Confie nos jovens e fale tudo com eles

Um dos lamentos mais comuns que ouço de pais e mães é: “Não consigo falar de sexo com meus filhos”.

Eles se justificam: “Eu não aprendi com meus pais a falar disso”. Mas será que nos só fazemos o que nossos pais nos ensinaram?

Falar sobre sexo

Minha filha ainda era bem criança e eu já via aquelas meninas saidinhas, que nos seus 12 ou 13 anos já se pintavam todas, cigarro nos lábios, cerveja à frente, decotes provocantes, e entrava em pânico. Ao mesmo tempo em que me preocupava em educar bem a minha menina, ensiná-la a ser feminina, porém recatava, eu me questionava sobre a minha capacidade de fazê-lo. E não sabia bem o que deveria traduzir a ela por feminino e recatado.

Por certo, feminino não seria falar mole e fino como gato miando, nem apenas usar saias e babados. Também não queria dizer que é feio brigar, que mulher tem que ser boazinha ou que tem idade certa para começar a namorar. O que seria, então, ser feminina? Eu sabia definir o que é ser mãe, mas mulher… Sugeria uns brincos, uma roupinha confortável mas bordadinha, ensinava a dizer “por favor” e “muito obrigado” e ficava alucinada quando a via, agora nos seus 10 anos, peitinhos florescentes, continuando a sentar-se estabanada, agachar-se mostrando as calcinhas ou a brigar de tapa com um moleque.

Daí eu achava que ela tinha em quê de machona e entrava em pânico: melhor uma perdida ou homossexual? Eu pensava que lésbica era toda mulher masculinizada, vozeirona grossa, cara lavada e brava. E os pés da minha filha cresciam. Aos 11 anos ela calçava 38! Eu já a via, moçona, vestida para um baile, calçados sapatos de homem. Era um tormento interior, porque eu também não conseguia exprimir o tal do recado. Era dizer não para o segundo docinho que lhe fosse oferecido? Era não beijar em público? Eu achava tão lindo dois adolescentes se namorando, isolados do mundo. Na deles em plena Avenida Paulista…

Eu tive que guardar minha virgindade para o meu marido, porque senão estaria estragada. E quando eu chorei, arrependida, por não ter desobedecido e seguido os destinos do meu amor? Devo dizer que nessa época estava em terapia e tinha com quem discutir e me esclarecer. Os medos, que eram meus, sobre minha sexualidade reprimida, puderam ganhar imagens, movimentos, palavras. Com o tempo fui descobrindo o que é isso de ser mulher.

Naquele dia decidi conhecer minha filha

Tive uma boa prova quando, um dia, a mãe de uma coleguinha da minha filha me telefonou e, com mil cuidados, me falou: “Estão dizendo na escola que sua filha não é mais virgem. E que foi ela mesmo quem contou”. Parecia que o chão se abria sob meus pés! Era de manhã e eu passei o dia em transe, aguardando a menina voltar. Tive febre, calafrios, mas fiquei pronta para enfrentar tudo. Eu queria, sobretudo, ajudar. E consegui.

Ela entrou toda alegrinha, 12 anos, aquela carinha limpa, inocente, iluminada. Entrou fricoteira no meu quarto, me beijou, se tocou: “Uai, você em casa a essa hora?” (Eu trabalhava.) Tive em resto de dúvida: será que estou vendo coisas que não existem? Quem é essa menina, minha filha? Eu a conheço? Ela me conhece?

Foi a chave. Resolvi conhece-la. “Filha, estou com um problema e você pode me ajudar a resolver.” (Jamais jogaria na cara dela que ela era o problema, mesmo porque não era. O que eu menos queria era assustá-la, afastá-la de mim, perder sua confiança.) “Sabe… (hesitei) é que eu soube uma coisa que eu queria que você confirmasse, se é que você sabe… (a questão era ainda uma fofoca, não um fato) É verdade que seus colegas estão dizendo que você não é mais virgem? Você sabe alguma coisa sobre isso?”

Ela caiu numa solene gargalhada. “Ah, mãe, besteira, deixa isso pra lá…”

A verdadeira honra é ter palavra firme

Eu não entendi. “Como, besteira? Como é que se começou a falar?” – “Besteira, mãe! Outro dia, os meninos estavam se bacaneando, que conhecem mulher, que foram em casa de massagem… E daí eu falei que também conhecia homem. Não esquenta, eu falei por falar. Pensei que fosse uma coisa mais séria. Você estava com um cara…

Minha cabeça rodou. Então ela estava medindo forças? E, descuidada, não tinha a mínima ideia de que fora mexer em um vespeiro.

Dali a puco ela voltou para o meu quarto, furiosa: “E quem é a fofoqueira que te telefonou? O que é que ela tem com a minha vida?

Fez um esparramo. Mas aí eu pude explicar que ela havia se exposto demais, dado margem a falatórios, e que a pessoa queria é protege-la. Foi duro fazê-la entender. Ela insistiu que ninguém tinha nada a ver com isso. Mas fomos falando, um pouco num dia, mais um pouco no outro, até que ela me perguntou: “Mas por que é que os meninos podem falar e as meninas não?
Concordei com ela que é um sistema injusto. Mostrei-lhe as opções e dei-lhe até exemplos do que seria a verdadeira honra: ter palavra.

Ela entendeu muito bem. E eu me senti muito mulher. Um dos lamentos mais comuns que ouço de pais e mães é: “Não consigo falar de sexo com meus filhos”. Eles se justificam: “Eu não aprendi com meus pais a falar disso”. Mas será que nos só fazemos o que nossos pais nos ensinaram? Será que, na idade madura, já não estamos em condições de deixar isso para lá? Uma boa ideia é aprender junto com os adolescentes a quem devemos orientar. Se nos abrirmos, como desejamos que eles se abram, tudo vai ficar mais fácil.

Quando chega a hora de Recasar

Para ser como ele gosta, você se sufoca, murcha, se apaga. É um erro grave. Seja você mesma e viva muito feliz.

Você não é mais a menina com quem ele casou. Nem ele é o menino que casou com você. Ambos mudaram, mas não mudaram a forma com que se tratam. Mudaram, e pensam que o outro não sabe. Ele não se mostra como é, mas da forma como pensa que você gosta. E você também.

Você parece duas pessoas, uma longe dele, outra perto. Quase sempre a que está longe é mil vezes mais interessante, desinibida, espirituosa, inteligente. Perto, você murcha, se apaga, submete-se ao medão de mostrar-se na sua complexidade, nas suas incoerências, na sua imaturidade. Isso gera infelicidade e impotência. Vocês não estão mais dialogando, se arriscando. Apenas mantêm fachadas.

Quando você está irritada com os filhos e ele a procura para sexo, você se sente desrespeitada. Não imagina que sua explosão de raiva a torna uma mulher vibrante e muito desejável e que o desejo dele, longe de ser agressão a seus sentimentos maternais, é um caminho para você resgatar a fêmea cheia de vida, sem grilos, que deveria ser.

Interprete certo os gestos dele.

Quando você está enlevada com as novidades de seus filhos, se divertindo com as estórias deles, e ele se mantém à parte, o que você pensa é que ele é um chato, omisso, alheado. Jamais acredita que ele morre de inveja da sua capacidade de se comunicar com os jovens.

