Quando chega a hora de Recasar

Para ser como ele gosta, você se sufoca, murcha, se apaga. É um erro grave. Seja você mesma e viva muito feliz.

Você não é mais a menina com quem ele casou. Nem ele é o menino que casou com você. Ambos mudaram, mas não mudaram a forma com que se tratam. Mudaram, e pensam que o outro não sabe. Ele não se mostra como é, mas da forma como pensa que você gosta. E você também.

Você parece duas pessoas, uma longe dele, outra perto. Quase sempre a que está longe é mil vezes mais interessante, desinibida, espirituosa, inteligente. Perto, você murcha, se apaga, submete-se ao medão de mostrar-se na sua complexidade, nas suas incoerências, na sua imaturidade. Isso gera infelicidade e impotência. Vocês não estão mais dialogando, se arriscando. Apenas mantêm fachadas.

Quando você está irritada com os filhos e ele a procura para sexo, você se sente desrespeitada. Não imagina que sua explosão de raiva a torna uma mulher vibrante e muito desejável e que o desejo dele, longe de ser agressão a seus sentimentos maternais, é um caminho para você resgatar a fêmea cheia de vida, sem grilos, que deveria ser.

Interprete certo os gestos dele.

Quando você está enlevada com as novidades de seus filhos, se divertindo com as estórias deles, e ele se mantém à parte, o que você pensa é que ele é um chato, omisso, alheado. Jamais acredita que ele morre de inveja da sua capacidade de se comunicar com os jovens.

E em relação a você? Ele sabe que você também fala palavão, conta piadas picantes, dá gargalhadas e sonha com um amante tipo apache, desinibido, de uma sexualidade animal? Ou só vê a sua timidez envolvida em pijamas de flanela e luz apagada quando vocês vão transar à noite? Ele sabe o quanto você fica ressentida porque ele se veste melhor para ir trabalhar do que para estar com você à noite? Ou que você detesta sua dependência econômica e o fato de ele cuidar sozinho dos investimentos familiares?

No amor, quem dá também recebe.

Vencer o tédio da rotina desagradável/confortável é trabalhoso e heroico. Alguém tem de começar. Em primeiro lugar, você tem de se ver agindo diferente. A imaginação serve de treino, mas não fique só no pensamento. Você precisa concretizar esse eu que está embutido em seus rancores e receios.

Preste atenção no seu corpo quando ele se aproxima. Você muda de postura? Se encolhe ou se apruma? Altera a conversa? Fica calma ou inquieta? Pergunte a ele se já reparou nisso. Preste atenção nele também. O corpo fala. Revela o que a boca silencia.

Crie a sua sorte, não espere que ele simplesmente aconteça. Pare de se expressar no condicional: eu gostaria, eu queria... Respeite os seus desejos, comece a falar afirmativamente: eu quero, eu gosto. Dê o primeiro passo, o primeiro beijo, o primeiro sorriso. Em matéria de amor, é dando que se recebe.

Agora, se você ainda não se sente bem na sua pele de mulher, se não confia em si própria e não vê o seu valor, procure ajuda, porque não há homem (e muito marido) que respeite uma mulher que não se respeita. E os homens adoram mulheres que solicitam com interesse, bom humor e até mesmo uma pitada de filosofia. Por que continuar com esse pudor de revelar o quanto você precisa dele?

  • Psicóloga formada pela UNIP, Mestre em Psicologia Social pela USP e doutora em Ciências Sociais pela PUC-SP.
  • Pesquisadora pelo NEF - Núcleo de Estudos do Futuro, com foco no Ecossociodesenvolvimento | Cátedra Ignacy Sachs, alinhada ao United Nations Millennium Project.
  • Coaching de Carreira e Preparo para uma Aposentadoria Sustentável.
Humildade

O que é Humildade e por que precisamos dela?

Humildade é algo que todos valorizamos – normalmente nos outros.

Humildade
Imagem: Pixabay - Humildade

Teoricamente, é uma virtude. Na realidade, muitos acham que é algo prejudicial. Por quê? Estas pessoas confundem ser humilde com humilhar-se, diminuir-se, pois identificam ‘humildade’ como `fraqueza de caráter`, ou seja, permitir que os outros nos pisem.

