PSICOLOGIA – Admirável presença e existência, enquanto ciência, prática e arte, a história da psicologia tal como hoje a conhecemos, remonta a pouco mais de 130 anos.

E o que é psicologia? Segundo o médico psiquiatra e psicólogo Myra y Lopes1, a “Psicologia é o conjunto de conhecimentos que serve para nos conhecermos a nós mesmos, e compreender os modos de ser (pensar, sentir e fazer) de nossos semelhantes, ou seja, é o estudo das funções mentais e das atividades pessoais”.

Vamos, então, procurar situar o leitor, ainda que brevemente, sobre a psicologia e, mais adiante, sobre o que é a psicoterapia. Tudo nasceu, de maneira formal, em fins do século xix. Os meios científicos, de orientação positivista e empírica, procuravam organizar os saberes e o universo do trabalho. Indústrias, cidades e universidades, juntamente com os liceus, fervilhavam em torno das possibilidades de exercer previsão e controle sobre fatos e… Pessoas. Então, a psicologia ganha contornos.

O termo Psicologia, etimologicamente, é formado pelos radicais: psyche (figura mitológica) significando alma ou espírito, e logus, referente a estudo ou discurso. Platão, filósofo grego, já afirmava que ‘psique’ é a vida mental do ser humano. A união dos radicais psique + logus resulta no conceito central da Psicologia: “estudo da alma do ser humano” (ou da vida mental, segundo Platão), através da palavra.

Este termo é excessivamente abrangente e conduz à confusão entre ciência, religião e misticismo. Porém, mesmo com estas dificuldades conceituais, nos séculos XVIII e XIX havia muitos filósofos interessados em estudar a mente humana.

Duas grandes correntes do pensamento filosófico desta época foram o empirismo inglês e o racionalismo alemão, ambas tentando entender o funcionamento da mente humana. Estimulantes discussões eram travadas entre grandes estudiosos, uma vez que os adeptos do empirismo entendiam que nada poderia chegar à mente sem que primeiro houvesse passado pelos sentidos (olfato, tato, visão, audição e/ou paladar, ou seja, pelas sensações físicas), e que a “mente” seria o “lugar” onde estas sensações seriam impressas, registradas e guardadas, para uso presente ou futuro. Ao contrário, os racionalistas acreditavam que a mente seria, ativa, criativa e altamente produtiva, geradora de ideias, recordações, raciocínios e desejos, sem depender diretamente de qualquer estímulo do meio ou das sensações.

 

Em 1879, nasceu a Psicologia enquanto ciência, quando Wilhelm Wundt2 (1832-1920), influenciado pelo ponto de vista dos filósofos empiristas, criou o primeiro laboratório de Psicologia na Universidade de Leipzig, na Alemanha. Investigavam-se ali, principalmente os processos de percepção humana sobre as sensações recebidas do meio, na tentativa de encontrar os princípios por onde estes elementos simples (as sensações) se associariam entre si e, também se associariam a outras informações na produção de percepções complexas, recheadas de significado pessoal.

 

Buscava-se, com isso, entender o que é passível de ser chamado de “conteúdo mental” e qual seria a estrutura da mente humana, no todo ou em partes, acreditando que essas estruturas poderiam ser analisadas em elementos ou partes. Discípulos de Wundt levaram avante e aprofundaram esses estudos e os difundiram na América do Norte, alguns poucos anos mais tarde.

Muitos pensam que a psicologia nasceu por mérito e obra de Sigmund Freud3, mas não. Embora a psicanálise freudiana seja um excelente meio para chegar-se ao conhecimento da mente profunda, o interesse anterior a ele já mobilizava grandes estudos e pesquisas, para tentar saber como se formam os padrões mentais e o que acontece quando uma pessoa tem a sua mente lesionada. Neste sentido, os estudos estatísticos e as escalas de medição da inteligência humana causaram alto impacto.

A psicologia na prática

Sob fortes influências da biologia, da filosofia e das ciências exatas, procurando medir, ponderar, quantificar, prever e controlar, a psicologia emergiu para um novo mundo que estava sendo moldado pelo poder das grandes máquinas de produção em escala grandemente ampliada, pela instalação de uma nova moral, que à época ensaiava libertar-se dos rigores repressivos da era vitoriana e, por uma nova visão de Homem, ainda não totalmente humanista, porém já bastante transformada pelas filosofias antigas e pelas discussões acadêmicas mais recentes. Então, o quadro se completa: passou a existir a psicologia, enquanto corpo teórico, enquanto prática e, com certeza, pelas suas sutilezas e desafios, pelas surpresas sempre reservadas para o campo dos relacionamentos humanos, objetiva e subjetivamente falando, eis que:

  • A prática na Psicologia – Como prática ela se inspira no dever moral, senão espiritual, de Servir. Desde sempre os homens e mulheres buscaram aliviar-se de seus tormentos. Na Grécia antiga dirigiam-se aos templos, onde recebiam vários tratamentos: banhos, exposição às artes, passeios ao ar livre, comida leve e saudável, beberagens depurativas, massagens e descanso. Consultavam os oráculos e participavam de rituais que lhes conferia significados. Sonhos continham revelações, uma vez decifradas e, somente alguns tinham o dom de saber fazê-lo. O termo ‘terapia’ tem por origem o vocábulo grego ‘therapeia’, que significa tratar, hoje em dia acrescido do vocábulo, igualmente grego ‘therapeúein’, que significa servir, assistir, cuidar.

Quando, então, buscamos fazer uma terapia, é exatamente isso que queremos e, necessitamos: ser tratados, servidos, assistidos e cuidados. Ao buscar uma psicoterapia, reconhecemos necessitar e queremos receber um tratamento mental, cognitivo e emocional, que nos servirá – no mais elevado dos sentidos. Esse tratamento mental pode ser feito através do diálogo – pelas palavras – e/ou pelo corpo – pelos gestos, toques e auto expressão. Isso será apresentado mais adiante.

