A dificuldade de reconhecer limites característicos do envelhecimento dos pais.

Por Ana Fraiman, abril de 2016.

Continuação do Artigo Idosos Órfãos de Filhos Vivos – Os novos desvalidos.

Envelhecimento os pais
Crédito: MONALISA LINS/AGÊNCIA ESTADO/AE/Codigo imagem:29880

Este é o modelo que se pode identificar. Muito mais grave seria não ter modelo. A questão é que as dores são tão mascaradas, profundas e bem alimentadas pelas novas tecnologias, inclusive, que todas as gerações estão envolvidas pelo desejo exacerbado de viver fortes emoções e correr riscos desnecessários, quase que diariamente. Drogas e violência toldam a visão de consequências e sequestram as responsabilidades. Na infância e adolescência os pais devem ser responsáveis pelos seus filhos. Depois, os adultos, cada qual deve ser responsável por si próprio. Mais além, os filhos devem ser responsáveis por seus pais de mais idade. E quando não se é mais nem tão jovem e, ainda não tão idoso que se necessite de cuidados permanentes por parte dos filhos? Temos aí a geração de pais desvalidos: pais órfãos de seus filhos vivos. E estes respondem, de maneira geral, ou com negligência ou, com superproteção. Qualquer das formas caracteriza maus cuidados e violência emocional.

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Obrigações desagradáveis

"Embora tente me controlar, não deixo de sentir que cobro muito meus filhos. Sinto que estou agindo mal, me tornando chata. O que fazer?"

Pergunta de Rosa Duarte, Rio de Janeiro (RJ)

Ana Fraiman

Todos esperam que haja reciprocidade numa relação, uma troca de atenção, cuidados, favores, carinhos, críticas, opiniões, onde todos lucrem e sintam-se emocionalmente amparados. Já a cobrança reflete uma relação de desigualdade, onde alguém deve ao outro, e daí as trocas deixam de ser doação natural para se tornarem obrigações desagradáveis. Aquilo que os pais dão aos filhos é, muitas vezes, diferentemente do que recebem destes: essa qualidade diferente não significa, porém, melhor ou pior.

Os filhos não podem ser pais dos seus próprios pais, a não ser à custa de muito sofrimento para todos, pois quando isto acontece sempre se verifica algum tipo de patologia: da relação ou da saúde.

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A dificuldade de reconhecer a falta que o outro faz

Por Ana Fraiman, abril de 2016.

Continuação do Artigo Idosos Órfãos de Filhos Vivos – Os novos desvalidos.

A dificuldade de reconhecer a falta que o outro faz
Imagem: fonte desconhecida

Do prisma dos relacionamentos afetivos e dos compromissos existenciais, todas as gerações têm medo de confessar o quanto o outro faz falta em suas vidas, como se isso fraqueza fosse. Montou-se, coletivamente, uma enorme e terrível armadilha existencial, como se ninguém mais precisasse de ninguém. A família nuclear é muito ameaçadora para o conforto, segurança e bem-estar: um número grande de filhos não mais é bem-vindo, pais longevos não são bem tolerados e tudo isso custa muito caro, financeira, material e psicologicamente falando.

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Velhos queixosos

"Não entendo essa mania dos velhos de estarem sempre se queixando, alarmando os outros sem necessidade. Eles afastam as pessoas do seu convívio com esse comportamento. Isso tem solução possível?"

Pergunta de Maria Thereza, Caxingui (SP)

Ana Fraiman

É difícil conviver com qualquer pessoa que vive se queixando. As queixas deixam entrever necessidade de maior atenção e cuidados. Isso é muito menos dependente da idade que de sentimentos de exclusão, solidão. É o que se chama de “carência emocional”, em que a pessoa se sente mal-amada e com pouco amor-próprio.

Em princípio, como alguém se comporta como você diz, é por que lhe falta “sentido de vida” e adota um padrão neurótico de se relacionar. Merece ser encaminhado a um atendimento psicológico especializado, antes de qualquer providência.

Expulsar a pessoa do convívio familiar não é a melhor solução.

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