E em relação a você? Ele sabe que você também fala palavão, conta piadas picantes, dá gargalhadas e sonha com um amante tipo apache, desinibido, de uma sexualidade animal? Ou só vê a sua timidez envolvida em pijamas de flanela e luz apagada quando vocês vão transar à noite? Ele sabe o quanto você fica ressentida porque ele se veste melhor para ir trabalhar do que para estar com você à noite? Ou que você detesta sua dependência econômica e o fato de ele cuidar sozinho dos investimentos familiares?

No amor, quem dá também recebe.

Vencer o tédio da rotina desagradável/confortável é trabalhoso e heroico. Alguém tem de começar. Em primeiro lugar, você tem de se ver agindo diferente. A imaginação serve de treino, mas não fique só no pensamento. Você precisa concretizar esse eu que está embutido em seus rancores e receios.

Preste atenção no seu corpo quando ele se aproxima. Você muda de postura? Se encolhe ou se apruma? Altera a conversa? Fica calma ou inquieta? Pergunte a ele se já reparou nisso. Preste atenção nele também. O corpo fala. Revela o que a boca silencia.

Crie a sua sorte, não espere que ele simplesmente aconteça. Pare de se expressar no condicional: eu gostaria, eu queria... Respeite os seus desejos, comece a falar afirmativamente: eu quero, eu gosto. Dê o primeiro passo, o primeiro beijo, o primeiro sorriso. Em matéria de amor, é dando que se recebe.

Agora, se você ainda não se sente bem na sua pele de mulher, se não confia em si própria e não vê o seu valor, procure ajuda, porque não há homem (e muito marido) que respeite uma mulher que não se respeita. E os homens adoram mulheres que solicitam com interesse, bom humor e até mesmo uma pitada de filosofia. Por que continuar com esse pudor de revelar o quanto você precisa dele?

  • Psicóloga formada pela UNIP, Mestre em Psicologia Social pela USP e doutora em Ciências Sociais pela PUC-SP.
  • Pesquisadora pelo NEF - Núcleo de Estudos do Futuro, com foco no Ecossociodesenvolvimento | Cátedra Ignacy Sachs, alinhada ao United Nations Millennium Project.
  • Coaching de Carreira e Preparo para uma Aposentadoria Sustentável.
Humildade

O que é Humildade e por que precisamos dela?

Humildade é algo que todos valorizamos – normalmente nos outros.

Humildade
Imagem: Pixabay - Humildade

Teoricamente, é uma virtude. Na realidade, muitos acham que é algo prejudicial. Por quê? Estas pessoas confundem ser humilde com humilhar-se, diminuir-se, pois identificam ‘humildade’ como `fraqueza de caráter`, ou seja, permitir que os outros nos pisem.

Não é assim! A Torá nos ensina que Moshe Rabeinu (Moisés, nosso Mestre) foi a pessoa mais humilde que já existiu (Bamidbar 12:3) e, também, o único profeta que conversou ‘cara a cara’ com o Todo-Poderoso (Devarim, 34:10).

Todos os outros profetas recebiam sua profecia dormindo ou em transe, mas Moshe podia falar diretamente com o Criador. D’us ditou-lhe como escrever a Torá, palavra por palavra, letra por letra. Moshe, portanto, sabia que D’us afirmou que ele era e seria o maior de todos os profetas.

Como era possível, então, que permanecesse humilde?

A resposta reside na definição de humildade. Humildade não é ser um nebah – um dócil, hesitante, patético e humilhado perdedor.

A humildade é a característica de sabermos exatamente quais são nossos talentos e capacidades e reconhecer que isto e tudo o mais são uma dádiva do Todo-Poderoso. Eis o segredo para conquistar algo essencial para ser aplicado às nossas vidas: conhecer as próprias forças e tomar posses, reconhecer as próprias conquistas, sem jamais negar uma verdade básica e vital: tudo que se tem e se consegue são dádivas do Todo-Poderoso.

A humildade é um requisito para se estudar a Tora, bem como qualquer texto inteligente e sagrado. Os Sábios traçam uma analogia do conhecimento profundo com a água: necessária para a vida, é essencial para o crescimento e para atingirmos nosso potencial.

Um sujeito arrogante coloca-se numa posição alta como uma montanha. O que ele esquece é que a água flui da montanha para os lugares mais baixos e não o contrário. Para extrairmos o máximo de nosso potencial, precisamos ser humildes.

Ao percebermos nossa pequenez em relação ao Universo e ao poder do Todo-Poderoso, adquirimos humildade. Ao nos darmos conta da gigantesca quantia de sabedoria disponível, mas que não a temos e, quando muito, dela participamos, usufruindo e/ou criando, dos pequenos e grandes erros que cometemos, adquirimos humildade.

Ao entender a magnificência e a fragilidade do corpo humano e como até as pessoas mais fortes no final enfraquecem e morrem, adquirimos humildade. Se pensarmos bem, a única maneira de ser arrogante é desconectar-se do ‘grande quadro’ , também chamado realidade. Assim como O Profeta Moisés, todos os grandes homens, os sábios e os santos, possuem o mais alto nível de consciência da realidade e, portanto, são os mais humildes dos homens.

Por que precisamos de humildade?

Uma pessoa verdadeiramente humilde aprende com as demais, faz perguntas quando tem dúvidas e está aberta a críticas. Não sente necessidade de exercer poder sobre os outros ou de sentir-se superior a eles, focando em seus defeitos e falhas. Esta pessoa não irá agir com desprezo, nem dar-se-á o direito de julgar as demais. Evitará discussões e brigas. Pedirá desculpas e não porá a culpa nos demais. Conseguirá enxergar o lado positivo dos demais e amar o próximo. Podemos enxergar o amor como um grande sentimento de prazer, de que desfrutamos ao focar nas virtudes dos demais.

Humildade é liberdade. O que nos refreia e nos inibe são nossas preocupações desnecessárias sobre nós mesmos, incluindo como nos parecemos aos olhos dos demais. Quando uma pessoa preocupa-se apenas com a verdade e vive por isto, então, ela é livre para realizar as coisas mais significativas.

Uma pessoa arrogante é extremamente focada em si mesma para conseguir ouvir a verdade, para enxergar suas próprias falhas e para ajudar os outros. Precisamos, antes, conseguir enxergar as necessidades dos demais para poder ajudá-los, não sem antes pedirmos permissão para fazê-lo.

Uma pessoa arrogante está mais preocupada consigo mesma e sobre como os outros a encaram do que em fazer as coisas certas. Ela também sofre de ‘falta de paciência’ e isto lhe causa muita frustração e sofrimento. Além disso, considera que os demais têm o dever de aceitar a sua ajuda e que o mundo lhe deve satisfações.

Uma pessoa humilde descobre ser fácil aceitar que nem tudo acontece da maneira que ela gostaria que fosse. Ela foca no lado positivo de cada situação e circunstância, mesmo que num primeiro momento possa duvidar e se desesperar. Aqui temos um lindo paradoxo: a pessoa desesperada diz estar brigada com D’us e ter deixado de acreditar Nele, mas reza e implora (a Ele) para recuperar a sua fé.