Não é assim! A Torá nos ensina que Moshe Rabeinu (Moisés, nosso Mestre) foi a pessoa mais humilde que já existiu (Bamidbar 12:3) e, também, o único profeta que conversou ‘cara a cara’ com o Todo-Poderoso (Devarim, 34:10).

Todos os outros profetas recebiam sua profecia dormindo ou em transe, mas Moshe podia falar diretamente com o Criador. D’us ditou-lhe como escrever a Torá, palavra por palavra, letra por letra. Moshe, portanto, sabia que D’us afirmou que ele era e seria o maior de todos os profetas.

Como era possível, então, que permanecesse humilde?

A resposta reside na definição de humildade. Humildade não é ser um nebah – um dócil, hesitante, patético e humilhado perdedor.

A humildade é a característica de sabermos exatamente quais são nossos talentos e capacidades e reconhecer que isto e tudo o mais são uma dádiva do Todo-Poderoso. Eis o segredo para conquistar algo essencial para ser aplicado às nossas vidas: conhecer as próprias forças e tomar posses, reconhecer as próprias conquistas, sem jamais negar uma verdade básica e vital: tudo que se tem e se consegue são dádivas do Todo-Poderoso.

A humildade é um requisito para se estudar a Tora, bem como qualquer texto inteligente e sagrado. Os Sábios traçam uma analogia do conhecimento profundo com a água: necessária para a vida, é essencial para o crescimento e para atingirmos nosso potencial.

Um sujeito arrogante coloca-se numa posição alta como uma montanha. O que ele esquece é que a água flui da montanha para os lugares mais baixos e não o contrário. Para extrairmos o máximo de nosso potencial, precisamos ser humildes.

Ao percebermos nossa pequenez em relação ao Universo e ao poder do Todo-Poderoso, adquirimos humildade. Ao nos darmos conta da gigantesca quantia de sabedoria disponível, mas que não a temos e, quando muito, dela participamos, usufruindo e/ou criando, dos pequenos e grandes erros que cometemos, adquirimos humildade.

Ao entender a magnificência e a fragilidade do corpo humano e como até as pessoas mais fortes no final enfraquecem e morrem, adquirimos humildade. Se pensarmos bem, a única maneira de ser arrogante é desconectar-se do ‘grande quadro’ , também chamado realidade. Assim como O Profeta Moisés, todos os grandes homens, os sábios e os santos, possuem o mais alto nível de consciência da realidade e, portanto, são os mais humildes dos homens.

Por que precisamos de humildade?

Uma pessoa verdadeiramente humilde aprende com as demais, faz perguntas quando tem dúvidas e está aberta a críticas. Não sente necessidade de exercer poder sobre os outros ou de sentir-se superior a eles, focando em seus defeitos e falhas. Esta pessoa não irá agir com desprezo, nem dar-se-á o direito de julgar as demais. Evitará discussões e brigas. Pedirá desculpas e não porá a culpa nos demais. Conseguirá enxergar o lado positivo dos demais e amar o próximo. Podemos enxergar o amor como um grande sentimento de prazer, de que desfrutamos ao focar nas virtudes dos demais.

Humildade é liberdade. O que nos refreia e nos inibe são nossas preocupações desnecessárias sobre nós mesmos, incluindo como nos parecemos aos olhos dos demais. Quando uma pessoa preocupa-se apenas com a verdade e vive por isto, então, ela é livre para realizar as coisas mais significativas.

Uma pessoa arrogante é extremamente focada em si mesma para conseguir ouvir a verdade, para enxergar suas próprias falhas e para ajudar os outros. Precisamos, antes, conseguir enxergar as necessidades dos demais para poder ajudá-los, não sem antes pedirmos permissão para fazê-lo.

Uma pessoa arrogante está mais preocupada consigo mesma e sobre como os outros a encaram do que em fazer as coisas certas. Ela também sofre de ‘falta de paciência’ e isto lhe causa muita frustração e sofrimento. Além disso, considera que os demais têm o dever de aceitar a sua ajuda e que o mundo lhe deve satisfações.

