mapear a prontidão pessoal para se aposentar e, com isso, ter mais claro, as áreas em que cada pessoa poderá ser mais cautelosa e se preparar com antecedência suficiente.

Chegada à idade da razão é que o STS – Supremo Teste de Sabedoria se impõe! É hora de colocar em prática, uma vez por todas, aquilo em que se acredita. E conferir: você tem ou não tem combustível para continuar viagem? E de que jeito vai?

Você haverá de fazer, ou já está fazendo, a travessia para uma etapa muito diferente de sua vida. Vai precisar ‘preparar as malas’ e contabilizar seus recursos: vai poder usufruir de uma longevidade sustentável e saborear as delícias de uma vida organizada e próspera? Ou vai amargar o que deveria ter feito e descuidou?

A boa notícia: ainda dá tempo de você embarcar nesta aventura de viver feliz com o que tem e ainda conseguir mais! Vamos ao caminho das pedras, então. Você sabe o que é economia e o que é saúde econômica?

Economia na prática é cuidar bem cuidado daquilo que a gente produz, distribui, acumula e consome. Isso quer dizer que precisamos ter, manter e ainda aumentar a vida útil dos nossos bens e pertences. Inclua-se aí o respeito para com o meio ambiente. Traduzindo em atitudes:Nada prospera quando o nosso ambiente não é bem cuidado. Paredes sujas ou até mesmo rachadas, portas que rangem, pratos e vidros quebrados, panelas sem tampa e torneiras pingando só deprimem. Roupas manchadas, mofadas, desbeiçadas e dependuradas por anos a fio nos armários e, por aí afora, precisam ganhar um destino mais nobre. O desleixo tem um preço alto. As pessoas pensam que fazem economia por não trocar o estofado da sala ou repor algo danificado e, na verdade conviver com tralhas e, coisas que desagradam, roubam a nossa energia e disposição.Nada se constrói de sólido e confiável sem que haja algum investimento na sua conservação. Uma senhora de muito bom gosto, cujo marido botara tudo a perder num negócio desastroso, tomou as rédeas em suas mãos e bolou algo inédito. Usou de todo o seu carisma e experiência de dona de casa para se oferecer como decoradora de ambientes singelos, quase tudo comprado nas lojas de 1,99! Mesmo flores e toalhinhas de plástico, num arranjo gracioso podem ter a sua vez.

  1. Vamos a mais esclarecimentos sobre os ‘cinco erres’ transformadores: reciclar, restaurar, reformar, remodelar e reaver.
  • Reciclar: Há cursos de reciclagem que, além de dar um destino ou função diferentes às mesmas coisas, podem render dinheiro. No mínimo, algo a dar de presente, feito com carinho e consideração.
  • Restaurar: Há, também, cursos para aprender a restaurar objetos. De arte ou quaisquer outros. Também é uma ocupação muito valorizada. Livros, gravuras, molduras e tecidos… O que pode ser restaurado merece sê-lo. O resultado é que sua autoestima se eleva e, de quebra, ainda poderá ganhar uns bons elogios.
  • Reformar: Uma das áreas que mais têm prosperado e, com bons resultados financeiros é a da reforma de roupas e calçados, malas e adereços. Uma boa máquina de costura e simpatia junto ao público fazem milagres. Pode-se atender na casa dos fregueses, muito gratos por um serviço bem feito ao ganhar suas roupas de volta, agora repaginadas. Muitas das quais são de estimação. Foram da mãe ou da avó querida e, agora, podem voltar a fazer sucesso. Há cursos de design e pela internet se consegue zilhões de ideias sobre moda. Os ambientes, também, podem ser reformados (reaproveitamento de peças, que passam a ter outra cara).
  • Remodelar: muito semelhante a reformar, remodelar inclui a arte de dar uma nova forma ao antigo, introduzindo algumas modificações nos objetos – na sua função (transformar um bule ou uma botina de chuva em vaso vertical), ou realmente mexer no volume e tamanho dos objetos, móveis e roupas. Começa-se por um curso de modelagem, para estudar como as coisas são feitas e montadas, para depois partir para a remodelagem. É o que se faz com joias antigas, semióticas e bijuterias de alta qualidade, que são redesenhadas.
  • Reaver: Uma das coisas que mais nos fortalece é ter a coragem de buscar o que é nosso e   que outra pessoa não devolveu. A vergonha não é de quem cobra a coisa de volta, dinheiro ou objeto emprestado em confiança. A vergonha deveria ser de quem não cumpre a palavra e tem a cara de pau de reclamar quando insistimos na sua devolução. É preciso restabelecer o equilíbrio e a justa medida, em vez de se remoer e dar por perdido aquilo que nos pertence. Precisamos agir com mais segurança. Se o outro reclamar, problema dele. Quem manda abusar?

Além de tudo isso, para ter saúde econômica é desenvolver uma consciência plena do valor inestimável dos bens naturais e daqueles gerados pelo homem: o ar, tanto quanto as águas, as florestas, os alimentos, toda a natureza – fauna e flora – são bens que não podem ser poluídos nem desperdiçados. Felizmente já há pontos de descarte de medicação vencida que jamais deve ser jogada no vaso sanitário. E outros materiais, como lâmpadas fluorescentes, pilhas, baterias e aparelhos eletrônicos.

O nosso planeta já agoniza e, ser econômico não significa tão somente focar nos aspectos monetários da nossa vida, procurando gastar menos e, sim, se educar para o uso equilibrado de todos e quaisquer recursos naturais ou gerados pelos homens. Precisamos obter e compartilhar as informações, desenvolver formas eficazes de comunicação que  garantam a sobrevivência das espécies. Isso é economia na prática.

