O que a aposentadoria oferece? A possibilidade de firmar um novo contrato com a vida, onde fazendo ou não fazendo isso ou aquilo, a vida sempre fará a parte dela, coisa que nunca será dado a ninguém saber de antemão.

Fase, ciclo ou meia idade, madurez, melhor idade ou etapa de vida, a questão é:  você pensa, planeja e deseja. Mas a vida levará sempre a parte do leão. Fique esperto, portanto, que não dá para estar de brincadeira. Quanto menos você cuidar, mais a vida vai levar.

Decorridos os anos convencionas de serviços prestados e contribuições recolhidas, agora a aposentadoria se apresenta. A você, a mim, a quem quer que tenha trilhado os caminhos de um trabalho com vínculo empregatício. Chegou a hora da retribuição. É o tempo da meia idade – saudosa expressão – ou terceira idade.

Qual a diferença entre uma e outra?

A terceira idade é um termo cunhado com conotações de cidadania, movimentos sociais, época de desfrute do lazer e do tempo de liberdade para si e para novas realizações. A meia idade tem conotações de natureza relacionada à saúde e à vida privada, mais especialmente no âmbito familiar.

É onde se espera que as pessoas façam seu exame de consciência, que reflitam sobre seus feitos e conquistas, no sentido de avaliar os caminhos percorridos e já sabidos e buscar abrir novos espaços, alguns externos, outros íntimos, rumo à plenitude do viver.

A plenitude a que aqui nos referimos é, no entanto, um resgate: ser si próprio, tão autêntico como um dia fomos, quando crianças, sem a menor noção ou dever de refletir sobre quem somos ou pensar na vida, se ela vale a pena e nas possíveis consequências de fazer o que fazemos. A Mais radical das consequências da vida? Morrer. Tenha sido ela bem ou mal vivida.

Na ‘idade do balanço existencial’ aumentam as chances de nos encontrarmos conosco mesmos. Viramos do avesso e, provavelmente fazemos novas escolhas. Ou a vida nos obrigará a ser e fazer diferentes, mesmo que não desejemos escolher. Ou mudar em nada. Quer queira quer não, mudaremos.

Assim como não é possível saciar a sede e a fome sem nos alimentarmos direito, tanto quanto não a saciamos só de ver o outro comer e beber até fartar, ninguém de nós é poupado das angústias e dos conflitos deste balanço existencial porque sabemos, de antemão, que ele haverá de acontecer. Nós nos planejamos, lemos, estudamos, nos preparamos com base na experiência, na observação do que se passa a nossa volta com os nossos queridos, ouvimos os relatos alheios e tiramos nossas conclusões. Somente que, na nossa vez, vai doer. A tarefa é monumental. E os primeiros resultados é a forte impressão de nada sabermos. Então, para que pensar nisso de antemão?

Uma coisa é pensar, outra é se preparar

Estudos recentes informam que: os pessimistas envelhecem melhor. Não nos referimos àqueles que são passivos e só enxergam o lado obscuro daquilo que vivem hoje e em relação ao seu futuro. Uma coisa é ser pessimista, outra é ser derrotista. A questão é bastante controversa.

Enquanto os otimistas inveterados sempre acreditam que ‘darão um jeito’ e, com isso podem se colocar em risco, tal como na fábula A Cigarra e a Formiga, os pessimistas podem superar os riscos à medida que constituem reservas, cuidam da saúde e se previnem, saem em busca de alternativas para uma perda de renda futura, se informam em relação a investimentos seguros, em vez de doarem todos os seus bens e deixarem seu dinheiro nas mãos de gerentes ou familiares, que podem tender à parcialidade e, tomam muitas outras providencias, que merecem ser tomadas com cautela.

É, então, que se tira muito proveito dos Programas de Preparo para uma Aposentadoria Ativa e o Pós-Carreira. Alguns dos profissionais que se inscrevem nestes programas, ao cabo dizem não terem ‘aprendido nada de novo’. Então, porque se inscreveram e participaram? Para saber se eu estava fazendo as coisas certas, arrematam. São pessoas previdentes, que tomam seus cuidados em relação ao que virá pela frente. E o que virá não é pouco. A fase compreendida entre os 55 anos e os 75 anos de idade, em nossa sociedade, é das mais tumultuadas. Muitas mudanças estruturais acontecem na vida das pessoas, envolvendo várias áreas simultaneamente.

Algumas destas mudanças são previsíveis e até desejáveis. Outras nos pegam de surpresa. Somos partidários, portanto, de que tudo aquilo que pudermos ter como informação e atitudes pró-ativas que adotarmos, desde antes de nos aposentarmos e nos desligarmos da empresa, deve ser empreendido. Empreender não significa tão somente abrir um negócio, mas organizar a própria vida de modo a conquistar e manter: autonomia, independência, liberdade, saúde geral e alegria, mesmo em meio às dificuldades e vicissitudes que vierem nos abater.

Um PPA – Programa de Aposentadoria Ativa tem por função oferecer condições de reflexão, de informação e, quem sabe, de apoio a mudanças necessárias. Seu enfoque é amplo e diz respeito às questões do corpo, da mente, do espírito, da vida social e familiar, às de ordem econômica e financeira, às questões relativas à cidadania e ao sentido de vida. Não se trata de fomento à adesão a novas atividades. Isso também. Mas que sejam atividades significativas, em torno das quais a pessoa leve uma vida bastante digna.

