Seu conforto emocional, sua inteligência social. 

NetlivingO que seria do nosso trabalho, se não tivesse pessoas com quem trocar idéias? De que valeriam nossas competências se não pudessem ser admiradas? E das nossas falhas, se não fossem corrigidas e toleradas por aqueles que, verdadeiramente se importam?

A percepção de que estamos sempre agindo em conjunto é um dos nossos maiores ganhos no caminho da sabedoria existencial. Em relação a isso encontramos:

  • Aqueles que não enxergam o impacto da participação dos outros em suas vidas, em suas perdas e conquistas;
  • Aqueles que enxergam as conquistas alheias, sem se dar conta de sua participação e de seu próprio mérito nesse processo;
  • Aqueles que não enxergam o mérito das trocas, pois não sabem trocar, ainda;
  • E há os que já estão cônscios: todos fazem parte de uma única rede de relações e relacionamentos, sabem que, aquilo que acontece numa parte do mundo, repercute – ainda que diferentemente – em cada um de nós.

No primeiro caso, daqueles que não enxergam e, portanto, não reconhecem o impacto da participação dos outros em suas vidas, se encontram os que são por demais vaidosos. Deles podemos dizer que, estão sempre apreciando o mundo através de espelhos e, dificilmente, olhando pela janela.

Uma janela tem a qualidade de abrir espaços de conhecimentos. Ali, ao longe, está o horizonte e, olhando para o horizonte, está feito o convite à reflexão e à filosofia. Inicia-se o processo de autoconhecimento.

Diferença entre Networking e Netliving

O espelho tem a qualidade de refletir a pessoa, mas somente por partes. Mesmo se vendo de corpo inteiro, ou a pessoa se enxerga de frente ou de trás. Nunca como um todo. Por isso, os vaidosos sofrem de muita ansiedade: eles nunca estão lá, presentes de corpo e alma, pois a sua auto-imagem é sempre virtual e incompleta. Falta a visão do outro.

No segundo caso, daqueles que só enxergam as conquistas e as qualidades alheias, estão os excessivamente invejosos. Não conseguem se apropriar de suas qualidades pessoais e profissionais e acreditam que seu sucesso aconteceu por um golpe de sorte. Sofrem do medo de vir a perdê-lo e de virem a ser, um dia, desmascarados, pois, acreditam-se impostores.

Nunca se falou tanto na necessidade de construir uma auto-estima positiva: sem enxergar o próprio valor como pessoa, como suportar o valor alheio sem atacá-lo e tentar destruí-lo?

Trata-se de uma posição existencial muito ambivalente, pois, ao mesmo tempo em que a pessoa deseja ardentemente ser percebida e aceita em seu valor, não se acredita merecedora e acaba por destruir bons relacionamentos, fugindo dos mesmos e perdendo grandes oportunidades de crescimento. Sem se envolver, a pessoa não se desenvolve plenamente e perde o foco, sem saber exatamente quem ela é. Pode aprender a usar de disfarces: através de uma profissão brilhante, que desperta admiração, esconde uma grande solidão.

No caso daqueles que não enxergam o mérito das trocas, estão os fóbicos sociais e, mesmo, os intolerantes à qualquer intimidade emocional. São pessoas que têm mais do que medo de estabelecer um contato profundo com os outros: sentem terror. Podem ser sedutoras, envolventes no início de um relacionamento. Mas, tão logo se apercebem de que estão se tornando mais próximos e íntimos, dão um jeito de sair fora e, muitas vezes de forma cruel.

Eles destroem bons relacionamentos pelo pavor de se perderem em meio às trocas, por impossibilidade íntima de deixar-se afetar por mais alguém, tomados pelo pânico de se verem envolvidos em situações emocionais sobre as quais não têm controle.

Muitas abusam dos relacionamentos sexuais, chegando até mesmo à promiscuidade, na busca de intimidade, que é aquilo pelo que mais anseiam e do que mais temem. Outras só sabem expressar seu amor quando sexualmente excitados. Passados os arroubos, voltam a trancar-se em si mesmas.

