SAÚDE ECONÔMICA, LIBERDADE FINANCEIRA E PREVIDÊNCIA.

 

Congresso-da-Cohros
Foto tirada durante palestra proferida em Congresso de RH realizado pela Cohros, em Ribeirão Preto, São Paulo, 2013, ocasião em que foi levado à público um instrumento para mapear a prontidão pessoal para se aposentar e, com isso, ter mais claro, as áreas em que cada pessoa poderá ser mais cautelosa e se preparar com antecedência suficiente.

Chegada à idade da razão é que o STS – Supremo Teste de Sabedoria se impõe! É hora de colocar em prática, uma vez por todas, aquilo em que se acredita. E conferir: você tem ou não tem combustível para continuar viagem? E de que jeito vai?

Você haverá de fazer, ou já está fazendo, a travessia para uma etapa muito diferente de sua vida. Vai precisar ‘preparar as malas’ e contabilizar seus recursos: vai poder usufruir de uma longevidade sustentável e saborear as delícias de uma vida organizada e próspera? Ou vai amargar o que deveria ter feito e descuidou?

A boa notícia: ainda dá tempo de você embarcar nesta aventura de viver feliz com o que tem e ainda conseguir mais! Vamos ao caminho das pedras, então. Você sabe o que é economia e o que é saúde econômica?

Economia na prática é cuidar bem cuidado daquilo que a gente produz, distribui, acumula e consome. Isso quer dizer que precisamos ter, manter e ainda aumentar a vida útil dos nossos bens e pertences. Inclua-se aí o respeito para com o meio ambiente. Traduzindo em atitudes:Nada prospera quando o nosso ambiente não é bem cuidado. Paredes sujas ou até mesmo rachadas, portas que rangem, pratos e vidros quebrados, panelas sem tampa e torneiras pingando só deprimem. Roupas manchadas, mofadas, desbeiçadas e dependuradas por anos a fio nos armários e, por aí afora, precisam ganhar um destino mais nobre. O desleixo tem um preço alto. As pessoas pensam que fazem economia por não trocar o estofado da sala ou repor algo danificado e, na verdade conviver com tralhas e, coisas que desagradam, roubam a nossa energia e disposição.Nada se constrói de sólido e confiável sem que haja algum investimento na sua conservação. Uma senhora de muito bom gosto, cujo marido botara tudo a perder num negócio desastroso, tomou as rédeas em suas mãos e bolou algo inédito. Usou de todo o seu carisma e experiência de dona de casa para se oferecer como decoradora de ambientes singelos, quase tudo comprado nas lojas de 1,99! Mesmo flores e toalhinhas de plástico, num arranjo gracioso podem ter a sua vez.Continue lendo

A Cultura da Prosperidade

Prosperar é se realizar. Não há realização maior para o ser humano, pessoal e profissionalmente, do que ensinar a trabalhar. Para isso, buscar compreender a si e ao outro.

Compreender significa enxergar claro, ponto a partir do qual as atitudes e as coisas passam a fazer sentido. Nada faz sentido se não for bem compreendido.

Do ponto de vista psicológico, ficamos inquietos quando algo – que consideramos importante – não faz sentido em nossa mente. Daí que, entender e compreender, sejam processos nucleares em relação ao modo como nos conduzimos no mundo: das coisas, das tarefas e das relações humanas. Enquanto a cognição ‘entende’ – estabelece relações, calcula, compara, analisa, decompões, enfim, se utiliza de vários processos para dar conta de um enigma – o que nos faz compreender é a profunda assimilação psico-afetiva do que o plano cognitivo apenas perscrutou. Em outras palavras: a cognição capta e entende. A sensibilidade emocional assimila, retém e nos leva a agir.

Ainda que as relações contenham muitos fatores racionais, o que comanda e imprime valor a elas é a função emocional. Nesse sentido, podemos nos entender perfeitamente bem com ‘o estrangeiro’: o desconhecido com quem dançamos a mesma música e partilhamos a mesma canção. Ou um sorriso. Ou, então, nada, contudo sem antagonismos.

A necessidade de compreender é inata.

Quando fizemos ‘cara de bravo’ com um bebê ele chora sentido. Assim que desfazemos a feia armadura do rosto e voltamos a falar com doçura, o bebê se aquieta e sorri. Sente-se aliviado porque se compreende amado e não se sente mais ameaçado. Isso vale para pessoas, para animais, plantas, para todo o universo.

Sendo uma guestalt, uma configuração compreensível, a profunda compreensão tem por efeito uma rápida harmonização dos relacionamentos. As energias passam a fluir livremente e as pessoas perdem o medo de se aproximarem umas das outras. Compreender, ainda que seja um processo basicamente regido pelo plano afetivo, pode ser treinado por uma decisão racional. As pessoas precisam ‘sentir-se sossegar’ nas relações. Por causa disso é que nos empenhamos a desfazer os mal-entendidos.

Por onde começar? O primeiro passo é nutrir respeito. A começar pelo auto respeito. Respeitar tem a mesma raiz etimológica de espiar. Olhar pelas frestas. Não para bisbilhotar, mas para ‘estar a par’. Saber o que está acontecendo. Não se limitar às barreiras que sempre se impõem entre nós e o saber, mas procurar olhar por entre as barreiras. Não se contentar de ouvir falar, mas procurar ver com os próprios olhos.

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Aposentadoria: Um Novo Contrato Com A Vida

O que a aposentadoria oferece? A possibilidade de firmar um novo contrato com a vida, onde fazendo ou não fazendo isso ou aquilo, a vida sempre fará a parte dela, coisa que nunca será dado a ninguém saber de antemão.

Fase, ciclo ou meia idade, madurez, melhor idade ou etapa de vida, a questão é:  você pensa, planeja e deseja. Mas a vida levará sempre a parte do leão. Fique esperto, portanto, que não dá para estar de brincadeira. Quanto menos você cuidar, mais a vida vai levar.

Decorridos os anos convencionas de serviços prestados e contribuições recolhidas, agora a aposentadoria se apresenta. A você, a mim, a quem quer que tenha trilhado os caminhos de um trabalho com vínculo empregatício. Chegou a hora da retribuição. É o tempo da meia idade – saudosa expressão – ou terceira idade.

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Psicoterapia para quem e quando?

PSICOLOGIA – Admirável presença e existência, enquanto ciência, prática e arte, a história da psicologia tal como hoje a conhecemos, remonta a pouco mais de 130 anos.

E o que é psicologia? Segundo o médico psiquiatra e psicólogo Myra y Lopes1, a “Psicologia é o conjunto de conhecimentos que serve para nos conhecermos a nós mesmos, e compreender os modos de ser (pensar, sentir e fazer) de nossos semelhantes, ou seja, é o estudo das funções mentais e das atividades pessoais”.

