Velhos geniosos

"Minha avó tem 86 anos, é diabética, cardíaca e quase não ouve mais. Seu gênio é péssimo e gostaríamos de colocá-la num asilo. Mas não sei se os asilos aceitam velhos doentes."

Dúvida de Maria Dinhorah da Costa, Cerqueira César (SP)

Ana Fraiman

É difícil mesmo conviver com doentes que, além disso, são geniosos e apresentam sinais de confusão mental. A família fica abalada e o internamento é, aparentemente, a solução mais fácil. Existem asilos que aceitam pessoas sadias que, quando adoecem, são removidas de lá. Quando um velho é internado à sua revelia, frequentemente o seu tempo de vida é abreviado. Internar, ou não, uma pessoa de idade avançada, requer um estudo cuidadoso de cada caso, tanto em relação a preservar a saúde e sanidade mental do velho, como também da família.

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Privações da velhice

"Minha mãe, com 68 anos (acho-a moça, ainda), tem um grave problema de saúde (insuficiência cardíaca), e não consigo fazê-la seguir uma vida moderada: alimentação, exercício, repouso, como o médico prescreveu. O que você me sugere?"

Pergunta de Daisy de Andrade, Santos (SP)

Ana Fraiman

Ainda que isso provoque muita angústia nos filhos, os pais idosos preferem mesmo manter os seus hábitos do que enfrentar uma vida de privações. Alguns não querem este prolongamento da existência, se isto representar uma grande perda daquilo que eles consideram importante como qualidade de vida.

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Idosos Órfãos de Filhos Vivos – Parte 2

Por Ana Fraiman, abril de 2016.

Continuação do Artigo Idosos Órfãos de Filhos Vivos – Os novos desvalidos.

Separação e responsabilidade

Assim como os pais deixavam e, ainda deixam seus filhos em mãos de outros familiares, ao partirem em busca de melhores condições de vida, de trabalho e estudos, houve filhos que se separaram de seus pais.

Idosos desvalidos
Imagem: Pixabay

Em geral, porém, isso não é percebido como abandono emocional. Não há descaso nem esquecimento. Os filhos que partem e partiam, também assumiam responsabilidades pesadas de ampará-los e aos irmãos mais jovens. Gratidão e retorno, em forma de cuidados ainda que à distância. Mesmo quando um filho não está presente na vida de seus pais, sua voz ao telefone, agora enviada pelas modernas tecnologias e, com ela as imagens nas telinhas, carrega a melodia do afeto, da saudade e da genuína preocupação. E os mais velhos nutrem seus corações e curam as feridas de suas almas, por que se sentem amados e podem abençoá-los.

Nos tempos de hoje, porém, dentro de um espectro social muito amplo e profundo, os abandonos e as distâncias não ocupam mais do que algumas quadras ou quilômetros que podem ser vencidos em poucas horas. Nasceu uma geração de ‘pais órfãos de filhos’. Pais órfãos que não se negam a prestar ajuda financeira. Pais mais velhos que sustentam os netos nas escolas e pagam viagens de estudo fora do país. Pais que cedem seus créditos consignados para filhos contraírem dívidas em seus honrados nomes, que lhes antecipam herança. Mas que não têm assento à vida familiar dos mais jovens, seus próprios filhos e netos, em razão – talvez, não diretamente de seu desinteresse, nem de sua falta de tempo – mas da crença de que seus pais se bastam.

São pais de mais idade que estão vivos, porém esvaziados de um lar pelo que tanto lutaram.

Pode-se dizer, infelizmente, que pais idosos, com filhos presentes em suas vidas constituem-se numa crescente raridade. Os filhos se aproximam quando há doença grave a ser tratada. Pagam tratamento e cuidadores e, pela presença de muitos estranhos na vida dos seus pais idosos, pessoas que cumprem com suas funções, enquanto eles, os filhos trabalham, viajam, se divertem e se encerram em seus programas exclusivos de ‘só para adultos’ e ‘só para adolescentes’ de um lado, e ‘só para gente da sua idade’ de outro. Pais de mais idade que são visitados por filhos e netos com quem conversam e vez por outra passeiam, parecem se constituir numa minoria crescente. Tornaram-se eles, os pais, complacentes em relação aos filhos que não têm tempo para nada.

Leia o Artigo Completo: Idosos órfãos de filhos vivos – os novos desvalidos

  • Psicóloga formada pela UNIP, Mestre em Psicologia Social pela USP e doutora em Ciências Sociais pela PUC-SP.
  • Pesquisadora pelo NEF - Núcleo de Estudos do Futuro, com foco no Ecossociodesenvolvimento | Cátedra Ignacy Sachs, alinhada ao United Nations Millennium Project.
  • Coaching de Carreira e Preparo para uma Aposentadoria Sustentável.
  • Pré-candidata a Vereadora por São Paulo, pelo PSDC.
  • Presidente Nacional dos segmentos Família e Idoso pelo mesmo partido.