Autossuficientes, oferecem proteção, mas exercem domínio. A sua falta de escrúpulos revela um caráter sádico e, costumeiramente, conduzem seus colegas e companheiros à exasperação, senão ao desespero, pois quando menos se espera eles desaparecem. E desaparecem quando mais se precisa deles.

No caso dos que sabem e reconhecem que todos fazem parte de uma única rede, estão todos os demais: dos mais sábios aos mais tolos, considerando que também os sábios cometem tolices e que precisamos viver de tudo um pouco. É aqui que os relacionamentos e os envolvimentos tornam-se nutritivos e criativos.

POR QUE PESSOAS SE APROXIMAM DE PESSOAS?

Por que temos necessidades profundas de estabelecer e manter nossos relacionamentos. Sem isso não sabemos, verdadeiramente, quem somos.

Pessoas se aproximam de pessoas para trabalhar.

A maior parte daquilo que produzimos, de coisas materiais e bens tangíveis, a conceitos e bens morais, só se torna possível porque agimos no coletivo. Quando paramos para pensar na história humana, no esforço sobre-humano embutido numa única peça utilitária, conseguimos enxergar a enorme cadeia de pessoas que participaram da feitura daquela peça.

Imagine só: quanta gente se envolveu para que uma única xícara de porcelana esteja guardada em um dos nossos armários de casa, esperando para ser usada? Desde o processo de extração dos materiais, sua moldagem, pintura e queima, embalagem, transporte, venda, limpeza? Dentro de um armário cuja madeira foi extraída de uma árvore um dia plantada em uma reserva florestal, cortada, conduzida e processada, transportada e guardada, até que alguém o afixou na parede de nossa cozinha, cuja concepção foi de mais alguém que um dia a idealizou etc, que faz parte de uma casa ou apartamento que um dia foi construído ali por um exército de desconhecidos que têm seus próprios nomes e suas próprias vidas e tantas outras considerações mais.

Enfim, cada objeto que hoje tomamos em mãos contém a história de algumas centenas de pessoas que, cada qual à sua maneira, ali colocaram a sua atenção e fizeram o seu trabalho.

Pessoas se aproximam de pessoas para se conhecer.

As amizades de infância e, depois, na vida adulta, são imprescindíveis para que formemos a nossa identidade social. Elas dizem do que somos capazes, onde acertamos e erramos, o que precisamos vencer em nós mesmos e aprimorar. Convidam-nos, também a errar, a fazer o que não se deve e a voltar atrás.

Aprendemos a ferir e a ajudar a curar. Aprendemos a compartilhar sonhos e a nos decepcionar. Aprendemos a fazer parte e a nos afastar. Sem os amigos, em qualquer idade, não conseguimos confiar e, sem confiança, não aprendemos ousar.

Nossos limites pessoais e sociais precisam ser desafiados para que saibamos do que somos capazes. Nossos valores morais só se desenvolvem mais plenamente, quando colocados à prova nos relacionamentos. Nosso caráter só se revela à medida que nos vamos testando, acertando e errando, até formar nosso próprio juízo.

Só sabemos, verdadeiramente, quem somos quando descobrimos como somos em relação aos outros, além de nós mesmos. Solidários ou egoístas? Às vezes uma coisa, às vezes outra. Como reparar um erro, se não for o remorso e a culpa? Como vencer o orgulho bobo, se não for pela dor da solidão?

Como saber se somos iguais e aceitos, se não nos compararmos? E como desenvolver a hospitalidade, senão aprendermos a tolerar e apreciar as diferenças?

Pessoas se aproximam de pessoas para se identificar.

Não sabemos verdadeiramente, quem somos, se não pudermos enxergar os demais e ouvi-los a respeito de nós mesmos. Nossos pais e irmãos e, depois nossos tios, avós e professores são quem, de início, nos dizem quem somos e a que viemos.

