Aposentar-se

Aposentar-se não é fácil.

Você precisa conviver com esta ideia desde quando começar a trabalhar.

Aposentar-se
Imagem: Pixabay

"Primeiro vou pagar minhas dívidas e ajudar meu filho a terminar a casa dele. Depois, com os dois mil, dois e quinhentos que sobrarem, vou comprar um freezer, desses deitados e vender sorvete. De porta em porta? Não. Vou abrir a frente da minha casa, que nem a minha cunhada fez e vender de lá mesmo. Ela está tirando um bom dinheiro e eu acho que também vou tirar, porque lá no meu bairro não tem sorveteria, não. Daí vai ter e eu vou ganhar."

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Envelhecer

Maturidade: O tempo é agora

Com certeza um dos indicativos da crise da maturescência e a sensação de premência com relação ao Tempo. Num dado momento o horizonte temporal se estreita, gerando um sentimento de “não dá mais”, “passou da hora” ou “não é mais para mim”; noutro momento, o horizonte temporal se alarga: “E agora ou nunca mais!”

Envelhecer
Imagem: Pixabay

Já suficientemente experiente para saber de seu próprio valor, mas não tão vivida, a pessoa começa a se embaralhar em seus planos e expectativas, sem saber direito o que quer da vida. Tudo e questionável. As relações familiares ficam tensas. É muita transformação. Filhos crescidos e pais envelhecidos. Não raro passam a conviver, sob o mesmo teto, quatro gerações. Nesse momento específico da vida, na passagem da maturidade para a meia idade, as perguntas mudam, face as respostas que já foram dadas.

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Aposentado Superbonder

As esposas dizem preferir que seus maridos passem ‘‘um tempo em casa e um tempo fora de casa”. Grande parte delas, senão a maioria, acredita que assim o casamento adquire um bom equilíbrio, cada qual desenvolvendo sua vida própria. A fórmula para uma convivência mais acolhedora e flexível é: “cada um no seu quadrado” e, em algumas circunstâncias, estar e decidir alguma coisa junto.  

Aposentado Superbonder
Imagem: Pixabay (Editado)

Afirmam, inclusive, que um homem se torna muito mais atraente “quando não está lá, o tempo todo”. Com certeza, reclamam e, até mesmo afirmam passar a desrespeitar, aquele que adere total e incondicionalmente à esposa, a ponto de “não deixa-la respirar”.

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Sobrenome Corporativo após a Aposentadoria

A temporada após a aposentadoria e, mais, com o seu desligamento da empresa, vai ser um tempo em que você vai se decepcionar bastante. Acredite.

Sobrenome corporativo
Imagem: Pexels

José Carlos, 68 anos, até então diretor de marketing de uma empresa de publicidade que tem contas milionárias, vivia uma vida glamorosa, excitante, cheia de emoções. Gozava de vários poderes: tomava decisões importantes, estratégicas, estava por detrás da negociação de contas vultuosas, influía nas campanhas e se dava com clientes e fornecedores que o assediavam, diariamente, com prêmios, presentes, ofertas quase irrecusáveis, como viagens internacionais “para estar presente aos sets de filmagem, para pesquisar novos mercados, prospectar clientes, fazer benchmarketing”. Mesmo que declinasse deles, em quase que sua totalidade, recebendo-os somente em nome da empresa e quando fosse de total conveniência para a mesma, em inúmeras oportunidades foi o centro das atenções, usufruindo de todo o prestígio que o cargo lhe emprestava. Mesmo dizendo saber tudo isso não se dirigia a sua pessoa, mas a seu cargo, à hora em que se afastou, viu-se sofrendo pela falta do assédio e das oportunidades de aproveitar do bom e do melhor, compatível com seu alto cargo e com o volume de negócios que trazia para a empresa.

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Aposentar-se do trabalho doméstico

"Tenho 57 anos. Afinal, não sou tão velha assim, não é mesmo? Mas há mais de 40 anos venho cuidando de casa, roupa, cozinha. Cansei! Pela primeira vez na vida, quero uma empregada fixa, e não só faxineira. Quero alguém que me ajude com a louça do jantar ou mesmo me traga um chazinho fora de hora. Só que meu marido não admite uma estranha morando conosco. Como convencê-lo?"

Dirce Tereza Matos. Santos (SP)

Idosa Doméstica
Imagem: Fabiano Maia (jj.com.br)

Ana Fraiman

Dirce, este é um dos graves problemas da mulher, a quem não é permitido aposentar-se do trabalho doméstico. Assim como o homem necessita preparar-se para a sua aposentadoria (anos antes), também a mulher necessita ser orientada para essa nova fase. O ideal é que o casal seja esclarecido e apoiado em relação às suas novas condições.

