Em primeiro lugar aprenda a dormir sentado, com as costas eretas. Não é fácil, mas também não é difícil. Em geral uma soneca de uns poucos minutos é suficiente para repor as energias e espantar o sono. Ou ao menos levá-lo a um patamar onde você não caia da cadeira.

Como parecer acordado numa aula chata

O procedimento é assim: sente-se perto de uma parede e você poderá escorar melhor a sua cabeça. Antes de adormecer de vez, ‘veja’ um relógio na sua mente com o horário exato que você desejará despertar sentindo-se mais disposto. Programe a sua hora de acordar tranquilo. Dê alguns comandos rápidos a sua mente e confie. Você vai regular seu sono. Treine este passo a passo.

  1. Comece com as suas costas bem aprumadas, encostadas na cadeira. Coxas levemente separadas e pés firmes apoiados no chão. Mãos e braços apoiado sobre a mesa defronte a sua carteira. Se não tiver onde apoiar, conserve-as nas coxas, levemente apoiadas. Sinta seu corpo seguro e relaxe seu abdômen. Faça três inspirações levando o ar para o baixo ventre (respirar levando a maior parte do ar para a barriga e não para os pulmões).
  2. Respiração: em 3 tempos. Inspirar, segurar e soltar. Enquanto você inspira, conte devagar até 4). Prende o ar (conte até 4) e expira (conte devagar até 8), Portanto, ao soltar o ar será como se você estivesse soprando uma vela sem, contudo, querer apaga-la. Tudo muito suave. Repita estes 3 movimentos mais duas vezes. Inspirar ‘com a barriga’ vai deixar seu corpo todo mais relaxado e pronto para a soneca.
  3. Agregue outro comando: enquanto eu permanecer ereto, dormindo, todos os sons da sala e de fora da sala serão absorvidos pelo meu sono. E, mais outro: quero respirar tranquilo, de boca fechada, coluna ereta, cabeça encaixada entre seus ombros e, silenciosamente. (Não será legal se você começar a roncar e a babar, concorda?)
  4. Para ver um relógio na sua mente: Comece com uma tela em branco, como se você estivesse num cinema e tudo quanto você vê é essa tela, como se fosse uma grande parede. Depois, projete nessa ‘parede’ um relógio (quadrado ou redondo) cujas bordas e ponteiros têm uma cor escura, tipo azul marinho ou verde musgo.
  5. Ajuste os ponteiros para o horário exato de acordar e ‘dê à sua mente um comando específico’: estarei sentado, respirando tranquilamente, sem me mexer nesta cadeira por ‘x’ minutos (importante: comece com 2 a 4 minutos, para treinar).
  6. Dê mais este comando: sou capaz de permanecer quieto enquanto durmo, mesmo se eu sentir uma pontada ou coceira nalgum lugar. Diga-se, mentalmente: estarei dormindo para meu benefício e, ao acordar, estarei bem disposto(a) e atento(a), como se houvesse dormido bem durante algumas horas.
  7. Fixe, agora já de olhos fechados, seu olhar na tela branca, focaloize o relógio com os ponteiros ajustados para a hora do despertar e tenha a certeza íntima de que você o fará, sem qualquer sobressalto.
  8. Importantíssimo: você precisa ‘instalar’ um comando de segurança, caso você se mexer depressa, alguma coisa mais urgente acontecer, que demande sua prontidão para agir. Por exemplo, se o professor ou professora lhe fizer uma pergunta ou se um leão entrar na sala, olhar para você e acha-lo apetitoso! Este comando é: durante o meu sono reparador, caso eu tenha necessidade ou uma emergência a enfrentar, meu corpo e minha mente serão capazes de agir à altura da situação.

Altos executivos se utilizam desta estratégia, com muita frequência. Alguns aprendem a dormir de olhos abertos. Com essa ela uma pessoa que não esteja exausta conseguirá dormir de uns poucos minutos a algumas horas, acordando tranquila e com disposição redobrada.

É um recurso para ser aplicado durante uma aula realmente chata. Ou depois de uma feijoada em dia de calor. Ou, ainda, quando o namorado ou namorada insistir em assistir a um filme ou jogo que não lhe interessa em nada.

Treine antes, umas duas vezes com os seus colegas. E, claro, não esteja ‘chapado’, mamado ou morrendo de sono ao fazer isso, que daí não funciona mesmo!

Psicóloga formada pela UNIP, Mestre em Psicologia Social pela USP e doutora em Ciências Sociais pela PUC-SP.

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