Durante o tratamento que nos é dispensado, somos cuidados e assistidos. Um psicoterapeuta nos assiste com olhos e ouvidos atentos e compassivos, testemunhando aquilo que descortinamos sobre as nossas experiências de vida, num ambiente físico e interpessoal no qual somos cuidados de modo especial, por gestos e atitudes que nos ajudam a enfrentar corajosamente nossos conflitos e alimentam a imensa vontade de conquistarmos a liberdade de ser e a alegria de viver.

Outros além de nos ouvir, tocam nosso corpo, procurando aliviar as dores e despertar as memórias que estão gravadas em nosso ser, nas tensões que carregamos, nos esforços que fazemos para dar conta de nossas aflições e conflitos. São as nossas somatizações, que um excelente especialista saberá nos ajudar a decifrar e dissolver, transportando-as do corpo físico para o corpo emocional e, dali para todo um universo de possibilidades.

Ocorre que muitas pessoas, desde crianças até velhos adultos sentem vergonha de se abrir, de precisar se expor, para dar conta de seus problemas emocionais, muitos deles decorrentes que ideias ou premissas que não se sustentam na realidade dos fatos, mas nas interpretações e distorções com que encaramos aquilo que nos acontece ou imaginamos.

Nosso íntimo é muito importante e valoroso e, por acreditar que há algo ‘errado’ conosco, por não querermos mudar nosso modo de ser, por não querermos ser julgados, passamos a sentir uma vergonha tóxica, que carregamos dentro de nós. De certo modo, é positivo não querer mudar nosso modo de ser. A maioria de nós gosta de si, do jeito com que enfrenta a vida. Sente orgulho de ser quem é. Então, para que ficar se examinando, conversando sobre intimidades? No entanto, não é preciso partir do princípio de que somos ‘errados’. E, sim, que é provável que não tenhamos alguma clareza para resolver algumas coisas e que podemos estar agindo de forma não tão eficaz quanto poderemos, se nos dispusermos a nos olhar sem nós próprios nos julgarmos.

Habitualmente ninguém quer mudar em si alguma coisa. Não, ao menos antes de se observar e se conhecer mais profundamente. Isso é absolutamente válido. Primeiro, saber do que se trata e, só depois decidir se algo em nós pode ser acrescido: de conhecimentos, de significados, de novas interpretações. Ao se dispor à flexibilização mental, cognitiva e emocional, a pessoa tem chances de mudar naquilo que importa e, isso, sem precisar sofrer, nem se recriminar.

Conhecimento alarga horizontes. E horizontes mais amplos acarretam mudanças naturais. Isto é altamente estimulante e fazer psicoterapia precisa ser aceito e percebido como um forte compromisso para consigo próprio, um largo gesto de amor por si, muito agradável e por vezes muito gracioso, ainda que sejam examinadas nossas dores e inibições, justamente aquilo de que tanto viemos nos defendendo e guardando a sete chaves. Mas que pode ser transformado em algo bem melhor para nós e para aqueles com quem convivemos.

  • Quem se beneficia de uma psicoterapia? A pessoa que quer e precisa resolver um problema ou a outra – ou outras pessoas – que estão diretamente envolvidas, com as quais não se consegue entrar num acordo?

Há quem procure fazer psicoterapia para proveito próprio. Há quem procure para aprender a lidar melhor com as outras pessoas. Quando as pessoas buscam uma psicoterapia, muitas delas já tentaram ‘de tudo’, antes. E chegam aos consultórios sentindo-se ‘derrotadas’ por esforços feitos em vão. Vêm, então, pressionadas por exigências de família, de um cônjuge, de trabalho e/ou de suas próprias pressões internas, quando reconhecem que aspectos muito importantes de suas vidas não estão bem. No fundo, todas desejam resolver algo para si, tomar decisões mais amadurecidas e conseguir forças para empreender seus sonhos, com autonomia.

Depois que se entregam ao processo, a maioria se admira e logo se sente bem mais forte, com mais ânimo, concluindo: – Esperei demais. Deveria ter começado antes! Há quem considere que ‘todos precisariam fazer psicoterapia’. Talvez sim, talvez não. O fato é que quando se está mergulhado num problema se perde muito da objetividade para examiná-lo. As conversas com um psicoterapeuta, simultaneamente objetivas e subjetivas, criam um espaço seguro e sigiloso, portanto acolhedor e totalmente resguardado, que tem por propósito gerar maior capacidade para lidar com os conflitos e impasses, exatamente porque o psicoterapeuta não faz parte do problema e, sim, da solução. Ou das possíveis soluções. A pessoa decide.

O que não funciona é buscar uma psicoterapia para mudar ‘outra pessoa’, aquela que faz parte do problema. Isso é manipulação, o que contraria os propósitos de se fazer um tratamento: justamente abrir mão de controles manipuladores, aqueles que geram dependências sufocantes. Tanto faz se a pessoa ocupa o polo do dependente que precisa ser cuidado ou se ela ocupa o polo daquele que toma conta de tudo. Um é dependente do outro. A falta de liberdade se coloca para ambos os lados, oprimindo e desgastando um e outro. Como se diz em linguagem popular: – Quem dá, acha que dá muito. Quem recebe, acha que recebe pouco.

Há situações em que, sim, alguém necessita que tomemos conta dele: doenças graves, congênitas ou adquiridas, casos agudos, casos crônicos degenerativos, surtos, acidentes, cirurgias. Com certeza, as crianças e adolescentes e os mais velhos que estejam vulneráveis. Então, assume-se responsabilidade pelo outro até que a pessoa se recupere e, quando não houver possibilidade de recuperação, até o desfecho final.