Uma pessoa humilde descobre ser fácil aceitar que nem tudo acontece da maneira que ela gostaria que fosse. Ela foca no lado positivo de cada situação e circunstância, mesmo que num primeiro momento possa duvidar e se desesperar. Aqui temos um lindo paradoxo: a pessoa desesperada diz estar brigada com D’us e ter deixado de acreditar Nele, mas reza e implora (a Ele) para recuperar a sua fé.

Os humildes têm mais alegria em viver, pois entendem a realidade do que é importante: D’us, a Torá, os sábios ensinamentos, a verdade e não o seu próprio ego.

Autor: Rabino Kalman

  • Psicóloga formada pela UNIP, Mestre em Psicologia Social pela USP e doutora em Ciências Sociais pela PUC-SP.
  • Pesquisadora pelo NEF - Núcleo de Estudos do Futuro, com foco no Ecossociodesenvolvimento | Cátedra Ignacy Sachs, alinhada ao United Nations Millennium Project.
  • Coaching de Carreira e Preparo para uma Aposentadoria Sustentável.
Santo Agostinho

A estética de servir à ética de amar – Considerações político-econômicas

Uma economia próspera não basta. Por mais que se lute e se conquiste o conforto e o bem-estar, por si só a economia não responderia per si à altura de proporcionar tudo aquilo que faz crescer e satisfazer anseios nossos.

Santo Agostinho
Imagem: stock.adobe.com (Santo Agostinho)

A única medida do amor é amar desmedidamente. (Sto. Agostinho, in O capitalismo é moral?, obra de Comte-Sponville)

Mesmo a verdade e o amor pela verdade pode ser um grande impulsionador das ciências e da busca pelo conhecimento, que é infinito. Motiva pesquisas e está na base do saber e do próprio conhecimento científico, mas não é suficiente a tal ponto que dispense a demonstração, a praxis.

O amor à liberdade esbarra tanto nas leis, como nas políticas que têm por anseio dirigir uma sociedade democrática e conquistar a plena cidadania. Esbarra também na moral, na medida em que o amor é cego e acontece mesmo em situações não-apropriadas e relações interditas. O amor à liberdade, também deve servir e se submeter as responsabilidades: tanto da moral, quanto da lei.

E por mais que venhamos a prezar e lutar pela conquista da plena cidadania, também ela não basta, porque: se atende a questões da solidariedade, não chega a responder nem estimular a grandeza da doação de si e da generosidade, supremas provas de amor ao próximo.

O amor ao próximo também não basta, porque amores ilícitos acontecem e nem todos são dotados de bondade e pureza tais, que levem-nos a abdicar por amor ao mais próximo dos próximos, que também confia e retribui a quem lhe quer bem. As traições acontecem na mesma medida que os amores e a história sobejamente o comprova.

Mais além do amor ao próximo, há que se ter moral, com direito ao sentimento de culpa e, também, de vergonha, quando se sente amor a quem não é “de direito” ou quando ocorrem violações de tabus.

É por isso que necessitamos de quatro ordens, nos ensina Comte-Sponville. (p. 69). Porque elas precisam existir simultaneamente, cada qual dentro de sua própria lógica e independência relativa: política, econômica, moral e ética.

As quatro são necessárias e nenhuma, somente, é suficiente. Confundi-las leva ao ridículo e à tirania. Para Blaise Pascal há três ordens: a da carne, a do espírito de razão e, a do coração ou caridade). Caso se confundam duas ou três delas, chega-se ao ridículo: o coração tem razões que a própria razão desconhece! Ou como suspira Fernando Pessoa: “Toda carta de amor é ridícula. Mas o mais ridículo é nunca ter escrito uma carta de amor”.

Se o ridículo é a confusão entre duas de três das ‘ordens pascalinas’, a tirania é o ridículo no poder, segundo Comte-Sponville, ao citar Pascal: “A tirania consiste no desejo de dominação, universal e fora da sua ordem” (in Pensamentos, 58-332), além do que, “o tirano é aquele que confunde a autoridade com a própria ideia de poder”.

Em outras palavras, ridículo é aquele que governa ou pretende governar numa ordem em que não tem qualquer legitimidade para tal” (pág. 90). A tirania e  ridículo caminham juntas e de mãos dadas, tal como o amante que quer ser obedecido ou o rei que não se faz acompanhar de um conselho de sábios. A “vontade” de uma ordem, sejam aquelas apresentadas por Pascal, sejam as propostas por Comte-Sponville, nunca bastou para resolver problemas de outra ordem.