Vamos, então, procurar situar o leitor, ainda que brevemente, sobre a psicologia e, mais adiante, sobre o que é a psicoterapia. Tudo nasceu, de maneira formal, em fins do século xix. Os meios científicos, de orientação positivista e empírica, procuravam organizar os saberes e o universo do trabalho. Indústrias, cidades e universidades, juntamente com os liceus, fervilhavam em torno das possibilidades de exercer previsão e controle sobre fatos e… Pessoas. Então, a psicologia ganha contornos.Continue lendo

Netliving

Seu conforto emocional, sua inteligência social. 

NetlivingO que seria do nosso trabalho, se não tivesse pessoas com quem trocar idéias? De que valeriam nossas competências se não pudessem ser admiradas? E das nossas falhas, se não fossem corrigidas e toleradas por aqueles que, verdadeiramente se importam?

A percepção de que estamos sempre agindo em conjunto é um dos nossos maiores ganhos no caminho da sabedoria existencial. Em relação a isso encontramos:

  • Aqueles que não enxergam o impacto da participação dos outros em suas vidas, em suas perdas e conquistas;
  • Aqueles que enxergam as conquistas alheias, sem se dar conta de sua participação e de seu próprio mérito nesse processo;
  • Aqueles que não enxergam o mérito das trocas, pois não sabem trocar, ainda;
  • E há os que já estão cônscios: todos fazem parte de uma única rede de relações e relacionamentos, sabem que, aquilo que acontece numa parte do mundo, repercute – ainda que diferentemente – em cada um de nós.

No primeiro caso, daqueles que não enxergam e, portanto, não reconhecem o impacto da participação dos outros em suas vidas, se encontram os que são por demais vaidosos. Deles podemos dizer que, estão sempre apreciando o mundo através de espelhos e, dificilmente, olhando pela janela.

Uma janela tem a qualidade de abrir espaços de conhecimentos. Ali, ao longe, está o horizonte e, olhando para o horizonte, está feito o convite à reflexão e à filosofia. Inicia-se o processo de autoconhecimento.

Diferença entre Networking e Netliving

O espelho tem a qualidade de refletir a pessoa, mas somente por partes. Mesmo se vendo de corpo inteiro, ou a pessoa se enxerga de frente ou de trás. Nunca como um todo. Por isso, os vaidosos sofrem de muita ansiedade: eles nunca estão lá, presentes de corpo e alma, pois a sua auto-imagem é sempre virtual e incompleta. Falta a visão do outro.

No segundo caso, daqueles que só enxergam as conquistas e as qualidades alheias, estão os excessivamente invejosos. Não conseguem se apropriar de suas qualidades pessoais e profissionais e acreditam que seu sucesso aconteceu por um golpe de sorte. Sofrem do medo de vir a perdê-lo e de virem a ser, um dia, desmascarados, pois, acreditam-se impostores.

Nunca se falou tanto na necessidade de construir uma auto-estima positiva: sem enxergar o próprio valor como pessoa, como suportar o valor alheio sem atacá-lo e tentar destruí-lo?

Trata-se de uma posição existencial muito ambivalente, pois, ao mesmo tempo em que a pessoa deseja ardentemente ser percebida e aceita em seu valor, não se acredita merecedora e acaba por destruir bons relacionamentos, fugindo dos mesmos e perdendo grandes oportunidades de crescimento. Sem se envolver, a pessoa não se desenvolve plenamente e perde o foco, sem saber exatamente quem ela é. Pode aprender a usar de disfarces: através de uma profissão brilhante, que desperta admiração, esconde uma grande solidão.

No caso daqueles que não enxergam o mérito das trocas, estão os fóbicos sociais e, mesmo, os intolerantes à qualquer intimidade emocional. São pessoas que têm mais do que medo de estabelecer um contato profundo com os outros: sentem terror. Podem ser sedutoras, envolventes no início de um relacionamento. Mas, tão logo se apercebem de que estão se tornando mais próximos e íntimos, dão um jeito de sair fora e, muitas vezes de forma cruel.

Eles destroem bons relacionamentos pelo pavor de se perderem em meio às trocas, por impossibilidade íntima de deixar-se afetar por mais alguém, tomados pelo pânico de se verem envolvidos em situações emocionais sobre as quais não têm controle.

Muitas abusam dos relacionamentos sexuais, chegando até mesmo à promiscuidade, na busca de intimidade, que é aquilo pelo que mais anseiam e do que mais temem. Outras só sabem expressar seu amor quando sexualmente excitados. Passados os arroubos, voltam a trancar-se em si mesmas.

Autossuficientes, oferecem proteção, mas exercem domínio. A sua falta de escrúpulos revela um caráter sádico e, costumeiramente, conduzem seus colegas e companheiros à exasperação, senão ao desespero, pois quando menos se espera eles desaparecem. E desaparecem quando mais se precisa deles.

No caso dos que sabem e reconhecem que todos fazem parte de uma única rede, estão todos os demais: dos mais sábios aos mais tolos, considerando que também os sábios cometem tolices e que precisamos viver de tudo um pouco. É aqui que os relacionamentos e os envolvimentos tornam-se nutritivos e criativos.

POR QUE PESSOAS SE APROXIMAM DE PESSOAS?

Por que temos necessidades profundas de estabelecer e manter nossos relacionamentos. Sem isso não sabemos, verdadeiramente, quem somos.

Pessoas se aproximam de pessoas para trabalhar.

A maior parte daquilo que produzimos, de coisas materiais e bens tangíveis, a conceitos e bens morais, só se torna possível porque agimos no coletivo. Quando paramos para pensar na história humana, no esforço sobre-humano embutido numa única peça utilitária, conseguimos enxergar a enorme cadeia de pessoas que participaram da feitura daquela peça.

Imagine só: quanta gente se envolveu para que uma única xícara de porcelana esteja guardada em um dos nossos armários de casa, esperando para ser usada? Desde o processo de extração dos materiais, sua moldagem, pintura e queima, embalagem, transporte, venda, limpeza? Dentro de um armário cuja madeira foi extraída de uma árvore um dia plantada em uma reserva florestal, cortada, conduzida e processada, transportada e guardada, até que alguém o afixou na parede de nossa cozinha, cuja concepção foi de mais alguém que um dia a idealizou etc, que faz parte de uma casa ou apartamento que um dia foi construído ali por um exército de desconhecidos que têm seus próprios nomes e suas próprias vidas e tantas outras considerações mais.

Enfim, cada objeto que hoje tomamos em mãos contém a história de algumas centenas de pessoas que, cada qual à sua maneira, ali colocaram a sua atenção e fizeram o seu trabalho.

Pessoas se aproximam de pessoas para se conhecer.