Por que as pessoas gritam numa discussão?

Gritar em meio a uma discussão é algo que deve ser evitado. Os mais antigos diziam: - Numa briga, o primeiro que grita perde a razão.

E isso é óbvio. Os gritos são decorrentes de uma grande tensão emocional que se instalou em um, em outro ou em todo mundo ao mesmo tempo!

Por que as pessoas gritam numa discussão?
Discussão - Fonte: mulherportuguesa

Discutir não é brigar.

Há discussões muito positivas, que se prestam a ventilar ideias, firmar posições, esclarecer assuntos e dar direcionamentos. Seja em casa, seja nos negócios. Vamos discutir uma coisa, não significa: 'vamos brigar'. Pode significar exatamente o contrário: 'vamos nos entender, nos ajustar, nos conciliar'. Ou até mesmo, 'vamos concordar que neste quesito não chegaremos a nos entender'. Mas nem por isso precisaremos brigar!

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Você sabe qual a diferença entre autocontrole e autodomínio?

Diferença entre autocontrole e autodomínio

Autocontrole é a capacidade humana, mas não só humana, porque animais também sabem se controlar, que redireciona nossos impulsos, levando-nos, por exemplo a conter a expressão de um acesso de raiva (e fazer 'cara de paisagem' durante uma reunião de trabalho, quando por dentro estamos 'fervendo' ou fazer um gasto desnecessário, que desequilibraria o nosso orçamento. Na prática do dia a dia nos leva a um estado de agir com mais serenidade frente a problemas graves e a não nos deixarmos levar por provocações e frustrações.

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Velhice tranquila

A gente não controla o futuro, mesmo assim é possível preparar-se para uma velhice tranquila?

Por Elisa de Araújo, Rio de Janeiro – RJ

Ana Fraiman

De fato, não controlamos o futuro e é ilusório pensar que controlamos sequer o presente. Há sempre o imprevisto e o imponderável. Além disso, a questão não é controlar, mas sim desfrutar, saber dizer sim a vida, como ela se nos apresenta. Preparar-se para envelhecer é preparar-se para viver.

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Como parecer estar acordado numa aula chata

Em primeiro lugar aprenda a dormir sentado, com as costas eretas. Não é fácil, mas também não é difícil. Em geral uma soneca de uns poucos minutos é suficiente para repor as energias e espantar o sono. Ou ao menos levá-lo a um patamar onde você não caia da cadeira.

Como parecer acordado numa aula chata

O procedimento é assim: sente-se perto de uma parede e você poderá escorar melhor a sua cabeça. Antes de adormecer de vez, ‘veja’ um relógio na sua mente com o horário exato que você desejará despertar sentindo-se mais disposto. Programe a sua hora de acordar tranquilo. Dê alguns comandos rápidos a sua mente e confie. Você vai regular seu sono. Treine este passo a passo.

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Idosos Órfãos de Filhos Vivos – Os novos desvalidos

Por Ana Fraiman, abril de 2016.

Este artigo é uma dura crítica ao modo com que pais e sogros, na atualidade, têm sido desprezados por seus filhos e agregados. Em especial, os pais de mais idade, que têm necessidades básicas: de atenção e carinho, que lhes têm sido negadas pela insensibilidade e egoísmo de seus filhos, que preferem entreter-se com as novas tecnologias, do que conversar com familiares.
Este comportamento transmite aos netos, não a noção, mas a certeza de que bastam algumas poucas visitas, rápidas e ocasionais, alguns telefonemas semanais, um almoço ou jantar de vez em quando, um acompanhamento ao médico necessário, para cumprir o que lhes caberia fazer pela saúde e bem-estar dos mais velhos.

Atenção e carinho estão para a alegria da alma, como o ar que respiramos está para a saúde do corpo.

Os novos desvalidos
Imagem: Pixabay

Nestas últimas décadas surgiu uma geração de pais sem filhos presentes, por força de uma cultura de independência e autonomia levada ao extremo, que impacta negativamente no modo de vida de toda a família.

Em tempos anteriores, quando vieram das áreas rurais para as cidades, tão logo estabilizadas, os migrantes de tudo fizeram para trazer seus pais para junto de si de modo a recompor a família esfacelada pelos movimentos migratórios. Estando em Brasília, certa, ouvi o relato emocionado de um senhor, analfabeto, que agradecia ao filho por tê-los, a ele e sua esposa, tirado do sertão para escapar à fome e sede do corpo e, à tristeza da solidão.

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