Os humildes têm mais alegria em viver, pois entendem a realidade do que é importante: D’us, a Torá, os sábios ensinamentos, a verdade e não o seu próprio ego.

Autor: Rabino Kalman

  • Psicóloga formada pela UNIP, Mestre em Psicologia Social pela USP e doutora em Ciências Sociais pela PUC-SP.
  • Pesquisadora pelo NEF - Núcleo de Estudos do Futuro, com foco no Ecossociodesenvolvimento | Cátedra Ignacy Sachs, alinhada ao United Nations Millennium Project.
  • Coaching de Carreira e Preparo para uma Aposentadoria Sustentável.
Santo Agostinho

A estética de servir à ética de amar – Considerações político-econômicas

Uma economia próspera não basta. Por mais que se lute e se conquiste o conforto e o bem-estar, por si só a economia não responderia per si à altura de proporcionar tudo aquilo que faz crescer e satisfazer anseios nossos.

Santo Agostinho
Imagem: stock.adobe.com (Santo Agostinho)

A única medida do amor é amar desmedidamente. (Sto. Agostinho, in O capitalismo é moral?, obra de Comte-Sponville)

Mesmo a verdade e o amor pela verdade pode ser um grande impulsionador das ciências e da busca pelo conhecimento, que é infinito. Motiva pesquisas e está na base do saber e do próprio conhecimento científico, mas não é suficiente a tal ponto que dispense a demonstração, a praxis.

O amor à liberdade esbarra tanto nas leis, como nas políticas que têm por anseio dirigir uma sociedade democrática e conquistar a plena cidadania. Esbarra também na moral, na medida em que o amor é cego e acontece mesmo em situações não-apropriadas e relações interditas. O amor à liberdade, também deve servir e se submeter as responsabilidades: tanto da moral, quanto da lei.

E por mais que venhamos a prezar e lutar pela conquista da plena cidadania, também ela não basta, porque: se atende a questões da solidariedade, não chega a responder nem estimular a grandeza da doação de si e da generosidade, supremas provas de amor ao próximo.

O amor ao próximo também não basta, porque amores ilícitos acontecem e nem todos são dotados de bondade e pureza tais, que levem-nos a abdicar por amor ao mais próximo dos próximos, que também confia e retribui a quem lhe quer bem. As traições acontecem na mesma medida que os amores e a história sobejamente o comprova.

Mais além do amor ao próximo, há que se ter moral, com direito ao sentimento de culpa e, também, de vergonha, quando se sente amor a quem não é “de direito” ou quando ocorrem violações de tabus.

É por isso que necessitamos de quatro ordens, nos ensina Comte-Sponville. (p. 69). Porque elas precisam existir simultaneamente, cada qual dentro de sua própria lógica e independência relativa: política, econômica, moral e ética.

As quatro são necessárias e nenhuma, somente, é suficiente. Confundi-las leva ao ridículo e à tirania. Para Blaise Pascal há três ordens: a da carne, a do espírito de razão e, a do coração ou caridade). Caso se confundam duas ou três delas, chega-se ao ridículo: o coração tem razões que a própria razão desconhece! Ou como suspira Fernando Pessoa: “Toda carta de amor é ridícula. Mas o mais ridículo é nunca ter escrito uma carta de amor”.

Se o ridículo é a confusão entre duas de três das ‘ordens pascalinas’, a tirania é o ridículo no poder, segundo Comte-Sponville, ao citar Pascal: “A tirania consiste no desejo de dominação, universal e fora da sua ordem” (in Pensamentos, 58-332), além do que, “o tirano é aquele que confunde a autoridade com a própria ideia de poder”.

Em outras palavras, ridículo é aquele que governa ou pretende governar numa ordem em que não tem qualquer legitimidade para tal” (pág. 90). A tirania e  ridículo caminham juntas e de mãos dadas, tal como o amante que quer ser obedecido ou o rei que não se faz acompanhar de um conselho de sábios. A “vontade” de uma ordem, sejam aquelas apresentadas por Pascal, sejam as propostas por Comte-Sponville, nunca bastou para resolver problemas de outra ordem.

Não basta, pois, a vontade política para corrigir os salários e/ou elevar os proventos da aposentadoria. É preciso vontade e ação na esfera na economia, aponte de capital e fontes de custeio. Na falta de uma, todas as demais fracassam. De que adianta herdar o direito a receber uma aposentadoria digna, se não há dinheiro em caixa, para fazer valer esse direito?

Este é um dos maiores riscos que atualmente corremos: o de virmos alegar direitos constitucionais aos nossos filhos e netos, direitos garantidos por cláusula pétrea, mas vazias de mecanismos, instrumentos e conteúdo para fazê-los cumprir. Se como sociedade não nos mobilizarmos conscientemente, as próximas gerações de brasileiros e brasileiras herdam o direito de receber nada, garantido por lei.

Trata-se, então, não só de aplicar as vontades políticas e econômicas. Aposentadoria é, também, uma questão de ordem moral; se assim não for, instalam-se a barbárie e o angelismo.

Este é o alerta de Comte-Sponville: “Submeter a moral à política é barbárie. Mas submeter a política e o direito de uma utopia moralmente generosa - uma sociedade de paz, de abundância, de liberdade, de fraternidade, de felicidade -   é angelismo. Conhecemos os resultados dessa temível conjunção”.

Por mais que as políticas de Gestão de Pessoas proclamem ser o homem, o seu principal capital, isso é ótimo para inflar os egos daqueles que acreditam nisso. Pode agir como mote motivacional num primeiro momento, mas na prática do dia seguinte já se constata tratar-se de uma fala vazia, porque os empregados terceirizados, cooperativados, estão todos lá para trazer lucro para as empresas. Senão elas se retiram, se transferem para outras localidades e, com elas, podem escoar rapidamente todo um projeto de vida, não somente de pessoas e famílias, mas de toda uma comunidade.

Especialmente numa época de globalização do mundo financeiro, como a que vivemos. Os seniors empregados mais antigos e de maior salário já não são mais reconhecidos como Prata da Casa. Se prata houver, será somente na cor de seus cabelos. Alguns disfarçados pelas tinturas, outros ausentes das cabeças calvas, ou seja, todos eles e elas. Ser subitamente dispensado em idades maiores causa envelhecimento precoce e desorganização pessoal para o novo  trabalho.

A política tem-se submetido cada vez mais à economia estatizada, a barbárie tecnocrática e coletiva. E seja pelo angelismo, seja pela barbárie, as guerras se fazem e as pessoas, sacrificadas morrem. Têm seus sonhos e projetos de vida totalmente esvaziados e são condenadas a tentar sobreviver na miséria: econômica, cultural, moral, educacional e existencial. Dessa degradação humana e social, em larga escala, Victor Hugo tratou em Os Miseráveis.

Como vivemos todos submetidos às quatro ordens elencadas por Comte-Sponville, há que se entender e aplicar as nações de responsabilidade e solidariedade. É necessária uma matriz objetiva sustentável e uma volta às origens e raízes, volta essa isenta de subjetivismos morais.