Não necessariamente eles haverão de nos enxergar direito, mas darão boas dicas de autoconhecimento. Irmãos mais novos imitam os mais velhos, à custa de exaustivas observações. Na verdade, o que as crianças pequenas mais fazem em sua tenra vidinha? Observam os outros e procuram imitá-los. Passam horas a fio simplesmente observando e… Copiando. É por isso que repetem a conduta de seus pais, mesmo quando eles dizem para não fazê-lo. O que vale é o que é feito e, não o que é dito para ser feito.

Todos precisam de pessoas em quem se inspirar. Um modo de ser, de agir ou de pensar, que merece ser reproduzido e perpetuado ou, pelo contrário, abolido e superado. Passamos décadas de vida para desenvolver o nosso eu.

Só descobrimos quem somos, no entanto, quando aprendemos a discernir o que é autenticamente nosso, daquilo que um dia foi-nos ensinado ser.

Pessoas se aproximam de pessoas para participar.

Por mais que sejamos anti-sociais, o fato é que a vida da maioria de nós é muito mais interessante quando envolve a participação de muita gente. Conhecidos e desconhecidos.

Vejamos: muita gente, conversando animada num restaurante, é sinal de que o lugar é bom. Pelo menos assim pensamos. Vizinhos que se cumprimentam no elevador e se conhecem pelo nome, tornam o condomínio mais seguro. Colegas que nos cumprimentam pela promoção conquistada aumentam nosso sentimento de aceitação, pertença e autoconfiança. Acompanhar o desempenho do nosso time num estádio lotado é muito mais vibrante do que saber dos resultados no dia seguinte.

Para muita gente, o desejo de participar é tão forte que os membros de um clube ou de uma torcida são capazes de, literalmente, vestir a camisa só para torcer à distância pela televisão. E o fazem como se pudessem ser ouvidos, como se estivessem lá.

Isso acontece porque trazemos em nosso íntimo um enorme desejo de fazer a diferença, de influir. Uma das piores coisas, que minam o autoconceito e a autoestima, é imaginar que não somos capazes de exercer algum tipo de controle e, portanto, no destino dos acontecimentos. Por isso necessitamos participar, tanto quanto de respirar.

Pessoas se aproximam de pessoas para aprender.

A competência suscita o respeito e a admiração. Pessoas se aproximam umas das outras para enriquecer. Desde a mais banal informação até um segredo de Estado, precisamos adquirir conhecimento e aprender a compartilhá-lo ou pelo contrário, reservá-lo só para nós mesmos.

De que serve o conhecimento, se não for para ser compartilhado? Ele precisa circular. Há coisas que precisam tornar-se públicas, ainda que haja outras que mereçam permanecer na privacidade, senão na intimidade de cada qual, como bens preciosos que só a experiência traz. Dessas, a boa literatura dá conta.

Livros transmitem idéias, mas pessoas orientam pessoas. Se desejarmos promover qualquer tipo de mudança e de transformação, não bastam palavras, idéias, nem emoções. São os gestos, que fazem a diferença. E um gesto é sempre pessoal. Um grande gesto ou um simples olhar podem mudar os rumos de um empreendimento. O que é necessário aprender é sempre transmitido por pessoas. O de bom e o de ruim. Sozinhos, não superamos os limites dados pela instintividade, na luta pela sobrevivência.

Aprender com os outros nos faz saltar enormes obstáculos, pois que a experiência alheia se presta a nós também e, com isso, não precisamos inventar a roda todos os dias, já podemos iniciar a partir de um ponto mais além. Só assim é que conseguimos, realmente, viver além de sobreviver.

Pessoas se aproximam de pessoas para amar.

O mínimo que se pode dizer é que todos nascem dotados da capacidade de amar e ser amado. Uma criança desperta um amor transbordante no coração de seus pais e avós, simplesmente porque ela veio ao mundo. Pais e avós sentem um verdadeiro amor pelos seus filhos e netos, pelo simples fato de ser adultos capazes amar e aceitar, independente de qualquer garantia ou gesto de retribuição.

