A escolha vocacional é um termo originado da palavra “vocação”, do latim vocare, que significa “predestinação”. Assim, subentende-se que escolher uma profissão é como atender a um chamado divino. É como uma voz vinda de Deus que pede à pessoa que realize um feito no mundo.

Por Leo Fraiman*

Orientação Profissional, Vocação
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É uma visão muito nobre. E algumas pessoas, de fato, têm a sorte de encontrar dentro de si um talento tão especial para realizar determinada atividade, em que a profissão acaba por se tornar um projeto de vida desde muito cedo.

Um exemplo desse dom profissional é Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), compositor austríaco que entrou para a história por sua precocidade e talento incomuns. Estudando com o pai desde pequeno, aprendeu a tocar cravo (instrumento precursor do piano) aos 3 anos de idade e começou a compor aos 4. Um ano depois, já se apresentava para o público. Exibiu-se em Munique, Viena, Paris e Londres. Aos 7 anos já tocava cravo, órgão e violino. Na Itália, consagrou-se compositor de óperas.

Exemplo mais recente são Pelé, na área esportiva; Picasso, nas artes plásticas; entre muitos outros que atuam com uma destreza bem acima da média da população.

No entanto, o termo “vocação” está em desuso para alguns autores, porque, de acordo com eles, grande parte das pessoas não recebeu um dom especial divino ou não consegue escutar esse “chamado interior”. Além disso, o termo “vocação” implicaria uma predeterminação, uma espécie de “obrigação” para realizar algo, e isso poderia levar o indivíduo a realizar sua escolha apenas por uma tendência familiar e não por suas afinidades e interesses pessoais. Como cada pessoa é única, nem sempre a vocação do pai é herdade pelo filho.

Há cerca de vinte anos, toda família de classe média que se prezasse tinha de ter um “doutor” entre seus membros. Esse título representava uma ascensão sociocultural e econômica para a família, que então se tornava nobre, respeitável. Durante essa época, os cursos técnicos foram muito desqualificados, e o importante era obter o diploma de um curso com ampla carga teórica, como o bacharelado, porque havia uma hipervalorização da arte do pensar.

Atualmente, essa percepção está mudando. Conforme diversos estudos socioeconômicos, os trabalhos de manutenção, artesanato, culinária, ou seja, as atividade manuais, estão gerando renda e trabalho para muita gente que não consegue ou não quer emprego em profissões clássicas. Essa mudança comportamental com relação à orientação profissional não é nenhum demérito. Muito pelo contrário. O diploma isoladamente não é garantia de sucesso para ninguém.

O país está novamente mostrando o potencial de sua grandeza agrícola, que hoje é uma parte essencial do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. As profissões técnicas e tecnológicas estão demonstrando que podem gerar uma alta empregabilidade em certos setores. Cursos sequenciais e de menor duração, com mais foco no mercado, ganham cada vez mais espaço. O quadro nacional está mudando. É necessário que haja a atitude correta com o perfil empreendedor e os traços de empregabilidade.

Entre as 2 511 ocupações do mercado, certamente você terá afinidade com alguma delas.

Para finalizar, se você tiver a sorte de ouvir a sua vocação, siga-a. Se não, participe de um bom trabalho de orientação profissional a fim de descobrir uma maneira de se realizar profissionalmente.

 

*Referência: FRAIMAN, Leo. Projeto de Vida: 100 dúvidas. 1ª edição. São Paulo: Editora Esfera, 2013. [saiba+]

 

  • Psicóloga formada pela UNIP, Mestre em Psicologia Social pela USP e doutora em Ciências Sociais pela PUC-SP.
  • Pesquisadora pelo NEF - Núcleo de Estudos do Futuro, com foco no Ecossociodesenvolvimento | Cátedra Ignacy Sachs, alinhada ao United Nations Millennium Project.
  • Coaching de Carreira e Preparo para uma Aposentadoria Sustentável.

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