Se desejamos e, parece que as pessoas de bem assim desejam de todo coração, conquistar a paz social que é fruto da justiça (opus justice pax), no que implica dar e garantir a cada qual o seu direito (suum cuique tribuere) e reconhecer como fontes garantidoras de todos os direitos:,

  1. A natureza, em relação aos direitos não outorgados e, sim reconhecidos; e,
  2. Os contratos, que envolvem todos os demais direitos conquistados e convencionados num estado democrático (pacta sunt servanda).

Ainda que se fale em nação de cidadania, há que se implementar e cultivá-la na prática, como exercício diário:

  • Em relação aos políticos, pela elaboração da legislação positiva consoante com a lei natural;
  • Em relação aos demais cidadãos maduros e conscientes (educados desde a mais tenra idade para tal), por meio de manifestações organizadas e dentro do espírito da lei, com relação à aprovação ou reprovação de políticas públicas e o exercício da legítima vontade da população (vox populi vox dei);
  • A superação resiliente, pelo efeito de um programa nacional de educação para todas as idades, baseada e movida por princípios e valores éticos de caráter em vez de valores personalistas;
  • Erradicação, pelo trabalho e pela educação para todos do, isenta do cinismo e do conformismo que, no limite confluem entre si e representam as duas faces da mesma atitude de pouco se importar, seja com dramas da vida, seja com os seus desfechos, gerando oportunidades de debate, através de fóruns organizados e, o espontâneo, segundo comunidades de interesses, necessidades o oportunismo;
  • Extenso e imediato combate ao analfabetismo digital, além de funcional;
  • O incentivo às artes e à cultura, iniciando-se pelo incentivo de aproximação e desfrute da boa literatura e o estado de filosofia, desde os primeiros passos na infância;
  • Pela discussão e conscientização da alçada de cada um dos Três Poderes (Judiciário, Legislativo e Executivo), acrescidos de um Quarto Poder, de caráter independente e incorruptível, representado pelo MP – Ministério Público e, um quinto poder, que trata da liberdade de produção e acesso ao mundo do conhecimento e das informações, representado pela Imprensa Livre, os dois últimos devendo ser e permanecer legitimados como fontes de real poder em nossa sociedade.

Uma vez que tanto o MP como a imprensa livre exercem exemplarmente o papel de controle na preservação da ordem democrática, mediante a defesa dos princípios éticos de todo e qualquer ato público e/ou privado, não se pode prescindir do seu exercício e plena participação na vida da(s) comunidade(s) e da nação, para evitar e coibir desvios éticos na condição das questões e coisas públicas -res publica - bem como as violências, os abusos e atentados aos direitos humanos fundamentais permanentemente abertos e acessíveis à manifestação popular.

Conflitos de interesse sempre se apresentarão, assim como omissões pessoais em relação às responsabilidades assumidas em qualquer uma das ordens: política, econômica, moral e ética, incluindo-se o MP e a Imprensa Livre, não devendo uma se submeter nem se deixar confundir pela outra, mesmo que num dado momento a decisão a ser tomada tenha que privilegiar alguma delas.

Boa parte dos problemas que hoje encontramos, esclarece Comte-Sponville, se deve à defasagem ampliada, nas últimas décadas entre o universo técnico-científico (pertencente à ordem 1) e o universo jurídico-político ( pertencente à ordem 2), aliado ao fato de que os problemas econômicos se apresentam em escala mundial, em sua insistência de globalização econômica.

Enquanto a maioria dos meios de decisão, ação e controle (da ordem 2), só existem em escalas nacionais (se muito, continentais, como na Europa até o presente momento histórico), a maioria das soluções precisa ser dada em escala mundial. Como querer que a ordem jurídico-política possa, nessas condições de inquietante defasagem entre elas, limitar eficazmente a ordem tecnocientífica? É o que condena os Estados à impotência e os mercados, se não tomarmos extremos cuidado, à onipotência (in O capitalismo é moral? pág. 182)

Surge pois, e cada vez mais, a necessidade de ajuste das sociedades, um novo paradigma:

  1. A ética da sustentabilidade planetária;
  2. A elevação do ser humano à condição de universal, que contém e, ao mesmo tempo, transcende a concepção do ser humano, enquanto social pela nova ética;
  3. A compreensão de que só há sentindo de vida, quando se inclui, o ‘outro’ na visão de si mesmo, porque o sentido só é valido quando se apresenta para e pelos indivíduos. E voltamos à estética de servir à ética de amar.
  • Psicóloga formada pela UNIP, Mestre em Psicologia Social pela USP e doutora em Ciências Sociais pela PUC-SP.
  • Pesquisadora pelo NEF - Núcleo de Estudos do Futuro, com foco no Ecossociodesenvolvimento | Cátedra Ignacy Sachs, alinhada ao United Nations Millennium Project.
  • Coaching de Carreira e Preparo para uma Aposentadoria Sustentável.
Mulher bem sucedida

Competente no trabalho e… na cama.

Você conhece uma profissional que é um sucesso na carreira e tem uma vida afetiva e sexual feliz?

Se a resposta é sim, pode ter certeza de uma coisa: ela conseguiu escapar das armadilhas que nós mesmas armamos. Veja quais são... e fuja delas.

Sucesso Profissional
Imagem: Pixabey

Regina é uma jovem desquitada, bonita, um sucesso na carreira, mas vice só. Quando as amigas perguntam por que, ela poderá dar mil explicações do tipo “o trabalho não me deixa tempo para o amor”, “os homens não têm coragem de se relacionar com uma mulher bem-sucedida” ou “não encontro um homem mais inteligente do que eu”. Mas, se Regina fosse fundo nas coisas, teria de confessar que ela é a causa de tudo. Porque Regina tem um problema comum à maioria de nós: construiu uma personalidade dividida em três partes – cabeça, tronco e membros. E estas partes não se encaixam, gerando angústia e insegurança, impedindo se realização total.

Regina (38 anos) conheceu sexo como a maioria das mulheres de sua geração: meio roubado, às escondidas, um olho fechado pelo prazer da entrega, o outro aberto pelo medo de ser flagrada. E mesmo agora, que não teme uma gravidez indesejada, ainda tem medos, como o de escolher a pessoa errada. Esse medo paralisa e desespera, pois somos prontamente vistas como mulher, mas não nos sentimos como tal.
Quando alguém pergunta a Regina se ela é feliz no amor ou se conhece sexo desvairado, ela responde “não”. E não há susto. Afinal, “não se pode ter tudo na vida”.

Quando uma mulher de sucesso como Regina conta que é infeliz na cama, dizemos logo “pelo menos você tem sua carreira. Isso compensa”. É como se ela estivesse apenas seguindo o rumo natural das coisas. Surpreende mesmo é quando uma mulher comum, sempre às voltas com a rotina da casa, garante que sua vida sexual é um verdadeiro sucesso. Aí, perplexas, vamos querer saber “o que ela tem que eu não tenho?” É como se condenássemos a nós mesmas – e às outras mulheres – à categoria dos seres que não podem ter tudo. Ou bem temos o sucesso, ou bem o prazer. Como se fosse impossível conciliar competência com prazer, transpondo a ponte entre o mundo do poder e o mágico terreno do prazer.

