Parece ser mesquinho e cruel falar disso, tão claro para casais que convivem há tanto tempo, e tão nebuloso já que nunca é conversado e, portanto, não solucionado.

Sexualidade

Convive-se, bem ou mal, com tudo isso que arranha e sangra o amor-próprio e faz-se de conta que a coisa não acontece.

Mas acontece, e ninguém é obrigado a tolerar em silêncio, por medo de magoar o outro, mas se envenenando de ressentimentos. O fato é que, se rompermos a barreira do silêncio, talvez a coisa mude para melhor, desde que ao abordarmos o assunto a nossa intenção genuína seja a de ajudar o outro e a nós mesmos. E que essa intensão venha revertida de gentileza e firmeza, na certeza de estarmos batalhando por um relacionamento muito melhor.

Quer ver o que frequentemente vai afastando casais e gerando desconforto nas relações? O sexo muitas vezes fica travado quando esbarra na área dos cheiros:

- Mau hálito: ninguém gosta de beijar o outro quando este tem mau hálito. Ou o problema está nos dentes, gengivas, ou é digestivo. Estados de depressão também o acentuam. Ao invés de virar a cara e evitar o beijo, rejeitando o outro sem eliminar o problema, é preferível ser honesto e dizer por que é que o beijo está sendo evitado. Marcar consulta e acompanhar, se for o caso; ou no mínimo pedir que o outro se trate, se beijar é importante...

- Chulé: tirou o sapato, o ambiente empesteia! Quem está perto começa a respirar rapidamente e superficialmente, o que gera angústia, impaciência e animosidade. Não adianta só lavar os pés, ou ficar rezando para que o outro vá logo tomar o seu banho. Habitualmente é provocado por fungos e bactérias e precisa ser tratado com medicação específica. Ficar quieta, fazendo cara de nojo, além de tudo, irrita o outro, que talvez não saiba que o seu meu-humor decorre do chulé dele...

- Catinga de sovaco: um forte e desagradável cheiro nas axilas, espanta um rosto que se encosta no ombro amado, em busca de aconchego. O abraço não é dado, o carinho fica tolhido. Às vezes um bom desodorante resolve. Às vezes é necessário depilar as axilas (e tem muitos que se horrorizam com tal ideia!) e aplicar alguma medicação. Melhor do que se furtar ao abraço, ou abraçar com a respiração suspensa, é solicitar ao outro que se cuide.

- Cabelo sujo: se for por impregnação de fumaça, fumo, um bom shampoo resolve. Se for por seborreia, só com tratamento. Cabelos oleosos e fedidos são repelentes. Não dá para fazer cafuné ou ficar com as cabeças juntinhas...

- Gases: mesmo os que são expelidos silenciosamente podem ter um efeito nauseabundo, dentro de um carro, no quarto, ou na sala. Habitualmente decorrem de problemas digestivos, e para efeito imediato pode-se queimar um fósforo no ambiente (ou dentro do vaso sanitário). Mas ninguém vai querer ficar riscando fósforo a toda hora, né? Se abanar, abrir janelas, ligar ventilador, não resolve o problema, só o contorna, também. Precisa de um médico, mesmo.

- Urina nos pelos púbicos: (no caso de mulheres não só urina como odores vaginais e menstruais) inibem sobremaneira o sexo oral. Às vezes, por medo de magoar o (a) parceiro (a) ao referir-se aos seus cheiros. A pessoa prefere fazer-se de inibida sexualmente. Ou é problema de higiene, ou é problema de saúde. Ficar quieta (o) e furtar-se ao sexo é tratar mal de si mesmo, também.

- Frituras: não há perfume, nacional ou francês, que disfarce o ranço! Melhor trocar as roupas e lavar as mãos com limão.

- Água sanitária, querosene, produtos químicos vários: embora tenha pessoas que “curtam” cheiros extravagantes, a maioria deles é sexualmente repelentes. Gostoso é o cheirinho natural.

O que se deve ter em mente é que como “mães” nós temos toda a liberdade de protestar e obrigar nossos filhos a se higienizarem: “Nossa, como você está fedido, pfú! Sai de perto!” A rejeição fica clara e, gostando ou não gostando a criança aprende que se quiser o colinho e o afago da mãe ela tem que se limpar.

Se na adolescência, também insistimos: “Menino, você não tem vergonha de ir se encontrar com a namorada com essas unhas sujas e esse cabelo fedido e desgrenhado? Vai lavar!”.

Mas enquanto esposas, o que é que nós fazemos quando temos um marido desleixado? Disfarçamos, omitimos os motivos, mas não batalhamos pelo que é de direito. A rejeição fica camuflada, inventamos desculpas, mas o nojo e a repulsa aparecem, nem que seja num sexo rapidinho, mal respirado, mal aspirado. Fazemos isso para não magoarmos nossos maridos, ao não nos referirmos aos seus maus cheiros, e os magoamos com o nosso desinteresse sexual!

Gente, estamos falando de problemas sérios, quase todos de saúde e que requerem cuidados médicos e um pouco da nossa maternidade. Não é necessário humilhá-lo, chamando-o de “porco, sujo ou fedido” e muito menos caçoar dele! Podemos usar de tato, meiguice e firmeza, ao declararmos o nosso amor e o nosso desejo de nos aproximarmos, cuidando de sua saúde, de sua higiene e da nossa relação.

Não adianta apelar para manuais sexuais e orientações sofisticadas sem pisar o primeiro degrau dessa escalada para o alto que o sexo permite: saúde e higiene pessoais!

Aqui falamos dos maridos. Vale também para as mulheres. Você tem cuidado?! Afinal, os odores são determinantes básicos nos mecanismos de atração ou repulsa sexual.

E tem muito casamento que poderia melhorar se os maus cheiros fossem eliminados. Não ir direto (ainda que com cuidado, face às susceptibilidades naturais), é decretar que a própria relação apodreça. Escolha.

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  • Psicóloga formada pela UNIP, Mestre em Psicologia Social pela USP e doutora em Ciências Sociais pela PUC-SP.
  • Pesquisadora pelo NEF - Núcleo de Estudos do Futuro, com foco no Ecossociodesenvolvimento | Cátedra Ignacy Sachs, alinhada ao United Nations Millennium Project.
  • Coaching de Carreira e Preparo para uma Aposentadoria Sustentável.

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