Conselhos para aprender a descomplicar

É necessário conhecer-se muito bem, para entender porque e em nome de que complicamos as coisas. Só então se está mais apto a cursar uma escola que nos ensina a descomplicar.

Aprenda a descomplicar as coisas

A lição número um:
Se você pensa que uma coisa é complicada, ela será complicada.

A lição número dois:
Leve o tempo que for necessário para decidir se quer ou não enfrentar uma boa encrenca. Definindo-se pelo 'sim, eu quero', então não desista. Vá até o fim. Afinal, tudo que é criado pode ser transformado.

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Escuridão Particular

Um silêncio morno e delicado que preenche a escuridão, que nos remete ao campo da fantasia, das memórias profundas e da admiração, este é o enfoque com que Heraldo Palmeira coloriu seu artigo sobre a escuridão planejada, que se abateu sobre a cidade de São Paulo, quando a Eletropaulo esteve fazendo seus mais do que necessários reparos na rede elétrica.

Os poetas e os bons contistas sabem, de um simples episódio, nos conduzir ao mágico e precioso mundo do suave espanto. Recomendo sua leitura, com toda a minha gratidão..

Escuridão Particular
fotografia J. Samuel Burner (wikimedia commons)

Escuridão Particular

Heraldo Palmeira

O correio trouxe com antecedência a notícia de que a energia elétrica – força, como dizem os paulistanos em sua prosódia característica – seria cortada em determinada noite de janeiro, para manutenção no sistema. Anotei com a Bic azul na agenda, que continua no modelo antigo de papel e imponente sobre a mesa.

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O Monge e o Sorvete de Chocolate

Fico ansiosa e, muitas vezes, aflita. Nessas horas é mais difícil me concentrar em vencer 'meus demônios' que teimam em me machucar. Mas eu sei que posso, se não vencê-los, ao menos acalmar suas imagens e vozes ameaçadoras, que ocupam minha mente, boba mente, com imagens terroríficas de futuro e sons cavernosas de maldição.

Só que eu sei que dá-se um jeito. Que não preciso - e não devo - cultivar essas assombrações de teimosia, da minha mente ainda teimosa, que deseja resolver já, aquilo pelo qual é preciso ainda aguardar.

O ano de 2017 bate à porta e faço-lhes um singelo convite: leiam - e releiam - este Conto de Max Pastor. Vamos meditar por um Ano Pleno e Próspero, fazendo surgir do fundo do nosso coração, votos sinceros e amorosos para que todos, todos, todos - no mundo inteiro - sejam abençoados. inclusive cada um de nós, claro! Rsrsrs

Feliz Natal e Próspero Ano Novo.

O MONGE E O SORVETE DE CHOCOLATE

Conto escrito por Max Pastor

Joel havia chegado já fazia três anos a uma das comunidades budistas mais antigas do Tibete e ali almejava ser treinado para se transformar em um monge exemplar.

Todos os dias, à hora do jantar, perguntava ao seu mestre se no dia seguinte aconteceria a cerimônia da sua ordenação. - “Você ainda não está pronto, primeiro precisa trabalhar a humildade e dominar o seu ego”, respondia o seu mentor.

Ego? O jovem não entendia por que o mestre se referia a seu ego. Achava que merecia ascender no seu caminho espiritual, já que meditava sem cessar e lia diariamente os ensinamentos de Buda.

Um dia, o mestre imaginou um jeito de demonstrar aos seus discípulos que eles ainda não estavam prontos. Antes de iniciar a sessão de meditação anunciou: - “Quem meditar melhor terá como prêmio um sorvete. De chocolate”, acrescentou o ancião.

Sorvete de Chocolate

Logo após um breve alvoroço, os jovens da comunidade começaram a meditar. Joel queria ser o melhor a meditar dentre todos os seus colegas. Dessa forma, mostrarei ao mestre que estou preparado para a cerimônia. E poderei tomar o sorvete, concluiu.

Vela

Conseguiu se concentrar na sua respiração, mas ao mesmo tempo visualizava um grande sorvete de chocolate que ia e vinha como se estivesse em um balanço. Não é possível, preciso parar de pensar no sorvete ou outra pessoa vai ganhá-lo, repetia para si mesmo.

Com muito esforço, conseguia meditar por alguns minutos nos quais simplesmente seguia o compasso de sua respiração, mas logo imaginava um dos monges tomando o sorvete. Droga! Eu é que vou conseguir! Se martirizava.

Quando a sessão acabou, o mestre explicou que todos tinham feito bem a tarefa, exceto alguém que havia pensado demais no sorvete, isto é, no futuro. Joel deu um pulo, mas logo se recompôs antes de falar: - “Mestre, eu pensei no sorvete. Eu admito. Mas como você pode saber que fui eu quem pensou demais?”

O ego se revela

– “Não tenho como saber. Mas posso ver que você se sentiu tão afetado a ponto de se levantar e tentar se colocar por cima dos seus colegas. Querido Joel, assim é que age o ego: sente-se atacado, questionado, ofendido e sempre quer ter razão no jogo de ser superior aos outros”.