O desligamento da atividade profissional que até então vinha sendo exercida, quando não é bem preparado e quando ocorre de maneira súbita, tem sérios impactos na saúde física mental do trabalhador, impactos estes que terão suas repercussões na família. A empresa perde, à medida que o conhecimento dos mais velhos e experientes é levado para fora e em boa parte não é recuperado em curto prazo, porque a formação de um bom profissional leva muitos anos. E perde o Estado, grande força de trabalho e de inteligência, quando não gera condições objetivas dos mais velhos voltarem ao mercado de trabalho, nele se inserindo com ocupações úteis e necessárias, tendo reciclado seus saberes e procedimentos. O fato de um profissional ser desligado do trabalho que vinha exercendo, não significa que ele ou ela não consiga trabalhar em outras áreas e de outras maneiras.

Os PPA respondem positivamente ao novo clamor: um mundo de oportunidades para os cidadãos de todas as idades.

Como têm sido elaborados os PPA, nas empresas públicas e privadas? Sua estrutura tem-se montado em etapas, que se mantêm permanentes:

  1. Iniciativa – em geral parte de uma diretoria ou, mais comumente, de um departamento ou área, que buscará sensibilizar a sua diretoria. É feito um levantamento bibliográfico, além de consulta a empresas que já o praticam com sucesso. Busca-se o que há no Brasil e, mesmo, no mundo.
  2. Recrutamento – de monitores, agentes ou instrutores. Muitas vezes atuam de modo autônomo e pró-ativo. Forma-se um pequeno grupo gestor que, depois de algumas experiências, busca introduzir o PPA na cultura da organização. Realiza-se um treinamento com atualizações periódicas e possível supervisão institucional para conduzir os PPA.
  3. Consultoria – Sua função tem sido a de estabelecer a filosofia do trabalho junto àqueles que estão prestes a se aposentar, traçando diretrizes de acordo com o perfil e as condições de cada instituição ou organização. Solidariamente ao grupo gestor, estabelecem-se os métodos, os conteúdos – participativos e presenciais ou não presenciais/virtuais – as técnicas e dinâmicas – conforme as condições em que os PPA serão realizados – e, sobretudo, atuando no preparo daqueles que haverão de conduzi-los.
  4. Indicação – Pode ou não haver indicação de participação de outros profissionais – internos ou externos – a cada organização. São discutidas formas de contratação, valores, espaços disponíveis, duração, custos totais, material de apoio, sempre de acordo com o perfil da empresa contratante.
  5. Parcerias – Recomendam-se estabelecer parcerias com organizações, instituições afins.
  6. Palestra – Dirigida: às chefias, ao público interno, ao público específico. Objetivo: instalar o programa no calendário de eventos da empresa/instituição/organização e procurar envolver os participantes (e seus familiares).
  7. Ação de endomarketing - Envio de: convites, memos, realização de pequenos encontros, veiculação audiovisual, materias específicas entregues em mãos e/ou pela intranet.
  8. Público-alvo – Definição e sensibilização. Em geral, o público específico é abordado, preferencialmente a partir de: 5 anos, 2 anos ou um ano da data do primeiro PPA. Podem-se realizar diversas ações, inclusive junto ao público de aposentados e seus familiares. Habitualmente são focalizados os públicos: aqueles que estão mais próximos à data de aposentadoria/desligamento, que têm tempo de contribuição/se deseja envolver num programa de formação e capacitação de sucessores. Turmas: heterogêneas ou mistas.
  9. Modelos Imersão (de 2, 3 a 4 dias), dentro ou fora o ambiente de trabalho, seguido ou não de seminários de aprofundamento de temas e grupos de interesse. Sequência de palestras e/ou visitação a locais de interesse, com frequência quinzenal ou mensal, por adesão. Abertos e permanentes, dirigidos a todos os funcionários/empregados/colaboradores, sem limite de idade nem corte por proximidade da aposentadoria. Usualmente através de grandes palestras em plenário, pelo prazo de seis até 10 meses. Oficinas temáticas dirigidas para grupos de até 15 pessoas, no máximo 25 por grupo. Usualmente o programa oferece 6 a 8 oficinas com vivências.
  10. Avaliação – Junto ao público inscrito: praticam-se basicamente três tipos: de impacto, de aproveitamento e de resultados. Pode-se, também, fazer o registro através de fotos e depoimentos: por escrito e por filmagens rápidas. Os registros são mantidos pela equipe de coordenação geral e, usualmente estes materiais são também entregues aos participantes, juntamente com Certificado de Participação. Junto à equipe responsável: também é feita avaliação do desempenho da equipe e revisão dos aspectos a serem aperfeiçoados para os próximos grupos. Reciclagens são previstas.
  11. Programas: apoio à saúde e adaptação ao trabalho podem se aliar aos PPA.

 

Quer saber mais sobre o PPA?

  • Psicóloga formada pela UNIP, Mestre em Psicologia Social pela USP e doutora em Ciências Sociais pela PUC-SP.
  • Pesquisadora pelo NEF - Núcleo de Estudos do Futuro, com foco no Ecossociodesenvolvimento | Cátedra Ignacy Sachs, alinhada ao United Nations Millennium Project.
  • Coaching de Carreira e Preparo para uma Aposentadoria Sustentável.
  • Presidente Nacional do PSDC - Família e Idoso

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