Cansaço e dispersão

Minha avó confunde o nome de todos os netos. As vezes fala mal de mim para mim mesma. O que se pode fazer por ela?

Lucila Campos. Pelotas (RS)

Ana Fraiman

Confundir nome é consequência do cansaço e dispersão, e não de falta de interesse. Quando isso acontecer, você pode corrigi-la. Quanto a falar mal de você, revela o quanto você é importante para ela a ponto de ela se incomodar com o que você faz ou deixa de fazer e o quanto ela anda confusa, não discernindo direito o que e a quem está falando. O fato de perguntar o que fazer revela, de sua parte, disposição para o contato e o diálogo. Ambas se importam uma com a outra. É isso que precisa ficar claro entre vocês para evitar outros mal-entendidos.

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Convivência doméstica

De uns tempos para cá, depois que meu marido se aposentou, estou mais “mandona”. Será a idade?

Ana Fraiman

Tornar-se “mandona” é, possivelmente, uma forma de reafirmar competências e mesmo de autoafirmação. Tem mais a ver com a insegurança que as pessoas sentem em algumas fases da vida do que propriamente com a idade. Quando os filhos crescem e começam a competir pela autoridade, quando o marido se aposenta e “invade” o território doméstico, a mulher pode se sentir ameaçada e se tornar agressiva. Só o fato de você perceber essa atitude e um bom caminho para solucionar problemas de convivência doméstica. Seria interessante descobrir o que, exatamente, a desagrada ou do que você vem sentindo medo.

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Presença familiar

Desde que ficou doente, meu avô (que tem 71 anos) exige a presença da família a sua volta. Ele está fazendo chantagem?

Ana Fraiman

A reação de seu avô é muito natural. Ele procura renovar e reafirmar o envolvimento com as pessoas, especialmente as mais queridas. O que é indício de vontade de ficar bom e não se entregar. Se ele quer que os outros venham até ele, talvez seja porque ainda se sinta frágil para essa iniciativa.

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Existe o líder certo para a equipe certa e, no momento certo

Liderança é tema de interesse universal. Em relação a grupos sociais, religião, pesquisas científicas, empresas, política, jogos esportivos, economia e tudo mais, que diga respeito a conduzir, decidir, conquistar, inspirar e a obter resultados, o termo liderança é contemplado com mais de 340 definições e, nenhuma delas consegue defini-la com precisão e, muito menos fechar a questão.

O líder certo
Tags: Líder, Liderança, Equipe

Neste artigo, particularmente, estou considerando liderança na dimensão humana, inscrita na esfera dos ‘relacionamentos’. Liderar não ocorre tão somente entre nós, os humanos. Animais também lideram, conduzem, indicam o caminho e cuidam do grupo. Ou atacam outros grupos. De qualquer forma, o que todas as lideranças têm em comum é que, liderar é uma ‘qualidade de relacionamento’ que se estabelece e se expressa entre iguais e/ou entre diferentes.

O que pode ficar claro, também é que, enquanto grupamento humano, a necessidade de haver um líder ‘dentro’ do grupo de trabalho tem sido muito valorizada, mas isso já está mudando. É possível que os grupos se auto liderem. Ou seja, que não mais seja imperioso que se estabeleça uma relação vertical entre o líder e o restante do grupo. Mas, para a grande maioria, a política e a economia mundial têm-se pautado por algumas premissas no que concerne às lideranças. Uma delas: o êxito do grupo depende, em boa parte, do líder.Continue lendo

Confronto de gerações

Sinto-me culpada por permitir que meu pai viva sozinho. Mas trazê-lo para casa iria provocar brigas com meus filhos adolescentes. O que fazer?

Ana Fraiman

Note o termo que você usou: “permitir”. É como se coubesse a você decidir como, onde e com quem o seu pai deve viver. Seria conveniente consultá-lo, para saber como ele reage ao fato de morar sozinho, e se ele estaria disposto a ser motivo de brigas em sua casa. Ao contrário do que se pensa, nem todos os velhos estão ávido por se deixarem proteger por seus filhos. Eles se orgulham de sua independência e autonomia, ainda que se queixem de falta de companhia.

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A atenção que chega tarde

Depois de velho é que meu marido lembrou que eu existo. Ele pensa que uma conversinha apaga anos de indiferença e incompreensão. Mas agora é muito tarde, você não acha?

Ana Fraiman

Não é com uma “conversinha” que se resolve os ressentimentos, mas essa primeira conversa pode ser o primeiro passo em direção a um reencontro entre vocês. Resta saber se você quer essa aproximação, ou se lhe é satisfatório viver o restante de suas vidas sem diálogo, como até agora.

A raiva e a vingança não ajudarão nem a você nem a ele.

Muitas vezes o homem se dedica quase que exclusivamente ao trabalho, e não tem consciência do quanto se afastou da esposa, da família.

Quando ele percebe o vazio afetivo que há em sua vida, quer reatar os laços interrompidos, e não sabe bem como. Outros têm essa consciência, mas o orgulho os impedem de se abrirem, ainda que sofram com isso. Alguns, porém, têm a coragem de pedir ajuda a propor um recomeço.

Nunca é tarde demais para sair da solidão.

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A memória e a idade

É verdade que com a idade a memória enfraquece?

Ana Fraiman

A memória pode sofrer um pequeno decréscimo quanto à retenção de fatos recentes. Mas isso pode ser contornado através de recursos que facilitam a apreensão e retenção de acontecimentos: usar agenda, fazer anotações e prestar mais atenção ao que se quer lembrar, por exemplo. Aquilo que é mesmo importante é mais fácil de ser lembrado.

Outros fatores, porém, que influem na perda de memória, quando não há lesões orgânicas, são: carências nutritivas, pouca saúde geral, irregularidades do sono, supersolicitação do ambiente e consequente stress, ou ainda ausência de treino como leitura, escrita, jogos, bate-papo, estudos e hobbies, e mesmo o trabalho cotidiano. Quando a vida se torna desinteressante, a memória também pode começar a falhar. Há porém serviços especializados (terapia ocupacional, por exemplo), que trabalham a preservação, e mesmo a recuperação da memória ainda que haja comprometimento orgânico e/ou falta de motivação.

Fonte: Coluna VELHICE da revista CLAUDIA – Por Ana Fraiman | junho/1984

VELHICE - Como conviver com essa realidade
Ana Perwin Fraiman – psicóloga, com curso de aperfeiçoamento em Gerontologia Social pelo Instituto Sedes Sapientiae, SP. e pós-graduada em Psicologia Social pela USP.
Chag Purim. Boa Páscoa!

Cumprimento a todos os meus amigos

Tenho estado muito sensível nestes tempos sombrios. Ataques terroristas. Governos instáveis. Alta corrupção.

Ameaças de toda parte. No Brasil é morta uma pessoa a cada 9 minutos! Assassinada. Alvos preferenciais: homens negros em idade jovem. PIB despencando pelo terceiro ano consecutivo. Toda uma geração despreparada. Outras, na dependência de terceiros. Muitos em desespero.

O fluxo de apoio se inverteu: 30% dos idosos é responsável pelo sustento dos filhos e netos. Aposentadoria virou renda familiar. Quem mais trabalhou e contribuiu é a pessoa do aposentado, que entrega todo seu dinheiro para a família. E em nome desta também acaba inadimplente. O próprio aposentado não usufrui.Continue lendo