Essa responsabilidade é muito grande e, em situações em que a pessoa não tem com quem compartilhar e dividir tais cuidados especiais com mais algum membro da família, ou não tem como pagar por outros serviços em domicílio, o estresse é elevadíssimo e, por tempo prolongado, não dispensa a necessidade de o cuidador ser igualmente cuidado, porque o risco do cuidador adoecer e entrar em depressão é muito alto, devido sua função requerer alta dose de juízo de realidade, sensibilidade, convívio social, muita troca afetiva e exercício de várias tarefas e responsabilidades. Para o cuidador, há grupos de apoio, além da psicoterapia.

A liberdade e a independência são fundamentos onde se assenta a saúde física, mental e emocional. Essas são premissas sobre as quais se baseiam as abordagens com bons resultados, acrescidas de temáticas como singularidade, envolvimento, compromisso, existência, significado e projeto de vida, crescimento e pertença. São temas que quase sempre estão presentes, no todo ou em grande parte, dos dramas e conflitos humanos, que requerem um tratamento diferenciado e especial, para que se consiga extrair da vida as riquezas que ela nos proporciona, em seus muitos matizes.

  • Há muitas formas de se eleger uma psicoterapia: como escolher?

Em primeiro lugar, conhecer um pouco dos vários tipos de psicoterapias que existem. Os mais utilizados são:

  • Terapia individual

Envolve conversar com um psicoterapeuta, por um período de 50 a 60 minutos a cada vez, numa frequência que é sugerida, discutida e determinada logo no início do processo. Há modalidades de atendimento onde o psicoterapeuta também trabalha com abordagens corporais e, para cada modalidade o psicoterapeuta deverá ter adquirido sólida formação teórica e prática.

  • Aconselhamento conjugal

Envolve os dois: o marido e a esposa. O mesmo para relações estáveis, ou seja, casamento ‘sem papel passado’. Terapia de casais é aplicada em toda e qualquer relação onde duas pessoas se relacionam em busca de melhor entendimento entre si, uma solução para seus problemas, independente de se tratar de uma relação homo ou hetero orientada. Basta que as pessoas envolvidas desejem buscar junto essa melhor solução para o seu entendimento atual e para construção do seu futuro a dois.

Modernamente, casais buscam orientação para se separar de maneira cuidadosa, ética e amistosa, na tentativa de preservar seus respectivos papéis, cumprir integralmente com suas responsabilidades de pai e mãe, entendendo que os filhos devem ser poupados de maiores desgastes e protegidos das potenciais agressões mútuas nessa ocasião. A intenção, portanto deve ser a da preservação da integridade psicoafetiva e/ou material da célula familiar, mesmo quando os pais já optaram pela dissolução do casamento. Da mesma forma, busca-se aconselhamento para saber como lidar com a adoção ou com os filhos de um casamento anterior e outras situações daí derivadas. Morte e perda de um filho é, também, motivo sério e justo para que um casal procure aconselhamento. Abortos, especialmente aqueles não ocorridos espontaneamente, muitas vezes trazem sérias desavenças, mesmo quando o casal decidiu junto ser este o melhor caminho.

  • Aconselhamento familiar

Inclui duas ou mais pessoas da mesma família. O foco é dirigido para a qualidade das relações familiares, suas dinâmicas e trocas de afetividade. Os encontros podem acontecer com todos juntos, num mesmo horário, sendo atendidos por um ou dois psicoterapeutas simultaneamente ou podem acontecer em pequenos grupos de duas ou três pessoas.

Há variações para o atendimento familiar, que incluem desde o cuidado para com as crianças, adolescentes, crises de separação na idade adulta, doenças, mortes, perdas financeiras e outras crises e, também, cuidados especiais para com os mais velhos, os quais podem morar ou não na mesma casa, mas com os quais se convive frequentemente e se tem alta responsabilidade.

Isso envolve aconselhamento com foco nas relações entre avós e netos pequenos (quando os avôs e/ou avós são responsáveis pelas crianças); aconselhamento com foco nas relações avós e netos adolescentes (quando residem na mesma casa e há atritos de autoridade entre pais e avós, desacato de uma geração para com a outra) e outras formas de aconselhamento familiar intergeracional. Recentemente surgiu o aconselhamento para irmãos que desejam se entender melhor (quando querem recuperar relações desgastadas e não sabem como fazê-lo).

Face ao envelhecimento populacional torna-se cada vez mais frequente a necessidade de assumir o papel de cuidador de idosos numa família e, muitas vezes, de mais de um idoso, parcialmente dependente ou já totalmente dependente, física e/ou emocionalmente. Inclusive financeira e materialmente dependente.

  • Psicoterapia orientada para as relações sociais

O foco é orientado para a superação da timidez e da fobia social, para pessoas que são muito hábeis no ambiente de trabalho, mas que evitam amizades pessoais ou não permitem que as amizades se aproximem, por medo de que essas relações se tornem muito próximas e íntimas. Nem sempre esse medo é consciente, pois pode estar mascarado por uma grande capacidade de se exprimir bem quando em público, mas estar presente na vida dos que são muito solitários e não cultivam um ‘melhor amigo’ ou ‘amiga’.

São também pessoas que não têm um grupo de amigos com quem sair e se relacionar, o que é muito frequente após uma separação conjugal ou em decorrência de uma mudança de cidade, de um trauma causado por acidente ou doença que mudou drasticamente a vida e/ou a aparência e/ou os valores de uma pessoa.

Traumas envolvendo perda de amigos íntimos na infância ou na adolescência, o fato de ter sido traído por aquele que se considerava um amigo absolutamente leal, sofrer bulling na escola ou praticado pelo grupo social, tem por consequência o medo de se envolver de novo e de confiar em amigos. Perseguições, discriminações e preconceitos causam danos terríveis à autoestima de qualquer pessoa e, principalmente nas crianças e nos jovens, que não sabem como se defender e, que se tornam agressivos demais, desconfiados, descrentes, irônicos ou arredios. Ou, ao contrário, abrem mão de sua autonomia, tornando-se facilmente influenciáveis e sem identidade própria.

