Reforma que pretende tratar como semelhantes os desiguais, não é reforma, é trituração pura e simples dos princípios que tornam a justiça mais justa.

Equidade da aposentadoria
Foto: Valdecir Galor/SMCS

Homens e mulheres não são iguais. E não porque as mulheres sejam mais frágeis ou não possam executar trabalho que até então eram realizados pelos homens, que - em tese - teriam mais força física do que as mulheres que, se lhes carecem tais forças, são - por seu turno - mais resistentes. Além do que, mesmo por mais robusto, forte e viril que seja o homem, em breve será substituído por um esguio robot que não custa salário nem faz greve por mais benefícios.

Não, não se trata disso. Se trata do fato que, culturalmente, é nos ombros das mulheres que ainda recai o maior trabalho em relação à: educação e cuidados para com os filhos, limpeza e manutenção da casa-moradia onde se abriga, também, a geração nem nem, que pode não fazer nada, mais faz filho e traz para a casa dos pais. E, também, os cuidados - todos (!) - para com os idosos da família. Além do trabalho fora de casa.

E, vamos convir, que doença de velho não é fácil nem barata. Qual mulher não se arrebenta ao se tornar cuidadora de três gerações, além da própria, quando ela mesma não conta com nenhum respaldo de política pública no tocante ao envelhecimento familiar, do qual ela faz parte, já que aos 60 anos ela passará a ser - de acordo com as regras previdenciárias, uma 'pré-idosa' e, com certeza e já não terá nem as forças nem o vigor dos 30. Será uma geração feminina de vulneráveis cuidando de vulneráveis: idosos e netos, cujos filhos estarão sem emprego.

Para abreviar e retornar ao assunto Proposta de Reforma da Previdência: estava eu aqui, quando me chegou às mãos - aos olhos, melhor dizendo - o primoroso artigo-alerta total, escrito pelo Frei Beto: Reforma previdenciária de 2036. Sinceramente? Eu não poderia tê-lo feito melhor, nem mais corajosamente.

Está mais do que na hora de nós, população brasileira, darmos o nosso grito de Basta! Nós não somos coisa! Nós somos pessoas e exigimos que sejamos contemplados pelo princípio da EQUIDADE e não da 'mera" IGUALDADE, no tocante à aposentadoria.

Para quem não sabe, equidade é o conceito-princípio que se aplica para tornar a justiça mais justa, na medida em que leva em conta as diferenças entre indivíduos e as condições em que vivem. E para arrematar essa 'conversa': idade não representa nada! Nada.

A idade de uma pessoa não diz quem é essa pessoa. Além disso, organicamente, o mesmo corpo tem 'várias idades', porque os nossos sistemas não envelhecem uniformemente e, na dependência de ter levado vida mais leve ou mais árdua, no exercício de sua própria profissão - ou ganha-pão - um homem ou mulher aos 35 pode ter, fisiologicamente, uma saúde mais prejudicada que a de uma pessoa aos 70.

Já sou aposentada e, em tese, não teria nada a ver com os descalabros de uma proposta absolutamente insensível à condição humana. Só que eu teimo em me importar com pessoas, inclusive no meu trabalho, porque me realizo como pessoa ao procurar ajudar meus semelhantes.

Por isso, não posso e não quero me calar agora: - Vamos aos debates públicos sobre equidade na aposentadoria!

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  • Psicóloga formada pela UNIP, Mestre em Psicologia Social pela USP e doutora em Ciências Sociais pela PUC-SP.
  • Pesquisadora pelo NEF - Núcleo de Estudos do Futuro, com foco no Ecossociodesenvolvimento | Cátedra Ignacy Sachs, alinhada ao United Nations Millennium Project.
  • Coaching de Carreira e Preparo para uma Aposentadoria Sustentável.

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