Ando exausta de tantas mentiras e enganações. Quero viver em um BRASIL que é rico, em um BRASIL de verdade! Vida longa à previdência pública: primeiro acabar com os ralos por escoa o dinheiro da Previdência, depois à Reforma.

Previdência Social
Imagem: exame.com

Manchetes e reportagens repercutem ad nauseam fatos e detalhes de escândalos. Meses depois ainda se ouvem as mesmas notícias e são vistas as mesmas imagens. Empresários sendo levados a depor, políticos escamoteando os fatos. Bandidos com tornozeleiras não monitoradas. Funcionários públicos sem recebimento de salário.

Nossa resposta cansada: insensibilidade que, em seu lado mais obscuro nos leva, por exaustão da atenção, a adotar aquilo tudo como única realidade possível: - O mundo é assim mesmo!

Este mundo recortado e estreitamente avistado pelas telas da televisão é, no entanto, um mundo de faz de conta. Não que não haja corrupção. Não que não estejamos sendo abatidos por balas perdidas. Não que pessoas não estejam morrendo por conta da má gestão do dinheiro público, que resulta na mais absurda falta de atendimento pelas redes de saúde e na mais completa falência da educação.

No início do século XX mulheres andavam de espartilho, em busca do corpo perfeito, enquanto desmaiavam por falta de respiração. No início do século XXI os ‘espartilhos’ estão sendo implantados nos corpos de homens e mulheres que desmaiam pela desnutrição. E pelo uso abusivo de drogas pesadas. Morrem de corpo deformado, numa busca frenética pelo corpo lindo!

Esse matraquear constante de mais do mesmo, leva a uma conclusão que afronta a democracia, que necessita de reformulação: - Não tem em quem votar, é a solução. Dos políticos, nenhum presta, é o eco da má formulação do que seja o exercício da cidadania. Será o povo pretendendo dar o ‘seu golpe’ nas eleições?

Vamos, então, deixar um vácuo de poder, poder nenhum versus o abuso de poder? Vamos provocar um efeito Brexit no Brasil? Nós contra eles? Este sectarismo político, apego exagerado a um ponto de vista, resulta em sistemas e mais sistemas de cotas, de projetos que não fecham as contas, para postergar o que de fato se faz necessário em nosso país: um amplo debate nacional do qual sairá um plano de governo sustentável, de que ainda não há nem sinal!

Este é o grito das ruas! Vamos abrir os arquivos, vamos divulgar os fatos, vamos conhecer os candidatos, vamos diminuir o número de partidos e remover de sob os tapetes a poeira das enganações. Vamos formular propostas consistentes, bem fundamentadas e articuladas e, esclarecer os propósitos daquilo que se propõe mudar.

As escolas precisam ensinar a pensar. Quem se educa é o cidadão. Aquele que tem motivação para ir além e que não tem preguiça de ir buscar aquilo de que necessita. Vamos ensinar a discernir entre o que é fundamental e o que é essencial: do que não podemos mais abrir mão e falar com todas as letras se é verdade que um salário mínimo nos concede, verdadeiramente, uma vida digna ou se nos mantem atrelados à servidão.

Às vésperas das eleições discutem-se ‘personalidades’, quando a discussão nacional deveria já estar em curso, promovida em larga escala. Provem-me, senhores doutores, que aposentadoria aos 65 é a melhor resposta! Por que não aos 67 anos e meio? Ou aos 72? Ou aos 56. Mostrem-nos as contas e parem de alardear que a previdência está falida. Apresentem-nos outra proposta, mas não nos subtraiam o conhecimento justo e a visão clara da totalidade da questão.

Sinto cheiro de mais um ardil, um novo truque econômico, orquestrado para fazer cair nas costas dos trabalhadores mais um fardo pesado de contribuição sem a contrapartida dos serviços necessários. Estas manobras que insuflam revolta e angústia, pitacos de informações descabidas, presta-se a empurrar o problema com a barriga, jogá-lo para um pouco mais além aquilo que vivemos agora, porque não estamos discutindo o principal: que Brasil queremos para nós.

Para início de conversa, peço que nos revelem: onde estão nossas riquezas, sequestradas em escala superior a dos tempos do Brasil Império? Não é só o dinheiro já repatriado ou aquele que ainda será. Porque não nos é dado acesso aos documentos secretos, oas financiamentos concedidos a fundo perdido, às contas todas que bancaram obras fora do nosso país? E ao número de torneiras que pingam - ou jorram - para o bolso de particulares, valores que, estancadas estas perdas e sob o rigor das leis e da fiscalização, conduziriam nosso país ao patamar de uma grande e confiável nação?

E mais: que novos postos de trabalho os que se proclamam doutores em economia estão projetando para nós? Os senhores chamam de economia aquilo que não vai além da financeirização. Como estará nosso país daqui a 10 anos, quando as propostas que nos apresentam hoje tiverem sido implantadas? Mais pobres? Mais ricos? Menos endividados? Mais bem formados? E, sobre a reforma nas leis trabalhistas e nas tributações? Porque não nos revelam o quadro por inteiro?! Não necessitamos e recortes de reformas. Precisamos de um plano de governo. De debates em larga escala e com sustentação.

Não. Vocês agem como Cheshire Cat, o gato de Alice no País das Maravilhas, que diz: - Se você não sabe para onde que ir, qualquer caminho dá no mesmo. A grande maioria dos especialistas só revela partes de suas propostas, ou melhor, vão diretos às soluções de gabinete, praticando estratégias de domínio, que nos mantêm na ignorância do todo.

E o fazem com a desfaçatez dos cínicos de colarinho branco, levando-nos a um crescente estado de pânico em relação ao nosso futuro. Histórias mal contadas apertam o cabresto que nos cala e, no silêncio das discussões que não se realizam, nos conduzem a uma vida maldita, sem receber nossos minguados, porém sagrados salários, em meio à falência dos necessários dos necessários serviços, que nos são negados.

E para não ficar somente na reclamação, sugiro, ou melhor, indico que todos tenhamos acesso e, que leiamos com muita atenção, a Cartilha escrita e divulgada pela FRENTE PARLAMENTAR MISTA - EM DEFESA DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. Ao menos vamos ler, para tentar entender e fazer um juízo crítico sobre a questão. Trata-se de documento redigido por uma bancada suprapartidária de senadores e deputados federais, os quais pretendem atuar em defesa da manutenção dos direitos sociais, da gestão transparente da Seguridade Social e do equilíbrio financeiro e atuarial da Previdência Social pública e solidária.

Disponível pelo: www.frenteparlamentardaprevidencia.org e pelo https://m,facebook.com/Frente-Parlamentar-Mista-em-Defesa-da-Previdência

  • Psicóloga formada pela UNIP, Mestre em Psicologia Social pela USP e doutora em Ciências Sociais pela PUC-SP.
  • Pesquisadora pelo NEF - Núcleo de Estudos do Futuro, com foco no Ecossociodesenvolvimento | Cátedra Ignacy Sachs, alinhada ao United Nations Millennium Project.
  • Coaching de Carreira e Preparo para uma Aposentadoria Sustentável.

Deixe uma resposta