Pessoas idosas sentem mais frio

"Minha mão vive carregando xales, malhas e casaquinhos mesmo que esteja o maior sol. Que mania é essa?"

Joyce Furlan, Americana (SP)

Idosos sentem mais frio

Ana Fraiman

Pessoas idosas, Joyce, sentem mais frio e procuram se prevenir. Se ela carrega seus agasalhos, o trabalho é dela, não se preocupe com isso. E você já parou para verificar quanta coisa inútil carrega em sua bolsa, só para o caso de precisar, e não usa nunca? Não queira de maneira nenhuma obrigá-la a não carregar agasalhos, isso só vai gerar confusões e atritos. Trate de respeitá-la em suas necessidades.

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Joguei fora a mulher amada

Eu sou um asno. Joguei fora, não uma mulher amada, mas a mulher amada.

Mulher Amada
Imagem: visualhunt

A que incendiou meus anos de envelhecimento, fazendo-me crer que nascera, mesmo, privilegiado. Sempre me senti assim. Diferente. Bafejado pela sorte. Eu, simples funcionário público, sempre me senti um rei.

Enquanto meus amigos, em almoços e jantares de alegria temperada à melancolia, comemorando cinquenta anos disso ou sessenta daquilo, gabavam-se de sua macheza dos tempos idos, calado eu sorria para preservar meu bem, meu segredo mais precioso. Em mim, tudo funcionava.

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Biografia de um homem absolutamente comum

Nasci no Maranhão, oitavo filho de mãe pobre, analfabeta e terrivelmente brava. Sobrevivi graças a dois de meus irmãos, que me cuidaram: uma, tratando-me feito boneca. Outro, alimentando-me feito bezerro.

A primeira brincou de fazer tranças em meus bastos cabelos, já que ela própria não os tinha em quantidade que bastasse. E também se ressentia por não ter uma verdadeira boneca. Só uma muito feia de palha e sabugo. Nenhum de nós ganhou brinquedo. Naquele calor de cortar o ar com faca, cobertores não havia, mas alguns panos nos garantiam sombra de dia e, nas noites frias nos protegiam.

Dormíamos ao relento, em covas escavadas na terra, forradas por folhas e, quando dava sorte, por alguns trapos e pedaços de papel jornal. Ninou meus dormires com canções da terra e seus balouçantes braços que ventos brandos simulavam ao me trazerem dependurado em seu colo ou nas suas saias que vez por outra voejavam. A aragem era pouca, mas havia.

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Medo do Câncer: quanto o check-up é necessário.

"Tanto eu quanto meu marido temos casos de câncer na família. Estamos na faixa dos 50. É necessário que façamos um check-up? Isso nos assusta e muito."

Inge Gôrgens, Curitiba (PR)

Medo do Câncer
Imagem: Pixabay

 

Ana Fraiman

Infelizmente, Inge, vocês se enquadram na população de risco. Está na hora, sim, de fazer um check-up. Quanto mais cedo for detectado, que espero não seja o caso, mais fácil será a cura, com muito menos sofrimento físico e mental.

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Mazelas, deles e delas.

A sinceridade torna cada biografia um verdadeiro tratado de humanidades.

Mazelas
Imagem: Pixabay

Estou com 83 anos. Não sei se chegarei aos 84 e isso, de certo modo não é problema de meu interesse. Os médicos é que ficam procurando. Eles adoram encontrar doença. Querem logo tratar. Eles que tratem, então. Eu gosto é de viver a minha vida. Eles que fiquem preocupados. Eu fico com a saúde.

Não tem como. Quando chegar a minha hora, chegou. Meu compadre saiu do cardiologista feliz com o seu coração de jovem. Bateu com as botas às dez no dia seguinte. Infarto. A mulher acordou com ele lá, durinho na mesma cama. Esse daí é que soube morrer a Boa Morte. Eu não sei se vou saber.

Meu passado, com certeza foi muito mais emocionante que aquilo que antevejo para o meu futuro. Não que eu seja ou esteja deprimido. Minha vida é que está muito chata. Os dias passam sem maiores expectativas, não faço planos. Tudo muito uniforme. Nada de novo altera minha rotina. Três horas de novela todos os dias. Aquela gritaria. Só patifaria. Quem aguenta isso?!

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