A atenção que chega tarde

Depois de velho é que meu marido lembrou que eu existo. Ele pensa que uma conversinha apaga anos de indiferença e incompreensão. Mas agora é muito tarde, você não acha?

Ana Fraiman

Não é com uma “conversinha” que se resolve os ressentimentos, mas essa primeira conversa pode ser o primeiro passo em direção a um reencontro entre vocês. Resta saber se você quer essa aproximação, ou se lhe é satisfatório viver o restante de suas vidas sem diálogo, como até agora.

A raiva e a vingança não ajudarão nem a você nem a ele.

Muitas vezes o homem se dedica quase que exclusivamente ao trabalho, e não tem consciência do quanto se afastou da esposa, da família.

Quando ele percebe o vazio afetivo que há em sua vida, quer reatar os laços interrompidos, e não sabe bem como. Outros têm essa consciência, mas o orgulho os impedem de se abrirem, ainda que sofram com isso. Alguns, porém, têm a coragem de pedir ajuda a propor um recomeço.

Nunca é tarde demais para sair da solidão.

Continue lendo

A memória e a idade

É verdade que com a idade a memória enfraquece?

Ana Fraiman

A memória pode sofrer um pequeno decréscimo quanto à retenção de fatos recentes. Mas isso pode ser contornado através de recursos que facilitam a apreensão e retenção de acontecimentos: usar agenda, fazer anotações e prestar mais atenção ao que se quer lembrar, por exemplo. Aquilo que é mesmo importante é mais fácil de ser lembrado.

Outros fatores, porém, que influem na perda de memória, quando não há lesões orgânicas, são: carências nutritivas, pouca saúde geral, irregularidades do sono, supersolicitação do ambiente e consequente stress, ou ainda ausência de treino como leitura, escrita, jogos, bate-papo, estudos e hobbies, e mesmo o trabalho cotidiano. Quando a vida se torna desinteressante, a memória também pode começar a falhar. Há porém serviços especializados (terapia ocupacional, por exemplo), que trabalham a preservação, e mesmo a recuperação da memória ainda que haja comprometimento orgânico e/ou falta de motivação.

Fonte: Coluna VELHICE da revista CLAUDIA – Por Ana Fraiman | junho/1984

VELHICE - Como conviver com essa realidade
Ana Perwin Fraiman – psicóloga, com curso de aperfeiçoamento em Gerontologia Social pelo Instituto Sedes Sapientiae, SP. e pós-graduada em Psicologia Social pela USP.
Chag Purim. Boa Páscoa!

Cumprimento a todos os meus amigos

Tenho estado muito sensível nestes tempos sombrios. Ataques terroristas. Governos instáveis. Alta corrupção.

Ameaças de toda parte. No Brasil é morta uma pessoa a cada 9 minutos! Assassinada. Alvos preferenciais: homens negros em idade jovem. PIB despencando pelo terceiro ano consecutivo. Toda uma geração despreparada. Outras, na dependência de terceiros. Muitos em desespero.

O fluxo de apoio se inverteu: 30% dos idosos é responsável pelo sustento dos filhos e netos. Aposentadoria virou renda familiar. Quem mais trabalhou e contribuiu é a pessoa do aposentado, que entrega todo seu dinheiro para a família. E em nome desta também acaba inadimplente. O próprio aposentado não usufrui.Continue lendo

Medo de viajar sozinha

Quero viajar para o exterior e não tenho companhia. Quando era mais moça, ia sozinha. Agora tenho medo de ser assaltada, de me perder, de passar mal… Devo arriscar?

