Mazelas, deles e delas.

A sinceridade torna cada biografia um verdadeiro tratado de humanidades.

Mazelas
Imagem: Pixabay

Estou com 83 anos. Não sei se chegarei aos 84 e isso, de certo modo não é problema de meu interesse. Os médicos é que ficam procurando. Eles adoram encontrar doença. Querem logo tratar. Eles que tratem, então. Eu gosto é de viver a minha vida. Eles que fiquem preocupados. Eu fico com a saúde.

Não tem como. Quando chegar a minha hora, chegou. Meu compadre saiu do cardiologista feliz com o seu coração de jovem. Bateu com as botas às dez no dia seguinte. Infarto. A mulher acordou com ele lá, durinho na mesma cama. Esse daí é que soube morrer a Boa Morte. Eu não sei se vou saber.

Meu passado, com certeza foi muito mais emocionante que aquilo que antevejo para o meu futuro. Não que eu seja ou esteja deprimido. Minha vida é que está muito chata. Os dias passam sem maiores expectativas, não faço planos. Tudo muito uniforme. Nada de novo altera minha rotina. Três horas de novela todos os dias. Aquela gritaria. Só patifaria. Quem aguenta isso?!

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Lidando com a morte

"Meu filho de 5 anos sabe que meu pai vai morrer porque tem câncer. Agora, eles brincam de morrer a toda a hora. Devo fazer de conta que não vejo nada?"

Fátima Guedes, Atibaia (SP)

Ana Fraiman

Fátima, é o adulto que tem escrúpulos e receios de falar abertamente sobre a morte. Crianças e velhos conseguem mais desenvoltura e espontaneidade para romper o incômodo do silêncio sobre a questão vida-morte. Repare como eles ficam “cheios de vida”, brincam, riem, se comovem, se aproximam e são íntimos. 

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Para se comunicar bem com a pessoa que tem Alzheimer

Ana Fraiman, psicóloga. SP, 2017.

Alzheimer
Alzheimer | Imagem: Pixabay

  1. Fazer perguntas simples e, uma de cada vez.

O pensamento comum é muito veloz. Especialmente para quem está habituado a resolver muitas coisas num pequeno espaço de treino. Para quem tem alzheimer, o pensamento se processa de forma muito mais lenta e, por vezes se interrompe a meio caminho.

Para quem já pensou nalguma coisa que precisa ser feita ou resolvida, a resposta aparece de imediato ou demora muito pouco para se revelar a nossa mente.

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Envelhecer

Maturidade: O tempo é agora

Com certeza um dos indicativos da crise da maturescência e a sensação de premência com relação ao Tempo. Num dado momento o horizonte temporal se estreita, gerando um sentimento de “não dá mais”, “passou da hora” ou “não é mais para mim”; noutro momento, o horizonte temporal se alarga: “E agora ou nunca mais!”

Envelhecer
Imagem: Pixabay

Já suficientemente experiente para saber de seu próprio valor, mas não tão vivida, a pessoa começa a se embaralhar em seus planos e expectativas, sem saber direito o que quer da vida. Tudo e questionável. As relações familiares ficam tensas. É muita transformação. Filhos crescidos e pais envelhecidos. Não raro passam a conviver, sob o mesmo teto, quatro gerações. Nesse momento específico da vida, na passagem da maturidade para a meia idade, as perguntas mudam, face as respostas que já foram dadas.

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Mau cheiro frustra a boa sexualidade

Parece ser mesquinho e cruel falar disso, tão claro para casais que convivem há tanto tempo, e tão nebuloso já que nunca é conversado e, portanto, não solucionado.

Sexualidade

Convive-se, bem ou mal, com tudo isso que arranha e sangra o amor-próprio e faz-se de conta que a coisa não acontece.

Mas acontece, e ninguém é obrigado a tolerar em silêncio, por medo de magoar o outro, mas se envenenando de ressentimentos. O fato é que, se rompermos a barreira do silêncio, talvez a coisa mude para melhor, desde que ao abordarmos o assunto a nossa intenção genuína seja a de ajudar o outro e a nós mesmos. E que essa intensão venha revertida de gentileza e firmeza, na certeza de estarmos batalhando por um relacionamento muito melhor.

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Surf na Terceira Idade

Em primeiro lugar devo deixar claro que não tenho a menor familiaridade com mulheres surfistas. Nem na primeira, nem na segunda e, portanto, não na terceira idade.

Surf na Terceira Idade
Imagem: 50emais.com.br (Idosos que não têm medo dos esportes ousados)

Não tenho, sequer, familiaridade com o mundo do Surf. Uma ou outra matéria, que me remetem - por tabela - a sensações de júbilo e de liberdade, em meio às ondas, aos impactos iluminados por um sol resplandecente ou a um céu cinzento, que se prepara para despejar seu temporal.

Aprecio a determinação e o preparo daqueles que se arriscam em mares tormentosos e quando sabem se precaver em relação a ondas potencialmente assassinas.

Minha visão é romântica, ingênua e, provavelmente construída pela minha própria vontade, jamais satisfeita de conseguir ficar de pé numa prancha, sobre a qual os surfistas bailam e tecem suas peripécias acrobáticas. Meu bailar, conquanto muito hábil, belo e comovente, sempre se deu em solo.

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