Dislexia não é doença. É diferença.

Você tem certeza de que jamais deu risada de um disléxico? Você riu com ele ou riu dele?

Você tem ideia do número de disléxicos que, desde crianças, são vistos como anormais? Burros? Preguiçosos? E que, carregar uma imagem distorcida de si próprio, pode fazer a alma sangrar por toda uma vida?
Dislexia não é doença. É diferença.
Você tem ideia de como suas vidas são marcadas pela raiva e pela angústia de não conseguirem fazer o que seus coleguinhas de escola fazem, no mesmo tempo que eles levam para fazer o que precisa ser feito? Dos olhares de superioridade e das risadinhas de que são alvos?

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Se fosse fácil não precisaria ser um Pronunciamento. Bastaria ser uma lei.

Por Ana Fraiman, abril de 2016.

Última parte do Artigo Idosos Órfãos de Filhos Vivos – Os novos desvalidos.

A vida é de mão única e flui num único sentido: primeiro os avós, depois os filhos e depois os netos. A inversão dessa ordem é impraticável, por isso sentimos tanto pesar quando ela se inverte. Os privilégios devem, portanto, ser conferidos aos que aqui primeiro chegaram.

Família
Imagem: Pixabay

Não há soluções fáceis para todos os conflitos familiares. Nem sabemos como realizar mudanças imprevistas e indesejadas sem sofrer, sem reclamar, sem querer desistir. Algumas soluções, porém, não devem ser descartadas. Especialmente as soluções ditadas pelo amor incondicional. E, não havendo amor, buscar as soluções possíveis em nome da honra a que pais e filhos se obrigam e por onde todos desenvolvem seus mais elevados valores de caráter. Se fosse fácil honrar pai, não haveria de ser um Pronunciamento. Bastaria promulgar uma lei dos homens. Mas, não. É uma lei imposta pelo Criador, uma autoridade maior do que qualquer um de nós, mais gigante que todos nós que habitamos e, convivemos em várias dimensões, neste nosso multiverso.

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Cuidadores de Idosos

8 conselhos para Cuidadores de Idosos (familiares e profissionais)

CHEGA DE SE SENTIR IMPOTENTE!

O sentimento de impotência é moeda de pouca importância e nenhuma valia. Num dos lados afirma a ‘coitadice’ de quem cuida. De outro, reafirma sua incapacidade de aceitar e aprender a lidar com a nova realidade.

Cuidadores de Idosos
(Cuidadores de Idosos) Imagem: Pixabay

As coisas mudaram? Mudaram. E vão mudar mais ainda. Se o cuidador, familiar ou profissional contratado permanecer grudado, colado no paciente demenciado, vai levar a coisa como se a doença fosse sua. E o risco de ficar pior do que o próprio doente é muito alto! Cuidem-se, portanto, para não ficarem pior que o doente. Uma coisa é assumir a responsabilidade de ajudar o doente a viver melhor! Outra é se valer desta responsabilidade para se martirizar.

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Abandono Afetivo Inverso

Abandonei meus pais idosos. Motivo? Eles me abandonaram primeiro.

O Abandono Afetivo Inverso vem se tornando cada vez mais conhecido e, não somente, no mundo jurídico. A mídia mostra de forma direta toda uma sorte de abusos que idosos vêm sofrendo diariamente no âmbito familiar e, muitas vezes dentro de suas próprias casas.

Abandono Afetivo Inverso
pixabay

O que é o abandono afetivo inverso? Quando se fala de 'abandono afetivo' entendemos tratar-se de 'pais que não estão nem aí' com os seus filhos. São pais ausentes, hiper concentrados em seus trabalhos e em seus próprios interesses. Pais que tomam o café da manhã com a cara enfiada no jornal ou já bem cedo, assistindo os noticiários pela televisão.

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A dificuldade de reconhecer limites característicos do envelhecimento dos pais.

Por Ana Fraiman, abril de 2016.

Continuação do Artigo Idosos Órfãos de Filhos Vivos – Os novos desvalidos.

Envelhecimento os pais
Crédito: MONALISA LINS/AGÊNCIA ESTADO/AE/Codigo imagem:29880

 

Este é o modelo que se pode identificar. Muito mais grave seria não ter modelo. A questão é que as dores são tão mascaradas, profundas e bem alimentadas pelas novas tecnologias, inclusive, que todas as gerações estão envolvidas pelo desejo exacerbado de viver fortes emoções e correr riscos desnecessários, quase que diariamente. Drogas e violência toldam a visão de consequências e sequestram as responsabilidades. Na infância e adolescência os pais devem ser responsáveis pelos seus filhos. Depois, os adultos, cada qual deve ser responsável por si próprio. Mais além, os filhos devem ser responsáveis por seus pais de mais idade. E quando não se é mais nem tão jovem e, ainda não tão idoso que se necessite de cuidados permanentes por parte dos filhos? Temos aí a geração de pais desvalidos: pais órfãos de seus filhos vivos. E estes respondem, de maneira geral, ou com negligência ou, com superproteção. Qualquer das formas caracteriza maus cuidados e violência emocional.

