Liderança é tema de interesse universal. Em relação a grupos sociais, religião, pesquisas científicas, empresas, política, jogos esportivos, economia e tudo mais, que diga respeito a conduzir, decidir, conquistar, inspirar e a obter resultados, o termo liderança é contemplado com mais de 340 definições e, nenhuma delas consegue defini-la com precisão e, muito menos fechar a questão.

O líder certo
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Neste artigo, particularmente, estou considerando liderança na dimensão humana, inscrita na esfera dos ‘relacionamentos’. Liderar não ocorre tão somente entre nós, os humanos. Animais também lideram, conduzem, indicam o caminho e cuidam do grupo. Ou atacam outros grupos. De qualquer forma, o que todas as lideranças têm em comum é que, liderar é uma ‘qualidade de relacionamento’ que se estabelece e se expressa entre iguais e/ou entre diferentes.

O que pode ficar claro, também é que, enquanto grupamento humano, a necessidade de haver um líder ‘dentro’ do grupo de trabalho tem sido muito valorizada, mas isso já está mudando. É possível que os grupos se auto liderem. Ou seja, que não mais seja imperioso que se estabeleça uma relação vertical entre o líder e o restante do grupo. Mas, para a grande maioria, a política e a economia mundial têm-se pautado por algumas premissas no que concerne às lideranças. Uma delas: o êxito do grupo depende, em boa parte, do líder.

O que ocorre é que, liderança, podendo ser um relacionamento entre iguais e entre diferentes, é um conceito tão aberto, tão plástico e tão vivencial e, por isso mesmo, sujeito a mudanças e nuances não controláveis nem previsíveis, que liderar requer que a discussão permaneça viva entre nós. Ou seja, uma permanente DR entre o que é esperado e o desejado de um líder e de seu grupo. Cansativo, isso, e talvez não leve a nada. Ou enseje novos modelos de conduzir negócios e gerar conhecimentos. Bem ao contrário de gerar negócios e conduzir conhecimentos, sem dúvida.

Que se sabe sobre liderar? O quanto de pressão o líder suporta e o quanto de mudança merece ser empreendida? O grupo elege o líder ou necessita amoldar-se? Que dizer, então, dos grupos que ‘entregam resultados’, apesar de suas lideranças absolutamente incompetentes? Ou justamente por que a liderança é incompetente um grupo possa se superar? Espantoso, isso, por certo. Quando uma coisa e outra são desejáveis e possíveis? Abrimos ou não abrimos mão do nosso desejo de controlar?

Dar feed back é controlar? Ou é educar? Se é educar, porque se tornou algo obrigatório, cíclico e oficial? Feed back é cobrança ou é estímulo? Ah, depende. São dúvidas perturbadoras que se contrapõem necessariamente às certezas já instaladas como verdades. Por exemplo: a ideia de que o ser humano resiste a mudar. Isto porém, não mais se sustenta, já que com novos conhecimentos e, principalmente pelo autoconhecimento, cada um de nós muda e não há como ser diferente.

Ninguém de nós permanece o mesmo ao longo do tempo. Ninguém faz a mesma coisa do mesmo jeito com passar dos anos. Daí que, ser persistente é bem mais adequado do que ser insistente. Podemos insistir nos erros. Porém, quando perseveramos, podemos mudar o nosso jeito, a nossa focalização, podemos até reformular os planos e os passos rumo a um mesmo propósito.

Mudamos até de objetivos e redimensionamos as metas. A nossa pessoa, porém, é o que é. Com acréscimos de conhecimento, de consciência e de vontade. Cada pequena – ou grande – mudança revela mais de nós mesmos, da pessoa que somos. Quero dizer com isso que as mudanças se dão por acréscimos e por escolhas. Depois das escolhas, as tomadas de decisão.

Os esforços para exercer uma liderança efetiva podem se concentrar nas tarefas ou nos relacionamentos. Como ninguém é bom de fato em tudo isso junto, reafirmo: o líder necessita do grupo, tanto ou mais do que o grupo necessita de um líder. De um líder aleatório, então, isto passa a ser uma questão de sorte. Ou de azar. Felizmente o ser humano é muito criativo e resiliente. E procura se aperfeiçoar e se elevar. Nem todos. Eu, no entanto, jamais ouvi alguém declarar que quer involuir e ficar a desejar.

