Fico ansiosa e, muitas vezes, aflita. Nessas horas é mais difícil me concentrar em vencer 'meus demônios' que teimam em me machucar. Mas eu sei que posso, se não vencê-los, ao menos acalmar suas imagens e vozes ameaçadoras, que ocupam minha mente, boba mente, com imagens terroríficas de futuro e sons cavernosas de maldição.

Só que eu sei que dá-se um jeito. Que não preciso - e não devo - cultivar essas assombrações de teimosia, da minha mente ainda teimosa, que deseja resolver já, aquilo pelo qual é preciso ainda aguardar.

O ano de 2017 bate à porta e faço-lhes um singelo convite: leiam - e releiam - este Conto de Max Pastor. Vamos meditar por um Ano Pleno e Próspero, fazendo surgir do fundo do nosso coração, votos sinceros e amorosos para que todos, todos, todos - no mundo inteiro - sejam abençoados. inclusive cada um de nós, claro! Rsrsrs

Feliz Natal e Próspero Ano Novo.

O MONGE E O SORVETE DE CHOCOLATE

Conto escrito por Max Pastor

Joel havia chegado já fazia três anos a uma das comunidades budistas mais antigas do Tibete e ali almejava ser treinado para se transformar em um monge exemplar.

Todos os dias, à hora do jantar, perguntava ao seu mestre se no dia seguinte aconteceria a cerimônia da sua ordenação. - “Você ainda não está pronto, primeiro precisa trabalhar a humildade e dominar o seu ego”, respondia o seu mentor.

Ego? O jovem não entendia por que o mestre se referia a seu ego. Achava que merecia ascender no seu caminho espiritual, já que meditava sem cessar e lia diariamente os ensinamentos de Buda.

Um dia, o mestre imaginou um jeito de demonstrar aos seus discípulos que eles ainda não estavam prontos. Antes de iniciar a sessão de meditação anunciou: - “Quem meditar melhor terá como prêmio um sorvete. De chocolate”, acrescentou o ancião.

Sorvete de Chocolate

Logo após um breve alvoroço, os jovens da comunidade começaram a meditar. Joel queria ser o melhor a meditar dentre todos os seus colegas. Dessa forma, mostrarei ao mestre que estou preparado para a cerimônia. E poderei tomar o sorvete, concluiu.

Vela

Conseguiu se concentrar na sua respiração, mas ao mesmo tempo visualizava um grande sorvete de chocolate que ia e vinha como se estivesse em um balanço. Não é possível, preciso parar de pensar no sorvete ou outra pessoa vai ganhá-lo, repetia para si mesmo.

Com muito esforço, conseguia meditar por alguns minutos nos quais simplesmente seguia o compasso de sua respiração, mas logo imaginava um dos monges tomando o sorvete. Droga! Eu é que vou conseguir! Se martirizava.

Quando a sessão acabou, o mestre explicou que todos tinham feito bem a tarefa, exceto alguém que havia pensado demais no sorvete, isto é, no futuro. Joel deu um pulo, mas logo se recompôs antes de falar: - “Mestre, eu pensei no sorvete. Eu admito. Mas como você pode saber que fui eu quem pensou demais?”

O ego se revela

– “Não tenho como saber. Mas posso ver que você se sentiu tão afetado a ponto de se levantar e tentar se colocar por cima dos seus colegas. Querido Joel, assim é que age o ego: sente-se atacado, questionado, ofendido e sempre quer ter razão no jogo de ser superior aos outros”.

Naquele dia, Joel se deu conta de que ainda teria um longo caminho a percorrer. Trabalhou sua humildade e os impulsos de seu ego. Viveu no presente e procurou não julgar, nem jogar o jogo Quem é melhor do que quem. Também entendeu que não lhe convinha se identificar com suas conquistas.

Assim, com trabalho e muita paciência, chegou O Grande Dia: aquele no qual o mestre bateu à sua porta para lhe anunciar que, finalmente, estava preparado para aquilo que tanto havia almejado.

Quando entrou no templo não encontrou ninguém ali. Apenas uma pequena plataforma e sobre ela: um sorvete de chocolate! Muito feliz e agradecido, Joel apreciou seu sorvete de palito e nem se sentiu decepcionado. E em seguida, foi ordenado monge.

Menino budista tomando sorvete

Cada pessoa tem o seu próprio sorvete de chocolate: aquilo que almeja alcançar. O nosso problema está em ter a mente posta tão somente na meta a ser atingida, nos impedindo de viver o presente.

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  • Psicóloga formada pela UNIP, Mestre em Psicologia Social pela USP e doutora em Ciências Sociais pela PUC-SP.
  • Pesquisadora pelo NEF - Núcleo de Estudos do Futuro, com foco no Ecossociodesenvolvimento | Cátedra Ignacy Sachs, alinhada ao United Nations Millennium Project.
  • Coaching de Carreira e Preparo para uma Aposentadoria Sustentável.

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