Não basta, pois, a vontade política para corrigir os salários e/ou elevar os proventos da aposentadoria. É preciso vontade e ação na esfera na economia, aponte de capital e fontes de custeio. Na falta de uma, todas as demais fracassam. De que adianta herdar o direito a receber uma aposentadoria digna, se não há dinheiro em caixa, para fazer valer esse direito?

Este é um dos maiores riscos que atualmente corremos: o de virmos alegar direitos constitucionais aos nossos filhos e netos, direitos garantidos por cláusula pétrea, mas vazias de mecanismos, instrumentos e conteúdo para fazê-los cumprir. Se como sociedade não nos mobilizarmos conscientemente, as próximas gerações de brasileiros e brasileiras herdam o direito de receber nada, garantido por lei.

Trata-se, então, não só de aplicar as vontades políticas e econômicas. Aposentadoria é, também, uma questão de ordem moral; se assim não for, instalam-se a barbárie e o angelismo.

Este é o alerta de Comte-Sponville: “Submeter a moral à política é barbárie. Mas submeter a política e o direito de uma utopia moralmente generosa - uma sociedade de paz, de abundância, de liberdade, de fraternidade, de felicidade -   é angelismo. Conhecemos os resultados dessa temível conjunção”.

Por mais que as políticas de Gestão de Pessoas proclamem ser o homem, o seu principal capital, isso é ótimo para inflar os egos daqueles que acreditam nisso. Pode agir como mote motivacional num primeiro momento, mas na prática do dia seguinte já se constata tratar-se de uma fala vazia, porque os empregados terceirizados, cooperativados, estão todos lá para trazer lucro para as empresas. Senão elas se retiram, se transferem para outras localidades e, com elas, podem escoar rapidamente todo um projeto de vida, não somente de pessoas e famílias, mas de toda uma comunidade.

Especialmente numa época de globalização do mundo financeiro, como a que vivemos. Os seniors empregados mais antigos e de maior salário já não são mais reconhecidos como Prata da Casa. Se prata houver, será somente na cor de seus cabelos. Alguns disfarçados pelas tinturas, outros ausentes das cabeças calvas, ou seja, todos eles e elas. Ser subitamente dispensado em idades maiores causa envelhecimento precoce e desorganização pessoal para o novo  trabalho.

A política tem-se submetido cada vez mais à economia estatizada, a barbárie tecnocrática e coletiva. E seja pelo angelismo, seja pela barbárie, as guerras se fazem e as pessoas, sacrificadas morrem. Têm seus sonhos e projetos de vida totalmente esvaziados e são condenadas a tentar sobreviver na miséria: econômica, cultural, moral, educacional e existencial. Dessa degradação humana e social, em larga escala, Victor Hugo tratou em Os Miseráveis.

Como vivemos todos submetidos às quatro ordens elencadas por Comte-Sponville, há que se entender e aplicar as nações de responsabilidade e solidariedade. É necessária uma matriz objetiva sustentável e uma volta às origens e raízes, volta essa isenta de subjetivismos morais.

Se desejamos e, parece que as pessoas de bem assim desejam de todo coração, conquistar a paz social que é fruto da justiça (opus justice pax), no que implica dar e garantir a cada qual o seu direito (suum cuique tribuere) e reconhecer como fontes garantidoras de todos os direitos:,

  1. A natureza, em relação aos direitos não outorgados e, sim reconhecidos; e,
  2. Os contratos, que envolvem todos os demais direitos conquistados e convencionados num estado democrático (pacta sunt servanda).