Dificilmente as pessoas aceitam bem uma grande e repentina mudança que contrarie seus hábitos. É preciso tempo para que se acomodem e estabeleçam novos acordos.

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A equidade da aposentadoria

Reforma que pretende tratar como semelhantes os desiguais, não é reforma, é trituração pura e simples dos princípios que tornam a justiça mais justa.

Equidade da aposentadoria
Foto: Valdecir Galor/SMCS

Homens e mulheres não são iguais. E não porque as mulheres sejam mais frágeis ou não possam executar trabalho que até então eram realizados pelos homens, que - em tese - teriam mais força física do que as mulheres que, se lhes carecem tais forças, são - por seu turno - mais resistentes. Além do que, mesmo por mais robusto, forte e viril que seja o homem, em breve será substituído por um esguio robot que não custa salário nem faz greve por mais benefícios.

Não, não se trata disso. Se trata do fato que, culturalmente, é nos ombros das mulheres que ainda recai o maior trabalho em relação à: educação e cuidados para com os filhos, limpeza e manutenção da casa-moradia onde se abriga, também, a geração nem nem, que pode não fazer nada, mais faz filho e traz para a casa dos pais. E, também, os cuidados - todos (!) - para com os idosos da família. Além do trabalho fora de casa.

E, vamos convir, que doença de velho não é fácil nem barata. Qual mulher não se arrebenta ao se tornar cuidadora de três gerações, além da própria, quando ela mesma não conta com nenhum respaldo de política pública no tocante ao envelhecimento familiar, do qual ela faz parte, já que aos 60 anos ela passará a ser - de acordo com as regras previdenciárias, uma 'pré-idosa' e, com certeza e já não terá nem as forças nem o vigor dos 30. Será uma geração feminina de vulneráveis cuidando de vulneráveis: idosos e netos, cujos filhos estarão sem emprego.

Para abreviar e retornar ao assunto Proposta de Reforma da Previdência: estava eu aqui, quando me chegou às mãos - aos olhos, melhor dizendo - o primoroso artigo-alerta total, escrito pelo Frei Beto: Reforma previdenciária de 2036. Sinceramente? Eu não poderia tê-lo feito melhor, nem mais corajosamente.

Está mais do que na hora de nós, população brasileira, darmos o nosso grito de Basta! Nós não somos coisa! Nós somos pessoas e exigimos que sejamos contemplados pelo princípio da EQUIDADE e não da 'mera" IGUALDADE, no tocante à aposentadoria.

Para quem não sabe, equidade é o conceito-princípio que se aplica para tornar a justiça mais justa, na medida em que leva em conta as diferenças entre indivíduos e as condições em que vivem. E para arrematar essa 'conversa': idade não representa nada! Nada.

A idade de uma pessoa não diz quem é essa pessoa. Além disso, organicamente, o mesmo corpo tem 'várias idades', porque os nossos sistemas não envelhecem uniformemente e, na dependência de ter levado vida mais leve ou mais árdua, no exercício de sua própria profissão - ou ganha-pão - um homem ou mulher aos 35 pode ter, fisiologicamente, uma saúde mais prejudicada que a de uma pessoa aos 70.

Já sou aposentada e, em tese, não teria nada a ver com os descalabros de uma proposta absolutamente insensível à condição humana. Só que eu teimo em me importar com pessoas, inclusive no meu trabalho, porque me realizo como pessoa ao procurar ajudar meus semelhantes.

Por isso, não posso e não quero me calar agora: - Vamos aos debates públicos sobre equidade na aposentadoria!

Leia também: Aposentadoria - Um Novo Contrato Com A Vida

  • Psicóloga formada pela UNIP, Mestre em Psicologia Social pela USP e doutora em Ciências Sociais pela PUC-SP.
  • Pesquisadora pelo NEF - Núcleo de Estudos do Futuro, com foco no Ecossociodesenvolvimento | Cátedra Ignacy Sachs, alinhada ao United Nations Millennium Project.
  • Coaching de Carreira e Preparo para uma Aposentadoria Sustentável.

Como ter uma boa vida?

Recomendo este vídeo sobre uma pesquisa científica que estudou a vida de quase 700 homens dos 15 aos 75 anos.

Ele conclui sobre o que é mais importante na vida para envelhecer com saúde e felicidade!

Lições do mais longo estudo sobre a felicidade | Robert Waldinger

  • Psicóloga formada pela UNIP, Mestre em Psicologia Social pela USP e doutora em Ciências Sociais pela PUC-SP.
  • Pesquisadora pelo NEF - Núcleo de Estudos do Futuro, com foco no Ecossociodesenvolvimento | Cátedra Ignacy Sachs, alinhada ao United Nations Millennium Project.
  • Coaching de Carreira e Preparo para uma Aposentadoria Sustentável.