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Obrigações desagradáveis

"Embora tente me controlar, não deixo de sentir que cobro muito meus filhos. Sinto que estou agindo mal, me tornando chata. O que fazer?"

Pergunta de Rosa Duarte, Rio de Janeiro (RJ)

Ana Fraiman

Todos esperam que haja reciprocidade numa relação, uma troca de atenção, cuidados, favores, carinhos, críticas, opiniões, onde todos lucrem e sintam-se emocionalmente amparados. Já a cobrança reflete uma relação de desigualdade, onde alguém deve ao outro, e daí as trocas deixam de ser doação natural para se tornarem obrigações desagradáveis. Aquilo que os pais dão aos filhos é, muitas vezes, diferentemente do que recebem destes: essa qualidade diferente não significa, porém, melhor ou pior.

Os filhos não podem ser pais dos seus próprios pais, a não ser à custa de muito sofrimento para todos, pois quando isto acontece sempre se verifica algum tipo de patologia: da relação ou da saúde.

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A dificuldade de reconhecer a falta que o outro faz

Por Ana Fraiman, abril de 2016.

Continuação do Artigo Idosos Órfãos de Filhos Vivos – Os novos desvalidos.

A dificuldade de reconhecer a falta que o outro faz
Imagem: fonte desconhecida

 

Do prisma dos relacionamentos afetivos e dos compromissos existenciais, todas as gerações têm medo de confessar o quanto o outro faz falta em suas vidas, como se isso fraqueza fosse. Montou-se, coletivamente, uma enorme e terrível armadilha existencial, como se ninguém mais precisasse de ninguém. A família nuclear é muito ameaçadora para o conforto, segurança e bem-estar: um número grande de filhos não mais é bem-vindo, pais longevos não são bem tolerados e tudo isso custa muito caro, financeira, material e psicologicamente falando.

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Mães. Tem de tudo quanto é tipo.

As que merecem os filhos que têm e as que não merecem. Tem mãe que nutre seus filhos com seu leite morno, sentindo o maior prazer com isso. E tem mãe que é sugada até a medula óssea, sem qualquer prazer nem retorno.

Mães. Tem de tudo quanto é tipo.

Há mães que são gratas a seus filhos e filhas que correspondem com seu amor sem fim. Isso não tem nada a ver com o modo pelo qual foram educados. É do sentimento de cada qual, honrar sua própria mãe.

Tem filhos que sentem inveja da mãe que seus irmãos têm. E tem mulher que sente inveja dos filhos que não nasceram de seus ventres. Que gostariam de ser mãe de seus sobrinhos amados. Ou dos filhos dos vizinhos.

Sabem de uma coisa? Cansei dessa amorização insossa, estupidamente imposta, de termos que nos encaixar no modo correto de ser mãe. De ouvir de especialistas que a culpa é delas, as mães. Mais chato ainda, é que os pais de hoje estão sendo adestrados, compelidos a adotar o modelo feminino de educar filho. Cansei de ter dia certo para celebrar uma relação que merece ser espontânea. E, assim sendo, quem sabe mais verdadeira e feliz. Mas isso pode acontecer em qualquer dia!

Nem todos têm um bom caráter. Nem todos filhos e filhas amam suas mães. Nem todas as mães amam seus filhos e nem os amam por igual. Neste ano de 2016 quero cumprimentar a todos que se entendem bem, que têm uma convivência boa e decente entre si. A tal ponto de não precisar nem visitar neste exato dia, nem dar presente só porque faz parte, especialmente quando não se está a fim. Chega de alegrias forjadas e de tristezas e culpas acumuladas, porque vieram ou porque não vieram. Chega de barbarizar nossas famílias.

Que se encontrem os que se amam mesmo. Sem presente comprado, que presente não é prova de amor algum! Que se amem e se detestem a qualquer hora e dia e, que se reencontrem quando for uma nova hora. Hora de amor gostoso e sincero, cheio de vontade de estar junto e de conversar! Ou se jogar no sofá da sala, simplesmente deixando-se estar. À vontade, sem forçar barra. Não mais se preocupem as mães, nem seus filhos. Quem ama, ama.

Estejamos presentes em vez de darmos presentes. Com liberdade e graça. Sejamos felizes, não necessariamente neste exato dia, mas quando der, puder e… Pintar!

Por Ana Fraiman