Ainda que se fale em nação de cidadania, há que se implementar e cultivá-la na prática, como exercício diário:

  • Em relação aos políticos, pela elaboração da legislação positiva consoante com a lei natural;
  • Em relação aos demais cidadãos maduros e conscientes (educados desde a mais tenra idade para tal), por meio de manifestações organizadas e dentro do espírito da lei, com relação à aprovação ou reprovação de políticas públicas e o exercício da legítima vontade da população (vox populi vox dei);
  • A superação resiliente, pelo efeito de um programa nacional de educação para todas as idades, baseada e movida por princípios e valores éticos de caráter em vez de valores personalistas;
  • Erradicação, pelo trabalho e pela educação para todos do, isenta do cinismo e do conformismo que, no limite confluem entre si e representam as duas faces da mesma atitude de pouco se importar, seja com dramas da vida, seja com os seus desfechos, gerando oportunidades de debate, através de fóruns organizados e, o espontâneo, segundo comunidades de interesses, necessidades o oportunismo;
  • Extenso e imediato combate ao analfabetismo digital, além de funcional;
  • O incentivo às artes e à cultura, iniciando-se pelo incentivo de aproximação e desfrute da boa literatura e o estado de filosofia, desde os primeiros passos na infância;
  • Pela discussão e conscientização da alçada de cada um dos Três Poderes (Judiciário, Legislativo e Executivo), acrescidos de um Quarto Poder, de caráter independente e incorruptível, representado pelo MP – Ministério Público e, um quinto poder, que trata da liberdade de produção e acesso ao mundo do conhecimento e das informações, representado pela Imprensa Livre, os dois últimos devendo ser e permanecer legitimados como fontes de real poder em nossa sociedade.

Uma vez que tanto o MP como a imprensa livre exercem exemplarmente o papel de controle na preservação da ordem democrática, mediante a defesa dos princípios éticos de todo e qualquer ato público e/ou privado, não se pode prescindir do seu exercício e plena participação na vida da(s) comunidade(s) e da nação, para evitar e coibir desvios éticos na condição das questões e coisas públicas -res publica - bem como as violências, os abusos e atentados aos direitos humanos fundamentais permanentemente abertos e acessíveis à manifestação popular.

Conflitos de interesse sempre se apresentarão, assim como omissões pessoais em relação às responsabilidades assumidas em qualquer uma das ordens: política, econômica, moral e ética, incluindo-se o MP e a Imprensa Livre, não devendo uma se submeter nem se deixar confundir pela outra, mesmo que num dado momento a decisão a ser tomada tenha que privilegiar alguma delas.

Boa parte dos problemas que hoje encontramos, esclarece Comte-Sponville, se deve à defasagem ampliada, nas últimas décadas entre o universo técnico-científico (pertencente à ordem 1) e o universo jurídico-político ( pertencente à ordem 2), aliado ao fato de que os problemas econômicos se apresentam em escala mundial, em sua insistência de globalização econômica.

Enquanto a maioria dos meios de decisão, ação e controle (da ordem 2), só existem em escalas nacionais (se muito, continentais, como na Europa até o presente momento histórico), a maioria das soluções precisa ser dada em escala mundial. Como querer que a ordem jurídico-política possa, nessas condições de inquietante defasagem entre elas, limitar eficazmente a ordem tecnocientífica? É o que condena os Estados à impotência e os mercados, se não tomarmos extremos cuidado, à onipotência (in O capitalismo é moral? pág. 182)

Surge pois, e cada vez mais, a necessidade de ajuste das sociedades, um novo paradigma:

  1. A ética da sustentabilidade planetária;
  2. A elevação do ser humano à condição de universal, que contém e, ao mesmo tempo, transcende a concepção do ser humano, enquanto social pela nova ética;
  3. A compreensão de que só há sentindo de vida, quando se inclui, o ‘outro’ na visão de si mesmo, porque o sentido só é valido quando se apresenta para e pelos indivíduos. E voltamos à estética de servir à ética de amar.
  • Psicóloga formada pela UNIP, Mestre em Psicologia Social pela USP e doutora em Ciências Sociais pela PUC-SP.
  • Pesquisadora pelo NEF - Núcleo de Estudos do Futuro, com foco no Ecossociodesenvolvimento | Cátedra Ignacy Sachs, alinhada ao United Nations Millennium Project.
  • Coaching de Carreira e Preparo para uma Aposentadoria Sustentável.
Mulher bem sucedida

Competente no trabalho e… na cama.

Você conhece uma profissional que é um sucesso na carreira e tem uma vida afetiva e sexual feliz?

Se a resposta é sim, pode ter certeza de uma coisa: ela conseguiu escapar das armadilhas que nós mesmas armamos. Veja quais são... e fuja delas.