O processo psicoterápico focaliza a arte e o valor da mutualidade e da amizade. Muitas pessoas, especialmente do sexo masculino, nunca aprenderam: a enxergar com clareza seus próprios sentimentos e emoções ou como se exprimir emocionalmente em relação aos seus amigos e amigas. E, mais: não sabem como nem para quê confiar nas pessoas. Esse tipo de psicoterapia é muito útil para vencer o temor de enfrentar novos espaços sociais e, mesmo, abordar pessoas desconhecidas ou pouco conhecidas para conversar ou convidá-las para sair. A respeito da importância das relações sociais, recomendamos a leitura do artigo ‘NetLiving’ e do exercício de autoconhecimento que o acompanha, também disponível em nosso site.

  • Terapia de grupo

Usualmente envolve entre 5 a 10 pessoas não relacionadas entre si, selecionadas, estimuladas e conduzidas a estar juntas pelo psicoterapeuta, para discutir problemas e aprender a respeito de si mesmas dentro de um contexto de interações em grupo, observadas e analisadas em conjunto, no ‘aqui e agora’ e com base nas dinâmicas que se estabelecem entre as pessoas do próprio grupo.

São relatadas as experiências de vida de cada um e o grupo, a cada sessão, elege o tema pelo qual haverão de transitar naquele dia. Dificilmente são tratados mais de dois temas por vez. O que pode ocorrer, é que o psicoterapeuta conduza o grupo a perceber possíveis conexões entre temas aparentemente diferentes, mas que possuem a mesma raiz.

São observadas as diferentes formas de tratar dos assuntos, individuais ou referentes à estrutura e à dinâmica do próprio grupo, conforme esses assuntos vão surgindo, espontaneamente ou são claramente percebidos pelo psicoterapeuta, que então introduz dinâmicas adequadas. Cada membro se abre e conta de suas experiências de vida para os demais na medida da sua disponibilidade de se expor e dialogar sobre o que quer que seja. O trabalho de grupo pode ser acompanhado um ou dois psicoterapeutas, sempre os mesmos, a cada sessão.

  • Grupo de Desenvolvimento Pessoal

Diferente da psicoterapia de grupo, o foco é dirigido para a discussão de temas já previamente estruturados e apresentados ao grupo e que são de seu interesse em comum. Não se busca exatamente um tratamento para cada pessoa, mas uma atualização de si mesmos. As aprendizagens sobre si também ocorrem, assim como algumas mudanças de valores e de atitudes, dessa forma podendo-se falar em ‘efeitos terapêuticos’, conforme cada pessoa se sente mais autoconfiante e satisfeita consigo. É como se fossem aulas que promovem autoconhecimento.

  • Psicoterapia e Orientação Sexual

É uma especialidade relativamente nova, que focaliza problemas de natureza sexual e que, oferece diagnósticos e tratamentos específicos. Pode requerer a participação de outros especialistas para formar uma equipe de trabalho, quando e sempre que necessário. Pode ser feita individualmente ou para casais.

As pessoas colocam em pauta assuntos que, ainda, dificilmente são tratados com respeito, acolhimento e conhecimento suficiente em família: homossexualidade, bissexualidade, transexualidade, crossing, dresscrossing, compulsões, prostituição, preferências comportamentais e, atitudes tidas como violentas, inadequadas ou indesejáveis, porque trazem prejuízo àqueles que as praticam e as suas vítimas.

Situações de abuso, estupro, incesto e traumas de várias ordens, que resultam em desajustes e disfunções sexuais, são trabalhadas – individualmente e/ou em grupo – sendo que o psicoterapeuta deve se reportar às autoridades em todos os casos que envolvem violência doméstica, abuso de menores, ameaças à integridade e à saúde do ou dos participantes. Sob nenhum pretexto o psicoterapeuta poderá se omitir em se tratando de abuso e violência praticada contra menores e idosos, contra pessoas em situação de alta vulnerabilidade.

  • Auto Ajuda e Grupos de Suporte

São formas de psicoterapia frequentemente procuradas em seguida a experiências muito particulares, como por exemplo: doenças crônicas limitantes ou incapacitantes, dependências químicas, cirurgias mutilantes, abuso no consumo de bebidas alcoólicas, droga-dicção (abuso e dependência do consumo de uma ou mais drogas combinadas para enfrentar a vida, inclusive dependência de fármacos), sexo-adicção (compulsão sexual, dependência de praticar o sexo para sentir-se aceito, acolhido e/ou valorizado ou, ainda, para obter alívio de pressões íntimas que ocasionam  grande sofrimento pessoal), co-dependência (em decorrência da convivência prolongada com pessoas portadoras de graves disfunções mentais, comportamentais e/ou de caráter e, em decorrência de pais e/ou irmãos violentos, disfuncionais e de cônjuges igualmente abusivos), recuperação de traumas ocasionados pelo assédio moral no ambiente de trabalho etc

Alguns desses grupos têm profissionais especialmente formados para conduzir os trabalhos. Muitos psicólogos se especializam nestas áreas. Outros grupos são conduzidos e liderados pelos seus próprios membros e/ou por membros já recuperados, psicólogos ou não. Não necessariamente os líderes de grupo serão psicoterapeutas formados.

Da mesma forma, há grupos para familiares de pessoas portadoras de necessidades especiais de várias ordens e que precisam de suporte emocional, de orientação alimentar e de aprendizagem sobre determinadas patologias e distúrbios específicos, para saber com o que se está lidando e como conduzir-se nas situações que surgirem, de modo a se proteger e garantir sua autonomia e integridade.

É muito importante que cada pessoa que recorre a esses serviços saiba que estará frequentando esses grupos ou salas para tratar de si próprias e, não para fazer ‘o outro’ mudar ou passar a levar uma vida diferente. Os cuidados para com os co-dependentes são tão importantes quanto aqueles dispensados aos dependentes.