Naquele dia, Joel se deu conta de que ainda teria um longo caminho a percorrer. Trabalhou sua humildade e os impulsos de seu ego. Viveu no presente e procurou não julgar, nem jogar o jogo Quem é melhor do que quem. Também entendeu que não lhe convinha se identificar com suas conquistas.

Assim, com trabalho e muita paciência, chegou O Grande Dia: aquele no qual o mestre bateu à sua porta para lhe anunciar que, finalmente, estava preparado para aquilo que tanto havia almejado.

Quando entrou no templo não encontrou ninguém ali. Apenas uma pequena plataforma e sobre ela: um sorvete de chocolate! Muito feliz e agradecido, Joel apreciou seu sorvete de palito e nem se sentiu decepcionado. E em seguida, foi ordenado monge.

Menino budista tomando sorvete

Cada pessoa tem o seu próprio sorvete de chocolate: aquilo que almeja alcançar. O nosso problema está em ter a mente posta tão somente na meta a ser atingida, nos impedindo de viver o presente.

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  • Psicóloga formada pela UNIP, Mestre em Psicologia Social pela USP e doutora em Ciências Sociais pela PUC-SP.
  • Pesquisadora pelo NEF - Núcleo de Estudos do Futuro, com foco no Ecossociodesenvolvimento | Cátedra Ignacy Sachs, alinhada ao United Nations Millennium Project.
  • Coaching de Carreira e Preparo para uma Aposentadoria Sustentável.

3 coisas que cada pessoa deveria fazer antes de morrer

PENSAR. RESPIRAR. EXPRESSAR. 

PorNan Waldman, Alive. www.quora.com

Quais são as 3 coisas que cada pessoa deveria fazer antes de morrer? 

Texto traduzido, editado e reescrito por Ana Fraiman, 2016. 

Antes de Morrer
Imagem: Pexels.com

 

Estive à cabeceira da cama de muita gente! E amei cada um deles em sua passagem. E isto é o que aprendi com eles que já se foram, pessoas a quem eu ainda amo e de quem sinto muita falta: 

Tenha seus documentos em ordem e não deixe nada mal esclarecido, coisas e situações confusas, para aqueles que também o amaram. Sua ausência já será dolorosa demais. Lidar com a sua desorganização será demais para aqueles que estiverem de luto por você. Deixe por escrito tudo que você tem a legar. Não basta dizer qualquer coisa antes de morrer. Coloque tudo claramente num papel e assine. 

Muitos poderão não aceitar ou não acreditar. Você não desejará que eles se engalfinhem por conta de desavenças muito antigas, porque é isso que acontece: ninguém briga por dinheiro ou por bens numa hora dessas. As pessoas brigam por ciúmes, por predileções, por dores que foram caladas, que estiveram represadas por anos e anos e que, justamente na hora da dor – ou do alívio – elas emergem.  

Segredos são revelados. Mentiras são desmascaradas e o pano de fundo é o dinheiro. Máscaras caem e aqueles que não tiveram caráter agirão com frieza. Você pode ter querido esconder suas percepções do mau caratismo de algum ou de alguns deles, esconder até de você mesmo, talvez porque tenha sido doloroso demais admitir que um filho, pai ou irmão, até mesmo um neto, tenha sido tão cruel e insensível por prazeres mesquinhos. Inclusive com você. 

Antes de morrer, tomara você tenha se perdoado por ter sido cúmplice silente de tantas violências familiares, às quais você se furtou enfrentar e, com isso, ajudou a perpetrar. Violência em família é assim: tenta-se camuflar, mas as marcas se mostram e, justamente nessa hora. Não basta pensar que o problema será deles, porque você jã não estará mais aqui. Despeça-se da vida, senão com amor, com decência. 

E tomara, também, você tenha aprendido sobre amar: não amamos alguém porque esta pessoa é boa, atenciosa e presente. Nem porque elas nos amem, também. O amor se basta. E, mesmo que esta pessoa jamais haja demostrado qualquer sinal, um resquício de amor você, se aproprie do amor que você sentiu por ela.  

E não se esqueça de agir com bom humor! Pregue-lhes peças. Decepcione. Ou os presenteie carinhosamente, antes de partir. Depois de morto, você não terá mais nada a dizer ou fazer. 

Isso quer dizer: deixe tudo por escrito e com cópia, nas mãos de alguns em quem você confie. E se não houver ninguém em quem possa confiar, contrate um advogado e encare bem a sua morte: ela poderá aliviar as suas dores. 

Expresse seu amor enquanto você pode. Todos os dias das nossas vidas trazem consigo um mistério. Ninguém sabe explicar porque acordamos vivos! Com certeza, também para todos nós, haverá um dia em que acordaremos mortos. Os outros saberão disso, mas você não. Uma coisa boa: aprenda libras, a linguagem dos sinais. Nunca se sabe o momento em que não poderemos nos comunicar direito, porque estaremos entubados e não poderemos falar. 