As amizades de infância e, depois, na vida adulta, são imprescindíveis para que formemos a nossa identidade social. Elas dizem do que somos capazes, onde acertamos e erramos, o que precisamos vencer em nós mesmos e aprimorar. Convidam-nos, também a errar, a fazer o que não se deve e a voltar atrás.

Aprendemos a ferir e a ajudar a curar. Aprendemos a compartilhar sonhos e a nos decepcionar. Aprendemos a fazer parte e a nos afastar. Sem os amigos, em qualquer idade, não conseguimos confiar e, sem confiança, não aprendemos ousar.

Nossos limites pessoais e sociais precisam ser desafiados para que saibamos do que somos capazes. Nossos valores morais só se desenvolvem mais plenamente, quando colocados à prova nos relacionamentos. Nosso caráter só se revela à medida que nos vamos testando, acertando e errando, até formar nosso próprio juízo.

Só sabemos, verdadeiramente, quem somos quando descobrimos como somos em relação aos outros, além de nós mesmos. Solidários ou egoístas? Às vezes uma coisa, às vezes outra. Como reparar um erro, se não for o remorso e a culpa? Como vencer o orgulho bobo, se não for pela dor da solidão?

Como saber se somos iguais e aceitos, se não nos compararmos? E como desenvolver a hospitalidade, senão aprendermos a tolerar e apreciar as diferenças?

Pessoas se aproximam de pessoas para se identificar.

Não sabemos verdadeiramente, quem somos, se não pudermos enxergar os demais e ouvi-los a respeito de nós mesmos. Nossos pais e irmãos e, depois nossos tios, avós e professores são quem, de início, nos dizem quem somos e a que viemos.

Não necessariamente eles haverão de nos enxergar direito, mas darão boas dicas de autoconhecimento. Irmãos mais novos imitam os mais velhos, à custa de exaustivas observações. Na verdade, o que as crianças pequenas mais fazem em sua tenra vidinha? Observam os outros e procuram imitá-los. Passam horas a fio simplesmente observando e… Copiando. É por isso que repetem a conduta de seus pais, mesmo quando eles dizem para não fazê-lo. O que vale é o que é feito e, não o que é dito para ser feito.

Todos precisam de pessoas em quem se inspirar. Um modo de ser, de agir ou de pensar, que merece ser reproduzido e perpetuado ou, pelo contrário, abolido e superado. Passamos décadas de vida para desenvolver o nosso eu.

Só descobrimos quem somos, no entanto, quando aprendemos a discernir o que é autenticamente nosso, daquilo que um dia foi-nos ensinado ser.

Pessoas se aproximam de pessoas para participar.

Por mais que sejamos anti-sociais, o fato é que a vida da maioria de nós é muito mais interessante quando envolve a participação de muita gente. Conhecidos e desconhecidos.

Vejamos: muita gente, conversando animada num restaurante, é sinal de que o lugar é bom. Pelo menos assim pensamos. Vizinhos que se cumprimentam no elevador e se conhecem pelo nome, tornam o condomínio mais seguro. Colegas que nos cumprimentam pela promoção conquistada aumentam nosso sentimento de aceitação, pertença e autoconfiança. Acompanhar o desempenho do nosso time num estádio lotado é muito mais vibrante do que saber dos resultados no dia seguinte.

Para muita gente, o desejo de participar é tão forte que os membros de um clube ou de uma torcida são capazes de, literalmente, vestir a camisa só para torcer à distância pela televisão. E o fazem como se pudessem ser ouvidos, como se estivessem lá.

Isso acontece porque trazemos em nosso íntimo um enorme desejo de fazer a diferença, de influir. Uma das piores coisas, que minam o autoconceito e a autoestima, é imaginar que não somos capazes de exercer algum tipo de controle e, portanto, no destino dos acontecimentos. Por isso necessitamos participar, tanto quanto de respirar.

Pessoas se aproximam de pessoas para aprender.

A competência suscita o respeito e a admiração. Pessoas se aproximam umas das outras para enriquecer. Desde a mais banal informação até um segredo de Estado, precisamos adquirir conhecimento e aprender a compartilhá-lo ou pelo contrário, reservá-lo só para nós mesmos.

De que serve o conhecimento, se não for para ser compartilhado? Ele precisa circular. Há coisas que precisam tornar-se públicas, ainda que haja outras que mereçam permanecer na privacidade, senão na intimidade de cada qual, como bens preciosos que só a experiência traz. Dessas, a boa literatura dá conta.

Livros transmitem idéias, mas pessoas orientam pessoas. Se desejarmos promover qualquer tipo de mudança e de transformação, não bastam palavras, idéias, nem emoções. São os gestos, que fazem a diferença. E um gesto é sempre pessoal. Um grande gesto ou um simples olhar podem mudar os rumos de um empreendimento. O que é necessário aprender é sempre transmitido por pessoas. O de bom e o de ruim. Sozinhos, não superamos os limites dados pela instintividade, na luta pela sobrevivência.

Aprender com os outros nos faz saltar enormes obstáculos, pois que a experiência alheia se presta a nós também e, com isso, não precisamos inventar a roda todos os dias, já podemos iniciar a partir de um ponto mais além. Só assim é que conseguimos, realmente, viver além de sobreviver.

Pessoas se aproximam de pessoas para amar.

O mínimo que se pode dizer é que todos nascem dotados da capacidade de amar e ser amado. Uma criança desperta um amor transbordante no coração de seus pais e avós, simplesmente porque ela veio ao mundo. Pais e avós sentem um verdadeiro amor pelos seus filhos e netos, pelo simples fato de ser adultos capazes amar e aceitar, independente de qualquer garantia ou gesto de retribuição.

Isso quer dizer: a gente ama porque ama e, não porque o outro faz alguma coisa para ser amado. Se muito, ao retribuir, um amor que flui entre pessoas só aumenta o prazer de se relacionar. Mas a felicidade de amar independe do que se faça ou deixe de fazer para isso acontecer.

Quando uma pessoa amada se afasta de nós, ela deixa muito mais da gente para a gente mesma. Quando uma pessoa se aproxima e nos desperta o amor, nos leva a transcender. Não há como conhecer a nossa própria grandeza a não ser pelo amor que, no limite é a justiça, a verdade e a bondade no viver.

O beijo, a ternura, os carinhos trocados, a sensualidade e o desejo nos causam a impressão de que somos magníficos e extraordinários, mesmo na condição mais comum desse mundo, pois todos os dias são dias de risco propício a nos apaixonar por alguém e, apaixonados, ascender à condição sobre-humana de possuir um segredo eterno, único, que a ninguém mais pertence. Pois, todos os enamorados descobrem, no mais comezinho dos dias, que a vida é bela e acreditam que só eles sabem disso. O amor nos torna eleitos e contemplados.

DO ISOLAMENTO PARA A INTIMIDADE.