  • Terapias de Stress Pós-Traumático

Elas são procuradas para a recuperação da integridade do aparelho psíquico (cognitivo e emocional) e do fluxo livre de informações, além da harmonização dessas informações, que estiveram desorganizadas na mente e no corpo da pessoa, em decorrência de uma situação de pânico vivido de forma aguda, como no caso de sequestros, assaltos, incêndios, acidentes automobilísticos, perdas de partes do corpo ou membros, lesões físicas, estupro, testemunho de um crime etc.

Essas situações limítrofes causam muita dor moral e emocional e, por vezes dores físicas e mutilações, com todas as consequências negativas na condução de vida da vítima desse tipo de stress agudo. Mesmo em casos de forma crônica, como  eventos havidos na infância ou na adolescência, e que tenham causado forte trauma emocional, trauma que ainda não foi curado e, portanto, repercute nos relacionamentos atuais das pessoas vitimadas, esta terapia se aplica.

Existe, inclusive, a possibilidade de repercussões negativas na aprendizagem da fala fluente, de aquisição de novos idiomas, de domínio de determinadas ciências, do exercício da criatividade como um todo. Essas repercussões se apresentam como problema muito comum, em forma de alguns medos que persistem na vida adulta: medo de viajar de avião, medo do escuro, medo de falar em público, medo de nadar etc., que acabam por comprometer o desenvolvimento de uma carreira, em decorrência de abusos ou episódios dolorosos vividos.

Pode-se recorrer a visualizações, às várias formas de hipnose, de regressão consciente, conforme a formação teórica e experiência prática de cada psicoterapeuta.  Nesse sentido sua sensibilidade e criatividade são primordiais.

  • Time Line Therapy – Terapia da Linha do Tempo

Uma forma específica de trabalhar com padrões disfuncionais, que se repetem ao longo de uma vida. Nessa abordagem pode-se lidar com sintomas – inclusive físicos – de saúde, reorganizando-os e liberando a pessoa para uma melhor saúde geral, a partir da compreensão de sua complexidade e total respeito por si enquanto ser humano e suas conexões com as várias dimensões da vida humana.

É importante que se converse clara e abertamente com o psicoterapeuta sobre a Time Line Therapy, o Tratamento de Stress Pós-Traumático e, sobre Hipnoterapias. Acreditamos que este ou esta profissional deva ser alguém também disposto a dialogar, esclarecer e buscar, junto com seu paciente, novos recursos aplicáveis ao caso. Não é raro que os profissionais solicitem o auxílio de outros que detém esta especialidade e que, somem suas competências para melhor atender a um paciente.

Já que existem tantas alternativas, por onde começar.

O importante é reconhecer a necessidade de ser ajudado, escolher um profissional muito bem recomendado e começar. Cada especialidade tem suas especificidades e não é a discussão sobre ‘qual linha terapêutica que o profissional adota’ que será determinante. Cada modalidade psicoterápica pode ser aplicada como recurso único ou em combinação com as demais, se agregando às psicoterapias convencionais e se combinando aos atendimentos de outros profissionais igualmente gabaritados e bem indicados. Há profissionais de formação eclética (conhecem e aplicam bem  procedimentos de várias linhas teóricas). Outros se aprofundam numa única linha de trabalho.

É o contato, a recomendação e a confiança que aquele profissional inspira que deverão nortear a escolha, não importando tanto a linha teórica. Muito relevante é, também, o valor que se deverá pagar mês a mês – ou a cada consulta ou sessão. Com todas essas informações, se poderá eleger, então, o profissional mais inspirador e, juntos, o melhor procedimento para atender às necessidades e expectativas de cada paciente e, se for o caso, às de seus familiares.

A psicologia e a psicoterapia se constituem plenamente no exercício de um profissional da área de saúde, não sendo admissível que outro profissional, seja das áreas médicas ou paramédicas, sugira unilateralmente a interrupção de uma psicoterapia específica sob o argumento de que ela possa interferir negativamente no tratamento que este outro profissional dispensa, seja este da área de saúde física ou mental.

Não tem sido infrequente que, em se tratando a psicologia de uma ciência e de uma prática autônomas, que se debruçam sobre a saúde e a integridade mental e, por consequência cuidem diretamente de fatores emocionais, outros profissionais contra indiquem a psicoterapia, alegando que, estando a pessoa instável e precisando mudar a medicação ou, simplesmente descansar de um problema de relacionamento conturbado, ela deva interromper suas sessões de tratamento psicoterápico.

Isto se constitui em uma grave ingerência noutra especialidade e, em se tratando de profissionais bem formados, é ético considerar que a somatória de todos os esforços empreendidos por pessoas honestas e diligentes, fará mais e melhor aos pacientes, que a exclusão de uma ou outra prática, especialmente quando se conhece pouco ou nada do que o outro profissional realiza em favor da pessoa que está em dificuldades emocionais ou de forma geral. O diálogo é o caminho.

Alguns profissionais, alheios às práticas e artes psicoterápicas, quando afirmam que ‘mal não faz.’, deixam claro seu desconhecimento e descrédito em relação às profundas e já amplamente reconhecidas intervenções das áreas psi. Tais questões de natureza ética são muito delicadas e, na verdade, deve-se procurar por informações de pessoas confiáveis que já passaram por um tratamento psicoterápico, por recomendações de colegas, de familiares e de amigos que já exibem naturalmente os benefícios de terem-se tratado. É claro que se devem buscar indicações sobre a psicoterapia da mesma forma que se faz, quando à procura de um especialista em qualquer das especialidades da saúde física e mental, buscando cercar-se de todos os cuidados necessários.

