Mulher bem sucedida

Competente no trabalho e… na cama.

Você conhece uma profissional que é um sucesso na carreira e tem uma vida afetiva e sexual feliz?

Se a resposta é sim, pode ter certeza de uma coisa: ela conseguiu escapar das armadilhas que nós mesmas armamos. Veja quais são... e fuja delas.

Sucesso Profissional
Imagem: Pixabey

Regina é uma jovem desquitada, bonita, um sucesso na carreira, mas vice só. Quando as amigas perguntam por que, ela poderá dar mil explicações do tipo “o trabalho não me deixa tempo para o amor”, “os homens não têm coragem de se relacionar com uma mulher bem-sucedida” ou “não encontro um homem mais inteligente do que eu”. Mas, se Regina fosse fundo nas coisas, teria de confessar que ela é a causa de tudo. Porque Regina tem um problema comum à maioria de nós: construiu uma personalidade dividida em três partes – cabeça, tronco e membros. E estas partes não se encaixam, gerando angústia e insegurança, impedindo se realização total.

Regina (38 anos) conheceu sexo como a maioria das mulheres de sua geração: meio roubado, às escondidas, um olho fechado pelo prazer da entrega, o outro aberto pelo medo de ser flagrada. E mesmo agora, que não teme uma gravidez indesejada, ainda tem medos, como o de escolher a pessoa errada. Esse medo paralisa e desespera, pois somos prontamente vistas como mulher, mas não nos sentimos como tal.
Quando alguém pergunta a Regina se ela é feliz no amor ou se conhece sexo desvairado, ela responde “não”. E não há susto. Afinal, “não se pode ter tudo na vida”.

Quando uma mulher de sucesso como Regina conta que é infeliz na cama, dizemos logo “pelo menos você tem sua carreira. Isso compensa”. É como se ela estivesse apenas seguindo o rumo natural das coisas. Surpreende mesmo é quando uma mulher comum, sempre às voltas com a rotina da casa, garante que sua vida sexual é um verdadeiro sucesso. Aí, perplexas, vamos querer saber “o que ela tem que eu não tenho?” É como se condenássemos a nós mesmas – e às outras mulheres – à categoria dos seres que não podem ter tudo. Ou bem temos o sucesso, ou bem o prazer. Como se fosse impossível conciliar competência com prazer, transpondo a ponte entre o mundo do poder e o mágico terreno do prazer.

Afinal, o que nos falta para conseguir a harmonia entre estes dois universos? Basicamente, entender os processos que levam à divisão e identificar as armadilhas. As mais perigosas são as que decorrem da relação que mantemos com nosso próprio corpo e suas peculiaridades.

Menstruação não é doença

Esta é uma das primeiras coisas que devemos ter em mente para desenvolver integralmente nossa sexualidade. Quando menstrua, a maior parte das mulheres fica inchada, dolorida, mais sensível. Enfim, o corpo fica alterado, pede repouso. Mas a gente não pode parar o trabalho. Então, em vez da irritação por ter de fazer coisas que o corpo não quer, ficamos com raiva da menstruação. Se entendermos que a mudança – no corpo e no nosso estado emocional – é um fato natural, um sintoma de fertilidade, estaremos a caminho da integração entre nosso corpo, a cabeça e a sexualidade.

Gravidez não é pecado

Mas muitas agem como se fosse. Tratam de “esconder” a gravidez, com medo de perder pontos na carreira, de ficarem fora do planejamento da empresa – a longo prazo – já que se sabe que terão de interromper o trabalho pelo menos para dar à luz. Se isto é errado, também não se pode aceitar a atitude contrária: a da mulher que procura usar a gravidez como desculpa para suas falhas no trabalho. Usar a gravidez como desculpa para não produzir, ou evita-la – alegando que prejudica a carreira – são atitudes igualmente ruins. Nos dois casos, estamos negando nossa condição de mulher, ou seja, reprimindo nossos sentimentos e a nossa sexualidade.

É normal ter desejos

Vestir uma capa de frieza para mascarar sua condição de mulher e ser encarada como “igual” pelos colegas de trabalho é uma coisa muito comum. E muito errada. Se você agir naturalmente, se aceitando como mulher que tem uma vida sexual ativa, poderá até superar a ênfase que os homens fazem questão de dar à sua feminilidade, e ao fato de você ser desejável. Quantas vezes, no meio de uma reunião, você já não ouviu “passamos a palavra à bela doutora fulana?” Eles querem agradar, mas você se sente ofendida, fica com raiva por ser “bela”, “desejável”. Já que não pode revidar, passando a palavra ao “gatão do dr. sicrano”, fique fria. Ser mulher, ser bela, ser uma fêmea desejável não é defeito, nem diminui seus méritos profissionais. Não tente negar sua natureza ou sua sexualidade, pois, de tanto disfarçar, a frieza pode acabar incorporada à sua personalidade. E aí, adeus ao prazer na cama.