Todos vivem, então, nalguma dessas condições, estejamos conscientes disso ou não: do maior isolamento para a mais plena entrega e intimidade.

  • Isolamento: A questão não é viver isolado. Há quem necessite de mais tempo para si mesmo e aproveite sozinho, seus dias sem ninguém por perto, enquanto outros não conseguem estar, sequer por poucas horas, numa casa vazia, sem entrar em aflição.

A questão é saber do que cada qual necessita para se re-equilibrar e buscar satisfazer a essa sua necessidade sem contudo, aborrecer os outros. Ou, se assim for preciso, defender-se de invasões de privacidade.

Ler um bom livro, pensar com os seus botões, tomar um banho relaxante, caminhar à toa, bater um bolo, assistir a uma novela, cochilar numa rede ou recuperar as forças no silêncio e no escuro, são atividades de que necessitamos no dia a dia que, quando faltam, sentimo-nos irritados e insatisfeitos.

  • Participar de rituais: Ir a festas de aniversários, fim de ano, casamentos, batizados e enterros, ao fim se revelam quase tudo a mesma coisa. Só se tornam especiais quando dizem respeito, diretamente, a nossa pessoa. Senão, participamos somente de corpo presente, sem maiores emoções.

Há desde rituais que envolvem duas pessoas, como mensário de namoro ou aniversário de casamento, rituais familiares, como celebração de algumas datas e acontecimentos, até rituais que são coletivos, como datas nacionais e mundiais. Os rituais marcam a passagem do tempo.

Podem, também, ser compartilhados com pessoas estranhas, como assistir a uma missa. O que vale é conforto que se obtém por pertencer, por fazer parte de uma comunidade em especial e privar dos mesmos conceitos, valores e sentimentos. A vida só fica estranha se começar a se basear somente na vivência de rituais, sem espontaneidade. Nesse caso a pessoa fica vazia e dissociada, pois prega uma coisa e vive outra. O ritual passa a ser mais importante que o contato humano.

  • Fazer coisas: Levar, trazer, comprar, consertar, arrumar… É tudo que se faz para tocar o dia a dia. São tarefas e obrigações sem as quais as coisas não caminham ou, no mínimo, desandam.

Aqui as pessoas com quem nos relacionamos passam a ganhar mais importância, pois se faz questão de que esta ou aquela pessoa esteja a nosso lado, que nos sirva, que nos atenda, que colabore e divida conosco algumas atribuições e assuma determinadas responsabilidades.

Relacionar-se, portanto, passa a ser primordial e, relacionar-se bem uma verdadeira qualidade moral. Seja na qualidade de líder, seja enquanto liderado, fazer parte de um time, de uma equipe, de um grupo social, forja a identidade social, a partir da qual nos tornamos alguém.

Pessoas, aqui, passam a ser especiais, porque só elas têm aquele jeitinho que tanto apreciamos. Ou, pelo contrário, mal vistas e indesejáveis para o que nos propomos. O nome próprio adquire um valor inalienável, bem como o nome de família e o sobrenome empresarial passa a ter um peso considerável nos jogos de poder.

Os que fazem algo melhor ou mais bem feito ficam mais bem cotados, mas ao fim, quase todos fazem a mesma coisa todos os dias, com ou sem reconhecimento ou consideração. Fazemos o que temos que fazer. Elegemos nossas obrigações.

A questão não é o que se faz, mas o quanto é útil e produtivo aquilo que se faz, do modo como é feito. Assim, o valor daquilo que fazemos é atribuído, não pelo autor da façanha, mas pelo reconhecimento público do feito.

É o olhar e o julgamento dos outros que atestam o nosso valor como pessoa. Por isso buscamos tanto causar boas impressões e zelar pela nossa reputação. A identidade social fica, assim, solidamente estabelecida e até passamos a pensar que somos aquilo que fazemos.

  • Ser pai ou mãe: É importantíssimo cuidar bem dos filhos, sejam nossos, sejam alheios. Temos os nossos filhos, reais ou simbólicos. O fato é que, cuidar das crianças nos faz vivenciar o maior dos amores incondicionais.

Quando uma criança tem ao menos um adulto que a cuida, alimenta, ama e protege, aprende a confiar no mundo e em si própria e, a confiança é a base de todas as coragens. A coragem de lutar, de se envolver, de pensar por conta própria e a coragem de criar.

Sem essa coragem ontológica, estabelecida e garantida por um elo de amor profundo, a vida emocional torna-se árida e insegura. Por isso, estender a mão e abrir o coração para uma criança é a forma principal de servir à humanidade. Nunca saberemos quem será ela no futuro, mas sabemos que hoje ela é um milagre em forma de gente. Ao enxergar esse pequeno milagre, abrimos o coração para a fé e nós mesmos nos encorajamos.

Ao nos sentirmos solitários, o antídoto é cuidar bem dos outros, pois todos têm uma criança em seu íntimo, ávida por atenção, por afeto e por presença. Sejam nossos filhos, nossos coachees, nossos alunos, todos precisam ser orientados por alguém que nos acolha nos momentos difíceis e que nos estimule a prosseguir. Que apóiem o nosso crescimento e nos dêem uma força, como se diz. Além disso, assumir o compromisso de cuidar de mais alguém, já é fortalecedor por si, pois que tipo de animal seríamos, se nos ocupássemos tão somente de nós mesmos.

  • Relacionamentos neuróticos: São aqueles que nada nos acrescentam, mas que fazem parte do dia a dia. Não acrescentam nada, mas nos ocupam, na falta de algo melhor com que nos ocuparmos.

Tentamos transformar as pessoas, quando elas mesmas não querem mudar. Insistimos em dirigi-las, quando elas desejam conduzir seus próprios passos e tomar suas decisões. Haja vista a enormidade de embates que as famílias travam com os seus adolescentes.

Casamos com pessoas que acreditamos, não haverão de mudar. E nos surpreendemos quando elas se mostram como são, atribuindo-lhes culpa de nos causar tanta decepção.

Projetamos nossas próprias imagens, naqueles que se prestam a isso e, ficamos irados quando não nos correspondem, acreditando que o mundo está errado ou que ninguém nos compreende. Interpretamos mal, julgamos, criticamos e cometemos injustiças, mas reclamamos de ser alvo das mesmas iniquidades.

Buscamos vingança, queremos nos prevalecer dos outros e usamos de excessiva complacência quando se trata da nossa pessoa. Enfim, queremos ser melhores que os demais e mais santos do que os próprios Santos.

Criamos problemas, rompemos relacionamentos, fazemos tempestades num copo d’água e ainda nos achamos cobertos de razões. O errado foi sempre o outro quem fez. O certo é da gente. Ou pelo contrário, nos julgamos sem sorte e fracassados, quando chutamos o próprio balde, sem nos aperceber de que o fizemos por algum motivo, que estamos longe de compreender.

