Quando chega a hora de Recasar

Para ser como ele gosta, você se sufoca, murcha, se apaga. É um erro grave. Seja você mesma e viva muito feliz.

Você não é mais a menina com quem ele casou. Nem ele é o menino que casou com você. Ambos mudaram, mas não mudaram a forma com que se tratam. Mudaram, e pensam que o outro não sabe. Ele não se mostra como é, mas da forma como pensa que você gosta. E você também.

Você parece duas pessoas, uma longe dele, outra perto. Quase sempre a que está longe é mil vezes mais interessante, desinibida, espirituosa, inteligente. Perto, você murcha, se apaga, submete-se ao medão de mostrar-se na sua complexidade, nas suas incoerências, na sua imaturidade. Isso gera infelicidade e impotência. Vocês não estão mais dialogando, se arriscando. Apenas mantêm fachadas.

Quando você está irritada com os filhos e ele a procura para sexo, você se sente desrespeitada. Não imagina que sua explosão de raiva a torna uma mulher vibrante e muito desejável e que o desejo dele, longe de ser agressão a seus sentimentos maternais, é um caminho para você resgatar a fêmea cheia de vida, sem grilos, que deveria ser.

Interprete certo os gestos dele.

Quando você está enlevada com as novidades de seus filhos, se divertindo com as estórias deles, e ele se mantém à parte, o que você pensa é que ele é um chato, omisso, alheado. Jamais acredita que ele morre de inveja da sua capacidade de se comunicar com os jovens.

E em relação a você? Ele sabe que você também fala palavão, conta piadas picantes, dá gargalhadas e sonha com um amante tipo apache, desinibido, de uma sexualidade animal? Ou só vê a sua timidez envolvida em pijamas de flanela e luz apagada quando vocês vão transar à noite? Ele sabe o quanto você fica ressentida porque ele se veste melhor para ir trabalhar do que para estar com você à noite? Ou que você detesta sua dependência econômica e o fato de ele cuidar sozinho dos investimentos familiares?

No amor, quem dá também recebe.

Vencer o tédio da rotina desagradável/confortável é trabalhoso e heroico. Alguém tem de começar. Em primeiro lugar, você tem de se ver agindo diferente. A imaginação serve de treino, mas não fique só no pensamento. Você precisa concretizar esse eu que está embutido em seus rancores e receios.

Preste atenção no seu corpo quando ele se aproxima. Você muda de postura? Se encolhe ou se apruma? Altera a conversa? Fica calma ou inquieta? Pergunte a ele se já reparou nisso. Preste atenção nele também. O corpo fala. Revela o que a boca silencia.

Crie a sua sorte, não espere que ele simplesmente aconteça. Pare de se expressar no condicional: eu gostaria, eu queria... Respeite os seus desejos, comece a falar afirmativamente: eu quero, eu gosto. Dê o primeiro passo, o primeiro beijo, o primeiro sorriso. Em matéria de amor, é dando que se recebe.

Agora, se você ainda não se sente bem na sua pele de mulher, se não confia em si própria e não vê o seu valor, procure ajuda, porque não há homem (e muito marido) que respeite uma mulher que não se respeita. E os homens adoram mulheres que solicitam com interesse, bom humor e até mesmo uma pitada de filosofia. Por que continuar com esse pudor de revelar o quanto você precisa dele?

  • Psicóloga formada pela UNIP, Mestre em Psicologia Social pela USP e doutora em Ciências Sociais pela PUC-SP.
  • Pesquisadora pelo NEF - Núcleo de Estudos do Futuro, com foco no Ecossociodesenvolvimento | Cátedra Ignacy Sachs, alinhada ao United Nations Millennium Project.
  • Coaching de Carreira e Preparo para uma Aposentadoria Sustentável.

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