ESTILOS DE LIDERANÇA

1. Por coação:

É o estilo autocrático, castiga ou premia, não tem meio termo e comporta hierarquias de protegidos.

2. Por motivação:

Faz com que a pessoa deseje progredir e se motive a ter sucesso – convence as pessoas a quererem ter sucesso. Pode haver protegidos.

3. Por Inspiração:

São poucos os que têm o dom de executá-la. São pessoas que vão além. Elas próprias trabalham altamente motivadas e se deixam inspirar por ideais elevados. São visionárias e se questionam. Suas fontes de inspiração escapam à mesmice das repetições e das imitações. Elas se arriscam e, conseguem fazer com que cada qual se responsabilize por si próprio e pelo grupo. E queira dar o que tem de melhor em si para alcançar resultados, sem jamais perder a dimensão humana e sensível do que é bom para o grupo. E para a humanidade. Aqui existem as afinidades e os privilégios são corretamente distribuídos, por mérito e, não por interesses vários. Trata-se de um estilo pautado pela ética e por elevados valores de caráter.

NÍVEIS DE LIDERANÇA

1. De Dependência:

É aquele ao qual recorremos num momento de aflição. Exemplo: Discurso Político. Ou uma ação de salvamento. Alguém assume e determina. Assume quem sabe.

2. De Posse e Domínio Territorial:

Apresenta-se com o desejo de agradar ou de mandar em todos. Quem discorda passa a ser visto com inimigo. O desejo de predomínio e de vingança é muito presente. As perseguições e os ódios afloram com facilidade. É, porém, necessário que se aplique no que diz respeito à defesa da vida, da qualidade do meio ambiente, dos recursos naturais esgotáveis e da própria família, se preciso.

3. Familiar e Vicinal:

Focado na defesa dos territórios, pode instigar sentimentos de pseudo segurança e de conjunto. É um nível em que os mais fortes defendem os mais fracos e zelam para que não ocorram invasões. Busca-se obter toda uma sorte de benefícios, não só para si, mas para famílias e vizinhos.

4. Comunal:

A visão geral é a de que melhorias não bastam, se forem destinadas tão somente para si, familiares e vizinhos. Com horizontes mais amplos, neste nível os líderes são estrategistas, legalistas, bons oradores de forma geral, bastante persuasivos, pessoas que têm por valor a justiça e não se conformam com as desigualdades sociais.

5. Intuitivo:

Neste nível encontram-se os cientistas de ponta, as mentes altamente criativas, artistas, pessoas que estão “além do tempo”. Muito frequentemente são reconhecidos pelo seu vanguardismo e, por isso, tornam-se líderes póstumos, porque só se irá perceber e assimilar suas qualidades e ideias, muito tempo depois.

6. Integrativo:

Neste nível, além de se aplicarem, igualmente as capacidades racionais e emocionais, os líderes, pela sua intuição e integridade pessoal se dedicam a promover processos de paz. São capazes de reagrupar povos, derrubar fronteiras.

7. Transcendental:

Trata-se de uma liderança exercida por seres humanos altamente espiritualizados, porém não necessariamente religiosos. Os efeitos de sua passagem perduram por mais de séculos. Por milênios. Pode haver um novo movimento sociocultural neles inspirado. Ou mudanças paradigmáticas ensejadas por seus ensinamentos.

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O assunto, obviamente, aqui não se esgota. Liderar é uma ação complexa, que pode ser exercida de várias formas e em muitos níveis. Dependerá sempre de quem é o líder e quem são os liderados e, a que tempo, local e em relação a que.

Num ambiente de trabalho, hoje em dia é preciso desenvolver um estilo pessoal consistente, autêntico e coerente. Busca-se o líder certo para o grupo certo, no momento certo, com foco bem ajustado. Também há ênfase naqueles que estão voltados para o seu auto desenvolvimento, no quesito inteligência intrapessoal, tanto quanto orientados para tarefas (excelência técnica) e para relacionamentos humanos, quesito que concerne à inteligência interpessoal.

A pessoa que se dispuser a tanto terá mais facilidade para exercer liderança, com sucesso e satisfação, profissional e pessoal. Este é um período em que mudanças para uma postura mais flexível e solidária são muito estimadas e, necessárias. As empresas valorizam lideres estratégicos, assertivos, criativos e colaboradores. E acima de tudo, seres humanos!

Ana FraimanAna Fraiman – Psicóloga.

www.anafraiman.com.br

ana@fraiman.com.br

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