Por Ana Fraiman, abril de 2016.

Este artigo é uma dura crítica ao modo com que pais e sogros, na atualidade, têm sido desprezados por seus filhos e agregados. Em especial, os pais de mais idade, que têm necessidades básicas: de atenção e carinho, que lhes têm sido negadas pela insensibilidade e egoísmo de seus filhos, que preferem entreter-se com as novas tecnologias, do que conversar com familiares.
Este comportamento transmite aos netos, não a noção, mas a certeza de que bastam algumas poucas visitas, rápidas e ocasionais, alguns telefonemas semanais, um almoço ou jantar de vez em quando, um acompanhamento ao médico necessário, para cumprir o que lhes caberia fazer pela saúde e bem-estar dos mais velhos.

Atenção e carinho estão para a alegria da alma, como o ar que respiramos está para a saúde do corpo.

Os novos desvalidos
Imagem: Pixabay

Nestas últimas décadas surgiu uma geração de pais sem filhos presentes, por força de uma cultura de independência e autonomia levada ao extremo, que impacta negativamente no modo de vida de toda a família.

Em tempos anteriores, quando vieram das áreas rurais para as cidades, tão logo estabilizadas, os migrantes de tudo fizeram para trazer seus pais para junto de si de modo a recompor a família esfacelada pelos movimentos migratórios. Estando em Brasília, certa, ouvi o relato emocionado de um senhor, analfabeto, que agradecia ao filho por tê-los, a ele e sua esposa, tirado do sertão para escapar à fome e sede do corpo e, à tristeza da solidão.

A ordem era essa: em busca de melhores oportunidades, vinham para as cidades os filhos mais crescidos e não necessariamente os mais fortes, que logo traziam seus irmãos, que logo traziam seus pais e moravam todos sob um mesmo teto, até que a vida e o trabalho duro e honesto lhes propiciassem melhores condições. Este senhor, com olhos sonhadores, rememorava com saudade os tempos em que cavavam buracos nas terras e ali dormiam, cheios de sonho que lhes fortalecia os músculos cansados. Não importava dormir ao relento. Cediam ao cansaço sob a luz das estrelas e das esperanças.

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Finalizou, o candango: - Hoje temos casa toda mobiliada e temos saúde. Não falta nada de nada. Nossos filhos foram maravilhosos. Nossos netos estudaram nas melhores escolas. Dois deles são doutores. Não conhecemos direito os bisnetos. Eu e minha esposa, que Deus a tenha, fomos muito pobres, de não ter sapato, de dormir embrulhados em folhas de jornal. Mas nunca sentimos uma coisa: falta de carinho, falta de respeito. Os meus filhos, sim, eles reclamam que os filhos deles não têm tempo nem para uma visitinha. Ficam o fim de semana todo lá sentados um olhando para o outro, enquanto os mais jovens da família fazem churrasco com os amigos e eles não são convidados.

A evasão dos mais jovens em busca de recursos de sobrevivência e de desenvolvimento, sempre ocorreu. Trabalho, estudos, fugas das guerras e perseguições, a seca e a fome brutal, desde que o mundo é mundo pressionou os jovens a abandonarem o lar paterno. Também os jovens fugiram da violência e brutalidade de seus pais ignorantes e de mau gênio. Nada disso, porém, era vivido como abandono: era rompimento nos casos mais drásticos. Era separação vivida como intervalo, breve ou tornado definitivo, caso a vida não lhes concedesse condição futura de reencontro, de reunião.

Leia o Artigo Completo: Idosos órfãos de filhos vivos - os novos desvalidos

  • Psicóloga formada pela UNIP, Mestre em Psicologia Social pela USP e doutora em Ciências Sociais pela PUC-SP.
  • Pesquisadora pelo NEF - Núcleo de Estudos do Futuro, com foco no Ecossociodesenvolvimento | Cátedra Ignacy Sachs, alinhada ao United Nations Millennium Project.
  • Coaching de Carreira e Preparo para uma Aposentadoria Sustentável.

11 Comments

  1. Que maravilha de artigo ! ! ! !C Obrigada, Nunca li NADA tão real,
    Seus pensamentos são incríveis !È exatamente o que esta acont-ecendo , e nós mães ,pais, avós e BISAVÓS não temos quem como você abram os olhos deles…Carinhosamente Lilah, bisavó com 92 anos

      1. Meu pai já faleceu e o amava muito , foi um pai maravilhosos, tive sorte de tê-lo como pai! Morreu relativamente jovem de cancer. Até hoje, 14 anos depois , tenho saudade da nossa convivência e carinho mútuo . Porém este texto só mostra um lado , como se todo idoso fosse ” santo ” . Eu conheço casos ( sou da área jurídica ) de pais e mães ( mais raro) que foram ausentes , violentos. Outros abandonaram a família por uma amante jovem e depois que nenhuma ” jovem apaixonada ” quer cuidar do idoso vem exigir das filhas e filhos dedicação e servidão. Nós somos na velhice o que cultivamos ao longo da vida . Tem até ” velhinhos coitados ” que foram até abusadores de filhas que viveram verdadeiros pesadelos quando jovens, assediadas pelos próprio pai . Infelizmente existem realmente histórias de abandono injustos de pais que foram bons mas não podemos negar que ” nazistas” também evelheceram.

        1. Nem sempre é assim... O meu Pai tinha um feitio difícil, a infância foi de muitos medos, nunca pus em dúvida o seu amor nem me 'me esqueci' dele em nome do passado... Foi um grande Avô e sinto muito a sua falta... disse:

          Nem s

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