Dimensões psicológicas e sociais da aposentadoria

Resultados obtidos com a aplicação de questionário junto a 1298 profissionais que estão em fase de se preparar para se aposentar (junho/2013)

Quando se conquista o direito da aposentadoria surgem muitos questionamentos: sobre as próprias habilidades e capacidades, sobre a repercussão disso tudo na vida familiar, sobre a saúde, o estilo de vida, os antigos compromissos e as múltiplas e rápidas mudanças e decisões a tomar. Novos rumos serão trilhados e, com eles, novos riscos, motivações e perspectivas.

sete dimensões existenciais fundamentais a considerar nesta transição, em especial quando ocorre cessação do vínculo de trabalho, demandando empreender novas e específicas dentre muitas que virão, ocasionando alta carga de stress de transição: interpessoal, corporal, motivacional, valores, prática, espaço-temporal e afetiva.

1. INTERPESSOAL

a) haverá, com certeza, um distanciamento do grupo de trabalho original, senão no todo, ao menos em grande parte;

b) no círculo familiar, da família de origem e da família atual, ocorrerão mudanças estruturais e dinâmicas com a saída dos filhos e envelhecimento dos pais; as três gerações e, até mesmo uma quarta geração poderá tornar-se dependente e demandar mais cuidados;

c) o esgarçamento do tecido social disponível até na empresa demandará grande e premente necessidade de desenvolver melhor a sociabilidade e recursos de relacionamento pessoal para recompô-lo; surgirão pressões para se integrar a novos grupos e cumprir com novas expectativas sociais, de circular por novos ambientes, com linguagens e códigos muitas vezes desconhecidos e estranhos;

2. CORPORAL

a) redefinição dos padrões, expectativas e condutas sexuais, tendo em vista o anseio de preservar uma vida ativa e de prazer, compreendendo as transformações nas esferas do desejo e da própria performance sexual, conduzindo-as para esferas de maior sensualidade;

b) a (re)construção da imagem corporal positiva em virtude detecção de sinais da maturidade plena, meia-idade e envelhecimento;

c) necessidade de incluir mais atenção e autocuidados;

3. MOTIVACIONAL

a) será necessário rever a questão da autonomia pessoal, uma vez que a necessidade de ser aceito e aceitar novos relacionamentos e compromissos haverá de impactar na saúde geral;

b) estará em jogo a reconstrução da identidade profissional e/ou ocupacional, em torno das quais foram estruturadas muitas das razões de ser e de viver;

d) os temas e estados concernentes à delegação de poder e revisão do status social serão presentes, tanto na esfera da ocupação, como da família;

4. VALORES

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Fundamentos de um P.P.A.

Programa de Preparação para uma Aposentadoria Sustentável

Vivemos num país que terá de enfrentar uma realidade inédita de envelhecimento da população, mas que ainda mantém valores que incentivam projetos de futuro desenvolvidos a partir de uma visão de curto prazo e o imediatismo consumista juvenil.

Aposentadoria Sustentável

Ao enfrentar esse envelhecimento populacional, ainda não terá solucionado as graves questões da ausência de políticas públicas eficazes, no que se refere à saúde, educação, cultura e moradia, portanto, responderá muito mal às demandas das famílias urbanas e verticalizadas, formadas por cinco gerações.

O nosso trabalho, na área de preparação para uma aposentadoria sustentável, produz uma necessária reflexão acerca do desafio de possibilitar manter e sustentar a honra e a dignidade do trabalhador nas várias etapas de sua vida. Vai, porém, mais além, se assentando numa cultura que contempla uma longevidade saudável e produtiva para todos, cultura essa que se instala a partir do ingresso no mercado de trabalho.

Em especial, no que diz respeito aos poucos anos que se constituem na fase pré e pós-aposentadoria, promove a atualização e a troca de conhecimentos, que resultam na tomada de atitudes que são necessárias para a construção de uma aposentadoria bem sucedida, mas não se restringe somente a esses poucos anos: alarga seu alcance, possibilitando a que jovens trabalhadores sejam beneficiados por posturas positivas e colaborativas por parte dos mais velhos, enquanto também os beneficiam com suas forças e seus saberes renovados.

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Assédio moral: uma das formas de violência no trabalho que se tornou um problema de saúde pública.

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No contexto das novas estruturas e dinâmicas de trabalho o assédio moral vem tomando uma dimensão cada vez maior, nas empresas tanto públicas, como privadas, tendo se constituído num problema complexo de múltiplas causas, sendo simultaneamente humano, social e econômico, que atinge não só a pessoa e sua rede de relacionamentos próximos – família, filhos e cônjuges – como também colegas de trabalho, a parte empregadora e o próprio governo, pelo ônus saúde, que o assédio moral acarreta.

O assédio moral se caracteriza pela prática de atos hostis, mais ou menos explícitos, ocorridos intencionalmente no ambiente de trabalho. Estes atos são praticados por um ou mais assediadores, e deterioram as condições de trabalho: atingem o clima organizacional, a confiança nos relacionamentos, a aceitação do poder e da palavra das autoridades que representam a empresa e, mesmo, a confiabilidade em relação à qualidade dos materiais empregados na confecção dos serviços e do trabalho prestado, por uma ou mais vítimas da conduta de assédio moral.

A conduta de assédio moral visa atingir a integridade psicológica e/ou física da vítima, minando seus direitos e sua dignidade, podendo alterar seu estado de saúde de forma grave e prejudicar seu desenvolvimento profissional e, até mesmo chegando a interromper sua carreira, tirando-a de sua profissão. Ao atingir a vítima existe, ainda a intenção de excluí-la do grupo, do ambiente, de suas funções, da própria empresa, fazendo-a sentir-se inferior e inadequada, de tal forma que nada do que ela tente ou proponha resulte positivamente. Ou ainda levá-la à auto-exclusão, como última forma de enfrentamento às terríveis perseguições sofridas.

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