Isso quer dizer: a gente ama porque ama e, não porque o outro faz alguma coisa para ser amado. Se muito, ao retribuir, um amor que flui entre pessoas só aumenta o prazer de se relacionar. Mas a felicidade de amar independe do que se faça ou deixe de fazer para isso acontecer.

Quando uma pessoa amada se afasta de nós, ela deixa muito mais da gente para a gente mesma. Quando uma pessoa se aproxima e nos desperta o amor, nos leva a transcender. Não há como conhecer a nossa própria grandeza a não ser pelo amor que, no limite é a justiça, a verdade e a bondade no viver.

O beijo, a ternura, os carinhos trocados, a sensualidade e o desejo nos causam a impressão de que somos magníficos e extraordinários, mesmo na condição mais comum desse mundo, pois todos os dias são dias de risco propício a nos apaixonar por alguém e, apaixonados, ascender à condição sobre-humana de possuir um segredo eterno, único, que a ninguém mais pertence. Pois, todos os enamorados descobrem, no mais comezinho dos dias, que a vida é bela e acreditam que só eles sabem disso. O amor nos torna eleitos e contemplados.

DO ISOLAMENTO PARA A INTIMIDADE.

Todos vivem, então, nalguma dessas condições, estejamos conscientes disso ou não: do maior isolamento para a mais plena entrega e intimidade.

  • Isolamento: A questão não é viver isolado. Há quem necessite de mais tempo para si mesmo e aproveite sozinho, seus dias sem ninguém por perto, enquanto outros não conseguem estar, sequer por poucas horas, numa casa vazia, sem entrar em aflição.

A questão é saber do que cada qual necessita para se re-equilibrar e buscar satisfazer a essa sua necessidade sem contudo, aborrecer os outros. Ou, se assim for preciso, defender-se de invasões de privacidade.

Ler um bom livro, pensar com os seus botões, tomar um banho relaxante, caminhar à toa, bater um bolo, assistir a uma novela, cochilar numa rede ou recuperar as forças no silêncio e no escuro, são atividades de que necessitamos no dia a dia que, quando faltam, sentimo-nos irritados e insatisfeitos.

  • Participar de rituais: Ir a festas de aniversários, fim de ano, casamentos, batizados e enterros, ao fim se revelam quase tudo a mesma coisa. Só se tornam especiais quando dizem respeito, diretamente, a nossa pessoa. Senão, participamos somente de corpo presente, sem maiores emoções.

Há desde rituais que envolvem duas pessoas, como mensário de namoro ou aniversário de casamento, rituais familiares, como celebração de algumas datas e acontecimentos, até rituais que são coletivos, como datas nacionais e mundiais. Os rituais marcam a passagem do tempo.

Podem, também, ser compartilhados com pessoas estranhas, como assistir a uma missa. O que vale é conforto que se obtém por pertencer, por fazer parte de uma comunidade em especial e privar dos mesmos conceitos, valores e sentimentos. A vida só fica estranha se começar a se basear somente na vivência de rituais, sem espontaneidade. Nesse caso a pessoa fica vazia e dissociada, pois prega uma coisa e vive outra. O ritual passa a ser mais importante que o contato humano.

  • Fazer coisas: Levar, trazer, comprar, consertar, arrumar… É tudo que se faz para tocar o dia a dia. São tarefas e obrigações sem as quais as coisas não caminham ou, no mínimo, desandam.

Aqui as pessoas com quem nos relacionamos passam a ganhar mais importância, pois se faz questão de que esta ou aquela pessoa esteja a nosso lado, que nos sirva, que nos atenda, que colabore e divida conosco algumas atribuições e assuma determinadas responsabilidades.

Relacionar-se, portanto, passa a ser primordial e, relacionar-se bem uma verdadeira qualidade moral. Seja na qualidade de líder, seja enquanto liderado, fazer parte de um time, de uma equipe, de um grupo social, forja a identidade social, a partir da qual nos tornamos alguém.

