Os processos emocionais acontecem o tempo todo dentro de nós. Uma emoção é o produto de uma informação (estímulo) percebida pelos sentidos e representada, mentalmente, de determinado modo.

Por isso, o que nos impacta de uma forma pode afetar outra pessoa de modo diverso. Podemos extrair disso que toda emoção é a expressão de um sentimento, que, por sua vez reflete uma atribuição significativa da cognição.

Escolha Profissional
Imagem: Pixabay

Algo nos toca, nos mobiliza, atribuímos a isso um significado e sentimos algo, daí se expressa uma emoção, que é o que externalizamos, é a tradução de um processo cognitivamente mediado. A cognição avalia o estímulo, a resposta e as consequências do que externamos.

Vamos exemplificar: um aluno assiste a uma matéria no telejornal sobre determinada carreira e se sente motivado a prestar vestibular para essa profissão. Escuta, por exemplo, sobre geologia e descobre-se altamente identificado com um senso de aventura e conhecimento. Horas depois, no almoço, escuta seu pai comentar: “Hoje em dia as coisas estão difíceis, é preciso levar a vida a sério e seguir uma profissão que dê estabilidade”. Automaticamente ele pode representar essa fala como um aviso e fazer uma atribuição cognitiva como: “Geologia não é algo sério, não dá dinheiro”. Isso pode ser o bastante para o jovem deixar sua escolha autêntica de lado e atribuir (associar) segurança a outra profissão que não aquela que realmente gostaria de seguir.

Os significados não ocorrem isoladamente e sim em redes, matrizes, que, de alguma forma, os mantêm todos interligado, por isso uma profissão pode ficar anos na mente de uma pessoa como um desejo latente e somente depois de “presar contas” à sociedade, aos pais, ao marido, à esposa ou a uma imagem perfeccionista de si, é que essa pessoa se permitirá rever seus significados e dar vazão a uma escolha mais autêntica. Infelizmente nem todos conseguem revisar seus projetos de vida na maturidade.

Os processos “racionais” são tentativas da mente de manter o senso de auto-organização e de gerar uma sensação de que o mundo faz sentido, para assim manter a ordem interna e com isso garantir nossa sobrevivência e adaptabilidade. Nesse processo de viver, o pensar e o sentir andam sempre juntos e em constante troca de impressões.

Fonte: FRAIMAN, Leo. Como ensinar bem a criança e o adolescente hoje. São Paulo - 2013. Editora Esfera.

  • Psicóloga formada pela UNIP, Mestre em Psicologia Social pela USP e doutora em Ciências Sociais pela PUC-SP.
  • Pesquisadora pelo NEF - Núcleo de Estudos do Futuro, com foco no Ecossociodesenvolvimento | Cátedra Ignacy Sachs, alinhada ao United Nations Millennium Project.
  • Coaching de Carreira e Preparo para uma Aposentadoria Sustentável.

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