Afinal, o que nos falta para conseguir a harmonia entre estes dois universos? Basicamente, entender os processos que levam à divisão e identificar as armadilhas. As mais perigosas são as que decorrem da relação que mantemos com nosso próprio corpo e suas peculiaridades.

Menstruação não é doença

Esta é uma das primeiras coisas que devemos ter em mente para desenvolver integralmente nossa sexualidade. Quando menstrua, a maior parte das mulheres fica inchada, dolorida, mais sensível. Enfim, o corpo fica alterado, pede repouso. Mas a gente não pode parar o trabalho. Então, em vez da irritação por ter de fazer coisas que o corpo não quer, ficamos com raiva da menstruação. Se entendermos que a mudança – no corpo e no nosso estado emocional – é um fato natural, um sintoma de fertilidade, estaremos a caminho da integração entre nosso corpo, a cabeça e a sexualidade.

Gravidez não é pecado

Mas muitas agem como se fosse. Tratam de “esconder” a gravidez, com medo de perder pontos na carreira, de ficarem fora do planejamento da empresa – a longo prazo – já que se sabe que terão de interromper o trabalho pelo menos para dar à luz. Se isto é errado, também não se pode aceitar a atitude contrária: a da mulher que procura usar a gravidez como desculpa para suas falhas no trabalho. Usar a gravidez como desculpa para não produzir, ou evita-la – alegando que prejudica a carreira – são atitudes igualmente ruins. Nos dois casos, estamos negando nossa condição de mulher, ou seja, reprimindo nossos sentimentos e a nossa sexualidade.

É normal ter desejos

Vestir uma capa de frieza para mascarar sua condição de mulher e ser encarada como “igual” pelos colegas de trabalho é uma coisa muito comum. E muito errada. Se você agir naturalmente, se aceitando como mulher que tem uma vida sexual ativa, poderá até superar a ênfase que os homens fazem questão de dar à sua feminilidade, e ao fato de você ser desejável. Quantas vezes, no meio de uma reunião, você já não ouviu “passamos a palavra à bela doutora fulana?” Eles querem agradar, mas você se sente ofendida, fica com raiva por ser “bela”, “desejável”. Já que não pode revidar, passando a palavra ao “gatão do dr. sicrano”, fique fria. Ser mulher, ser bela, ser uma fêmea desejável não é defeito, nem diminui seus méritos profissionais. Não tente negar sua natureza ou sua sexualidade, pois, de tanto disfarçar, a frieza pode acabar incorporada à sua personalidade. E aí, adeus ao prazer na cama.

É preciso inverter a ordem das coisas: seja fria no trabalho, mas muito quente na cama. O primeiro passo para esta fórmula você terá dado se conseguir enfrentar com naturalidade – e orgulho – sua condição de mulher. Mas isto não basta. Não se pode esquecer que, passando boa parte do tempo no trabalho, ficamos sujeitas às influências do meio na nossa vida pessoal. Não vamos repetir o erro dos homens, que – em alguns casos – tentam pautar sua vida pelo modelo de eficiência gerado no mundo do trabalho. Aí as armadilhas também são muitas. Mas podem ser identificadas. E superadas.

É preciso confiar

Confiança é o que mais falta no mundo dos negócios. Hoje em dia quem confia é xingado de bobo. Para ser bem-sucedida neste mundo, a mulher aprende – tanto ou mais que os homens – a viver de pé atrás e puxar tapetes. Ninguém se entrega. O que interessa é tapear, blefar, ter lucro: vale tudo para vencer. E os sentimentos vão ficando massacrados e mascarados: é preciso ser durona (quando se quer colo), fingir simpatias que estamos longe de ter, tratar o outro como um inimigo. E a experiência da entrega, da confiança, do aconchego, vai ficando para trás, relegada à condição de “coisa de criança”, ou pior, “imaturidade”. O prazer sensual de perder o controle e viajar nas sensações é vista como uma ameaça ao ego.

Não queira lucrar sozinha

No mundo dos negócios, só é um sucesso quem consegue lucro. O erro é que às vezes levamos esse imediatismo para as relações afetivas. Aí nunca vai haver prazer. Não fique pensando no seu lucro. Trate de relaxar, soltar as amarras e partilhar os lucros (ou perdas). Só assim sexo e amor são bons: quando os dois envolvidos lucram igualmente, saem mais ricos daquele momento.

Prazer só vem com calma

Vivemos a era do pré-fabricado, do descartável, do lucro rápido. Mas, se isso funciona no mundo dos negócios, um grande erro é tentar levar essa eficiência toda para a cama. Quando a pressa chega ao sexo, o que vemos são duas pessoas preocupadas em obter “mais prazer um menos tempo”. É chegar já “fervendo”, usar e jogar fora, embora a embalagem ainda possa ser atraente e conservada. Assim feito, não há tempo para deixar rolar, aquecer devagar, ir e vir nos toques discretos e ligeiros, até chegar o momento da decisão. É uma simples repetição do que se vê no mercado: viu, gostou, levou.

Nem vencida nem vencedora

Se o poder, no mundo dos negócios, dá status e provoca muita bajulação, levar essa filosofia “do mais forte” para a cama é desastre na certa. O que vamos encontrar é o homem preocupado em levar a mulher à exaustão, ou ela tentando “enlouquecer” o parceiro.

Ninguém relaxa. Não há prazer. O resultado é que tem muita cama por aí servindo de palco para jogos de poder, onde sempre um sai derrotado. Nada a ver com amor e sexo sadios, onde não há competição. Aí sim estaremos vivendo uma relação onde há integridade, inteireza, amor, em vez da competição e desprazer. Nessa explosão de vida não há espaço para poder, nem medo de parecer ridículo porque um se entrega, geme, faz caretas, mostra seu corpo como ele é, desnuda emoções. Na hora em que comportamentos que funcionam no trabalho vão junto para a cama, só pode haver frustração. Cada coisa tem sua hora e seu lugar: tentar misturar é o primeiro passo para o fracasso.

  • Psicóloga formada pela UNIP, Mestre em Psicologia Social pela USP e doutora em Ciências Sociais pela PUC-SP.
  • Pesquisadora pelo NEF - Núcleo de Estudos do Futuro, com foco no Ecossociodesenvolvimento | Cátedra Ignacy Sachs, alinhada ao United Nations Millennium Project.
  • Coaching de Carreira e Preparo para uma Aposentadoria Sustentável.
Me libertei

Afinal, foi para isso que eu me liberei?

Tem dias (e quem não tem?) que a gente pensa em todas as tarefas da casa, da família e do trabalho e tem vontade de jogar tudo para o alto.

Dá um desânimo, uma vontade de voltar correndo para o colo da nossa mãe. É nesses dias que nos perguntamos: afinal, foi para isso que eu me liberei?

Afinal, foi para isso que eu me liberei

Assim que acordo percebo que estou de mau humor. Porque eu não acordo, sou acordada. Vilmente arrancada do meu sono profundo por dois despertadores e um rádio - relógio que jamais conseguem sincronizar os trim-pin-pin-trim e a voz escandalosa do locutor: “Bom dia, minha gente!” Eu aceno de levinho com a cabeça, para conferir se ela hoje vai doer logo cedo ou se vai demorar um pouco mais. Meu corpo pede por se espreguiçar na cama, enquanto eu já vou fazendo exercícios vigorosos para espantar o sono e erguer a coluna. Afinal, é mais um dia de trabalho, e eu a-do-ro trabalhar.