Sucesso Profissional
Imagem: Pixabey

Regina é uma jovem desquitada, bonita, um sucesso na carreira, mas vice só. Quando as amigas perguntam por que, ela poderá dar mil explicações do tipo “o trabalho não me deixa tempo para o amor”, “os homens não têm coragem de se relacionar com uma mulher bem-sucedida” ou “não encontro um homem mais inteligente do que eu”. Mas, se Regina fosse fundo nas coisas, teria de confessar que ela é a causa de tudo. Porque Regina tem um problema comum à maioria de nós: construiu uma personalidade dividida em três partes – cabeça, tronco e membros. E estas partes não se encaixam, gerando angústia e insegurança, impedindo se realização total.

Regina (38 anos) conheceu sexo como a maioria das mulheres de sua geração: meio roubado, às escondidas, um olho fechado pelo prazer da entrega, o outro aberto pelo medo de ser flagrada. E mesmo agora, que não teme uma gravidez indesejada, ainda tem medos, como o de escolher a pessoa errada. Esse medo paralisa e desespera, pois somos prontamente vistas como mulher, mas não nos sentimos como tal.
Quando alguém pergunta a Regina se ela é feliz no amor ou se conhece sexo desvairado, ela responde “não”. E não há susto. Afinal, “não se pode ter tudo na vida”.

Quando uma mulher de sucesso como Regina conta que é infeliz na cama, dizemos logo “pelo menos você tem sua carreira. Isso compensa”. É como se ela estivesse apenas seguindo o rumo natural das coisas. Surpreende mesmo é quando uma mulher comum, sempre às voltas com a rotina da casa, garante que sua vida sexual é um verdadeiro sucesso. Aí, perplexas, vamos querer saber “o que ela tem que eu não tenho?” É como se condenássemos a nós mesmas – e às outras mulheres – à categoria dos seres que não podem ter tudo. Ou bem temos o sucesso, ou bem o prazer. Como se fosse impossível conciliar competência com prazer, transpondo a ponte entre o mundo do poder e o mágico terreno do prazer.

Afinal, o que nos falta para conseguir a harmonia entre estes dois universos? Basicamente, entender os processos que levam à divisão e identificar as armadilhas. As mais perigosas são as que decorrem da relação que mantemos com nosso próprio corpo e suas peculiaridades.

Menstruação não é doença

Esta é uma das primeiras coisas que devemos ter em mente para desenvolver integralmente nossa sexualidade. Quando menstrua, a maior parte das mulheres fica inchada, dolorida, mais sensível. Enfim, o corpo fica alterado, pede repouso. Mas a gente não pode parar o trabalho. Então, em vez da irritação por ter de fazer coisas que o corpo não quer, ficamos com raiva da menstruação. Se entendermos que a mudança – no corpo e no nosso estado emocional – é um fato natural, um sintoma de fertilidade, estaremos a caminho da integração entre nosso corpo, a cabeça e a sexualidade.

Gravidez não é pecado

Mas muitas agem como se fosse. Tratam de “esconder” a gravidez, com medo de perder pontos na carreira, de ficarem fora do planejamento da empresa – a longo prazo – já que se sabe que terão de interromper o trabalho pelo menos para dar à luz. Se isto é errado, também não se pode aceitar a atitude contrária: a da mulher que procura usar a gravidez como desculpa para suas falhas no trabalho. Usar a gravidez como desculpa para não produzir, ou evita-la – alegando que prejudica a carreira – são atitudes igualmente ruins. Nos dois casos, estamos negando nossa condição de mulher, ou seja, reprimindo nossos sentimentos e a nossa sexualidade.

É normal ter desejos

Vestir uma capa de frieza para mascarar sua condição de mulher e ser encarada como “igual” pelos colegas de trabalho é uma coisa muito comum. E muito errada. Se você agir naturalmente, se aceitando como mulher que tem uma vida sexual ativa, poderá até superar a ênfase que os homens fazem questão de dar à sua feminilidade, e ao fato de você ser desejável. Quantas vezes, no meio de uma reunião, você já não ouviu “passamos a palavra à bela doutora fulana?” Eles querem agradar, mas você se sente ofendida, fica com raiva por ser “bela”, “desejável”. Já que não pode revidar, passando a palavra ao “gatão do dr. sicrano”, fique fria. Ser mulher, ser bela, ser uma fêmea desejável não é defeito, nem diminui seus méritos profissionais. Não tente negar sua natureza ou sua sexualidade, pois, de tanto disfarçar, a frieza pode acabar incorporada à sua personalidade. E aí, adeus ao prazer na cama.