Bem, e como sair desse inferno, onde hora se é a vítima da história, o incompreendido e injustiçado, hora se é o carrasco sem alma e malvado e hora se é o salvador-da-pátria, a quem ninguém dá valor e vive sobrecarregado? Somente o autoconhecimento pode promover a saída. Reconhecer que as demais pessoas a quem tememos e repudiamos nada mais representam que movimentos nossos que não aceitamos, nem reconhecemos em nós mesmos.

Quando paramos de projetar nas outras pessoas as nossas falhas, bem como as nossas qualidades, passamos a enxergar melhor como cada um é e a escolher com quem nos relacionarmos, sem nos desgastar, pelo contrário, nos unirmos a pessoas que nos ajudem a crescer, a construir e a criar. Uma dica: sempre que alguém nos incomodar muito, nos despertar sentimentos violentos e difíceis de lidar, é porque tem algo de nosso que precisamos desvendar. Como dizemos: uma maledicência tem sempre um fundo de verdade… Sobre quem a faz.

  • Intimidade: É o estado de amor e de entrega por excelência. Não necessariamente sexual, é sensual e sensorial. Enriquece-nos o mundo interior e nos dá flexibilidade e força emocional.

A beleza de uma relação, tanto quanto uma obra de arte, é esculpida pelo tempo, na dependência de esforços e investimentos constantes. O relacionamento é feito e refeito por ambas as partes e, nem sempre ao mesmo tempo. É preciso desenvolver tolerância e paciência.

As responsabilidades mútuas não são divididas e, sim multiplicadas: cada qual tem cem por cento de responsabilidade para fazer com que as coisas caminhem bem e dêem certo.

Os comportamentos verdadeiramente amorosos, além disso, se irradiam para os que estão ao lado. Eles fazem bem para todos que estão por perto e, mesmo, à distância. Despertam o nosso sorriso cúmplice, injetam esperança em nossos corações, fazem com que tenhamos mais forças para enfrentar as adversidades. Mesmo se aquele amor não é nosso, podemos sentir e desejar que se perpetue. Por isso testemunhamos os enlaces, nos emocionamos e desejamos felicidades e muitos filhos a qualquer casal de noivos, mesmo se não os conhecemos.

Num segundo, podemos nos tornar íntimos de um estranho, através de uma experiência dramática ou de uma simples troca de olhares onde há entendimento mútuo e, podemos nos tornar íntimos de pessoas próximas com quem se compartilha o dia a dia, na casa, no trabalho, na vizinhança.

Os íntimos, de qualquer forma, são aqueles que testemunham a nossa história, que sabem de nós o suficiente, para nos aceitar exatamente como somos, mesmo que não concordem com o que fazemos, queremos ou pensamos.

São eles que nos dirão o mais difícil de ser dito e nos colocarão à prova naquilo que importa, pois quem mais conseguiria nos ferir tão profundamente, do que aqueles a quem amamos?

Que relacionamentos seriam mais ameaçadores, ao mesmo tempo em que confortantes, do que aqueles que prezamos? Como seríamos se não fossemos tão necessários para os outros e não tivéssemos que enxergar a vida com os olhos d’alma, captando a sua importância crucial e determinante na conquista da nossa felicidade pessoal?!

Ainda que a felicidade more em cada um de nós, precisamos uns dos outros para despertá-la. E não há felicidade maior do que viver uma vida dedicada a uma causa, à correta execução de um trabalho útil para a sociedade e um alguém para ser muito amado, além de nós mesmos.

ENTRE EM CONTATO COM A SUA NETLIVING:

Examine a sua força e teste a sua segurança.

Há momentos de mudança em que alguma atividade principal se perde ou temos que enfrentar a morte de alguém muito querido. Casamos-nos e sentimos falta do lar paterno. Temos filhos que vêm sem Manual, e precisamos de orientações precisas e de bons conselhos. Mudamos de cidade e, mesmo de país. Realizamos nosso trabalho em diferentes empresas e, ao fim de toda uma jornada, conquistamos nossa almejada aposentadoria.

Mais ou menos drásticas, as mudanças ocasionadas pelos grandes eventos ao longo da vida nos abalam e, com certeza, nesses momentos é onde registramos nossas fragilidades, que são mais rapidamente sanadas quando contamos com mais alguém: um ombro, em quem nos apoiar, uma palavra para nos confortar, uma direção e uma orientação a seguir.

Necessitamos de todos aqueles com quem cruzamos em nosso caminho. Os que aqui já estão e vieram para ficar. Os que passam vez ou outra, mas haverão de permanecer. Os que encontramos por acaso e os que se afastam de nós e nos fazem prosseguir e procurar.

Mais ou menos conhecidos, precisamos de pessoas com quem nos relacionar. Como você está nisso? Você tem uma rede de relacionamentos realmente confiável? Pessoas a quem você possa recorrer quando tiver problemas ou, melhor ainda, pessoas que suportem o seu sucesso e a sua felicidade? E você, como é com elas?

As perguntas a seguir, obviamente, não esgotam o universo de possibilidades de relacionamento, mas já dão uma boa idéia de como estamos lidando com eles.

Dê uma Nota, de Zero a Dez, para cada uma das questões abaixo e avalie, com sinceridade, onde e com quem você tem desenvolvido a sua inteligência social e como está a sua Netliving. Depois, tome suas decisões: o que fortalecer e como se dedicar a trançar e preservar bons e sólidos “relacionamentos for life”.

  1. Na esfera social: Você tem conhecidos e amigos que lhe fazem convites para passeios, festas, programas vários? Eles de lembram de você para ocasiões especiais ou para um joguinho? Vocês “jogam conversa fora” e trocam idéias sobre coisas da vida? O telefone toca à toa, só para se falarem de amenidades ou, mesmo, para lhe contar algo especial? E você, retribui? De que maneira? Tem sido bastante atencioso(a) para com as pessoas em geral? Dê uma Nota: _________ .
  1. Na esfera familiar: Você tem amigos dentre os seus familiares? Pai, mãe, irmão, com quem tem laços que vão além do mesmo nome e consangüinidade?

     Sente prazer em estar com eles? Mesmo que não se vejam muito amiúde,   quando pensa neles se sente bem? Eles podem contar com você, também? Você se sente a vontade, sem precisar pisar em ovos ao conversar com eles? Dê uma Nota: _________ .

