Aqui entre nós

Um dia me aposentei. Acho que cedo demais. Perdi meu trabalho, meu status, minha renda milionária. Fiquei mais velho, como todos ficam. Alguns amigos meus não tiveram essa sorte. Foram embora antes. Não tiveram que envelhecer. Porque isso é difícil. Põe difícil nisso!

Me aposentei
Imagem: Pexels

Já tive e precisei ter muitas coisas. Muitas. Correria desenfreada para manter tudo. Viagens, negócios, recepções. Compras, carros. Filhos, amigos, muitos amigos de meus filhos, além dos meus próprios amigos. Faculdades e cursos disso e daquilo, casa na praia, todos se refestelando à custa de meu trabalho.

Era muito feliz com isso. Minha esposa reclamava das minhas ausências, mais assíduas do que minhas presenças, pois que, mesmo estando em casa – hoje reconheço – mal conversávamos. Falta de tempo. Marcávamos hora para conversar. E para transar.

Assim vivíamos como casal, numa vida de grife e de sucesso. Para mim, isso era qualidade. Em determinado sentido, talvez o fosse. Dois loucos, pois é o que éramos. Mas loucos que se sentiam realizados! Era tudo pelo que lutávamos anos a fio. Eu daqui, ela dali. Para isso é que nossos pais, imigrantes, haviam se sacrificado.

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A fase da aposentadoria

A vida não lhe trará o sucesso de bandeja. Velho ou novo vá buscar. Este é a grande mudança da aposentadoria: comece de novo.

Aposentado Marionete

“Eu já estava convencido que, dali para frente, a minha vida não seria mais do que uma sucessão de dias que eu tentaria preencher de alguma forma útil, tal qual uma To Do List diária, a qual eu fazia todas as noites, antes de dormir e cumpria no dia seguinte ou poucos dias depois: ir ao banco pagar o INSS da nossa empregada; passar no sacolão e comprar as frutas que estavam faltando; levar meus tênis para reparo; lavar o carro na esquina, enquanto usufruísse alguma cortesia do posto; comparecer ao dentista e, tantas coisas mais, que faz com que o dia a dia de um aposentado se preencha.

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Lidando com a morte

"Meu filho de 5 anos sabe que meu pai vai morrer porque tem câncer. Agora, eles brincam de morrer a toda a hora. Devo fazer de conta que não vejo nada?"

Fátima Guedes, Atibaia (SP)

Ana Fraiman

Fátima, é o adulto que tem escrúpulos e receios de falar abertamente sobre a morte. Crianças e velhos conseguem mais desenvoltura e espontaneidade para romper o incômodo do silêncio sobre a questão vida-morte. Repare como eles ficam “cheios de vida”, brincam, riem, se comovem, se aproximam e são íntimos. 

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