Meu pessoal dorme. Parece que sou só eu a ser contemplada pela disposição de enfrentar o dia. Isso me irrita, porque, além de trabalhadora, faço as vezes de despertador da família e ninguém reconhece isso. Ao contrário, eu chego de mansinha e sussurro: “Filha, está na hora” ... E ouço de volta: “Pô, mãe, precisa gritar desse jeito?” Mas quem é que grito? Tenho vontade de deixar todo mundo perder a hora, mas desconfio que isso não será nenhum castigo, ao contrário. Com toda justificativa do mundo, eles poderão ir para o clube e eu vou achar que estou criando uns delinquentes.

Decido que vou comprar uma buzina e “fonfonar” na cabeça deles, amanhã mesmo. Todos os oito despertadores tocam agora, inclusive o da empregada, e a reação que vejo é a de resmungos, ouvidos tapados pelos travesseiros, como se eu estivesse sendo inconveniente.

Não encontro o cafezinho pronto à minha espera. Morro de raiva e de inveja da minha “secretária do lar”, mas engulo tudo (porque preciso dela) e, gentilmente, bato à sua porta e escuto: “Ai, dona, perdi a hora, né? Não posso levantar. Passei uma noite horrível preocupada com os meus filhos, umas cólicas, estou com a boca amarga...” Respondo: “Espera aí que eu trago uma aspirina e um café”. Meu coração bate acelerado e a minha dor de cabeça matinal se instala.

Volto para o meu quarto tensa, imaginando como seria a minha vida num flat, já bem acordada pelo meu corpo. A família já está de pé e meu marido ocupou o banheiro! Quinze minutos se passaram e só tenho mais quinze para sair de casa. Procuro pela “roupa adequada”. Tenho dezenas de peças e raramente acerto vestir aquela que me dará o conforto necessário. É quase como acertar na loto. As demais... vivo passando frio ou calor. Como é que se vai saber o tempo que vai fazer?

A viagem no automóvel

Os escritórios deveriam ter um vestiário para a gente se trocar, tomar banho, se aliviar... Ai, meu Deus, enquanto vou pegando as peças, combinando brincos e sapatos, a dor de barriga aumenta. O tempo passou e eu só posso agora: ou caprichar no visual, ou deixar a lista das tarefas do dia e os cheques preenchidos para os fornecedores, ou tomar meu café da manhã, ou me trancar no banheiro e desejar que a fechadura se quebre e eu não possa sair de lá por dois dias, recebendo revistas e comida pela janelinha!

Os filhos já estão no carro, meu marido me dá as “instruções verbais” para o dia e a empregada começa a se coçar, me pedindo a tarde de folga, sei lá pra que. Eu dou tudo! Desde que ela não vá embora nessa fase. Afinal, como mulher, tenho que respeitar suas preocupações maternais e suas cólicas menstruais. Sorte dela que pode descansar enquanto eu tenho que marcar ponto e sorrir, sorrir sempre, mesmo que queira rosnar. O café dela ninguém controla. O meu é cronometrado. Só dois por dia, que é tempo de contenção de despesas na firma.

Enquanto vou colocando meu lanche, minhas pinturas, minha malha e guarda-chuva, tudo numa bolsa muito pesada, ouço as reclamações: “Mãe, cê tá atrasada”. “Querida, você precisa chamar a atenção da empregada que a camisa amarela está sem botão”. “Dona, pede pras crianças não trazerem amigos hoje, que não vai dar pra arrumar a sala e fazer almoço...” “Mãe, eu já combinei com eles que a gente vai fazer trabalho em grupo...”

Bendita dor de cabeça que não me deixa ouvir mais nada! Eu só faço que sim, e partimos. Vou comendo meu sanduíche e fazemos a maquilagem no espelhinho do carro. Entre uma brecada e outra cuido dos olhos e do batom. Tenho uma sensação íntima de ser super mulher. Afinal, este é apenas um dia comum. Mas, que diabo! Por que é que cada um não cuida das suas coisas?

Sinto vontade de voltar para a casa da minha mãe. Só que estou indo para uma reunião com os chefes da empresa, apresentar uma proposta revolucionária que beneficiará a todos nós. Sinto muito medo. Essa eu não posso perder. Dela dependem várias famílias. No “tchau-tchau”, um desce do carro aqui, outro ali, vou me aproximando do escritório. Um beijo no rosto do meu marido, que me diz com olhar grave e sério: “Temos que ter mais tempo para nós dois. Esta noite eu te procurei e você... nada! Sempre cansada...” De novo deixo de escutar e só respondo: “É. Depois a gente se fala, tá?” Um depois que nunca acontece, porque, quando não sou eu, é ele quem desaba, no meio da novela. Fim de semana? Ou vamos para a praia e ninguém quer falar de coisas sérias, ou tem filhos, sogros e amigos no meio. Nunca dá para parar. E quem é que quer parar?

A aflição no escritório

Agora começa o meu dia de trabalho remunerado. Foi por isso que eu tanto lutei. Respiro fundo e me concentro no serviço, não sem antes reparar que minhas unhas estão descascadas. Puxo a gaveta e pego a acetona. Afinal, serão vários pares de olhos focalizados em mim e tenho que fazer jus à imagem de uma mulher de sucesso. Detalhes bem cuidados ajudam a gente a se impor.  Já que temos que “falar grosso”, não podemos ter “ar de lavadeira”. Vejo com carinho essa minha primeira gaveta da escrivaninha. Aí guardo minhas perfumarias, agulha e linha, bilhetinhos, remédios, lembranças e uma série de coisinhas inúteis que atestam a minha futilidade. Imagino o que pode ter na primeira gaveta do meu chefe. Sempre achei que seriam documentos importantes... ou dólares. Tenha a ideia de que os homens são sempre homens são sempre racionais. Afinal, dificilmente têm crises histéricas que acontecem entre as mulheres. Uma porque está grávida sem querer, outra porque a mãe está doente. Daí ter sempre alguém com os olhos vermelhos de choro e o nariz fungando, se queixando de dores... e atrapalhando o nosso trabalho. Tenho o maior ódio quando me flagro sendo “boazinha” e desculpando os erros dessas mulheres que trazem a sua vida doméstica, particular, para dentro do escritório. E o faço por também ser mulher e ter dificuldade em “mandar”.

Ser autoritária em casa é uma coisa. Isso eu tiro de letra. (Tiro de letra nada, tirava quando estava lá...) Mas no trabalho? Já me disseram que eu pareço um homem de saias. Poucas coisas me magoaram tanto. Quando um superior meu é compreensivo, eu penso: “Que beleza de homem, quanta humanidade!”. Eu mesma tenho dúvidas sobre quando estou sendo “entreguista”. Beleza de educação essa em que menino não chora e menina não pode brigar! Está tudo na minha cabeça hoje. Só que, a cada vez que me pego brigando, impondo, tenho medo de ser rejeitada: ou é porque estou “masculinizando”, ou é porque estou “naqueles dias” e não consigo me controlar. Que sufoco!

