A Cultura da Prosperidade

Prosperar é se realizar. Não há realização maior para o ser humano, pessoal e profissionalmente, do que ensinar a trabalhar. Para isso, buscar compreender a si e ao outro.

Compreender significa enxergar claro, ponto a partir do qual as atitudes e as coisas passam a fazer sentido. Nada faz sentido se não for bem compreendido.

Do ponto de vista psicológico, ficamos inquietos quando algo – que consideramos importante – não faz sentido em nossa mente. Daí que, entender e compreender, sejam processos nucleares em relação ao modo como nos conduzimos no mundo: das coisas, das tarefas e das relações humanas. Enquanto a cognição ‘entende’ – estabelece relações, calcula, compara, analisa, decompões, enfim, se utiliza de vários processos para dar conta de um enigma – o que nos faz compreender é a profunda assimilação psico-afetiva do que o plano cognitivo apenas perscrutou. Em outras palavras: a cognição capta e entende. A sensibilidade emocional assimila, retém e nos leva a agir.

Ainda que as relações contenham muitos fatores racionais, o que comanda e imprime valor a elas é a função emocional. Nesse sentido, podemos nos entender perfeitamente bem com ‘o estrangeiro’: o desconhecido com quem dançamos a mesma música e partilhamos a mesma canção. Ou um sorriso. Ou, então, nada, contudo sem antagonismos.

A necessidade de compreender é inata.

Quando fizemos ‘cara de bravo’ com um bebê ele chora sentido. Assim que desfazemos a feia armadura do rosto e voltamos a falar com doçura, o bebê se aquieta e sorri. Sente-se aliviado porque se compreende amado e não se sente mais ameaçado. Isso vale para pessoas, para animais, plantas, para todo o universo.

Sendo uma guestalt, uma configuração compreensível, a profunda compreensão tem por efeito uma rápida harmonização dos relacionamentos. As energias passam a fluir livremente e as pessoas perdem o medo de se aproximarem umas das outras. Compreender, ainda que seja um processo basicamente regido pelo plano afetivo, pode ser treinado por uma decisão racional. As pessoas precisam ‘sentir-se sossegar’ nas relações. Por causa disso é que nos empenhamos a desfazer os mal-entendidos.

Por onde começar? O primeiro passo é nutrir respeito. A começar pelo auto respeito. Respeitar tem a mesma raiz etimológica de espiar. Olhar pelas frestas. Não para bisbilhotar, mas para ‘estar a par’. Saber o que está acontecendo. Não se limitar às barreiras que sempre se impõem entre nós e o saber, mas procurar olhar por entre as barreiras. Não se contentar de ouvir falar, mas procurar ver com os próprios olhos.

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