Medo de ficar sozinho

Medo de ficar sozinha

"Por que será que a partir de uma certa idade mesmo as pessoas que tiveram vidas independentes e solitárias sentem medo de ficarem sozinhas?"

Cleide de Souza, Paraná(PR)

Medo de ficar sozinha
Pixabay

Ana Fraiman

Em primeiro lugar acho importante dizer que esse medo está ligado muito mais ao lado emocional de cada um de nós do que relacionado com a idade. Claro que quem já traz esse medo tende a vê-lo crescer com o passar dos anos. Trata-se da percepção aguda de que se está frágil, vulnerável a tal ponto que a pessoa acredita que a dependência do outro irá protegê-la. Ela busca proteção contra algum mal eventual (morte, acidente, algum tipo de separação) ou que já sente (sentimentos de abandono, solidão, menos-valia, etc.). essa dependência pode ser assumida de uma forma passiva (requerendo cuidados adicionais) ou ativa (protegendo outras pessoas e, com isso, tornando-se imprescindível). Esse quadro de fragilidade emocional, que pode acontecer em qualquer idade, não significa que não possa ser revertido, superada a ameaça.

A consciência do envelhecimento, a doença física, o luto, a precariedade econômica, a separação (de pessoas íntimas como marido e filhos) são os principais desencadeantes desse tipo de insegurança – que será temporária até que a pessoa volte a se fortalecer.

Somente em alguns poucos casos (de extrema fragilidade física ou emocional) não há reversão, o que resulta no medo que as pessoas têm de morrer sozinhas, sem atendimento e com sofrimento. E que pode ser um fato.

Porém, quando se trata de pessoas saudáveis, não há porque acreditar que o medo venha para ficar. Deve-se detectar qual a ameaça que está em jogo e procurar, na prática, diminuir os riscos. Uma terapia de apoio pode ajudar no fortalecimento emocional e levar à recuperação da auto-estima.

Fonte: Coluna VELHICE da revista CLAUDIA (publicados entre as décadas de 80 e 90) - Por Ana Fraiman

VELHICE - Como conviver com essa realidade
Ana Perwin Fraiman - psicóloga, com curso de aperfeiçoamento em Gerontologia Social pelo Instituto Sedes Sapientiae, SP. e pós-graduada em Psicologia Social pela USP.

 

  • Psicóloga formada pela UNIP, Mestre em Psicologia Social pela USP e doutora em Ciências Sociais pela PUC-SP.
  • Pesquisadora pelo NEF - Núcleo de Estudos do Futuro, com foco no Ecossociodesenvolvimento | Cátedra Ignacy Sachs, alinhada ao United Nations Millennium Project.
  • Coaching de Carreira e Preparo para uma Aposentadoria Sustentável.



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