Temos sido assolados por imagens de guerras e de foragidos. Crianças desterradas, sem pais nem irmãos. Favelas construídas sobre aterros. Tiros disparados a toa, balas perdidas estraçalhando famílias. Parece nada importar.

Carro de Boi

Alguns de nós clamamos por justiça. Outros oram e se penitenciam. Outros meditam e outros se alienam em vícios e desgraças mil. Famílias se esgarçam, enquanto a sensação é de piora crescente, que desperta consciências. Ou então, nada.

Perguntei a um amigo se algum dia ele teria se sentido derrubado, com o peito encharcado por lágrimas tristes de perda e de despedida, algo como estar vivendo num Fim de Mundo. Ele me respondeu com seu poema, que aqui replico:

DOR DE PERDA, poema de Sérgio Sá. Conforme ele, esse poema teria brotado como fruto de muita dor e saudade. Um fruto adoçado pelo conforto que só se obtém na fé em Deus.

Dor de perda nos faz cruéis!
Dor de perda nos prende, fiéis ao nada vai dar certo mesmo.
Dor de perda. Ninguém nos ajuda!
Se berramos, a mente está muda, Corpo abandonado, alma a esmo.

 

Arranca-nos poemas e canções. Afoga-nos em toscas ilusões.
Nosso abrigo é tão frio, nevoento.
Dor de perda, pior do que a morte!
Já não há o que nos importe. Um futuro de sombras ao vento.

 

Desapegar! Perdoar, consentir.
Apenas deixar ir quem já foi,
Seria o único jeito de fazer nosso peito
Parar de gemer, que nem carro de boi.

  • Psicóloga formada pela UNIP, Mestre em Psicologia Social pela USP e doutora em Ciências Sociais pela PUC-SP.
  • Pesquisadora pelo NEF - Núcleo de Estudos do Futuro, com foco no Ecossociodesenvolvimento | Cátedra Ignacy Sachs, alinhada ao United Nations Millennium Project.
  • Coaching de Carreira e Preparo para uma Aposentadoria Sustentável.

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