SEGREDOS DE UM LENDÁRIO MÉDICO JAPONÊS QUE TEM HOJE, em 2016, 103 ANOS.

O Dr. Shigeaki Hinohara é conhecido por ser um dos educadores com mais anos de experiência, em seu ofício, já que desde 1941 se dedica a tratar de pacientes no Hospital Internacional St. Luke’s, em Tóquio.

Dr. Shigeaki Hinohara
Imagem: hubpages.com

Desde que completou seus 75 anos de idade este profissional publicou 15 livros, incluindo um chamado Vivendo muito, vivendo bem, que vendeu mais de 1.2 milhões de cópias em todo mundo. Como fundador do Novo Movimento da Terceira Idade, Hinohara estimula a todas as pessoas a viver vidas longas, plenas e felizes, algo em que ele parece ser perito. São estas, as chaves para sermos bem sucedidos nisso:

  1. A energia provém da sensação de bem estar. Não da boa alimentação ou do descanso: você se lembra que quando éramos pequenos, se nos esquecíamos de comer ou dormir por estar jogando? Creio que, sendo adultos podemos manter a mesma atitude. É melhor não saturar o corpo com demasiadas regras e horários.

  1. As pessoas mais longevas, sem importar sua nacionalidade, raça ou gênero, compartilham uma coisa em comum: nenhum deles tem sobrepeso. Para o desjejum eu bebo uma xícara de café, um copo de leite e suco de laranja com uma colherada de azeite de oliva, já que este produto é excelente para a saúde das artérias e para a pele. No almoço tomo um copo de leite com algumas bolachinhas, ou nada, se não tenho tempo para comer. Nunca tenho fome, porque me concentro no trabalho. O jantar consta de vegetais, um pouco de pescado ou arroz e, duas vezes por semana, 100 gramas de carne magra.

  1. Sempre planeje com uma boa antecedência: minha agenda de 2014 e 2015 já estavam planificadas com conferências e com as minhas tarefas habituais no hospital. Sem dúvida, neste 2016 vou me divertir um pouco, já que planejo ir às Olimpíadas de Tóquio.

  1. Não há necessidade de se aposentar. Mas se temos que fazê-lo, deveria ser muito depois dos 65 anos. A aposentadoria aos 65 foi estabelecida meio século atrás, quando a esperança de vida, no Japão, era de 68 anos e, somente 125 japoneses superavam os cem anos de idade. Na atualidade as mulheres japonesas vivem cerca de 86 anos e os homens 80. Além disso, em nosso país temos mais de 36.000 centenários, o que significa que, em 20 anos poderemos ter perto de 50.000 pessoas com mais de 100 anos de idade.

  1. Compartilha o seu conhecimento: eu dou mais de 150 conferências por ano, algumas vezes dirigidas a grupos de 100 crianças do curso primário e, outras, para grupos de 4.500 empresários. No geral, dou aulas de 60 a 90 minutos de duração, durante os quais permaneço de pé para manter-me forte.

  1. Quando um médico lhe recomenda realizar certo exame ou cirurgia, pergunte-lhe se ele, ou ela, sugeriria o mesmo procedimento a seu cônjuge ou a seus filhos: diferente da crença popular, os doutores não podem curar todo mundo. Por isso, para que submeter o corpo a dores desnecessárias mediante uma cirurgia? Na minha opinião, a música e a terapia com um animal de estimação podem conseguir coisas, trazer resultados que os doutores nem imaginam.

  1. Para manter-se saudável, sempre escolha subir pelas escadas e leve consigo seus próprios pertences: para manter-me saudável, sempre escolho as escadas.

 

  1. Minha inspiração é o poema “Abt Vogler” de Robert Browning, poeta inglês do período vitoriano. Meu pai costumava lê-lo para mim, quando eu era pequeno. O poema nos inspira a realizar grandes obras de arte, não pequenas garatujas. Suas palavras nos convidam a desenhar um círculo tão grande que será impossível terminar, enquanto estamos vivos. Tudo que vemos é um arco, o resto se encontra fora do alcance da nossa visão, mas está ali, na distância.

  1. A dor é misteriosa e a diversão é a melhor forma de esquecê-la: se você começa a jogar, a brincar com uma criança que sofre de dores atrozes, ela se esquecerá da dor imediatamente. Os hospitais devem responder às necessidades básicas dos pacientes e uma, dentre elas, é a diversão. No hospital St. Luke’s contamos com terapias realizadas com músicas e com animais e exposições de arte.

  1. Não se desespere por acumular bens materiais: lembre-se de que, quando chegar a hora, não poderá leva-los consigo.

  1. Os hospitais devem ser desenhados e preparados para enfrentar as mais sérias catástrofes. E devem aceitar tratar cada paciente que aparece na porta. O Hospital St. Luke’s está projetado de tal maneira que pode funcionar em qualquer parte, como no sótão, nos corredores ou na capela. Muitas pessoas acreditavam que eu estava louco ao preparar-me para uma catástrofe. Sem sombra de dúvida, por desgraça, o dia 20 de março de 1995 o destino me deu razão, quando membros do culto Aum Shinrikyu fizeram um ataque terrorista no subterrâneo de Tokyo. Nesse dia atendemos a 740 vítimas e, em duas horas conseguimos descobrir que haviam sido atacadas com gás Sarín. Tristemente, uma pessoa perdeu a vida, mas salvamos as demais 739.

  1. A ciência, por si só, não pode curar ou ajudar as pessoas: a ciência considera as pessoas em massa, mas a enfermidade é individual. Cada pessoa é única e as enfermidades estão conectadas com seus corações. Para conhecer a enfermidade e ajudar as pessoas, necessitamos das artes liberais e visuais, não só das medicinais.

  1. A vida está cheia de incidentes: no dia 31 de março de 1970, quando tinha 59 anos, embarquei no Yodogo, um voo de Tóquio a Kukuoka. Era uma manhã ensolarada e, quando se começava a divisar o Monte Fuji, o avião foi sequestrado por um grupo do Exército Vermelho Japonês. Os seguintes 4 dias, eu os passei atrelado a meu assento, sob uma temperatura de 40 graus. Decidi ver a situação como um experimento e me surpreendi ao ver como meu corpo conseguiu manter-se calmo durante a crise.

  1. Encontre um modelo e proponha-se mais do que ele ou ela tenham conseguido conquistar: meu pai viajou aos Estados Unidos no ano de 1900 para estudar na Universidade Duke, na Carolina do Norte. Ele foi um pioneiro e um dos meus heróis.

  1. Viver muitos anos é maravilhoso: até os 60, é fácil trabalhar para nossa família e alcançar nossos objetivos. Sem dúvida, nos anos posteriores, deveríamos nos propor o objetivo de contribuir para a sociedade. Desde que tenho 65 anos tenho servido como voluntário e, nesta idade – aos 103 anos - ainda dedico dezoito horas, sete dias por semana, a essa tarefa. E desfruto cada minuto.

  • Psicóloga formada pela UNIP, Mestre em Psicologia Social pela USP e doutora em Ciências Sociais pela PUC-SP.
  • Pesquisadora pelo NEF - Núcleo de Estudos do Futuro, com foco no Ecossociodesenvolvimento | Cátedra Ignacy Sachs, alinhada ao United Nations Millennium Project.
  • Coaching de Carreira e Preparo para uma Aposentadoria Sustentável.

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