Existem bons e maus profissionais em cada área. Existe, também, a possibilidade de que um excelente profissional não consiga ser bem sucedido com um determinado paciente. Nenhum dos profissionais das áreas de saúde, por mais bem formado em sua especialidade está imune a cometer erros ou não acertar de início. Portanto, que não se generalize. Mesmo os melhores profissionais não dão conta de tudo.

Persiste uma ilusão, uma idealização cultural em relação aos psicólogos e psicoterapeutas: que  consigam furtar-se de viver problemas que são comuns a todos, como conflitos familiares, problemas em gerenciar seu tempo, em administrar seu patrimônio e outros. O fato de ser um excelente profissional não vacina ninguém contra os problemas da vida cotidiana, casamento, saúde, insatisfação com o próprio trabalho, remuneração, bens e patrimônio, prazeres e/ou dores.

Psicoterapeutas, sim, também vivem seus dramas, porque quando alguém está mergulhado num turbilhão de conflitos, muitas vezes não consegue enxergar o todo ou uma saída. Até mesmo para lidar bem e não confundir sua vida pessoal com a de seus pacientes, é necessário que os psicoterapeutas façam sua análise pessoal com outros colegas bem formados. É necessário fazer sua reciclagem ao longo de todo o trajeto profissional, para manter-se bem calibrado e afinado com cada paciente.

Boas recomendações são necessárias

Uma vez que se vai confiar em alguém, é preciso que essa pessoa seja muito bem recomendada, mesmo que seja iniciante, pois todos os iniciantes na profissão devem ter supervisão e serem assessorados por profissionais experientes. Atualmente se fazem buscas nos sites dos profissionais. Pois, que sejam lidas as recomendações e os testemunhos daqueles que já foram bem atendidos e que se solicite, diretamente ao profissional, que seja realizada uma consulta inicial para se conhecerem e conversarem sobre como  conduzir o tratamento. Alguns profissionais já cobram por esta primeira consulta, enquanto outros não.

Uma excelente fonte de pesquisa e decisão são as próprias sensações físicas, objetiva e subjetiva que cada paciente tem, na presença de um psicoterapeuta: sensações de bem estar, de alívio no peito, ausência de tensão muscular exagerada. Mentalmente, a certeza de estar sendo compreendido e de ter suas esperanças renovadas – ou ao menos o desejo inicial de começar para experimentar e ver no que vai dar – um vislumbre de melhora com a perspectiva de dar início àquele tratamento, são sérios e confiáveis indícios nos quais se basear para fechar contrato de serviços com um profissional.

Os pacientes, aliás, precisam ler o contrato junto com o profissional com quem passarão a se encontrar e, até mesmo, discutir algumas cláusulas com ele ou ela. É exigência do CRP – Conselho Regional de Psicologia. Esse primeiro contrato poderá ser renovado, atualizado, mas precisa existir e ser assinado por ambos antes de dar início ao tratamento. Da mesma forma, seja pessoa física ou jurídica, o profissional deverá manter as vistas de seus pacientes, ao menos um exemplar do Código do Consumidor. Protege a ambos.

Se em especialidades médicas, muitas vezes a pessoa escolhe tratar-se com um grande especialista, mesmo que se mostre sisudo, frio, cortante e apressado, porque esse profissional é considerado um dos melhores ou ‘o melhor’ naquela especialidade, nas especialidades psicoterápicas e diagnósticas das áreas psi, o contato humano, o bem estar interpessoal, a sensação de confiança e segurança acolhedora, a liberdade de que se usufrui ao falar com o profissional, a animação consequente e as forças redobradas são os elementos principais a serem considerados para a eleição de qual profissional será aquele que haverá de nos tratar. Da mesma forma, quando um profissional deixar de respeitar seus pacientes – ou vier ele próprio – a se sentir muito desrespeitado por algum deles, isto é matéria para ser tratada durante uma ou no máximo duas sessões e pode dar ensejo ao rompimento do contrato assinado.

O profissional pode ser mais moço, mais velho, homem ou mulher, a escolha feita pelos pacientes e, em se tratando de pacientes dependentes e vulneráveis, inclui-se parentes próximos nisso, é uma escolha de foro íntimo e intransferível. A mãe, a irmã, o marido pode recomendar muito bem, mas se cada pessoa não se sentir bem e à vontade com aquele psicoterapeuta, melhor fazer outras entrevistas, buscar dois ou três profissionais bem indicados, para poder decidir. O bom profissional não fica inseguro, nem enciumado, se a pessoa revelar que ainda precisa conhecer outras opiniões antes de decidir se tratar. Pelo contrário, haverá de apoiar.

  • Quem, então, decide sobre qual terapia fazer?

Há casos em que é recomendável fazer um psicodiagnóstico, antes de recomendar dar-se início a uma psicoterapia. Cabem diretamente nesta abordagem: problemas com aprendizagem, pesquisa de inteligência e maturidade emocional, disfunções neurológicas que se apresentam clinicamente, porém não através de exames de imagem, suspeitas de Síndrome de Alzheimer e/ou outros sintomas não esclarecidos que afetam a saúde geral, a autonomia, a vida de relacionamentos e a afetividade de modo global.

Tratando-se de um menor de idade ou alguém dependente, quem decide é a pessoa adulta capaz e responsável. Mas, se a própria pessoa, menor de idade, não se identificar como alguém que será beneficiada pela ajuda profissional, nenhuma forma de psicoterapia surtirá bons efeitos. A criança ou o adolescente poderá até comparecer às sessões, mas não irá colaborar e poderá até boicotar o tratamento. Próprio e/ou daqueles envolvidos no problema.

No caso de adultos e idosos em geral, a própria pessoa, sendo responsável, será capaz de decidir sobre qual forma de terapia fazer. Mas nem todos reconhecem necessitar de uma psicoterapia. É importante, portanto, caso algum familiar ou amigo insista, que a pessoa no mínimo se dê uma chance e compareça a um consultório, ao menos para ouvir o que pode ser-lhe oferecido de bom e positivo para si, na visão daqueles que gostam muito dessa pessoa. Então, vale a pena insistir, porém não coagir, ameaçar ou chantagear, o que acontece muito comumente com crianças pequenas, adolescentes e pessoas muito idosas.