Pessoas, aqui, passam a ser especiais, porque só elas têm aquele jeitinho que tanto apreciamos. Ou, pelo contrário, mal vistas e indesejáveis para o que nos propomos. O nome próprio adquire um valor inalienável, bem como o nome de família e o sobrenome empresarial passa a ter um peso considerável nos jogos de poder.

Os que fazem algo melhor ou mais bem feito ficam mais bem cotados, mas ao fim, quase todos fazem a mesma coisa todos os dias, com ou sem reconhecimento ou consideração. Fazemos o que temos que fazer. Elegemos nossas obrigações.

A questão não é o que se faz, mas o quanto é útil e produtivo aquilo que se faz, do modo como é feito. Assim, o valor daquilo que fazemos é atribuído, não pelo autor da façanha, mas pelo reconhecimento público do feito.

É o olhar e o julgamento dos outros que atestam o nosso valor como pessoa. Por isso buscamos tanto causar boas impressões e zelar pela nossa reputação. A identidade social fica, assim, solidamente estabelecida e até passamos a pensar que somos aquilo que fazemos.

  • Ser pai ou mãe: É importantíssimo cuidar bem dos filhos, sejam nossos, sejam alheios. Temos os nossos filhos, reais ou simbólicos. O fato é que, cuidar das crianças nos faz vivenciar o maior dos amores incondicionais.

Quando uma criança tem ao menos um adulto que a cuida, alimenta, ama e protege, aprende a confiar no mundo e em si própria e, a confiança é a base de todas as coragens. A coragem de lutar, de se envolver, de pensar por conta própria e a coragem de criar.

Sem essa coragem ontológica, estabelecida e garantida por um elo de amor profundo, a vida emocional torna-se árida e insegura. Por isso, estender a mão e abrir o coração para uma criança é a forma principal de servir à humanidade. Nunca saberemos quem será ela no futuro, mas sabemos que hoje ela é um milagre em forma de gente. Ao enxergar esse pequeno milagre, abrimos o coração para a fé e nós mesmos nos encorajamos.

Ao nos sentirmos solitários, o antídoto é cuidar bem dos outros, pois todos têm uma criança em seu íntimo, ávida por atenção, por afeto e por presença. Sejam nossos filhos, nossos coachees, nossos alunos, todos precisam ser orientados por alguém que nos acolha nos momentos difíceis e que nos estimule a prosseguir. Que apóiem o nosso crescimento e nos dêem uma força, como se diz. Além disso, assumir o compromisso de cuidar de mais alguém, já é fortalecedor por si, pois que tipo de animal seríamos, se nos ocupássemos tão somente de nós mesmos.

  • Relacionamentos neuróticos: São aqueles que nada nos acrescentam, mas que fazem parte do dia a dia. Não acrescentam nada, mas nos ocupam, na falta de algo melhor com que nos ocuparmos.

Tentamos transformar as pessoas, quando elas mesmas não querem mudar. Insistimos em dirigi-las, quando elas desejam conduzir seus próprios passos e tomar suas decisões. Haja vista a enormidade de embates que as famílias travam com os seus adolescentes.

Casamos com pessoas que acreditamos, não haverão de mudar. E nos surpreendemos quando elas se mostram como são, atribuindo-lhes culpa de nos causar tanta decepção.

Projetamos nossas próprias imagens, naqueles que se prestam a isso e, ficamos irados quando não nos correspondem, acreditando que o mundo está errado ou que ninguém nos compreende. Interpretamos mal, julgamos, criticamos e cometemos injustiças, mas reclamamos de ser alvo das mesmas iniquidades.

Buscamos vingança, queremos nos prevalecer dos outros e usamos de excessiva complacência quando se trata da nossa pessoa. Enfim, queremos ser melhores que os demais e mais santos do que os próprios Santos.

Criamos problemas, rompemos relacionamentos, fazemos tempestades num copo d’água e ainda nos achamos cobertos de razões. O errado foi sempre o outro quem fez. O certo é da gente. Ou pelo contrário, nos julgamos sem sorte e fracassados, quando chutamos o próprio balde, sem nos aperceber de que o fizemos por algum motivo, que estamos longe de compreender.