Também não precisa ser tão pessimista. Faça o que tem que ser feito e esqueça. Viva como se a morte fosse alguma coisa que só acontece com os outros. Hum, faça planos de futuro. Serão uma boa distração. Pode até ser divertido. Não pense na morte. Ela não precisa ser chamada, é uma convidada manhosa que só aparece quando ela quer. 

Faça as pazes com o seu passado, seja lá como isso se manifeste. Você simplesmente faz o que todos fazem: tentar viver o melhor possível, enxergando suas vidas de algum ângulo que lhes é muito peculiar. Não existe um jeito certo de viver.  

Muita gente só tem seus valores e méritos reconhecidos quando já não mais estão entre nós. Pessoas maravilhosas podem ter vivido vidas trágicas! Porém não tente viver pela metade, para morrer menos. Chegada a sua hora, você irá com tudo! 

Descanse e encontre conforto e graça naquilo que você viveu. Terá sido a sua história e de mais ninguém. Honre a sua história. Deve ter acontecido muita coisa hilária. E ridícula.  

Ninguém escapa de ser patético, vez por outra. Dom Quixote, o cavaleiro andante de triste figura foi um grande herói! E soube amar sua Dulcinéia, mulher de difícil vida fácil, sem a menor autoestima, por quem se apaixonou perdidamente, elevando-a ao nível mais sublime da experiência humana: despertou nela, também, o amor. 

Seja lá o que você tenha sido ou vivido ao longo de seus muitos anos, agora não há mais nada a fazer. Não dá para voltar atrás, quando muito, dá para se arrepender e, depois, se perdoar por tamanha ignorância, já que nos tornamos sábios somente quando bem mais velhos. 

Pouca coisa poderá ser corrigida. Talvez uma injustiça, uma dor moral que você tenha infligido a alguém. Reconheça isso e, se a pessoa ainda estiver viva, procure deixa-la saber que você reconhece seu erro tolo. Fará bem a ela e, talvez, também a você. 

Nos últimos momentos de lucidez – e agora é um bom momento para ser e agir com lucidez, respire fundo e fique em paz.  

Relaxe. Aceite. Sorria docemente. Acolha em seu coração, seja lá o que for e, deixe ir. Respire e siga o seu caminho. 

  • Psicóloga formada pela UNIP, Mestre em Psicologia Social pela USP e doutora em Ciências Sociais pela PUC-SP.
  • Pesquisadora pelo NEF - Núcleo de Estudos do Futuro, com foco no Ecossociodesenvolvimento | Cátedra Ignacy Sachs, alinhada ao United Nations Millennium Project.
  • Coaching de Carreira e Preparo para uma Aposentadoria Sustentável.

Franquia de Entretenimento

Descrito, magistralmente por um grande amigo jornalista, Heraldo Palmeira, recomendo: somente para aqueles que são profundamente sensíveis ao ser humano e,  mais do que razoavelmente inteligentes. O texto é de uma lucidez feroz.

Franquia de Entretenimento
Spock at console (imagem Wikimedia.com)

Heraldo Palmeira

Tenho andado nas empresas e me assustado com o que encontro para interlocução. Pessoas esforçadas, estressadas. Boa parte com formação sofrível, sem traquejo e projeto profissional de longo prazo – parece pouco provável que tenham algum para a vida pessoal. Quase sempre desanimadas, sem referências, provocando perguntas diretas: para que tudo isso? Por que vivem assim? Aonde pensam que vão chegar? Como sobrevivem sem resultados expressivos e presas a uma mesmice enlouquecedora?

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15 SEGREDOS para uma vida longa e feliz

SEGREDOS DE UM LENDÁRIO MÉDICO JAPONÊS QUE TEM HOJE, em 2016, 103 ANOS.

O Dr. Shigeaki Hinohara é conhecido por ser um dos educadores com mais anos de experiência, em seu ofício, já que desde 1941 se dedica a tratar de pacientes no Hospital Internacional St. Luke’s, em Tóquio.

Dr. Shigeaki Hinohara
Imagem: hubpages.com

Desde que completou seus 75 anos de idade este profissional publicou 15 livros, incluindo um chamado Vivendo muito, vivendo bem, que vendeu mais de 1.2 milhões de cópias em todo mundo. Como fundador do Novo Movimento da Terceira Idade, Hinohara estimula a todas as pessoas a viver vidas longas, plenas e felizes, algo em que ele parece ser perito. São estas, as chaves para sermos bem sucedidos nisso:

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Portas cerradas

Enquanto passamos pelo tempo, Heraldo Palmeira o recupera em imagens e palavras, para nos ajudar a recordar.

Papel Carbono
Imagem: ruadireita.com

Heraldo Palmeira

A placa com “aluga-se” em letras garrafais encerrava uma história. O trânsito lento e o sinal fechado mais adiante facilitavam a leitura daquele anúncio incômodo dependurado no umbral. A papelaria de tantos anos fechara finalmente suas portas, depois de uma lenta agonia.

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