Muitos jovens e idosos afirmam que, quem precisa se tratar é a mãe, o pai, o irmão, o marido, a esposa, a avó, a filha, o filho, sempre ‘o outro’. Não se percebem como necessitados de ajuda. Talvez, a melhor estratégia inicial seja a de incluir temporariamente na terapia um familiar são e equilibrado, em vez de realçar a pessoa como ‘doente’ ou ‘causadora’ de todos os problemas.

Para o caso de menores e de pessoas dependentes, física e/ou emocionalmente, muito frequentemente os pais, os responsáveis e até mesmo outros familiares, são chamados a participar do processo de psicoterapia ou de aconselhamento. Não necessariamente com o mesmo profissional. No entanto, é rigoroso que o psicólogo respeite integralmente os conteúdos específicos trazidos às consultas. Ao conversar com os pais ou filhos, ele deverá ser absolutamente discreto e respeitoso, abordando questões genéricas, sem entrar em detalhes personalíssimos. De preferência deverá comunicar ao seu paciente que este encontro com os familiares estará ocorrendo e, se for o caso, o paciente também comparecer para dialogar com os demais, na presença do psicoterapeuta.

O profissional que não respeite na íntegra o sigilo entre ele e seu paciente, que estabeleça pactos de tipo ‘vou lhes contar, mas não diga ao… (paciente)… que eu contei…’ não estará sendo ético, estará traindo a confiança do paciente e dos familiares. O mesmo quando se trata de um casal. Só se abre o sigilo se o próprio paciente assim o desejar e, de qualquer modo, isso deve ser combinado previamente. O paciente deverá ser preparado para abrir-se com seus familiares se desejar fazê-lo.

O papel do psicoterapeuta comporta zelar pela integridade da identidade dos pacientes, acolher os conteúdos trazidos e, de forma alguma referir-se a eles levianamente, nem escrever artigos, livros e resultados de pesquisa que permitam a identificação do(s) paciente(s). Nem sempre aquilo que os pacientes querem esconder de seus esposos, pais, irmãos e filhos são de natureza moralmente reprovável e, mesmo se fossem, quem decide o que fala, como, quando e para quem fala, é o paciente.

Tudo isso é absolutamente válido para atendimentos individuais e/ou em grupo. Para atender dentro de um e ou de outro modelo é necessária uma formação específica. Há profissionais que só atendem individualmente. Outros o fazem em grupo. E outros dominam a arte e a ciência de atender a seus pacientes tanto individualmente como em grupo. É preciso considerar que os valores a pagar pelo trabalho em grupo também são mais reduzidos que nos atendimentos individuais e que, compartilhar experiências com um grupo mediado por um excelente psicoterapeuta é altamente enriquecedor, favorecendo certos diálogos e percepções que, nos atendimentos individuais não seria possível, até porque não surgiriam.

Cada forma de psicoterapia tem sua abordagem diferenciada em relação ao(s) problema(s) e situação(ões) trazida(s) e cada uma tem suas próprias virtudes. Caso uma forma não atenda às expectativas ou pareça não estar funcionando, ou seja, trazendo bons e palpáveis resultados, a pessoa sempre pode tentar outra, mais apropriada, outro método sobre o qual já tenha lido ou ouvido falar, por pessoa de alta credibilidade. Não por não ter dado resultados com um profissional, a psicoterapia merecerá ser descartada como algo que, simplesmente ‘não funciona’.

  • O que é preciso saber sobre as diferentes abordagens e o tempo de duração do tratamento

Assim como não é necessário ter feito um curso de medicina para uma pessoa saber de qual especialidade médica ela necessita – a menos que não saiba se procura primeiro um clínico geral ou se vai a um médico especialista –  também em relação aos tratamentos psicoterápicos, conhecendo as diferentes abordagens, não é necessário fazer um curso de psicologia para decidir qual tipo de terapia fazer. Se necessário, à semelhança daquilo que se faz ao solicitar um exame médico clínico ou laboratorial, o psicoterapeuta poderá solicitar que seja feito um psicodiagnóstico. Em geral, indica-se um psicólogo que saiba aplicar e interpretar os resultados obtidos pelos instrumentos psicodiagnósticos.

Você deverá entender perfeitamente o que seu – ou sua – psicoterapeuta lhe disser e terá toda liberdade para questionar e mesmo para sugerir e discutir algo sobre o que já tenha ouvido falar e que tenha relação com a problemática que você está vivendo. Será, portanto, possível manter seu total entendimento sobre o que se passa na sua própria psicoterapia e descobrir, junto com o profissional, o que funciona melhor para você, dentro das alternativas que lhe forem propostas.

É bastante adequado que você não se restrinja e que só execute algo se e quando estiver perfeitamente de acordo com os rumos que este profissional lhe apontar. As responsabilidades se somam, não se dividem. O profissional faz 100% a parte dele e, você faz 100% da sua. Interessar-se e comprometer-se com o seu tratamento é exatamente o que se espera de você.

O profissional que lhe atender poderá recomendar livros, textos, filmes, obras, passeios, viagens e locais para visitar. Sua cultura geral e seu interesse pelo bem estar geral de seus pacientes é fator primordial, no sentido de ter argumentos e saber respeitar diferentes pontos de vista e experiências de vida. Suas indicações poderão se referir a obras da área ou de interesse geral, inclusive séries televisivas antigas ou atuais.

Ajuda um pouco, sim, você buscar se familiarizar com as bases filosóficas da teoria da qual o profissional se vale para atender você e, quando for o caso, aos seus familiares. Para isso, há farto material do qual poderá se servir para aprender e debater com seu psicoterapeuta, ele ou ela.