Raramente eu vejo um homem desabafando. E, quando o faz, é com muito pudor. Se nervosos no ambiente de trabalho, quando muito, ficam é mais autoritários, calados, distantes, esbravejantes. Nós, mulheres, não. Parece que vivemos num eterno galinheiro, com mil fofocas, ti-ti-tis. Não que isso não nos alivie também. É bom poder chorar em público. Além do que, é uma boa arma para se usar quando a gente não sabe o que fazer...

Ao cair da tarde

Apresentei meu trabalho e saí da reunião com ares de pombamor: peito estufado, exultante. Não sentia mais nem a dor nos pés apoiados precariamente num salto sete e meio. Lembrei do meu primeiro namorado, de quando estudávamos química e ele disse: “Puxa, você tem cabeça de homem!” Foi o máximo que ele conseguiu para me elogiar. Senti que havia algo de errado naquilo, mas deixei pra lá. Eu mesma achava que mulher muito inteligente e homem muito bonito eram desperdícios da natureza...

Percebi estar sendo cumprimentada, admirada, invejada. Senti orgulho e muito medo. Sempre medo! Como estaria minha aparência: despenteada, com a pele oleosa? Nos filmes, as executivas terminam essas reuniões com cara de quem está indo a uma festa. Eu tenho a péssima mania de passar a mão nos cabelos, borrar a maquilagem, tirar os brincos... Fico exatamente como o meu marido, que chega em casa desalinho, com a gravata no bolso, os punhos dobrados. Ah, meu Deus, falta um contra-regra na minha vida!

Me chamou atenção ter recebido tapinhas nas costas. Que coisa mais inócua! E se, ao invés disso, meu chefe tivesse alisado meus ombros?! Quero fugir dali e voltar para o aconchego do meu lar. Mas antes devo passar pelo supermercado, batalhar um táxi, telefonar para saber da minha mãe que foi ao cardiologista, comprar presente para a namorada do meu filho, cancelar de novo a visita de um casal de amigos, escrever uma carta. Meu Deus! E jantar? O pessoal já está entupido de pizzas e hamburguês. Hoje será uma sopa pronta e omelete. Dane-se... ninguém está desnutrido. Mas que dói, dói. Quando sentamos á mesa e eles debocham: “Mãe, esta casa está uma fartura. Farta tudo”. Eu me sinto a mais incompetente da donas-de-casa. Logo eu que me dizia: “Nem que eu ganhe só para pagar uma empregada, em casa eu não fico!”. Agora vejo que não é muito mais do que isso o que eu ganho, pois tudo me sai mais caro: desde os táxis (pois vivo atrasada), as compras de roupas (pois não tenho tempo de procurar), até os 20 a 30% a mais nas despesas da casa!

Na hora de dormir

Fico magoada ao me olhar no espelho. Eu vivia reclamando que meu marido se arrumava mais para estar com os outros que comigo. Em casa era barba crescida, chinelo, roupa amassada e um humor de cão. Resmungos alternados com silêncios de quem não tem energia para pensar, quanto mais para dialogar. Eu o recebia alegrinha: “Me conta como foi o seu dia”. E ele, nada. Eu achava que ele não queria saber de mim. Ledo engano. Imagina se ele estaria a fim de continuar remoendo as tensões do trabalho? Eu ficava esperando que ele tomasse qualquer iniciativa diferente de desabar na poltrona. Quando ressentimento inútil...

Agora eu faço a mesma coisa. E vejo com outros olhos, com mais carinho, esse homem guerreiro que até aprendeu a usar o meu salário sem se sentir humilhado. Vou pensando que continua a haver algo de errado comigo. E começo a saber o que é: preciso aprimorar meu balanço entre dar e receber, me fazer um eu no social.

Para que eu me liberei

Encarando meu rosto cansado, sem viço, sentindo-me feia e pouco atraente neste momento, começo a entender um pouco mais da vida e de mim mesma. Tenho noção do amor e de que casamento é compromisso profundo e prolongado, um contrato de mutualidade e respeito pelo que se é, pelo que o outro também pode ser. Que maternidade é tarefa de renúncia e exercícios de limites, em que todos crescem e aprendem continuamente.

Que não é possível querer mudar sem mexer em nada, fazer de conta que ainda se é a mesma, embora a situação seja outra. Que o trabalho não facilita tudo. Talvez até complique. Que trabalhando eu não fujo dos problemas, mas tenho oportunidades diferentes para resolver o mesmo problemão central: o quanto eu gostaria de ser ideal e não sou! E me liberar é ser quem eu sou!

Daí fica possível conciliar se mãe-esposa-dona-de-casa-trabalhadora: não como mulher ideal, mas como alguém que, corajosamente, amplia seu espaço de ação e participação! E eu, que também gosto de reclamar, afirmo já: “Quero poder me queixar de tudo, mas de tédio não”.

Afinal, foi para isso que me liberei!

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  • Psicóloga formada pela UNIP, Mestre em Psicologia Social pela USP e doutora em Ciências Sociais pela PUC-SP.
  • Pesquisadora pelo NEF - Núcleo de Estudos do Futuro, com foco no Ecossociodesenvolvimento | Cátedra Ignacy Sachs, alinhada ao United Nations Millennium Project.
  • Coaching de Carreira e Preparo para uma Aposentadoria Sustentável.
Magia no salão de beleza

Magia no salão de beleza

Eu fazia as unhas apenas para matar o tempo e acabei emocionada com a pureza do encontro da cabeleireira com uma menina de rua.

Magia no salão de beleza

"Era um daqueles salões de cabeleireiro em que a gente se arrepende de entrar. Todo grudento, mal cuidado, espelhos descascados, assentos furados e descosturados… E, por azar do destino, eu lá, meio que paralisada, sem entender porque continuo deixando a moça picotar minha cutícula mesmo morrendo de medo de contrair uma infecção. Pela boa educação? Calor excessivo? Talvez a solidão, numa cidade estranha, de passagem para pegar um avião dali a intermináveis cinco horas, sem nada para fazer, nem ninguém interessante para visitar.

Eu não havia reparado na moça, a não ser quando ela veio de volta da rua, segurando pelas mãos uma menina, de seus 7 anos. Ela tinha uma idade indefinível, entre 40 e 50 anos e um tipo vulgar. Avental branco manchado por tinturas, botões estourados na barriga, cabelos descoloridos. Faltava um dente, e os outros salvavam sobre seus lábios carnudos. Tinha pela parda e um vozeirão.

- Eu não disse que ia te trazer um sapatinho hoje?

A criança tímida assentiu.

- Fui buscar ela do outro lado da rua. Quase não achava. Vem cá, querida, vem lavar os pezinhos para experimentar.

Pegou a menina suja e franzina, sentada na borda do lavatório, e começou a limpá-la. Penteou seus cabelos. Pôs fitinhas. Lavou-lhes as mãozinhas, braços finos, pés e pernas. Tocava-a com tal cuidado e desvelo, falava-lhe tão suave e amorosa que pasmei. Enquanto cuidava da pequena, a morena foi se transformando, foi ficando bela, sublime, enorme de grande.