Bem, e como sair desse inferno, onde hora se é a vítima da história, o incompreendido e injustiçado, hora se é o carrasco sem alma e malvado e hora se é o salvador-da-pátria, a quem ninguém dá valor e vive sobrecarregado? Somente o autoconhecimento pode promover a saída. Reconhecer que as demais pessoas a quem tememos e repudiamos nada mais representam que movimentos nossos que não aceitamos, nem reconhecemos em nós mesmos.

Quando paramos de projetar nas outras pessoas as nossas falhas, bem como as nossas qualidades, passamos a enxergar melhor como cada um é e a escolher com quem nos relacionarmos, sem nos desgastar, pelo contrário, nos unirmos a pessoas que nos ajudem a crescer, a construir e a criar. Uma dica: sempre que alguém nos incomodar muito, nos despertar sentimentos violentos e difíceis de lidar, é porque tem algo de nosso que precisamos desvendar. Como dizemos: uma maledicência tem sempre um fundo de verdade… Sobre quem a faz.

  • Intimidade: É o estado de amor e de entrega por excelência. Não necessariamente sexual, é sensual e sensorial. Enriquece-nos o mundo interior e nos dá flexibilidade e força emocional.

A beleza de uma relação, tanto quanto uma obra de arte, é esculpida pelo tempo, na dependência de esforços e investimentos constantes. O relacionamento é feito e refeito por ambas as partes e, nem sempre ao mesmo tempo. É preciso desenvolver tolerância e paciência.

As responsabilidades mútuas não são divididas e, sim multiplicadas: cada qual tem cem por cento de responsabilidade para fazer com que as coisas caminhem bem e dêem certo.

Os comportamentos verdadeiramente amorosos, além disso, se irradiam para os que estão ao lado. Eles fazem bem para todos que estão por perto e, mesmo, à distância. Despertam o nosso sorriso cúmplice, injetam esperança em nossos corações, fazem com que tenhamos mais forças para enfrentar as adversidades. Mesmo se aquele amor não é nosso, podemos sentir e desejar que se perpetue. Por isso testemunhamos os enlaces, nos emocionamos e desejamos felicidades e muitos filhos a qualquer casal de noivos, mesmo se não os conhecemos.

Num segundo, podemos nos tornar íntimos de um estranho, através de uma experiência dramática ou de uma simples troca de olhares onde há entendimento mútuo e, podemos nos tornar íntimos de pessoas próximas com quem se compartilha o dia a dia, na casa, no trabalho, na vizinhança.

Os íntimos, de qualquer forma, são aqueles que testemunham a nossa história, que sabem de nós o suficiente, para nos aceitar exatamente como somos, mesmo que não concordem com o que fazemos, queremos ou pensamos.

São eles que nos dirão o mais difícil de ser dito e nos colocarão à prova naquilo que importa, pois quem mais conseguiria nos ferir tão profundamente, do que aqueles a quem amamos?

Que relacionamentos seriam mais ameaçadores, ao mesmo tempo em que confortantes, do que aqueles que prezamos? Como seríamos se não fossemos tão necessários para os outros e não tivéssemos que enxergar a vida com os olhos d’alma, captando a sua importância crucial e determinante na conquista da nossa felicidade pessoal?!

Ainda que a felicidade more em cada um de nós, precisamos uns dos outros para despertá-la. E não há felicidade maior do que viver uma vida dedicada a uma causa, à correta execução de um trabalho útil para a sociedade e um alguém para ser muito amado, além de nós mesmos.

ENTRE EM CONTATO COM A SUA NETLIVING:

Examine a sua força e teste a sua segurança.