  1. Na esfera artística e cultural: Você tem pessoas com quem elaborar idéias mais profundas, filosofar um tanto, fazer arte e criar? Não necessariamente você precisa ser uma pessoa culta, nem um artista, mas conhece quem seja? Para conversar com essas pessoas e sentir que, dessa conversa você saiu mais inteligente, bem informado, estimulado(a)? Gosta de aprender? E de ensinar? Dê uma Nota: _________ .
  1. Na esfera do trabalho: Você se dá bem com seus colegas? É apreciado(a)? É consultado(a) para resolver problemas entre pessoas? Elas fazem questão de trabalhar a seu lado? Reconhecem o seu estilo e o seu valor? E você, faz o mesmo por elas? Você é capaz de ficar feliz com o sucesso alheio? Compartilha seus conhecimentos pelo prazer de ajudar o outro a crescer profissionalmente e não perde tempo com quem não quer evoluir? Dê uma Nota: _________ .
  1. Na esfera de suas ocupações: Tem quem lhe ajude nas suas tarefas diárias e a resolver problemas de última hora? Costuma ter bons empregados(as)? Acredita que cada qual é capaz de cuidar de sua própria vida e não fica assumindo coisas que não lhe pertencem, nem lhe dizem respeito? As pessoas têm prazer em trocar idéias com você sobre como fazer melhor as mesmas coisas? Sente-se estimulado(a) a conversar com desconhecidos? Dê uma Nota: _________ .
  1. Na esfera do dinheiro: Tem a quem recorrer em caso de necessidade? Pode confiar plenamente em alguém para a guarda de documentos e valores? Tem com quem conversar e trocar dicas sobre aplicações e investimentos? Evita manter pessoas capazes na sua dependência por longo tempo? Sabe cobrar daqueles que lhe devem e custam a pagar? Consegue dizer não quando não quer assumir uma nova dívida, prestar um aval ou devolver algo que você comprou por impulso e logo depois se arrependeu? Jamais se aproveita da fragilidade de alguém, mesmo quando tentado(a)? Dê uma Nota: _________ .
  1. Na esfera das amizades: Tem amigos com quem sair e se distrair? Na casa de quem ficar? Gente com quem possa se abrir e contar para pensar junto e, se for o caso ajudar a resolver seus problemas, sejam eles de trabalho, familiares ou sentimentais? Confia que seus amigos e amigas não haverão de traí-lo(a)? É capaz de guardar segredos? Sai de perto em se tratando de fofocas e não fala mal da vida alheia? Procura enxergar o valor e as boas qualidades das pessoas, muito mais do que os seus defeitos sem, porém, deixar de enxergá-los? Eles o(a) prestigiam nas ocasiões especiais? E você, faz o mesmo por eles? Dê uma Nota: _________ .
  1. Na esfera da saúde: Tem amigos com quem possa contar em caso de necessidade ou em emergências? Consegue conversar com os profissionais que cuidam da sua saúde de igual para igual, com jeitinho e sem receio de ofendê-los? Evita profissionais extremamente ciumentos e possessivos em relação aos  seus pacientes? Tem com quem se informar, pegar dicas, se orientar em relação à mesma ou a outras especialidades? Tem quem se interessa de fato pelo seu bem estar e pela sua saúde e lhe diga o que tem que ser dito, quer você goste ou não? E você, visita os amigos que estão doentes? Interessa-se pela saúde e integridade física e moral deles? Dê uma Nota: _________ .
  1. Na esfera dos relacionamentos íntimos: Sente-se à vontade, podendo ser você mesmo(a) com a pessoa com quem se relaciona? Sabe ouvir e fazer-se ouvir e respeitar? Afasta-se das pessoas malévolas, doentias e perturbadas? Consegue colocar limites apropriados, que garantem a individualidade de cada qual?  Jamais usa de conhecimentos privilegiados para prejudicar? Jamais fala mal de alguém com quem se relacionou antes? Procura esclarecer rapidamente os mal-entendidos? Prefere calar-se a ferir a pessoa amada? Sente-se feliz somente em estar juntinho, mesmo sem fazer nada? Suporta ficar afastado(a) sem entrar em desespero? Dê uma Nota: _________ .
  1. Na esfera sexual: Sabe dizer não, quando definitivamente não deseja manter relações naquele momento ou com aquela pessoa? Pratica somente sexo seguro? Compartilha fantasias? Respeita as escolhas e as inclinações individuais? Só admite relacionamentos construtivos e que não lhe causem qualquer tipo de dor ou desconforto físico, emocional e/ou moral? Consegue ser sincero(a) em relação ao que você espera ou deseja da outra pessoa? Faz com que essa pessoa sinta-se valorizada? Entrega-se com confiança, criatividade e consegue sentir prazer num relacionamento mais antigo? Preserva a sua integridade e saúde geral? Dê uma Nota: _________ .

RESULTADOS: Perceba onde você fraqueja e em quais aspectos você já se fortaleceu.

  • Tudo que estiver abaixo de cinco merece ser corrigido e aperfeiçoado. Rápido! Se não, você se coloca em risco. Ao necessitar, poderá não encontrar.
  • Acima de oito, mantenha. Dá trabalho, mas vale a pena.

O que merecer dez, conte para o mundo: as pessoas precisam de gente boa como você, que traz muita alegria para as pessoas, simplesmente por que… Você existe!

Ana Fraiman em entrevista dada ao “Correio Braziliense”

Em matéria publicada no Correio Braziliense em 23 de Julho de 2013, Ana Fraiman trata da importância do planejamento da aposentadoria.

Veja abaixo a matéria na íntegra:

Aposentadoria qualificada

Segundo especialistas, planejar o fim da carreira é tão importante quanto os primeiros passos de uma escolha profissional. Entre os cuidados sugeridos para facilitar a mudança, estão a busca por atividades alternativas e a avaliação cuidadosa das finanças

Publicação: 23/07/2013 18:00 Atualização: 23/07/2013 11:29

Aposentadoria qualificada
Da primeira vez que se aposentou, Eurides precisou voltar ao trabalho a fim de se preparar melhor para a nova fase da vida: “Percebi que o meu bem-estar estava acima de tudo”

“A aposentadoria, em si, não faz mal ou bem à saúde. As condições dela é que determinam isso. A falta de atividades significativas pode levar a graves problemas, e não é de uma hora para outra que elas são encontradas. É preciso preparação”, alerta Ana Fraiman, especialista em gerontologia social. Além das questões financeiras, a falta de uma atividade fixa é um dos motivos de preocupação para quem para de trabalhar. Muitas vezes, a pessoa sente falta dos compromissos e da ocupação de antes da aposentaria, sentimento que pode dificultar a adaptação e a descoberta de novas formas de se manter ativo.Depois de décadas de dedicação ao trabalho, chega a hora de se aposentar. Tempo de descanso, de encontrar novas atividades e de reinventar a rotina. Para quem se preparou para a essa passagem, ela pode ser o momento de realizar projetos, aproveitar a convivência com a família ou viajar. Os que seguiram a vida sem pensar nessa mudança, no entanto, costumam vivê-la de uma forma mais traumática. Por falta de planejamento, acabam se sentido despreparados justamente no fim da carreira, mesmo quando ela foi muito bem trilhada.