Ana FraimanO fator segurança é, de fato, muito importante e os mais velhos necessitam se precaver quanto a isso. Não que a questão não se coloque também para os mais jovens, mas muitas vezes eles não falam por pudor ou até por dificuldade em reconhecer o problema. Esse tipo de receio tem bases reais e pode se acentuar com a idade. Mas nem por isso você deve deixar de curtir uma viagem: há companhias de turismo especializadas em grupos da terceira idade, com serviços voltados para o seu bem-estar, inclusive providenciando dietas alimentares e cuidados de enfermagem quando – e se – necessário. Agora, se você quiser viajar sozinha mesmo, independente dos esquemas das agências, tome algumas providências fundamentais: consulte o seu médico e peça referências sobre a quem recorrer, se necessário, nos países que for viajar, bem como o histórico da sua saúde, que deverá ser anexada ao seu passaporte. Continue lendo

A depressão de um viúvo

Minha mãe faleceu há um ano e, desde então, meu pai não se arruma, não come, chora à toa e diz que também quer morrer. O que fazer?

Ana Fraiman

Seu pai vive uma crise delicada, que precisa ser tratada com urgência. A primeira providência é levá-lo a um bom clínico geral, um geriatra, e fazer um minucioso exame do seu estado geral. Se ele fala em morrer, não espere muito para lhe dar um atendimento médico e psicoterápico especializado. Depressão pode ser tratada e curada. Tanto ele quanto a família podem precisar de apoio e orientação para reorganizar a vida, pois a dor e o sofrimento afetam a todos: não perca tempo!

Continue lendo

Não há idade para sexo

Tenho 69 anos e meu marido, com 72, ainda me procura. Isto está certo? Não é hora de parar?

Ana FraimanNão há uma “hora” para se parar com a atividade sexual, especialmente quando se tem saúde, afeto e atração pelo companheiro ou companheira. Se o sexo é prazeroso, ele se prolonga sem limite de idade, como uma atividade natural e um envolvimento emocional muito benéfico. O que pode mudar é a forma de ele acontecer, mas não o interesse que desperta nas pessoas sadias.

Fonte: Coluna VELHICE da revista CLAUDIA – Por Ana Fraiman | maio/1984

VELHICE - Como conviver com essa realidade
Ana Perwin Fraiman – psicóloga, com curso de aperfeiçoamento em Gerontologia Social pelo Instituto Sedes Sapientiae, SP. e pós-graduada em Psicologia Social pela USP.

Como lidar com o apego aos objetos

A casa da minha mãe é atulhada de móveis velhos, pesados e feios. Ela pode, mas não quer modernizá-los. Isso não é um tanto mórbido?

Ana FraimanNão são apenas as pessoas de idade que são apegadas às suas coisas. Afinal, esses móveis podem ser preciosos para sua mãe e estão na casa dela. Eles têm uma “história” própria, que ela quer preservar. Insistir em desfazer-se de objetos queridos por ela pode ser sentido como uma agressão à sua pessoa, ainda que você esteja bem-intencionada.

Fonte: Coluna VELHICE da revista CLAUDIA – Por Ana Fraiman | maio/1984

VELHICE - Como conviver com essa realidade
Ana Perwin Fraiman – psicóloga, com curso de aperfeiçoamento em Gerontologia Social pelo Instituto Sedes Sapientiae, SP. e pós-graduada em Psicologia Social pela USP.

A questão da diferença de idade

Tenho 52 anos e sou viúva há três. Tenho um pretendente oito anos mais novo do que eu, mas sinto muito medo de que ele me queira apenas por interesse.

Ana FraimanNa maturidade, a questão de diferença de idade entre pessoas perde a importância social que tem quando se é mais jovem. Além disso, uma mulher pode ser atraente em qualquer idade. Desde que haja respeito e afinidade entre o casal, afeto e vontade de construir uma vida em comum, o fator idade é irrelevante.

Fonte: Coluna VELHICE da revista CLAUDIA – Por Ana Fraiman | maio/1984

VELHICE - Como conviver com essa realidade
Ana Perwin Fraiman – psicóloga, com curso de aperfeiçoamento em Gerontologia Social pelo Instituto Sedes Sapientiae, SP. e pós-graduada em Psicologia Social pela USP.