Enxugou os dedinhos um a um, passando a toalha e depois talco, finalizando com suaves beijinhos nos pezinhos, tão profundamente penetrantes que comecei a soluçar, perante tal encantamento. Meus olhos secos e arregalados não resistiram àquela bolha iluminada que emanava das duas.

- Beija aqui também. Agora esse outro dedinho, senão ele fica com ciúme. Pedia a menina, que arrulhava de satisfação. A pequena foi tomando ares de majestade, tornou-se uma verdadeira senhora, cheia de dignidade em sua presença infantil, soberba em sua confiança. Já ria alto, com pose de segurança. Sorria, como se sempre tivesse sido assim.

- Pronto, agora você pode experimentar. Eu trouxe dois, uma sandália e um tênis. Vê, qual você quer?

Sua hesitação devolveu-lhe o pequeno tamanho de sua pouca idade. Seu olhar tornou-se temeroso e furtivo.

- Ah! Você quer os dois, não quer? Então por que você não fala? Tome, leve o tênis com você e vai de sandália. Corre. Pode ficar com eles, ou então dá para um irmãozinho.

Os olhinhos da menina se arregalaram e brilharam de alegria e surpresa. Seu ar não era de gratidão, mas de novo, de realeza. A mulher invulgar fitou-a, serena. Deu um suspiro e recomeçou a eterna faxina no salão. A magia sossegou.

Chorei pra dentro copiosamente. Meu corpo todo tremia. Nunca mais vou esquecê-las. Minha maior vontade era encontrar essa menina hoje e perguntar-lhe: Ei, aquilo mudou alguma coisa na sua vida? Não sei se está viva ou morta, se continua na rua ou foi para a escola. Não sei onde ela está. Queira saber se o amor a salvou. E queria dizer àquela cabeleireira o quanto ela me ajudou.”

Depoimento de Ana Perwin Fraiman de São Paulo, SP. MAIO, 95, CLAUDIA.

  • Psicóloga formada pela UNIP, Mestre em Psicologia Social pela USP e doutora em Ciências Sociais pela PUC-SP.
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Feliz dia das Mães

Feliz dia das Mães

Já vencemos o tempo de discutir se o amor materno é inato ou aprendido.

Feliz dia das Mães

E, já penetramos o espaço-tempo de considerar que há mulheres que simplesmente dão à luz por puro instinto e outras que os trazem ao mundo para entregá-los à Luz que eleva suas consciências. Filhos do próprio ventre e filhos de puro amor.

Uma aloja em seu ventre um filho de outra mulher e crianças falam com naturalidade sobre suas muitas mães. Há filhos que dizem ter tido por mãe sua irmã mais velha ou sua avó e, quando o fazem, mesmo que 50 anos depois, seus olhos brilham de gratidão, porque se referem àquela que cumpriu fielmente com o que significa ser Mãe.

Alcançar o status de Mãe nos remete ao que essa palavra contém em si na sua origem: ser forte e paciente como a água, ter um fluxo permanente e renovador, buscar naturalmente outros caminhos nas grandes dificuldades, porém jamais desistir, seja o tamanho do obstáculo a superar.

Ser Mãe também significa aquecer o corpo e o coração daqueles que dela se aproximam.

Não sossegar, enquanto seus queridos não estão bem. É cuidar do próximo com doçura e com austeridade. Dizer sim e não com convicção, porque se investe de real autoridade, cujo propósito é a união.

Doces e preciosos momentos em que, apesar das grandes diferenças e divergências entre cada filho e cada neto, sentam-se todos ao redor de uma mesa, se não farta de boa comida, farta de amor e de fé. As Mães insistem em ter seus filhos reunidos, porque ela cumpre com uma função fundamental: é o traço de união, o agente organizador da unidade familiar. É a ‘cola’ que mantém todos em contato, mesmo quando as relações estão estremecidas.

Nem todas conseguem se sair bem ao longo do caminho.

Há mulheres más e negligentes. Há quem seja egoísta e se mostre ausente. Há mães que espancam e mães que matam. São pessoas infelizes e atormentadas. Nem todas conseguem unir a família, muito pelo contrário. Pode-se, no entanto, educá-las e tentar orientá-las ao que lhes compete realizar. A educação é primordial e traz resultados muito melhores do que a prisão.

Há, porém, uma espécie de mãe extremamente egoísta e possessiva, à qual não confiro um M maiúsculo, porque esse tipo de mulher age com pobreza de espírito, sem ética e, emocionalmente, assume atitudes pequenas. É aquela que toma posse de seus filhos e lhes nega um Pai. Essa mulher distorce os fatos, não permite que as crianças se aproximem dele, usa-as como moedas de troca, por meio de manobras que plantam na cabeça dos menores toda a sua própria raiva e negatividade.

Mulheres que agem assim ainda não cresceram e, portanto, não sabem exercer com critério sua autoridade, nem sua responsabilidade. Afetam, negativamente, a autoestima das crianças que, inocentes, se submetem ao rancor e à destrutividade de suas mães, que sentem prazer em atacar o Pai. Isso tem um nome na esfera da Lei: alienação parental.

Neste Dia das Mães eu gostaria de dizer palavras de amor, tão somente. De reconhecer em público o valor e o amor de minha própria Mãe. E aqui o faço. Quereria poder deixar de mencionar as injustiças e os ataques que muitas mães fazem contra seus filhos, mas não consigo. Não quero me limitar, na verdade.

Por isso peço, encarecidamente, a todas as mulheres que façam um exame de consciência: não falem mal do Pai deles para seus filhos. Não os tornem seus confidentes. Não os puxem para o seu lado por medo de perdê-los. Isso só vai ferir a vocês ainda mais, agora e mais tarde. E, também, não falem mal de um irmão para o outro, não os comparem, quando lhes convém.

Agindo assim, você não vai motivá-los a obedecer mais, a estudar mais, a se comportar melhor. Esse tipo de atitude é altamente destrutiva e leva, crianças, jovens, adolescentes, homens e mulheres feitos, a perderem a confiança no Amor. Comparar uma criança a outra, ainda que não seja essa a sua intenção, só tem por efeito humilhá-la. Dizem os sábios que humilhar uma pessoa adulta equivale a ferir de morte a sua alma.

Imaginem, então, como se sentem as crianças quando são humilhadas por suas próprias Mães e Pais, ao usarem de ironia e desdém para consigo, afirmando que a criança, tal como tem sido, não merecem seu apreço. Crianças que não são aceitas por aqueles de que tanto dependem, sentem-se ameaçadas de perderem sua segurança. Não confundam quem as crianças são com aquilo que elas fazem.

Deixe as desavenças, as decepções, a braveza de lado. Não faça manha, Mamãe. Cumprimente a sua própria Mãe, a sua sogra, as vovós. Seja um traço de União Familiar. E, viva seu Dia das Mães com amor e gratidão no seu coração: ao unir sua família e, unir-se a todos eles, também, você estará exercendo a sua função primordial!

  • Psicóloga formada pela UNIP, Mestre em Psicologia Social pela USP e doutora em Ciências Sociais pela PUC-SP.
  • Pesquisadora pelo NEF - Núcleo de Estudos do Futuro, com foco no Ecossociodesenvolvimento | Cátedra Ignacy Sachs, alinhada ao United Nations Millennium Project.
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