É preciso inverter a ordem das coisas: seja fria no trabalho, mas muito quente na cama. O primeiro passo para esta fórmula você terá dado se conseguir enfrentar com naturalidade – e orgulho – sua condição de mulher. Mas isto não basta. Não se pode esquecer que, passando boa parte do tempo no trabalho, ficamos sujeitas às influências do meio na nossa vida pessoal. Não vamos repetir o erro dos homens, que – em alguns casos – tentam pautar sua vida pelo modelo de eficiência gerado no mundo do trabalho. Aí as armadilhas também são muitas. Mas podem ser identificadas. E superadas.

É preciso confiar

Confiança é o que mais falta no mundo dos negócios. Hoje em dia quem confia é xingado de bobo. Para ser bem-sucedida neste mundo, a mulher aprende – tanto ou mais que os homens – a viver de pé atrás e puxar tapetes. Ninguém se entrega. O que interessa é tapear, blefar, ter lucro: vale tudo para vencer. E os sentimentos vão ficando massacrados e mascarados: é preciso ser durona (quando se quer colo), fingir simpatias que estamos longe de ter, tratar o outro como um inimigo. E a experiência da entrega, da confiança, do aconchego, vai ficando para trás, relegada à condição de “coisa de criança”, ou pior, “imaturidade”. O prazer sensual de perder o controle e viajar nas sensações é vista como uma ameaça ao ego.

Não queira lucrar sozinha

No mundo dos negócios, só é um sucesso quem consegue lucro. O erro é que às vezes levamos esse imediatismo para as relações afetivas. Aí nunca vai haver prazer. Não fique pensando no seu lucro. Trate de relaxar, soltar as amarras e partilhar os lucros (ou perdas). Só assim sexo e amor são bons: quando os dois envolvidos lucram igualmente, saem mais ricos daquele momento.

Prazer só vem com calma

Vivemos a era do pré-fabricado, do descartável, do lucro rápido. Mas, se isso funciona no mundo dos negócios, um grande erro é tentar levar essa eficiência toda para a cama. Quando a pressa chega ao sexo, o que vemos são duas pessoas preocupadas em obter “mais prazer um menos tempo”. É chegar já “fervendo”, usar e jogar fora, embora a embalagem ainda possa ser atraente e conservada. Assim feito, não há tempo para deixar rolar, aquecer devagar, ir e vir nos toques discretos e ligeiros, até chegar o momento da decisão. É uma simples repetição do que se vê no mercado: viu, gostou, levou.

Nem vencida nem vencedora

Se o poder, no mundo dos negócios, dá status e provoca muita bajulação, levar essa filosofia “do mais forte” para a cama é desastre na certa. O que vamos encontrar é o homem preocupado em levar a mulher à exaustão, ou ela tentando “enlouquecer” o parceiro.

Ninguém relaxa. Não há prazer. O resultado é que tem muita cama por aí servindo de palco para jogos de poder, onde sempre um sai derrotado. Nada a ver com amor e sexo sadios, onde não há competição. Aí sim estaremos vivendo uma relação onde há integridade, inteireza, amor, em vez da competição e desprazer. Nessa explosão de vida não há espaço para poder, nem medo de parecer ridículo porque um se entrega, geme, faz caretas, mostra seu corpo como ele é, desnuda emoções. Na hora em que comportamentos que funcionam no trabalho vão junto para a cama, só pode haver frustração. Cada coisa tem sua hora e seu lugar: tentar misturar é o primeiro passo para o fracasso.

  • Psicóloga formada pela UNIP, Mestre em Psicologia Social pela USP e doutora em Ciências Sociais pela PUC-SP.
  • Pesquisadora pelo NEF - Núcleo de Estudos do Futuro, com foco no Ecossociodesenvolvimento | Cátedra Ignacy Sachs, alinhada ao United Nations Millennium Project.
  • Coaching de Carreira e Preparo para uma Aposentadoria Sustentável.