Há momentos de mudança em que alguma atividade principal se perde ou temos que enfrentar a morte de alguém muito querido. Casamos-nos e sentimos falta do lar paterno. Temos filhos que vêm sem Manual, e precisamos de orientações precisas e de bons conselhos. Mudamos de cidade e, mesmo de país. Realizamos nosso trabalho em diferentes empresas e, ao fim de toda uma jornada, conquistamos nossa almejada aposentadoria.

Mais ou menos drásticas, as mudanças ocasionadas pelos grandes eventos ao longo da vida nos abalam e, com certeza, nesses momentos é onde registramos nossas fragilidades, que são mais rapidamente sanadas quando contamos com mais alguém: um ombro, em quem nos apoiar, uma palavra para nos confortar, uma direção e uma orientação a seguir.

Necessitamos de todos aqueles com quem cruzamos em nosso caminho. Os que aqui já estão e vieram para ficar. Os que passam vez ou outra, mas haverão de permanecer. Os que encontramos por acaso e os que se afastam de nós e nos fazem prosseguir e procurar.

Mais ou menos conhecidos, precisamos de pessoas com quem nos relacionar. Como você está nisso? Você tem uma rede de relacionamentos realmente confiável? Pessoas a quem você possa recorrer quando tiver problemas ou, melhor ainda, pessoas que suportem o seu sucesso e a sua felicidade? E você, como é com elas?

As perguntas a seguir, obviamente, não esgotam o universo de possibilidades de relacionamento, mas já dão uma boa idéia de como estamos lidando com eles.

Dê uma Nota, de Zero a Dez, para cada uma das questões abaixo e avalie, com sinceridade, onde e com quem você tem desenvolvido a sua inteligência social e como está a sua Netliving. Depois, tome suas decisões: o que fortalecer e como se dedicar a trançar e preservar bons e sólidos “relacionamentos for life”.

  1. Na esfera social: Você tem conhecidos e amigos que lhe fazem convites para passeios, festas, programas vários? Eles de lembram de você para ocasiões especiais ou para um joguinho? Vocês “jogam conversa fora” e trocam idéias sobre coisas da vida? O telefone toca à toa, só para se falarem de amenidades ou, mesmo, para lhe contar algo especial? E você, retribui? De que maneira? Tem sido bastante atencioso(a) para com as pessoas em geral? Dê uma Nota: _________ .
  1. Na esfera familiar: Você tem amigos dentre os seus familiares? Pai, mãe, irmão, com quem tem laços que vão além do mesmo nome e consangüinidade?

     Sente prazer em estar com eles? Mesmo que não se vejam muito amiúde,   quando pensa neles se sente bem? Eles podem contar com você, também? Você se sente a vontade, sem precisar pisar em ovos ao conversar com eles? Dê uma Nota: _________ .