É preciso inverter a ordem das coisas: seja fria no trabalho, mas muito quente na cama. O primeiro passo para esta fórmula você terá dado se conseguir enfrentar com naturalidade – e orgulho – sua condição de mulher. Mas isto não basta. Não se pode esquecer que, passando boa parte do tempo no trabalho, ficamos sujeitas às influências do meio na nossa vida pessoal. Não vamos repetir o erro dos homens, que – em alguns casos – tentam pautar sua vida pelo modelo de eficiência gerado no mundo do trabalho. Aí as armadilhas também são muitas. Mas podem ser identificadas. E superadas.

É preciso confiar

Confiança é o que mais falta no mundo dos negócios. Hoje em dia quem confia é xingado de bobo. Para ser bem-sucedida neste mundo, a mulher aprende – tanto ou mais que os homens – a viver de pé atrás e puxar tapetes. Ninguém se entrega. O que interessa é tapear, blefar, ter lucro: vale tudo para vencer. E os sentimentos vão ficando massacrados e mascarados: é preciso ser durona (quando se quer colo), fingir simpatias que estamos longe de ter, tratar o outro como um inimigo. E a experiência da entrega, da confiança, do aconchego, vai ficando para trás, relegada à condição de “coisa de criança”, ou pior, “imaturidade”. O prazer sensual de perder o controle e viajar nas sensações é vista como uma ameaça ao ego.

Não queira lucrar sozinha

No mundo dos negócios, só é um sucesso quem consegue lucro. O erro é que às vezes levamos esse imediatismo para as relações afetivas. Aí nunca vai haver prazer. Não fique pensando no seu lucro. Trate de relaxar, soltar as amarras e partilhar os lucros (ou perdas). Só assim sexo e amor são bons: quando os dois envolvidos lucram igualmente, saem mais ricos daquele momento.

Prazer só vem com calma

Vivemos a era do pré-fabricado, do descartável, do lucro rápido. Mas, se isso funciona no mundo dos negócios, um grande erro é tentar levar essa eficiência toda para a cama. Quando a pressa chega ao sexo, o que vemos são duas pessoas preocupadas em obter “mais prazer um menos tempo”. É chegar já “fervendo”, usar e jogar fora, embora a embalagem ainda possa ser atraente e conservada. Assim feito, não há tempo para deixar rolar, aquecer devagar, ir e vir nos toques discretos e ligeiros, até chegar o momento da decisão. É uma simples repetição do que se vê no mercado: viu, gostou, levou.

Nem vencida nem vencedora

Se o poder, no mundo dos negócios, dá status e provoca muita bajulação, levar essa filosofia “do mais forte” para a cama é desastre na certa. O que vamos encontrar é o homem preocupado em levar a mulher à exaustão, ou ela tentando “enlouquecer” o parceiro.

Ninguém relaxa. Não há prazer. O resultado é que tem muita cama por aí servindo de palco para jogos de poder, onde sempre um sai derrotado. Nada a ver com amor e sexo sadios, onde não há competição. Aí sim estaremos vivendo uma relação onde há integridade, inteireza, amor, em vez da competição e desprazer. Nessa explosão de vida não há espaço para poder, nem medo de parecer ridículo porque um se entrega, geme, faz caretas, mostra seu corpo como ele é, desnuda emoções. Na hora em que comportamentos que funcionam no trabalho vão junto para a cama, só pode haver frustração. Cada coisa tem sua hora e seu lugar: tentar misturar é o primeiro passo para o fracasso.

  • Psicóloga formada pela UNIP, Mestre em Psicologia Social pela USP e doutora em Ciências Sociais pela PUC-SP.
  • Pesquisadora pelo NEF - Núcleo de Estudos do Futuro, com foco no Ecossociodesenvolvimento | Cátedra Ignacy Sachs, alinhada ao United Nations Millennium Project.
  • Coaching de Carreira e Preparo para uma Aposentadoria Sustentável.
Trabalho na Adolescência

Falar sobre trabalho e emprego em plana adolescência não é cedo demais?

Os jovens não estão tendo sua juventude roubada pela pressa dos pais? Quando se deveria iniciar esse processo?

*Por Leo Fraiman

Trabalho na Adolescência

Os jovens se sentem muito agradecidos quando têm alguém que fale a eles sobre como conseguir seu espaço no mundo. Muitos já começam a trabalhar durante a faculdade ou mesmo durante o ensino médio, seja em um trabalho voluntário, na animação de festas infantis ou como vendedores de fim de ano em uma loja de roupas.

