O que é a sensciência e porque você precisa saber disso.

Sheldon Filósofo
Imagem: #SheldonFilósofo

O filósofo australiano Peter Singer, em seu livro Libertação Animal (na página 17, de 2004) destaca as evidências da sensciência nos animais, que são:

  • Capacidade de sentir dor, medo, ansiedade, frustração e prazer;

  • Compreensão de pertencer a grupos sociais, capacidade de interagir natural e socialmente;

  • Possuir profundos sentimentos de laços familiares, algum tipo de comunicação e preferências.

Singer enfatiza que o estatuto moral de todo e qualquer ser não depende da sua capacidade de raciocinar e falar, mas do fato de ser sensciente ou não.

Se um ser sofre, não pode haver qualquer justificativa moral para deixarmos de levar em conta esse sofrimento. Não importa a natureza do ser, o princípio de igualdade requer que seu sofrimento seja considerado em pé de igualdade com sofrimentos semelhantes – na medida em que comparações aproximadas possam ser feitas – de qualquer outro ser.

Caso um ser não seja capaz de sofrer, de sentir prazer ou felicidade, nada há a ser levado em conta. O limite, portanto, da sensciência para a capacidade de sofrer e/ou experimentar prazer é a única fronteira defensável de consideração dos interesses alheios.

Singer propõe o critério "dor/sofrimento" para que o ser seja aceito na comunidade moral. Com esse critério, não devemos então perguntar se o ser tem ou não a plena posse da razão e, sim, se ele é capaz de sofrer. Este é o critério da sensciência, também segundo a Dra. Adriana DriKzaa Adam.

E eu, com este artigo, reforço a necessidade de aceitarmos que os nossos pets, cachorros, gatos, tartarugas, porquinhos, coelhos e passarinhos, hamsters e peixinhos, todos eles e alguns mais, têm plena capacidade de se envolver e de se importar conosco, seres humanos.

Nós, os humanos, temos obrigações para com toda a natureza, obrigações de cuidar das plantas, que também ‘conversam’ entre si e com os animais. A nova consciência exige que transformemos nossa visão de sermos superiores a todos eles. A bem da verdade, a natureza sobrevive a qualquer um de nós. E ninguém de nós vive bem, quando se isola, se aparta da natureza e da terra.

Uma nova consciência surge

Nós não temos ‘uma’ natureza que nos cerca. Nós ‘somos’ essa natureza. Interagimos com tudo e com todos, quer saibamos disso ou não. As trocas são permanentes e pulsantes. A nossa presença ou ausência ‘diz’ alguma coisa para alguém. Nossos calçados e roupas guardadas nos armários são ‘vitalizadas’, quando as usamos, conservando a cor e a forma. Guardadas em caixas e baús, sem uso, viram ‘trapos, mesmo quando não são tomadas pelo mofo.

Um colar de pérolas perde o viço e a própria vida, quando não entra em contato com o nosso colo, com a nossa própria pele. Uma casa desabitada se deteriora. Isso significa o que? Que nós, pessoas humanas, deixamos nossas ‘marcas’ nas paredes, nas ruas e nos parques. O bom cuidado revitaliza o entorno! As pedras nos contam histórias, tanto quanto com elas construímos templos, caminhos e pontes.

Mesmo relíquias mantidas em caixas de vidro, são vitalizadas pelas tênues vibrações dos nossos olhares de respeito ou mesmo de veneração. Sua conservação não se deve tão somente aos controles de luz e aeração, mas ao respeito que se tem por elas, naquilo que significam ao olhar humano, que são captados pelos cristais que as protegem e a elas emprestam o que de mais elevado nos seres humanos reside.

Quem cuida e como cuida. Do que e de quem

Pessoas cuidam de plantas e de animais. Plantas e animais cuidam de pessoas. Pensar diferente é não pensar direito sobre o que é essencial. A dicotomia entre homens cá, animais e plantas lá, não corresponde, em absoluto, à verdade verdadeira da vida em nosso Planeta.

Esta é ‘uma das possibilidades’ do existir, que tem suas raízes nos postulados de Renée Descartes, conhecimento este que resultou no desenvolvimento das ciências exatas. A vida, no entanto, não é certa, nem exata. A vida transcorre enquanto fazemos cálculos e tecemos planos. Shakespeare falou – ou escreveu? - “Há mais coisas entre o céu e a terra do que pode imaginar nossa vã filosofia”.

Podemos, então, assumir que há outras razões que a própria razão desconhece e, é em busca destas ‘outras razões’ que as ciências caminham. Após Descartes, adotamos como ‘razão principal’ aquilo que o nosso raciocínio lógico alcançou. E o mundo prosperou. Mas o desconhecimento daí decorrente, de que um universo prescinde do outro, se deve à auto adulação dos seres humanos e, nesse desconhecimento residem muitas misérias.

Convido-os a refletir sobre o fato de que todos os universos existem no corpo humano: os minerais, com certeza em nossos ossos. Eles são estruturais e os mais permanentes aqui neste mundo físico e material. Os vegetais, com suas propriedades e nutrientes, que alimentam funções específicas do nosso corpo e da nossa mente. E o mundo animal, nossa carne, nosso sangue que flui de cá para lá e de lá para cá.

Este conjunto orgânico, funcional e inteligente, presta contas a razões que nem de longe chegamos a explicar, mas que podemos intuir e, com isso prosseguir animadamente, acreditando em Deus ou não, simplesmente procurando ser éticos, honrados, justos e dignos para levar uma ‘vida boa’.

Não é necessário, então, provarmos que os pets, nossos queridos e animados animaizinhos, plantas e pedras fazem bem a nossa saúde e agregam valor e alegria as nossas vidas: é só cuidar bem de um e seremos recompensados!

  • Psicóloga formada pela UNIP, Mestre em Psicologia Social pela USP e doutora em Ciências Sociais pela PUC-SP.
  • Pesquisadora pelo NEF - Núcleo de Estudos do Futuro, com foco no Ecossociodesenvolvimento | Cátedra Ignacy Sachs, alinhada ao United Nations Millennium Project.
  • Coaching de Carreira e Preparo para uma Aposentadoria Sustentável.

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