Programa de Preparação para uma Aposentadoria Sustentável

Vivemos num país que terá de enfrentar uma realidade inédita de envelhecimento da população, mas que ainda mantém valores que incentivam projetos de futuro desenvolvidos a partir de uma visão de curto prazo e o imediatismo consumista juvenil.

Aposentadoria Sustentável

Ao enfrentar esse envelhecimento populacional, ainda não terá solucionado as graves questões da ausência de políticas públicas eficazes, no que se refere à saúde, educação, cultura e moradia, portanto, responderá muito mal às demandas das famílias urbanas e verticalizadas, formadas por cinco gerações.

O nosso trabalho, na área de preparação para uma aposentadoria sustentável, produz uma necessária reflexão acerca do desafio de possibilitar manter e sustentar a honra e a dignidade do trabalhador nas várias etapas de sua vida. Vai, porém, mais além, se assentando numa cultura que contempla uma longevidade saudável e produtiva para todos, cultura essa que se instala a partir do ingresso no mercado de trabalho.

Em especial, no que diz respeito aos poucos anos que se constituem na fase pré e pós-aposentadoria, promove a atualização e a troca de conhecimentos, que resultam na tomada de atitudes que são necessárias para a construção de uma aposentadoria bem sucedida, mas não se restringe somente a esses poucos anos: alarga seu alcance, possibilitando a que jovens trabalhadores sejam beneficiados por posturas positivas e colaborativas por parte dos mais velhos, enquanto também os beneficiam com suas forças e seus saberes renovados.

A proposta ganha-ganha-ganha na condução ética das aposentadorias

Ganham todos: a empresa por integrar as gerações, com suas práticas de equidade – gênero e de idade; os empregados, os mais velhos e os mais novos. Os mais velhos, com suas posturas solidárias, na transmissão de conhecimentos e na construção de pontes mais seguras e confiáveis pelas quais os jovens possam transitar em seu esforço de conquistar seus postos nas empresas e no mundo dos negócios, aliando experiência e entusiasmo; os mais jovens por ganharem tutores e participar da construção de novas vias por onde os mais velhos possam prosseguir, em seu esforço de conquistar o espaço-além-da-empresa em que se aposentaram.

Ganha, também, a comunidade. As famílias, por receberem seus aposentados mais bem orientados, empenhados em fazer acontecer, em partir – ativa e responsavelmente - para a conquista de novas oportunidades, o cultivo e ampliação de suas redes de contato social de trabalho e de lazer; o cuidado para com sua saúde geral e, a aquisição de novos saberes e técnicas de outras ordens, que possam impactar positivamente em sua auto-estima e na capacidade de geração de novas rendas e, consequentemente, em sua qualidade de vida.

Ganha a vida pública. Pois a idade a ninguém deve privar da liberdade de se comprometer com a colaboração para com os demais, para com a construção de um presente e de um futuro melhor para todos, muito diferente da acomodação a que foram conduzidos os aposentados até então. Dentro da ideologia de que eles já devam passar o bastão - por haverem contribuído o suficiente pelo desenvolvimento da Nação - instalou-se a idéia generalizada de que, o descanso faça mais e melhor pela saúde, do que o compromisso e que, a delegação de seu próprio poder, aliado à passividade, sejam superiores à liberdade de decidir e agir em relação ao próprio destino.

Ação com qualidade, resultados ancorados na sustentabilidade

O nosso trabalho entrelaça de maneira inédita e bastante profunda, várias frentes relacionadas ao tema: os direitos do trabalhador diluídos na prática imposta por seus superiores; os efeitos psicológicos e de saúde física decorrentes das boas oportunidades ou, pelo contrário, dos assédios, danos e inúmeras formas de violência, que ele sofre em seu ambiente de trabalho; a forma como o governo age - ou deixa de agir - na manutenção da injustiça praticada contra aqueles que participaram e ainda podem participar da construção país e de suas riquezas; o desafio de se instalar a noção de sustentabilidade no trabalho, que concilie os direitos de quem chega ao mercado com a dignidade a quem está prestes a sair dele, todo esse conjunto procurando se alinhar aos preceitos condizentes com as necessidades planetárias.