Se a preparação para a entrada no mercado de trabalho for feita aos poucos, com cursos de capacitação condizentes com a idade escolar e com as possibilidades de cada aluno, a passagem da adolescência para a vida adulta pode ser feita de modo mais seguro e suave.

Em muitas empresas, no processo de seleção para um estágio, a primeira linha que se olha no currículo é a de cursos extracurriculares.

Os pais e os educadores devem ajudar os jovens a refletirem como um todo: nos aspectos cognitivos, sociais, comportamentais e emocionais. Tudo conta.

Quando se concorre a um estágio, diversos aspectos são relevantes e muitos deles não se formam de um dia para o outro, ao contrário, se a formação for feita ao longo de anos, pode ser muito melhor implantada. A partir do 9º ano do ensino fundamental, muitos jovens já conseguem perceber a importância de se preparem para o futuro, com trabalhos temporários, cursos de formação diversos, línguas e outras atividades. Em outros países, o trabalho nas férias também já é bastante comum.

*Referência: FRAIMAN, Leo. Projeto de Vida: 100 dúvidas. 1ª edição. São Paulo: Editora Esfera, 2013. [saiba+]

 

  • Psicóloga formada pela UNIP, Mestre em Psicologia Social pela USP e doutora em Ciências Sociais pela PUC-SP.
  • Pesquisadora pelo NEF - Núcleo de Estudos do Futuro, com foco no Ecossociodesenvolvimento | Cátedra Ignacy Sachs, alinhada ao United Nations Millennium Project.
  • Coaching de Carreira e Preparo para uma Aposentadoria Sustentável.
Dar lugar para os mais jovehs

Realização e Satisfação. Dar lugar para os mais jovens?

Há pessoas que confundem satisfação com realização pessoal. Relutam em se dizer realizadas porque sempre há algo por fazer.

Dar lugar para os mais jovehs

E, de fato, nos sentimos mais animados quando há um projeto pela frente. Por melhor que tenha sido nosso desempenho e até porque somos capazes e inteligentes, logo queremos mais.

A realização é a concretização de sonhos e a satisfação é o preenchimento da necessidade de auto-reconhecimento. Se não ocorre uma ou outra, a pessoa não se apropria de seus feitos, fica vazia, como que desprovida de seus méritos e valores. Só vê o que ainda não conseguiu. Não percebe riqueza nas experiências das quais participa, das oportunidades que a sua busca desencadeia. A chave para sair desse poço fundo e escuro é um processo de longo termo, que não diz respeito somente à própria pessoa, mas aos esforços que ela faz para ajudar os outros. É por isso que nos sentimos realizado quado nossos filhos se formam, se casam… Porque nosso sonho era o de fazer alguém feliz, vencer na vida! O mesmo quando olhamos em torno, em nossa empresa, quanto trabalho geramos a tanta gente. É nossa contribuição ao bem-estar coletivo.

A grande diferença entre realização profissional e satisfação é que a realização diz respeito ao cumprimento de propósitos e a satisfação à conquista de metas e objetivos.

A grande diferença entre realização e satisfação é que a realização diz respeito ao cumprimento de propósitos e a satisfação à conquista de metas e objetivos. Os propósitos se expressam melhor na atitude de servir, de ajudar o outro a conseguir sucesso. As metas e objetivos se expressam na atitude de buscar algo para si. Não devemos, porém, imaginar que uma atitude é melhor que outra. Há contextos onde se deseja, ou se aplica, uma coisa ou outra. Até porque não se chega à realização sem provar da satisfação. Quando fracassamos num objetivo é frustrante. Mas quando perdemos a noção da finalidade começamos a achar que viver é muito difícil! Facilita quando, além de nós mesmos, encontramos razões excelentes para prosseguir. Por exemplo, pelos outros!

Na maturidade, quando os filhos crescem, a família se transforma, os pais vão embora, o corpo reclama por mais cuidados e o trabalho… Ah! Quando o trabalho muitas vezes nos é arrancado das mãos, ou temos que começar tudo de novo, a revisão das metas e dos propósitos de vida é essencial.

Como meta, pensar na aposentadoria. Seguro-saúde, equilíbrio financeiro, ocupação pessoal através de um novo trabalho, ou de lazer, buscar meios de obter mais satisfação. Como finalidade ou propósito, preparar-se para crescer. Uma jornada diferenciada, menos afoita, mais justa e cooperativa, menos rígida ou exclusivista, sem tanto estresse.

É aqui que aprendemos que “dar espaço aos mais jovens” não é perder terreno, sair da linha, mas assumir a atitude desprendida de ajudá-lo a seguir carreira, a alçar voo. Instruí-los na arte de uma profissão, confiar neles. Repassar o conhecimento adquirido, treiná-los e apoiá-los em suas próprias experiências, na constituição de suas novas famílias.