Segundo Fraiman, os anos anteriores à chegada da aposentadoria, na maioria das vezes, determinam o sucesso que a nova etapa da vida pode trazer. Pessoas que se aposentaram sem preparação, que deixaram o trabalho sem ir, aos poucos, pensando na saída reagem de forma pior. Algumas delas pensam nos benefícios que perderão ao se aposentar, como o plano de saúde mantido pela empresa, e acreditam que o futuro que as espera será pior. “Nesses casos, a aposentadoria quase sempre acontece de maneira complicada. Se a pessoa já vive, enquanto trabalha, com a ideia de que terá um futuro ruim, ela sai mal, cabisbaixa, sem forças para fazer novos planos ou se programar”, afirma a também doutora pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

É importante pensar a própria saída, ajudar a preparar o sucessor, se for o caso, e começar a se dedicar a novos projetos que contribuem para que a passagem aconteça da melhor forma possível. “Quem faz isso se aposenta em condições favoráveis. O ânimo para superar as possíveis perdas que podem vir é muito maior”, explica Fraiman.

Eurides Ribeiro, 60 anos, foi servidora pública e se aposentou pela primeira vez aos 45 anos. Mas, seis meses depois de deixar o trabalho, ela começou a se sentir deprimida e resolveu que precisava voltar. “Não estava preparada para a aposentadoria, me senti acomodada, apática. Decidi que precisava trabalhar de novo”, conta. Eurides voltou em um cargo comissionado. Ficou até janeiro de 2012, quando deixou pela segunda vez o trabalho.

Entre a primeira e a segunda aposentadoria, ela decidiu se preparar para a parada final, evitando, assim, que o desânimo voltasse a acontecer. “Na segunda vez, eu estava bem preparada, pronta para deixar o trabalho e me dedicar a outras atividades. Sempre digo que é fundamental que aconteça uma preparação antes de deixar de trabalhar para evitar esses problemas”, diz. Assim que saiu do emprego pela segunda vez, Eurides decidiu viajar e refletir sobre a decisão. “Quando voltei, me sentia muito melhor e percebi que o meu bem-estar estava acima de tudo, de qualquer ganho financeiro maior que eu pudesse ter.”

Eurides também aproveitou o tempo para cuidar melhor da saúde e dar mais dedicação à família. “A diferença é que, agora, não tenho compromissos fora e posso cuidar de mim e da minha família com muito mais tempo”, diz. A filha da servidora pública aposentada acabou de ser aprovada no vestibular da medicina, uma conquista que também ajudará Eurides a seguir os novos planos de vida com mais tranquilidade. “Depois desse momento de apoio à minha filha, quero poder contribuir com trabalhos voluntários, buscar outras atividades”, conta.

Além do escritório
Psicóloga e autora dos livros Orientação para aposentadoria nas organizações de trabalho e Aposentação: Aposentadoria para ação, Dulce Helena Penna Soares acredita que o modo como esse processo de passagem acontece depende de como se deu a trajetória profissional. Quem não mantém muitas atividades fora do ambiente de trabalho e vê a carreira como única ocupação enfrentará mais dificuldades. “Para essas pessoas, aposentar sempre é mais difícil. Sentem um vazio, podem ter problemas de saúde, depressão”, explica a especialista.

Quem, no entanto, manteve outras atividades e projetos enquanto trabalhava tem mais facilidade para se adaptar. “A pessoa que se dedicou ao trabalho, mas tem outros projetos, uma relação forte com a família, vontade de se dedicar à arte ou à música consegue se sentir melhor. Assim, é muito mais fácil se manter bem”, explica Soares.

Foi o que aconteceu com Milton Sebastião Barbosa, 59 anos. Engenheiro e funcionário do Banco Central, Milton só decidiu se aposentar quando definiu o que faria depois. “Resolvi estudar música na UnB (Universidade de Brasília)”, diz. Antes mesmo de deixar o trabalho, Milton prestou o vestibular do segundo semestre de 2011 para bacharelado em composição. Ele conta que se preparou para a prova específica de conhecimentos musicais e para o teste geral. Foi aprovado e começou a cursar antes mesmo de deixar o trabalho.

Milton se aposentou no início de 2012 e trocou a rotina profissional pela dos estudos. “Antes, eu tinha as responsabilidades e obrigações do emprego. Hoje, tenho as da faculdade”, explica. Estudar música era um desejo antigo do engenheiro durante a vida, mas ele se preocupava com os possíveis riscos da carreira  Agora, o que agita a rotina do ex-funcionário público são as ocupações do fim do semestre. Milton conta que voltou a ter a mesma rotina da época em que estudou na universidade pela primeira vez. “Tenho o mesmo ritmo, a mesma dedicação que tive quando fiz engenharia na UnB há muitos anos. Trabalhos, provas finais, tudo isso”, conta.

Otimismo e bem-estar

Existem dois aspectos fundamentais que influenciam o processo de decisão pela aposentadoria e que devem ser levados em conta para entendê-lo. Segundo a psicóloga especialista em envelhecimento e aposentadoria Lucia França, o primeiro é composto por atitudes anteriores, pensamentos sobre o período que virá. Esse modo de enxergar a mudança não necessariamente se reflete em comportamentos, mas são importantes para compreender o processo pois, certamente, interferem nas ações posteriores.

Além disso, existem os aspectos de risco e de bem-estar. Um dos fatores de risco é a condição econômica que se terá depois da aposentadoria. França afirma que é fundamental, no momento de encerrar a carreira, fazer as contas e se assegurar de que a renda será suficiente. Já os fatores de bem-estar estão relacionados a novas condições que podem dar melhor qualidade de vida para quem deixa de trabalhar. “Manter atividades diversificadas (culturais, voluntárias), novos relacionamentos, envolver-se com questões políticas locais são fatores que podem garantir o bem-estar na aposentadoria”, exemplifica.

O mecânico Eroídes Alves, 59 anos, começou a trabalhar aos 13. Em setembro de 2012, decidiu que era o momento de parar. “Vinha me programando há um tempo e me preparei muito para o momento. Algumas pessoas se aposentam e acabam ficando paradas, eu não deixei isso acontecer comigo.”

Depois de deixar o trabalho, ele passou a ajudar nas atividades de casa e a dedicar mais tempo aos familiares. O próximo projeto de Eroídes é comprar uma chácara. “Sempre gostei de trabalhar com a terra. Agora, com o tempo que tenho, vou plantar, cuidar de galinhas”, empolga-se. “Como trabalhei a vida toda, não consigo pensar em ficar parado. Parie de trabalhar, mas minha cabeça continua a mil.”

