Aproximação dos netos

Minha mãe, de 72 anos, mora só. Somos três irmãos e ela tem seis netos. De todos, só meus filhos (de 15 e 13 anos) não a visitam. Sei que tenho culpa por não ter feito com que convivessem mais com ela, quando eram menores. Mas como posso aproximá-los da avó, sem que haja o inevitável confronto entre eles?

Guiomar Pereira, Porto Alegre (RS)

Aproximação dos netos
Imagem: Pixabay

Ana Fraiman

Quando se procura entendimento, diálogo, circula-se por um caminho de mão dupla. A tarefa aqui é tanto revelar aos filhos a outra face da avó, como revelar a ela a outra face dos netos. E isso não depende só de você. O confronto é inevitável, para que se dê o entrosamento. Você precisará aprender a ouvir menos as queixas, a ser menos “Almofada-de-choque” entre eles; seus filhos precisarão sentir-se estimados e reconquistar a confiança da avó. Todos terão que assumir sua parcela de responsabilidade, nesta relação, e aguentar as consequências das atitudes que tomarem. 

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Franquia de Entretenimento

Descrito, magistralmente por um grande amigo jornalista, Heraldo Palmeira, recomendo: somente para aqueles que são profundamente sensíveis ao ser humano e,  mais do que razoavelmente inteligentes. O texto é de uma lucidez feroz.

Franquia de Entretenimento
Spock at console (imagem Wikimedia.com)

Heraldo Palmeira

Tenho andado nas empresas e me assustado com o que encontro para interlocução. Pessoas esforçadas, estressadas. Boa parte com formação sofrível, sem traquejo e projeto profissional de longo prazo – parece pouco provável que tenham algum para a vida pessoal. Quase sempre desanimadas, sem referências, provocando perguntas diretas: para que tudo isso? Por que vivem assim? Aonde pensam que vão chegar? Como sobrevivem sem resultados expressivos e presas a uma mesmice enlouquecedora?

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Como ter uma boa vida?

Recomendo este vídeo sobre uma pesquisa científica que estudou a vida de quase 700 homens dos 15 aos 75 anos.

Ele conclui sobre o que é mais importante na vida para envelhecer com saúde e felicidade!

Lições do mais longo estudo sobre a felicidade | Robert Waldinger

  • Psicóloga formada pela UNIP, Mestre em Psicologia Social pela USP e doutora em Ciências Sociais pela PUC-SP.
  • Pesquisadora pelo NEF - Núcleo de Estudos do Futuro, com foco no Ecossociodesenvolvimento | Cátedra Ignacy Sachs, alinhada ao United Nations Millennium Project.
  • Coaching de Carreira e Preparo para uma Aposentadoria Sustentável.

Relações sufocadas entre casais e seus pais idosos

Sou casada, tenho três filhos e minha mãe mora em minha casa há cinco anos. Nosso relacionamento é ótimo e, por isso mesmo, não temos coragem de excluí-la de nenhum programa. As vezes sinto que ela está se afastando de suas amigas de sua idade (ela tem 58 anos) para ficar com os netos. Como encaminhar este assunto sem magoá-la?

Lúcia Matos Siqueira, Jundiaí (SP)

Falta de dinheiro mantém jovens na casa dos pais
Imagem: Gazeta do Povo - Falta de dinheiro mantém jovens na casa dos pais

Ana Fraiman

Uma pessoa como sua mãe não há de querer sentir-se um estorvo, um peso, na vida de ninguém. Pela própria experiência, deverá apoiar você na preservação da autonomia do casal, satisfeita em respeitar a privacidade de vocês. 

Afastamento não quer dizer, necessariamente, separação ou abandono. Se demasiado apegadas, ao invés de proteger, as relações acabam por sufocar a todos. Afastar-se dá margem ao desejo de reencontro. Ficar “grudado” dá margem ao desejo de ir embora, largar tudo. Exponha-lhe seus sentimentos e ouça os dela. E cuidado para não atribuir a ela possíveis fontes de conflito e dependência. E se fosse justamente o contrário?

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O processo das emoções na escolha profissional

Os processos emocionais acontecem o tempo todo dentro de nós. Uma emoção é o produto de uma informação (estímulo) percebida pelos sentidos e representada, mentalmente, de determinado modo.

Por isso, o que nos impacta de uma forma pode afetar outra pessoa de modo diverso. Podemos extrair disso que toda emoção é a expressão de um sentimento, que, por sua vez reflete uma atribuição significativa da cognição.

Escolha Profissional
Imagem: Pixabay

Algo nos toca, nos mobiliza, atribuímos a isso um significado e sentimos algo, daí se expressa uma emoção, que é o que externalizamos, é a tradução de um processo cognitivamente mediado. A cognição avalia o estímulo, a resposta e as consequências do que externamos.

Vamos exemplificar: um aluno assiste a uma matéria no telejornal sobre determinada carreira e se sente motivado a prestar vestibular para essa profissão. Escuta, por exemplo, sobre geologia e descobre-se altamente identificado com um senso de aventura e conhecimento. Horas depois, no almoço, escuta seu pai comentar: “Hoje em dia as coisas estão difíceis, é preciso levar a vida a sério e seguir uma profissão que dê estabilidade”. Automaticamente ele pode representar essa fala como um aviso e fazer uma atribuição cognitiva como: “Geologia não é algo sério, não dá dinheiro”. Isso pode ser o bastante para o jovem deixar sua escolha autêntica de lado e atribuir (associar) segurança a outra profissão que não aquela que realmente gostaria de seguir.

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A dureza de viver e morrer sozinho

“Depois que meu avô morreu, meu pai se tornou mais alegre, expansivo e até mais generoso. Minha mãe não está acreditando muito nessa mudança. Será que meu avô oprimia tanto assim o meu pai?”

A. L – João Pessoa, PB

Solidão

 

Ana Fraiman

A pior opressão não é a que nos inflige, mas a falta de liberdade interior. Parece que seu pai a reconquistou. Está cheio de vida. Animado. Ele pode ter aprendido com a morte do pai dele, por exemplo, que é duro viver e morrer só e que, se ele não for afável e acessível, as pessoas vão se afastar dele, mesmo as mais próximas, como esposa e filhos. Se seu pai foi opressivo ou não, é outro caso. O que importa é o dom de vivermos em liberdade. Nascemos dotados desse poder. Por isso, tirem você e sua mãe o pé atrás e aproveitem essa nova vida do seu pai. Porque chorar a gente pode chorar sozinho, mas alegria pede companhia.

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