Aposentar-se

Você precisa conviver com esta ideia desde quando começar a trabalhar.

Aposentar-se
Imagem: Pixabay

"Primeiro vou pagar minhas dívidas e ajudar meu filho a terminar a casa dele. Depois, com os dois mil, dois e quinhentos que sobrarem, vou comprar um freezer, desses deitados e vender sorvete. De porta em porta? Não. Vou abrir a frente da minha casa, que nem a minha cunhada fez e vender de lá mesmo. Ela está tirando um bom dinheiro e eu acho que também vou tirar, porque lá no meu bairro não tem sorveteria, não. Daí vai ter e eu vou ganhar."

Dona Glorinha, pessoa simples, trabalhadora desde seus seis aninhos de idade, aposentou-se com uma bolada de quase cinco mil reais no bolso, mais o que teria pela frente, o INSS de cerca de quinhentos reais mensais. Estima precisar de uns oitocentos, então, precisa continuar a trabalhar para ganhar. Não tem, ainda, uma ideia clara sobre o que fazer, mas pensa em abrir uma sorveteria.

Como milhares de outros, não sabe que é necessário abrir uma firma e recolher imposto para poder trabalhar, abrir uma porta pra rua, como ela mesma diz. A questão não é, tão somente, adentrar o espaço da economia informal, é fazê-lo sem qualquer instrução, sem qualquer conhecimento de causa sobre o que isso pode acarretar.

Aposentar-se não é fácil, você precisa conviver com esta ideia desde quando começar a trabalhar. Mas se isso não aconteceu até agora, então, comece a pensar nisso já. Não espere acontecer para, então, se desesperar. Porque as dificuldades são muitas e, virão.

Isso não quer dizer, porém, que não hajam saídas e possibilidades que você nunca sequer cogitou. Quer dizer, simplesmente, que você terá que se dedicar a encontrá-las.

Por outro lado, não se apegue tão somente aos exemplos que já pode apreciar. Alguns se deram bem, outros muito mal em relação às novas tentativas. O caminho que você trilhará é seu, é exclusivo. Exemplos ensinam, mas não permita que o desestimulem antes de estudá-los a fundo, nem que o envolvam, cegamente.

O problema da falta de ocupação profissional jamais pode ser reduzido à não-utilidade. Ou seja, se você deseja sentir-se útil, seja. Descubra diferentes maneiras de participar. Trabalhar é, simplesmente, uma delas. Ganhar dinheiro é outra. Reveja seus conceitos de trabalho e de utilidade.

Além disso, a questão não é sentir-se útil, é fazer algo de útil e isso, depende, em parte, daquilo que os outros acham sobre o que você faz.

Um dos participantes de um seminário que coordenei disse:

"Agora que estou mais velho, não mais me interessa ser, simplesmente, útil. Quero ser solidário. Eu sempre quis, mas a vida dura não me permitia. Agora vou me dedicar a fazer algo que as pessoas valorizem e de que necessitem. Acho que não vou me aborrecer. Quero me fazer querido. Quero me relacionar com pessoas que, realmente, possam me aproveitar naquilo em que sou bom."

Ana Fraiman | A Era do Javalí – Verdades em tempo para aqueles que se aposentam. (Saiba+)

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  • Psicóloga formada pela UNIP, Mestre em Psicologia Social pela USP e doutora em Ciências Sociais pela PUC-SP.
  • Pesquisadora pelo NEF - Núcleo de Estudos do Futuro, com foco no Ecossociodesenvolvimento | Cátedra Ignacy Sachs, alinhada ao United Nations Millennium Project.
  • Coaching de Carreira e Preparo para uma Aposentadoria Sustentável.

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