Para tornar o processo de aposentadoria mais tranquilo, a especialista em gerontologia social Ana Fraiman defende que as empresas contratem profissionais que auxiliem os funcionários que estão prestes a sair, tornando o processo de desligamento menos doloroso. “Infelizmente, não é o que acontece em geral. Algumas empresas até investem em pessoal para isso, mas, em pouco tempo, a ideia é descontinuada”, critica.

Para saber mais

Estimular o cérebro
protege contra o Alzheimer

Quem demora mais tempo para se aposentar pode ter menos chances de sofrer com problemas de memória e raciocínio durante a terceira idade. Uma pesquisa realizada na França pelo Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica traz evidências de que adiar o tempo da aposentadoria diminui os riscos de desenvolver a doença de Alzheimer e outros tipo de demência na velhice. O envolvimento em atividades que estimulam o cérebro colaboram para evitar a chegada desses problemas e, por isso, manter-se ativo profissionalmente por mais tempo pode ser um fator importante para a saúde mental.

O estudo chegou à conclusão de que cada ano a mais no trabalho reduz o risco de sofrer com demência em aproximadamente 3%. O que significa, na prática, que uma pessoa que se aposenta aos 65 anos apresenta 15% a menos de chance de desenvolver Alzheimer ou outra demência do que alguém que deixe de trabalhar aos 60 anos.

Para chegar a esses resultados, os pesquisadores analisaram dados de 429 mil trabalhadores com idade média de 74 anos e que haviam se aposentado em geral 12 anos antes. De acordo com os pesquisadores, trabalhar faz com que as pessoas tenham menos propensão a se tornarem sedentárias, além de desafiar de maneira constante a mente e mantê-las socialmente mais conectadas, fatores que já são conhecidos por prevenir problemas e doenças cognitivas.”

 

Baixa seniorização nas gestões corporativas

Chegamos a ponto de colocar a perder quase tudo aquilo que uma empresa levou décadas para formar: a competência e o saber dos executivos mais maduros que estão por se aposentar. Perde a empresa, perde a sociedade: a voz da experiência fica sem vez.

Na natureza existem duas formas básicas de cometer desperdícios: colhendo frutos antes da hora ou deixando de colhê-los. O que vem acontecendo com a aposentadoria dos executivos mais experientes, que são conduzidos ao desligamento da empresa face à aposentadoria é um duplo desperdício: nas empresas são tidos como aqueles que passaram da hora e, na sociedade, como aqueles que são destituídos antes da hora.

Ainda que sejam substituídos pelos juniores e, com isso a empresa obtenha uma redução sensível em seus custos com o quadro de pessoal, existe o risco embutido de – com essa medida – perder em Capital Intelectual e apagar a Memória Corporativa. Quem haveria de saber tomar determinadas decisões que exigem anos de prática e conhecimento?

A ruptura precoce do vínculo profissional leva embora todo um cabedal de competências. Competências, pelo que significam, são portáveis: saem junto com aquele que é demitido. Quando a alta competitividade exige o desenvolvimento e a fidelização dos talentos, aposentar por idade é, nada mais, nada menos, que submeter o esplendor do conhecimento e potencial humanos a uma simples questão de redução de custos.

O profissional é “convidado” a sentir-se estimulado pelos novos desafios de uma segunda carreira e, no mínimo, a desvendar os mistérios de sua família atual, com que o terá que lidar rapidamente, melhor dizendo, de um dia para o outro, sem qualquer aviso prévio ou estrutura de suporte, dispondo apenas de seus recursos internos e pessoais de adaptação e dos quais, durante toda a sua vida de trabalho, nunca precisou dispor, nem testar.

Profissionais brilhantes em suas áreas têm sucumbido às próprias tentativas de recolocação. Fazem um esforço brutal, sem se aperceber com clareza de que, os meios com os quais estão lutando, são apropriados para a vida empresarial, mas quase que totalmente inoperantes para a sua social. Os fracassos são vistos como falhas pessoais.

O ingresso prematuro de um profissional no auge de suas capacidades laborativas, na fase da aposentadoria, escreve uma história de grandes insucessos: fortunas que são enterradas, casamentos que são desfeitos, saúde que é minada, esperança que queda desfalecida. Ao passar da condição de elegível à aposentadoria para a de ter-se tornado, certamente, um demissível, sofre o impacto de uma grande desmoralização: já não serve para permanecer dentro e não sabe como haverá de se recolocar e se sustentar fora.

 Implicações de um modelo que exclui talentos e compromete resultados.

Em todo o mundo ocidental os profissionais que mais sofrem o impacto desmoralizante de uma aposentadoria são os

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Aquela feiosa

Viveu a vida ouvindo ser feiosa. Visitas, em sua casa, representavam o vexame de ser apresentada “está é aquela minha filha de que lhe falei…” Nem precisava mais do olhar enviesado para baixo, da boca torta ao sussurrar “a feiosa”, muitas vezes captada, pelos seus argutos ouvidos!

Gravado a ferro e fogo em seu espírito, o cognome saltava-lhe à mente, sem nem ser pronunciado, sempre e sempre que alguém a ela se referia. E mesmo quando não o faziam, não precisava, ela sabia. Ela se enxergava. Sabia ser feiosa, a mais feiosa dentre as demais meninas, as dentuças e banguelas, quatrolhos ou narigudas, gorduchas ou magrelas, sardentas ou branquelas. Altas baixas, negras, japas, barrigudas ou sem-bunda, nada, nenhum nome pelo qual qualquer delas fosse distinguida, lhe parecia mais vergonhoso que o dela.

Chegava a sentir-se culpada pelo acontecido. À noite rezava para que Deus tirasse de seus ombros tal castigo e vivia seu minuto de esperança. Rapidamente, adormecia para não perder o doce embalo que tal alento lhe trazia. Nutria-se das pequenas esperanças que todas as noites lhe nasciam.

Isso, até adolescer, quando tudo que as manhãs mostravam era uma nova espinha em seu rosto já tão transtornado e os peitinhos que já brotavam, marcando suas blusinhas de cambraia, que não mais fechavam direitinho. Peitinhos ainda pequeninos, não de mulher, mas já longe de serem de menina, que a envergonhavam mais ainda.

Ah, e a tristeza, que despertava, também, junto com as dores suas conhecidas… Dor nas juntas, dor de dente. Às vezes ocorria, de repente, dor mensal e, principalmente, a de cotovelo, que mais a incomodava. Esta era diária. Chá disso, chá daquilo, todas as dores passavam, menos aquela que a marcava como diferente. A dor de ser feiosa, feiosa externamente. Que era o que importava.

Suas esperanças noturnas foram sendo minadas. Deus não ligava a seus rogos e já tinha esgotado tudo que sabia sobre

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