Foco no contexto

De nenhuma forma o nosso programa de PPA deixa de focalizar o mundo em que vivemos, inserir o trabalhador nas grandes questões, tendências e mudanças que ocorrem na atualidade e, não se reduz às questões econômicas, administrativas e previdenciárias, por mais importantes que sejam. Pelo contrário, soma-se a elas, ampliando a visão de mundo dos trabalhadores e fazendo-lhes um grande e convicto convite para participar das profundas transformações dessa nossa Era, a partir de um primeiro olhar: um novo olhar, voltados para dentro de si mesmos, um olhar que os faz enxergar-se enquanto pessoas criativas e empreendedoras; e a partir de um novo primeiro passo: um caminho que só se percorre com garra, coragem e honestidade, um caminho longo e desafiador, que joga a velhice para adiante, reorientando a vontade para a ação e a força da disciplina associada a novos planos, realistas e com um profundo sentido de vida e de viver.

Acreditando ser necessário e inadiável a tomada de um moderno posicionamento frente à realidade da aposentadoria, que se debruça sobre a tolerância zero para com o abuso de poder, as arbitrariedades e violências que ainda ocorrem nas relações de trabalho, os trabalhos e as intervenções que realizamos focalizam, principalmente, o momento marcante na vida do trabalhador, que é a hora de prolongar sua permanência ou de abreviar sua saída da empresa, agora em novas condições, porque já aposentado.

Muitas vezes essa hora se passa em não mais do que poucos minutos de humilhação, os quais fazem por desmoronar tudo aquilo que foi construído ao longo de décadas de carreira: ganhos, moral, sentimento de valor pessoal, confiança em si e no mundo, redes sociais de relacionamento e projetos de vida ainda por serem realizados. Comumente, a cessação do vínculo com a empresa e os termos de uma recontratação, é um processo obscuro e mal conduzido, levando a que o trabalhador, que está prestes a se despedir, sinta-se descartável, inútil, com chances bastante reduzidas de voltar a sonhar e planejar sua vida, o que leva às pessoais e tragédias familiares, como comprovam inúmeros depoimentos de pessoas que não conheceram mais do que a infelicidade após se aposentarem.

A nova gestão da aposentadoria

Acreditando ser possível uma nova visão e uma nova prática de gestão de pessoas numa empresa privada ou pública, nossas intervenções buscam contribuir para com este desafio, mergulhando nos procedimentos ritualísticos das abordagens feitas:

  • Pelas chefias entre si
  • Das chefias em relação aos trabalhadores
  • Dos trabalhadores entre si
  • Dos trabalhadores para com suas chefias

Este mergulho profundo, realizado em várias etapas, além de lançar luzes, apontar caminhos e sensibilizar gestores, captando seu total comprometimento para com a realização de um pleito de reconhecimento do valor da pessoa humana em seu ambiente de trabalho, capacita equipes:

  • Do ponto de vista conceitual, para empreender uma ação verdadeiramente ética e transparente na condução dos processos e programas de preparo para uma aposentadoria e,
  • Do ponto de vista técnico, para a concretização de uma verdadeira conciliação de necessidades e interesses entre empresa, empregados e suas famílias/comunidades.
  • Psicóloga formada pela UNIP, Mestre em Psicologia Social pela USP e doutora em Ciências Sociais pela PUC-SP.
  • Pesquisadora pelo NEF - Núcleo de Estudos do Futuro, com foco no Ecossociodesenvolvimento | Cátedra Ignacy Sachs, alinhada ao United Nations Millennium Project.
  • Coaching de Carreira e Preparo para uma Aposentadoria Sustentável.

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