Seja qual for a escolha, ela recairá em uma das três categorias, que podem ser utilizadas em separado ou combinadas entre si, no seu caso e/ou no decorrer do tratamento. São elas:

  • Terapias Breves – Focalizadas num problema circunstancial, com foco aplicado a um problema ou conflito específico que, uma vez solucionado, põe fim ao processo de orientação ou aconselhamento. Muito característico das abordagens cognitivas. Também aplicáveis nos casos de estresses pós-traumático e algumas fobias.
  • Terapias de Conteúdo – De mais longa duração, implicam em elaboração dos significados das experiências de vida vivida, passadas, atuais e futuras, para o que a história de vida e os sonhos muito contribuem. Características das abordagens de inspiração psicanalítica, existencial, transpessoal, guestáltica e/ou logosófica.
  • Terapias focadas em Mudanças Desejadas e Negociações – que a pessoa faz consigo própria, com as pessoas importantes de seu relacionamento, com quem deseja manter-se em contato e nas quais a pessoa participa, passo a passo da programação dessas mudanças, de comum acordo com o(a) seu(sua) psicoterapeuta e, quando for o caso, da busca ativa de informações, execução de tarefas, leituras, exercícios, auto-observação, escrita e da seleção de outros terapeutas e outras formas de tratamento que se façam necessárias para alcançar o que podem combinar várias estratégias e fundamentações teóricas. Os profissionais podem indicar um processo de Coaching nalguma área (profissional, financeira, por exemplo) para incrementar todo o processo.

Qualquer destas modalidades poderá ter atendimento individual, aos pares ou em grupo (famílias ou grupos operativos), sendo que no decorrer de uma delas se pode recorrer a uma das outras formas para obter melhores resultados. O fato é que, durante todo o tempo de duração de uma psicoterapia, tanto o paciente quanto o psicoterapeuta precisarão ser sinceros consigo próprios e com o outro ao responder às questões:

  • O que estamos fazendo, está correspondendo à expectativa?
  • Estamos prosseguindo rumo aos resultados desejados?
  • Está surtindo um bom efeito?
  • Ficamos felizes com isso?
  • Faz bem para ambas as partes?

Respondendo afirmativamente, então que se continue até que a alta ou a finalização do processo seja discutida entre você e o profissional. Ambos se darão conta e haverão de conversar a respeito, sobre a hora de encerrar a psicoterapia, a orientação ou o aconselhamento. Ao menos este primeiro ciclo, cujos motivos que levaram ao atendimento já estejam solucionados ou bem encaminhados. Então, ambos se despendem. Vivendo um afastamento cuidadoso e, não, simplesmente uma ruptura ou dissolução unilateralmente resolvida. Um dia, pode acontecer de a pessoa retornar ao psicoterapeuta que já lhe atendeu anteriormente ou buscar um novo profissional. Amizades, no entanto, só poderão ser alimentadas reciprocamente depois de findo o processo de psicoterapia como um todo.

Da mesma forma, relacionamentos amorosos e sexuais entre paciente e psicoterapeuta são absolutamente interditos, enquanto estiverem em trabalho conjunto. Caso o psicoterapeuta se envolva emocionalmente com o seu cliente, caso os apelos sexuais se tornem presentes a um ponto de interferir na distância emocional e física, necessárias para a qualidade do atendimento, este deverá ser interrompido e o paciente deverá ser reencaminhado para um colega.

De outra forma, o profissional estará cometendo um grave erro ético e de abuso emocional, posto que, a sua posição de autoridade não permite que ele ou ela se prevaleça das fragilidades de seus pacientes, dos relacionamentos e acessos que eles têm ou podem facultar, da intimidade emocional benéfica e criativa, por isso mesmo construtiva, que permeia o tratamento e na confiança que é depositada em si, por todos aqueles que buscam um profissional para ajuda-los a se descobrir como pessoas e a se reorientar em aspectos e áreas muito importantes em suas vidas.

É em respeito à privacidade, à individualidade de cada paciente, que nenhum profissional da psicoterapia deverá jamais, citar ou tornar público, o nome de um paciente que atende ou atendeu um dia. Se o paciente desejar, ele ou ela poderá indicar ou mencionar nome de seu – ou sua – psicoterapeuta. Ou relatar a seus familiares e conhecidos detalhes daquilo que é discutido numa consulta privativa. Uma coisa, porém, é o que é discutido e vivido durante a consulta a portas fechadas, outra coisa é o relato que se faz a posteriori, porque mesmo tendo se entendido muito bem, psicoterapeuta e paciente poderão ficar – e, geralmente ficam – com diferentes memórias e versões do acontecido.

Iguais cuidados devem ser tomados, quando um psicoterapeuta escreve livros, artigos, aceita ser entrevistado pelos mais diferentes meios de comunicação. O relato que fará de um caso ou situação deverá proteger a fonte e sob qualquer hipótese, jamais permitir que a pessoa ou o caso referido venha a ser identificado. Pela pessoa ou por algum de seus conhecidos. Há meios para preservar o sigilo, que jamais poderá ser rompido. A confiabilidade, a integridade do profissional, além da sua completa habilitação e competência são pilastras sobre as quais se assenta o bom êxito dos tratamentos psicoterápicos.

Sites indicados

  1. http://pt.wikipedia.org/wiki/Emilio_Mira_y_L%C3%B3pez#O_psico-diagn.C3.B3stico_miocin.C3.A9tico, em 23 de abril de 2014 às 20h17’
  2. http://psicologado.com/psicologia-geral/historia-da-psicologia/wundt-e-a-criacao-do-primeiro-laboratorio-de-psicologia-na-alemanha
  3. http://www.suapesquisa.com/biografias/freud.htm em 23 de abril de 2014 às 20h35’

Deixe uma resposta