  1. Na esfera artística e cultural: Você tem pessoas com quem elaborar idéias mais profundas, filosofar um tanto, fazer arte e criar? Não necessariamente você precisa ser uma pessoa culta, nem um artista, mas conhece quem seja? Para conversar com essas pessoas e sentir que, dessa conversa você saiu mais inteligente, bem informado, estimulado(a)? Gosta de aprender? E de ensinar? Dê uma Nota: _________ .
  1. Na esfera do trabalho: Você se dá bem com seus colegas? É apreciado(a)? É consultado(a) para resolver problemas entre pessoas? Elas fazem questão de trabalhar a seu lado? Reconhecem o seu estilo e o seu valor? E você, faz o mesmo por elas? Você é capaz de ficar feliz com o sucesso alheio? Compartilha seus conhecimentos pelo prazer de ajudar o outro a crescer profissionalmente e não perde tempo com quem não quer evoluir? Dê uma Nota: _________ .
  1. Na esfera de suas ocupações: Tem quem lhe ajude nas suas tarefas diárias e a resolver problemas de última hora? Costuma ter bons empregados(as)? Acredita que cada qual é capaz de cuidar de sua própria vida e não fica assumindo coisas que não lhe pertencem, nem lhe dizem respeito? As pessoas têm prazer em trocar idéias com você sobre como fazer melhor as mesmas coisas? Sente-se estimulado(a) a conversar com desconhecidos? Dê uma Nota: _________ .
  1. Na esfera do dinheiro: Tem a quem recorrer em caso de necessidade? Pode confiar plenamente em alguém para a guarda de documentos e valores? Tem com quem conversar e trocar dicas sobre aplicações e investimentos? Evita manter pessoas capazes na sua dependência por longo tempo? Sabe cobrar daqueles que lhe devem e custam a pagar? Consegue dizer não quando não quer assumir uma nova dívida, prestar um aval ou devolver algo que você comprou por impulso e logo depois se arrependeu? Jamais se aproveita da fragilidade de alguém, mesmo quando tentado(a)? Dê uma Nota: _________ .
  1. Na esfera das amizades: Tem amigos com quem sair e se distrair? Na casa de quem ficar? Gente com quem possa se abrir e contar para pensar junto e, se for o caso ajudar a resolver seus problemas, sejam eles de trabalho, familiares ou sentimentais? Confia que seus amigos e amigas não haverão de traí-lo(a)? É capaz de guardar segredos? Sai de perto em se tratando de fofocas e não fala mal da vida alheia? Procura enxergar o valor e as boas qualidades das pessoas, muito mais do que os seus defeitos sem, porém, deixar de enxergá-los? Eles o(a) prestigiam nas ocasiões especiais? E você, faz o mesmo por eles? Dê uma Nota: _________ .
  1. Na esfera da saúde: Tem amigos com quem possa contar em caso de necessidade ou em emergências? Consegue conversar com os profissionais que cuidam da sua saúde de igual para igual, com jeitinho e sem receio de ofendê-los? Evita profissionais extremamente ciumentos e possessivos em relação aos  seus pacientes? Tem com quem se informar, pegar dicas, se orientar em relação à mesma ou a outras especialidades? Tem quem se interessa de fato pelo seu bem estar e pela sua saúde e lhe diga o que tem que ser dito, quer você goste ou não? E você, visita os amigos que estão doentes? Interessa-se pela saúde e integridade física e moral deles? Dê uma Nota: _________ .
  1. Na esfera dos relacionamentos íntimos: Sente-se à vontade, podendo ser você mesmo(a) com a pessoa com quem se relaciona? Sabe ouvir e fazer-se ouvir e respeitar? Afasta-se das pessoas malévolas, doentias e perturbadas? Consegue colocar limites apropriados, que garantem a individualidade de cada qual?  Jamais usa de conhecimentos privilegiados para prejudicar? Jamais fala mal de alguém com quem se relacionou antes? Procura esclarecer rapidamente os mal-entendidos? Prefere calar-se a ferir a pessoa amada? Sente-se feliz somente em estar juntinho, mesmo sem fazer nada? Suporta ficar afastado(a) sem entrar em desespero? Dê uma Nota: _________ .
  1. Na esfera sexual: Sabe dizer não, quando definitivamente não deseja manter relações naquele momento ou com aquela pessoa? Pratica somente sexo seguro? Compartilha fantasias? Respeita as escolhas e as inclinações individuais? Só admite relacionamentos construtivos e que não lhe causem qualquer tipo de dor ou desconforto físico, emocional e/ou moral? Consegue ser sincero(a) em relação ao que você espera ou deseja da outra pessoa? Faz com que essa pessoa sinta-se valorizada? Entrega-se com confiança, criatividade e consegue sentir prazer num relacionamento mais antigo? Preserva a sua integridade e saúde geral? Dê uma Nota: _________ .

RESULTADOS: Perceba onde você fraqueja e em quais aspectos você já se fortaleceu.

  • Tudo que estiver abaixo de cinco merece ser corrigido e aperfeiçoado. Rápido! Se não, você se coloca em risco. Ao necessitar, poderá não encontrar.
  • Acima de oito, mantenha. Dá trabalho, mas vale a pena.

O que merecer dez, conte para o mundo: as pessoas precisam de gente boa como você, que traz muita alegria para as pessoas, simplesmente por que… Você existe!

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