Agora chegamos à liberdade financeira.

Controle os nossos ativos, administrando os bens e o patrimônio de forma segura e bem controlada. Saber estimar riscos, tendo em mente que não há decisão sem risco. Então, tomar as atitudes que, além de evitar perdas desnecessárias, geram mais riqueza.

  1. Fazer uma previsão orçamentária rigorosa e acompanha-la. No mínimo quinzenalmente. Devem-se anotar todos os gastos por menores que sejam. Por quê? Sobre os grandes podemos ter maior controle. Os orçamentos, em geral, se desequilibram com os pequenos gastos, justamente aqueles que fazem com que a dinheiro desapareça, sem saber no que.
  2. Otimizar recursos: traçar trajetos para aproveitar o tempo e o gasto de combustíveis. Levar lista de compras e não desobedecê-la. Separar o dinheiro do lazer e aproveitar aquilo que é de graça! Parques, shows ao ar livre, consertos públicos. Fazer um curso de reaproveitamento de comida, geleias caseiras e torrada de pão amanhecido. Inclusive aprender a fazer pequenos consertos e reparos. Aproveitar as promoções e fazer compras somente nas temporadas das grandes liquidações. Como nossos avós.
  3. Eficiência e eficácia não são qualidades desejáveis somente no mundo das organizações, mas devem ser objetivos permanentes na condução da vida diária. Ainda que viver de improvisos tenha lá seu charme, em matéria de finanças não se deve descuidar. Uma regra que garante a liberdade financeira: não deixe de fazer as coisas só por dinheiro, mas também não faça somente por dinheiro! Volte ao uso do cofrinho. Qualquer dinheirinho somado resulta, em um ano, na possibilidade de assistir a um lindo show ou até fazer uma viagem curta, mas divertida. Planeje.
  4. Transforme seu discurso em ação: leve a sério seus sonhos e faça suas poupanças, pague em dia seus seguros e, pense com clareza e objetividade: por quantos anos mais você acha que vai viver? Vinte? Trinta anos? Você sabe quanto custa uma prótese de quadril? E um implante dentário? E quanto custa um cuidador? Uma pessoa doente pode necessitar de dois ou mais cuidadores, além de outros profissionais para se recuperar. Faça as contas. Seja para você, seja em relação a quantos familiares idosos você poderá precisar atender. Uma coisa é cuidar. Outra é custear.
  5. Cuide-se. Em vez de ficar dando presente para netinho, ajudando sobrinho desempregado – ou filho mimado, mantendo casa de praia unicamente às suas custas só pelo prazer de ver a família unida, adote cuidados rigorosos para com o seu dinheiro, tendo em vista um futuro longevo. Divida as despesas com seus filhos adultos e netos que já trabalham. Isso não é demérito. Isso é responsabilidade para consigo.

E agora, algumas questões previdenciárias. Mas, em primeiro lugar, previna-se ainda mais. Inclusive os fundos de pensão estão aí para isso.

Chegou a hora de se aposentar? Faça-o. Há quem continue recolhendo ao INSS além do prazo. Esse dinheiro jamais vai retornar, nem você vai receber distinções por causa de suas contribuições. Tenha em mente: aquele dinheiro que você recolheu é para garantir uma renda mínima para aqueles que não mais têm condições de trabalhar. Entendeu? Renda mínima! Não espere, portanto, viver daquilo que você vai receber de volta. Então, minimamente, um fundo de pensão vem bem a calhar.

Se você tivesse investido por mais de 30 anos numa poupança, ou num fundo, não somente os de pensão, haveria de ter um belo patrimônio no momento de se  aposentar. Portanto, faça planos para gerar mais renda após sair da empresa. E nem conte com a boa vontade dos filhos, por mais que eles sejam ‘os melhores filhos do mundo’! Hoje eles são, amanhã, nunca se sabe. Muitas necessidades concorrerão…

Se você não precisa usar da sua aposentadoria hoje – tem mais fontes de recebimento – faça um novo tipo de investimento. Uma coisa é se aposentar aos cinquenta, sessenta, quando se tem saúde e se pode pensar em novas formas de gerar renda. Outra coisa é estar com oitenta anos e não conseguir pagar nem um bom seguro saúde. Uma ‘segunda’ aposentadoria, quando você recomeça a poupar aos cinquenta, chegando aos oitenta fará toda a diferença.

Mulheres vivem alguns anos a mais do que os homens. Além de deixar sua aposentadoria para sua companheira, faça um seguro de vida em seu nome. Deixar uma viúva em melhor situação é um gesto de grande consideração. E, ponto pacífico: não ceda a sua aposentadoria para ninguém, aceitando fazer empréstimo consignado. Mais de 60% das pessoas pedem esse tipo de empréstimo  para pagar outras dívidas. Além disso, quase um quinto delas aponta como motivo “ajudar a família”. Ocorre que, quem não trabalha, muito faz quando não atrapalha.

O modo de raciocinar sobre a aposentadoria deveria permanecer tal qual no início dos recolhimentos: para que você e seu/sua companheira – pensionista – tenha alguma qualidade de vida e, não para compor a renda familiar. Hoje em dia, dizem, está mais difícil morrer. Ou seja, veja-se daqui a trinta, quarenta anos. Você pode tomar um susto! Mas é bastante possível que você passe a marca dos 85. Já pensou nisso?

Deixe uma resposta