Isso é realização, grandeza de caráter. É não parar, mas ajudar a prosseguir. Não simplesmente ceder, mas tratar de continuar, buscar se realizar. Agora de maneira diferente, mais experiência.
“A realização é um processo de longo termo, que não diz respeito somente à própria pessoa, mas aos esforços que ela faz para ajudar os outros.”

Drª Ana Fraiman
Revista PHARMACIA – Maio 1996

Contatos: 11 3813-5311 | 9.9391-3236 | ana@fraiman.com.br

Mundo em transformação

No século 20, o mundo tinha suas bases em ordem, no emprego, em planos definidos. Havia idade certa para casar, para ser promovido, para ter filhos.

Mundo em transformação

A vida era toda planejada, tinha estabilidade. As pessoas tinham um casamento só, uma profissão para o resto da vida. Os papéis do homem e da mulher eram bem definidos. Tudo isso proporcionava segurança.

Conforme Richard Sennett, no livro A cultura do novo capitalismo, essa ordem se desfez no ar, dando lugar ao mundo da mudança e da autogestão. Hoje, temos diretores de 30 anos de idade e profissionais de 60 anos voltando ao mercado de trabalho. Há um apelo para a troca, para a mudança, muito grande. Atualmente, nem a roupa de homens e mulheres é mais predefinida, muito menos as profissões.

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Ter estado no topo não significa voltar ao topo

Para você voltar ao mercado numa boa colocação, além dos quesitos específicos para seu bom desempenho e de seu vasto currículo, deverá estar alinhado com a nova linguagem do mundo organizacional.

Aposentado de volta ao trabalho
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“Quando eu ocupava o cargo de diretor financeiro de uma grande montadora, tinha duas secretárias diretas, além das demais, que nos serviam nas ocasiões em que o volume de trabalho aumentava. Todos ali tínhamos a maior dedicação e vezes sem conta permanecíamos, muito além do horário, em intermináveis reuniões. Claro que, algumas delas, ineficientes. Mas éramos uma equipe e todos colaboravam. Hoje estou trabalhando numa pequena empresa familiar.

Não fui treinado para isso. Não há equipe. Há os donos, eu e uma única secretária para todos. Então, sou eu mesmo que tenho que desenhar as planilhas. Perco um tempo danado! Sinto-me inoperante. Acostumei-me com a ação. Hoje, sinto que cumpro ordens. Além do que, ganho um terço do que ganhava antes. Minha esposa e meus filhos dizem que estou melhor, mais conversável, menos estressado. Mas dentro de mim, não consigo conviver bem com a nova situação. Sinto que perdi tudo aquilo pelo qual lutei a minha vida toda.”

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Psicologia é profissão para problemáticos?

Não se deixe pegar por pessoas que comentam que “o mercado está saturado”, “psicologia não dá dinheiro” ou que “só faz psicologia quem é problemático”.

Uma das principais piadinhas é que só vai cursar psicologia quem tem problema. Que são os problemáticos. Assista o vídeo e entenda melhor alguns dilemas, mitos e verdades enfrentados por quem segue ou pretende seguir carreira em psicologia.

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  • Psicóloga formada pela UNIP, Mestre em Psicologia Social pela USP e doutora em Ciências Sociais pela PUC-SP.
  • Pesquisadora pelo NEF - Núcleo de Estudos do Futuro, com foco no Ecossociodesenvolvimento | Cátedra Ignacy Sachs, alinhada ao United Nations Millennium Project.
  • Coaching de Carreira e Preparo para uma Aposentadoria Sustentável.

O que é vocação? Todos nós temos uma?

A escolha vocacional é um termo originado da palavra “vocação”, do latim vocare, que significa “predestinação”. Assim, subentende-se que escolher uma profissão é como atender a um chamado divino. É como uma voz vinda de Deus que pede à pessoa que realize um feito no mundo.

Por Leo Fraiman*

Orientação Profissional, Vocação
Pixabay

É uma visão muito nobre. E algumas pessoas, de fato, têm a sorte de encontrar dentro de si um talento tão especial para realizar determinada atividade, em que a profissão acaba por se tornar um projeto de vida desde muito cedo.

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Como elaborar o meu currículo, mesmo sem ter experiência?

Muitas empresas, quando abrem vagas para estágio, nem sempre precisam que o jovem já venha “pronto”, nem esteja super-preparado.

Por Leo Fraiman*

Em alguns casos, elas preferem exatamente a falta de experiência, pois assim não se tem tantos vícios comportamentais”. Desse modo os jovens podem ser mais facilmente adequados à cultura organizacional.

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